Técnicas de tratamento vão de remoção e uso de fluoreto à laserterapia (Foto: Divulgação)

Saúde

A cárie é provocada por um conjunto de bactérias, sendo a principal delas chamada Streptococcus mutans. Se não for devidamente tratado, o problema pode lesionar não só o dente afetado. Isto porque a bactéria causadora da cárie passa a se proliferar de maneira desordenada, podendo chegar à corrente sanguínea, se espalhar por todo o corpo e ocasionar diversas doenças. Uma delas é a endocardite, grave doença que afeta tecidos e válvulas cardíacas.

Mas as consequências mais comuns são a dor ou a sensibilidade nos dentes. Quando isso ocorre, a doença já está em estágio avançado. “A cárie é uma infecção causada por bactérias que formam placas duras e difíceis de remover. Nessa placa, as bactérias vão aos poucos perfurando o esmalte, causando dor e desconforto, até chegar à parte mais profunda do dente, a dentina”, explica a cirurgiã-dentista Érika Vassoler. Segundo ela, a Streptococcus mutans é facilmente transmitida de uma pessoa para outra por meio do contato com a saliva, em atitudes como beijo e uso compartilhado de talheres. “A melhor maneira de evitar o problema é fazer uma escovação adequada com o uso de uma escova de dente em bom estado, fio dental e pasta fluoretada. Além disso, é importante a visita regular ao dentista para avaliação e limpeza dos dentes, evitando o aparecimento de manchas que podem vir a se transformar em cárie”, afirmou.

Apesar de o número de cáries ter diminuído nos últimos anos (com queda de 25% em crianças entre os anos de 2003 e 2010 – segundo o Programa Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde), a doença ainda é considerada a principal quando o assunto é saúde bucal. E a melhor maneira de combatê-la é investir em uma higiene oral adequada, com escovação média de oito minutos (principalmente à noite) e o uso de ferramentas como escova com cerdas fartas e macias, fio dental e escova interdental. “Enquanto a escova convencional faz a limpeza das superfícies dos dentes, a interdental limpa entre os dentes com perfeição e onde a escova comum não acessa. Já o fio e a fita dental são ótimos para remover detritos de alimentos”, orienta Hugo Roberto Lewgoy, mestre e doutor pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Ele explica que a profilaxia oral deve ser treinada individualmente e feita de forma cuidadosa, para que haja uma escovação de qualidade, onde todos os dentes sejam, de fato, higienizados de forma devida.

Principais tipos de cáries

Coronária: mais comum, se localiza nas superfícies de mastigação ou entre os dentes.

Radicular: acomete a parte cervical do dente, próximo à região gengival, especialmente quando há retração da gengiva, deixando partes da raiz do dente exposta.

Oculta: geralmente, não é identificada pelo paciente, muitas vezes acomete o órgão dentário nas faces interproximais (entre os dentes), causada por falta do uso rotineiro do fio dental e dieta rica em sacarose (açúcar).

De mamadeira: pode causar destruição dos dentes em curto espaço de tempo durante o sono. É associada à alimentação açucarada – diurna ou noturna –  e também à falta de escovação dentária.

É detectada por manchas claras ou escuras no dente, muitas vezes associadas a grandes cavidades.

Problema pode resultar em infecção ou necrose

Caso não seja tratada, a cárie pode afetar de forma definitiva a estrutura do dente e comprometer o órgão vital, que é a polpa (nervo), conforme explica Helena Biancalana, diretora do departamento de prevenção da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). Quando isso ocorre, uma das consequências é a inflamação desse tecido nervoso, que é irrigado por vasos sanguíneos. Outra repercussão é a necrose (mortificação pulpar), que pode levar a infecções localizadas e até mesmo generalizadas, quando não tratadas adequadamente. Para cada caso há procedimentos específicos e também medicamentos sistêmicos, como antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. “A cárie é uma doença grave, que tem a sua evolução rápida na maioria dos casos. O tratamento vai depender do estágio em que a doença se encontra. Se for inicial, haverá a remoção do tecido cariado e aplicação de material restaurador; se estiver mais avançada, o tratamento será mais invasivo. Atualmente, há muitas formas de tratamento, que vão desde a prevenção com fluoretos, passando pela Laserterapia, além de materiais restauradores compatíveis biologicamente com o tecido dentário. Porém, nada substitui o dente saudável”, conclui a Dra. Helena.

 

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Números estão abaixo da expectativa, mas ainda são melhores em relação aos outros Estados (Foto: Carlos Bassan/Fotos Públicas)

Cidade

Mesmo não tendo atingido nem um quarto da meta de imunização contra poliomielite e tríplice viral, a cidade de São Paulo tem uma média melhor do que a registrada em todo o País. O comparativo foi realizado com base nos números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do Ministério da Saúde. Vale lembrar que no sábado, 18, é o dia D da campanha.

De acordo com a Prefeitura, que deve atualizar os dados entre quinta, 15, e sexta-feira, 17, foram administradas pouco mais de 262 mil vacinas (132,7 mil de pólio e 129,9 mil de sarampo, caxumba e rubéola), o que representa uma cobertura de 22,4% e 22% nas duas modalidades, respectivamente. Faltam, portanto, ao menos 928 mil crianças para que os 100% sejam atingidos.

No caso do País, segundo números do Ministério, a campanha teve uma adesão mais baixa ainda: foram 3,6 milhões de doses, ou seja, pouco mais de 16% da expectativa que a pasta tinha no início do mês. A estimativa era de que 11 milhões de crianças, de um a cinco anos, fossem levadas pelos pais às unidades de saúde para a imunização.

A SMS explicou ao Metrô News que a campanha continua em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade até 31 de agosto, mas que a vacinação pode ser feita a qualquer período do ano. “A secretaria reforça que os pais ou responsáveis devem levar as crianças até o posto de saúde mais próximo para se vacinar mesmo que a carteirinha esteja em dia”, diz nota. O reforço na imunização é importante para reduzir riscos de os vírus circularem pela cidade.

Saiba como vacinar as crianças

Para receber a dose, é preciso levar documento de identificação e, se possível, carteira de vacinação e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). O portal Busca Saúde  disponibiliza consulta sobre qual é a UBS de referência de determinado endereço.

Crianças menores de dois anos de idade não devem tomar simultaneamente as vacinas. É recomendável um intervalo de 30 dias entre as doses. As vacinas são contraindicadas para pessoas que apresentam imunodeficiência congênita ou adquirida, como portadores de neoplasias malignas, submetidos a transplantes de medula ou outros órgãos; infectados pelo HIV, que estão em tratamento com corticosteroides em dose alta; ou que tenham alergia grave a algum componente da vacina ou dose anterior. Crianças com febre muito alta também devem evitar a aplicação.

O Brasil está livre da poliomielite desde 1989. Os últimos dois casos confirmados de sarampo no município de São Paulo – ambos importados - foram registrados em 2015.

As mamadas noturnas, sem a devida higienização, podem causar as cáries da mamadeira (Foto: Divulgação)

Saúde

Quando um bebê nasce, a lista de cuidados junto ao mais novo integrante da família é extensa e passa pelas idas ao pediatra, a regularização da carteirinha de vacinação e o cumprimento exemplar no que se refere à alimentação e medicamentos, se necessários. Contudo, os cuidados com a higienização bucal dos pequenos muitas vezes passam despercebidos. E enganam-se os que acreditam que cárie é problema só de gente grande. A doença pode atingir bebês ainda no primeiro ano de vida e ocasionar a destruição dos dentes de leite em um curto espaço de tempo.

Chamada de cárie de acometimento precoce, popularmente conhecida como cárie de mamadeira, a patologia costuma acometer mais de 60% das crianças até o terceiro ano de vida e é ocasionada por diversas bactérias sendo, a mais usual, a Streptococcus mutans. “A mamadeira artificial durante a madrugada, dada com grande frequência e sem qualquer tipo de higiene, pode acarretar a chamada cárie de mamadeira. É uma doença aguda, agressiva, de evolução rápida e que provoca muita sensibilidade (dor)”, afirma Helena Biancalana, diretora do departamento de prevenção da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD).

A bactéria Streptococcus mutans também pode ser transmitida pela saliva da mãe. A doença pode ser evitada com a adoção de hábitos simples, porém eficazes e seguros. A especialista explica que a prevenção passa pela orientação aos pais sobre evitar a mamada noturna, e, principalmente, promover a limpeza bucal após cada mamada durante todo o dia. Se o bebê ainda não possui dentinhos, a mesma deve ser realizada com gaze ou fralda limpa embebida em água filtrada. Nos meses seguintes, logo após a erupção dos primeiros dentes de leite, a escovação deve ser iniciada com a escova de dentes. “Para o bebê, utiliza-se escovas macias e extramacias adequadas para cada idade. Ressalto a importância do uso do creme dental fluoretado com no mínimo de 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor, na quantidade equivalente a um grão de arroz, sob a responsabilidade dos pais”, alerta.

Além da dor e da possível perda dos dentes, a cárie de mamadeira pode prejudicar a criança em diversos aspectos, que vão da dificuldade durante a mastigação a prejuízos relativos à formação da dentição permanente. Isso porque, caso o dente de leite seja perdido antes da hora, os arcos maxilares podem se desenvolver de forma irregular e prejudicar funções como mastigação e articulação.

O que fazer para evitar o problema?

A cárie de mamadeira costuma ser percebida com o aparecimento nos dentes de leite de manchas claras ou escuras, geralmente associadas a grandes cavidades ou até mesmo a total destruição dentária. As manchas claras indicam a descalcificação do dente e costuma ser o primeiro sinal de alerta. “Esse tipo de cárie ocorre por conta da alimentação açucarada diurna ou noturna associada a falta de escovação, principalmente durante a noite, quando a criança pode passar por um longo período de sonho sem uma higienização correta. Por isso os pais não devem oferecer leite/sucos de madrugada ou antes de dormir, principalmente se for adocicado. ”, descreve a cirurgiã-dentista Érika Vassoler.

O odontopediatra é o profissional indicado para tratar e orientar os pais sobre os cuidados necessários com relação à saúde bucal. E a consulta pode ser realizada a partir dos seis meses de idade. Caso seja detectada, o tratamento consiste em controlar a infecção e, posteriormente, eliminar a cárie. Dependendo do paciente, também há a aplicação localizada de flúor e pode ser necessária a realização de radiografias.

Como evitar a cárie de mamadeira e a transmissão da bactéria Streptococcus mutans

  1. Não assoprar os alimentos que serão dados ao bebê.
  2. Não usar os mesmos talheres que o bebê.
  3. Não beijar a criança na boca.
  4. Levar a criança ao odontopediatra a partir dos seis meses de vida.
  5. Escovar a gengiva e os dentes após cada mamada.

De acordo com a pasta, foram registrados 723 casos no País em sete meses (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

Saúde

O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira, 1º, os números atualizados de casos de febre amarela no país, conforme informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde. Entre 1º de julho de 2017 e 28 de fevereiro de 2018, foram confirmados 723 casos da doença no país, que resultaram em 237 mortes. No período equivalente do ano anterior, entre julho de 2016 e 28 fevereiro de 2017, foram confirmados 576 casos e 184 óbitos.

Ao todo, 2.867 casos suspeitos foram notificados. Destes, 1.359 foram descartados e 785 ainda estão sendo investigados.

A febre amarela é uma doença sazonal, com maior número de casos no verão, e segundo o Ministério da Saúde, apesar de o número de casos no atual período de monitoramento ser superior à sazonalidade passada, a incidência da doença entre a população caiu. No período de monitoramento 2017/2018, a incidência da febre amarela foi de 2,2 casos para 100 mil/habitantes, enquanto na sazonalidade passada, 2016/2017, a incidência foi 7,1/100 mil habitantes.

“O vírus da febre amarela hoje circula em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 32,3 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 8 milhões de pessoas, muito menor que a atual.”, explicou o ministério, por meio de informe.

Recomendação

O Ministério da Saúde tem reforçado a importância da vacinação para a população da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo e recomenda que os estados “continuem vacinando até atingir alta cobertura”. Dados preliminares do ministério informam que, até 27 de fevereiro, 5,5 milhões de pessoas foram vacinadas nos três estados, 23,2% do público-alvo da campanha.

De acordo com o ministério, os estados receberam 20,2 milhões de doses da vacina em 2018, até o momento. Foram enviadas 15,7 milhões de doses para implementação da Campanha de Vacinação contra a Febre Amarela para a Bahia (300 mil), Rio de Janeiro (4.7 milhões) e São paulo (10.7 milhões).

Doença tem assustado brasileiros no início de 2018 (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

Saúde

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, propôs nesta quinta-feira, 22, a representantes de secretários estaduais e municipais de saúde vacinar toda a população brasileira contra febre amarela até o fim do ano. A área de recomendação de vacina contra a doença tem se expandido ao longo dos últimos anos, numa resposta à expansão da circulação do vírus que provoca a doença.

Atualmente, cerca de 20 milhões de pessoas no Nordeste e 10 milhões no Sudeste vivem em áreas onde não há recomendação de vacina. 

Na avaliação de Barros, seria possível atender a essa demanda ainda neste ano. Isso porque a Fiocruz deverá entregar este ano 48 milhões de doses. 

Além disso, é esperado para o próximo semestre a entrada em funcionamento da fábrica da Libbs, numa produção em parceria com a Fiocruz. Isso seria suficiente para atender toda a demanda, incluindo a rotina. 

A proposta será discutida entre Estados e municípios. A ideia também foi apresentada na Organização Mundial da Saúde.

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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Vale a reflexão sobre o desarmamento no Brasil (Foto: Arquivo/ABR)

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Juntos, os hospitais filantrópicos, como é o caso das santas casas, acumulam uma dívida de R$ 21 bilhões (Foto: Edson Lopes Jr/ (Arquivo) – A2 Comunicações/Fotos Públicas)

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Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

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