20
Sáb, Out

Técnicas de tratamento vão de remoção e uso de fluoreto à laserterapia (Foto: Divulgação)

Saúde

A cárie é provocada por um conjunto de bactérias, sendo a principal delas chamada Streptococcus mutans. Se não for devidamente tratado, o problema pode lesionar não só o dente afetado. Isto porque a bactéria causadora da cárie passa a se proliferar de maneira desordenada, podendo chegar à corrente sanguínea, se espalhar por todo o corpo e ocasionar diversas doenças. Uma delas é a endocardite, grave doença que afeta tecidos e válvulas cardíacas.

Mas as consequências mais comuns são a dor ou a sensibilidade nos dentes. Quando isso ocorre, a doença já está em estágio avançado. “A cárie é uma infecção causada por bactérias que formam placas duras e difíceis de remover. Nessa placa, as bactérias vão aos poucos perfurando o esmalte, causando dor e desconforto, até chegar à parte mais profunda do dente, a dentina”, explica a cirurgiã-dentista Érika Vassoler. Segundo ela, a Streptococcus mutans é facilmente transmitida de uma pessoa para outra por meio do contato com a saliva, em atitudes como beijo e uso compartilhado de talheres. “A melhor maneira de evitar o problema é fazer uma escovação adequada com o uso de uma escova de dente em bom estado, fio dental e pasta fluoretada. Além disso, é importante a visita regular ao dentista para avaliação e limpeza dos dentes, evitando o aparecimento de manchas que podem vir a se transformar em cárie”, afirmou.

Apesar de o número de cáries ter diminuído nos últimos anos (com queda de 25% em crianças entre os anos de 2003 e 2010 – segundo o Programa Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde), a doença ainda é considerada a principal quando o assunto é saúde bucal. E a melhor maneira de combatê-la é investir em uma higiene oral adequada, com escovação média de oito minutos (principalmente à noite) e o uso de ferramentas como escova com cerdas fartas e macias, fio dental e escova interdental. “Enquanto a escova convencional faz a limpeza das superfícies dos dentes, a interdental limpa entre os dentes com perfeição e onde a escova comum não acessa. Já o fio e a fita dental são ótimos para remover detritos de alimentos”, orienta Hugo Roberto Lewgoy, mestre e doutor pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Ele explica que a profilaxia oral deve ser treinada individualmente e feita de forma cuidadosa, para que haja uma escovação de qualidade, onde todos os dentes sejam, de fato, higienizados de forma devida.

Principais tipos de cáries

Coronária: mais comum, se localiza nas superfícies de mastigação ou entre os dentes.

Radicular: acomete a parte cervical do dente, próximo à região gengival, especialmente quando há retração da gengiva, deixando partes da raiz do dente exposta.

Oculta: geralmente, não é identificada pelo paciente, muitas vezes acomete o órgão dentário nas faces interproximais (entre os dentes), causada por falta do uso rotineiro do fio dental e dieta rica em sacarose (açúcar).

De mamadeira: pode causar destruição dos dentes em curto espaço de tempo durante o sono. É associada à alimentação açucarada – diurna ou noturna –  e também à falta de escovação dentária.

É detectada por manchas claras ou escuras no dente, muitas vezes associadas a grandes cavidades.

Problema pode resultar em infecção ou necrose

Caso não seja tratada, a cárie pode afetar de forma definitiva a estrutura do dente e comprometer o órgão vital, que é a polpa (nervo), conforme explica Helena Biancalana, diretora do departamento de prevenção da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). Quando isso ocorre, uma das consequências é a inflamação desse tecido nervoso, que é irrigado por vasos sanguíneos. Outra repercussão é a necrose (mortificação pulpar), que pode levar a infecções localizadas e até mesmo generalizadas, quando não tratadas adequadamente. Para cada caso há procedimentos específicos e também medicamentos sistêmicos, como antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. “A cárie é uma doença grave, que tem a sua evolução rápida na maioria dos casos. O tratamento vai depender do estágio em que a doença se encontra. Se for inicial, haverá a remoção do tecido cariado e aplicação de material restaurador; se estiver mais avançada, o tratamento será mais invasivo. Atualmente, há muitas formas de tratamento, que vão desde a prevenção com fluoretos, passando pela Laserterapia, além de materiais restauradores compatíveis biologicamente com o tecido dentário. Porém, nada substitui o dente saudável”, conclui a Dra. Helena.

 

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

Paciente deixou SUS com oito caixas de medicamento a menos do que precisava (Foto:Renato Araújo/Agência Brasília)

Nacional

A receita médica indicava 13 caixas, mas a pedagoga Elaine Shinomiro saiu do posto de distribuição de medicamentos levando cinco embalagens do hormônio de crescimento receitado para seu filho, João Gabriel, de 14 anos. "Cada vez é uma desculpa. Eu tenho como voltar, mas pessoas que dependem de transporte público, que trabalham, como fazem para enfrentar esse fracionamento? Não tenho dúvida de que muitos desistem (do tratamento)", diz ela.

Moradora da cidade paranaense de Ubiratã, Elaine enfrenta até falta de remédio, problema que vem se tornando comum entre pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante da crise, registrada há pelo menos quatro meses, o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) deve apresentar nesta terça-feira, 25, um levantamento realizado com 4 mil municípios para mostrar quais são os maiores estrangulamentos.

"A lista de remédios em falta é extensa. De Norte a Sul, temos municípios obrigados a comprar itens que, em tese, deveriam ser providenciados pelo Ministério da Saúde", afirma o presidente do Conasems, Mauro Junqueira. Entre os exemplos citados por secretários estão remédios para hepatite C (daclastavir e sofosbuvir), para pacientes transplantados e aqueles em tratamento para Alzheimer. Na lista também estão incluídos produtos mais baratos, como anticoncepcionais.

Crise

"Estamos passando por uma das maiores crises de abastecimento por parte do governo federal: muitos medicamentos estão faltando, incluindo os de uso continuado. A situação é extremamente grave", avalia o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Leonardo Vilela.

Procurado, o Ministério da Saúde negou, por meio de nota, falta de remédios e informou que está em dia com os repasses para a aquisição e ressarcimento dos medicamentos de responsabilidade de Estados e municípios. Segundo a pasta, o cronograma de compras dos medicamentos sob sua responsabilidade também está regular.

No entanto, a secretária da Saúde de Ubiratã, Cristiane Pantaleão, apresenta outra realidade. "Para driblar a falta, compramos, pedimos emprestado de outras cidades que têm estoques mais abastecidos. O pior é que, mesmo que a responsabilidade não seja nossa, é aqui que a população vem bater."

O atraso na entrega de medicamentos que deveriam ser providenciados pelo Ministério da Saúde foi tema de discussão em reuniões tripartite, que reúnem secretários estaduais e municipais, além de representantes do ministério. "Em maio, a informação era a de que o problema iria se resolver. Mas isso não aconteceu. Há melhoras pontuais, mas, ao mesmo tempo, agravamento em outras áreas", diz Junqueira.

Vilela atribui a crise no abastecimento a uma combinação de fatores. "O principal deles é a falta de recursos. Mas há também uma demanda cada vez maior, mais remédios, mais pacientes, e problemas de negociações com produtores", diz. Ele atribui a diferença de cenários traçados por secretários estaduais e municipais "à falta de transparência do ministério". "Não podemos esconder que dificuldades são enfrentadas também por Estados e municípios. Seria leviano dizer que não estão faltando também remédios da nossa atribuição", afirmou o presidente do Conass.

Judicialização

Ele, contudo, afirma que a falta de medicamentos que deveriam ser fornecidos pelo ministério acaba provocando um efeito cascata. Junqueira concorda. "Acaba levando a uma desestabilização de nossos planejamentos. Somos obrigados, até mesmo por decisões judiciais, a providenciar drogas que seriam de atribuição do governo federal."

Questionado sobre uma lista de produtos em que a situação é mais crítica, Vilela afirma que a situação é flutuante. "É muito dinâmico. A situação pode ser amenizada em um lugar, se agravar em outro." Um maior detalhamento deve ser dado nesta terça-feira, na apresentação do levantamento municipal.

As mamadas noturnas, sem a devida higienização, podem causar as cáries da mamadeira (Foto: Divulgação)

Saúde

Quando um bebê nasce, a lista de cuidados junto ao mais novo integrante da família é extensa e passa pelas idas ao pediatra, a regularização da carteirinha de vacinação e o cumprimento exemplar no que se refere à alimentação e medicamentos, se necessários. Contudo, os cuidados com a higienização bucal dos pequenos muitas vezes passam despercebidos. E enganam-se os que acreditam que cárie é problema só de gente grande. A doença pode atingir bebês ainda no primeiro ano de vida e ocasionar a destruição dos dentes de leite em um curto espaço de tempo.

Chamada de cárie de acometimento precoce, popularmente conhecida como cárie de mamadeira, a patologia costuma acometer mais de 60% das crianças até o terceiro ano de vida e é ocasionada por diversas bactérias sendo, a mais usual, a Streptococcus mutans. “A mamadeira artificial durante a madrugada, dada com grande frequência e sem qualquer tipo de higiene, pode acarretar a chamada cárie de mamadeira. É uma doença aguda, agressiva, de evolução rápida e que provoca muita sensibilidade (dor)”, afirma Helena Biancalana, diretora do departamento de prevenção da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD).

A bactéria Streptococcus mutans também pode ser transmitida pela saliva da mãe. A doença pode ser evitada com a adoção de hábitos simples, porém eficazes e seguros. A especialista explica que a prevenção passa pela orientação aos pais sobre evitar a mamada noturna, e, principalmente, promover a limpeza bucal após cada mamada durante todo o dia. Se o bebê ainda não possui dentinhos, a mesma deve ser realizada com gaze ou fralda limpa embebida em água filtrada. Nos meses seguintes, logo após a erupção dos primeiros dentes de leite, a escovação deve ser iniciada com a escova de dentes. “Para o bebê, utiliza-se escovas macias e extramacias adequadas para cada idade. Ressalto a importância do uso do creme dental fluoretado com no mínimo de 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor, na quantidade equivalente a um grão de arroz, sob a responsabilidade dos pais”, alerta.

Além da dor e da possível perda dos dentes, a cárie de mamadeira pode prejudicar a criança em diversos aspectos, que vão da dificuldade durante a mastigação a prejuízos relativos à formação da dentição permanente. Isso porque, caso o dente de leite seja perdido antes da hora, os arcos maxilares podem se desenvolver de forma irregular e prejudicar funções como mastigação e articulação.

O que fazer para evitar o problema?

A cárie de mamadeira costuma ser percebida com o aparecimento nos dentes de leite de manchas claras ou escuras, geralmente associadas a grandes cavidades ou até mesmo a total destruição dentária. As manchas claras indicam a descalcificação do dente e costuma ser o primeiro sinal de alerta. “Esse tipo de cárie ocorre por conta da alimentação açucarada diurna ou noturna associada a falta de escovação, principalmente durante a noite, quando a criança pode passar por um longo período de sonho sem uma higienização correta. Por isso os pais não devem oferecer leite/sucos de madrugada ou antes de dormir, principalmente se for adocicado. ”, descreve a cirurgiã-dentista Érika Vassoler.

O odontopediatra é o profissional indicado para tratar e orientar os pais sobre os cuidados necessários com relação à saúde bucal. E a consulta pode ser realizada a partir dos seis meses de idade. Caso seja detectada, o tratamento consiste em controlar a infecção e, posteriormente, eliminar a cárie. Dependendo do paciente, também há a aplicação localizada de flúor e pode ser necessária a realização de radiografias.

Como evitar a cárie de mamadeira e a transmissão da bactéria Streptococcus mutans

  1. Não assoprar os alimentos que serão dados ao bebê.
  2. Não usar os mesmos talheres que o bebê.
  3. Não beijar a criança na boca.
  4. Levar a criança ao odontopediatra a partir dos seis meses de vida.
  5. Escovar a gengiva e os dentes após cada mamada.

De acordo com a pasta, foram registrados 723 casos no País em sete meses (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

Saúde

O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira, 1º, os números atualizados de casos de febre amarela no país, conforme informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde. Entre 1º de julho de 2017 e 28 de fevereiro de 2018, foram confirmados 723 casos da doença no país, que resultaram em 237 mortes. No período equivalente do ano anterior, entre julho de 2016 e 28 fevereiro de 2017, foram confirmados 576 casos e 184 óbitos.

Ao todo, 2.867 casos suspeitos foram notificados. Destes, 1.359 foram descartados e 785 ainda estão sendo investigados.

A febre amarela é uma doença sazonal, com maior número de casos no verão, e segundo o Ministério da Saúde, apesar de o número de casos no atual período de monitoramento ser superior à sazonalidade passada, a incidência da doença entre a população caiu. No período de monitoramento 2017/2018, a incidência da febre amarela foi de 2,2 casos para 100 mil/habitantes, enquanto na sazonalidade passada, 2016/2017, a incidência foi 7,1/100 mil habitantes.

“O vírus da febre amarela hoje circula em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 32,3 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 8 milhões de pessoas, muito menor que a atual.”, explicou o ministério, por meio de informe.

Recomendação

O Ministério da Saúde tem reforçado a importância da vacinação para a população da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo e recomenda que os estados “continuem vacinando até atingir alta cobertura”. Dados preliminares do ministério informam que, até 27 de fevereiro, 5,5 milhões de pessoas foram vacinadas nos três estados, 23,2% do público-alvo da campanha.

De acordo com o ministério, os estados receberam 20,2 milhões de doses da vacina em 2018, até o momento. Foram enviadas 15,7 milhões de doses para implementação da Campanha de Vacinação contra a Febre Amarela para a Bahia (300 mil), Rio de Janeiro (4.7 milhões) e São paulo (10.7 milhões).

Doença tem assustado brasileiros no início de 2018 (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

Saúde

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, propôs nesta quinta-feira, 22, a representantes de secretários estaduais e municipais de saúde vacinar toda a população brasileira contra febre amarela até o fim do ano. A área de recomendação de vacina contra a doença tem se expandido ao longo dos últimos anos, numa resposta à expansão da circulação do vírus que provoca a doença.

Atualmente, cerca de 20 milhões de pessoas no Nordeste e 10 milhões no Sudeste vivem em áreas onde não há recomendação de vacina. 

Na avaliação de Barros, seria possível atender a essa demanda ainda neste ano. Isso porque a Fiocruz deverá entregar este ano 48 milhões de doses. 

Além disso, é esperado para o próximo semestre a entrada em funcionamento da fábrica da Libbs, numa produção em parceria com a Fiocruz. Isso seria suficiente para atender toda a demanda, incluindo a rotina. 

A proposta será discutida entre Estados e municípios. A ideia também foi apresentada na Organização Mundial da Saúde.

Números estão abaixo da expectativa, mas ainda são melhores em relação aos outros Estados (Foto: Carlos Bassan/Fotos Públicas)

Cidade

Mesmo não tendo atingido nem um quarto da meta de imunização contra poliomielite e tríplice viral, a cidade de São Paulo tem uma média melhor do que a registrada em todo o País. O comparativo foi realizado com base nos números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do Ministério da Saúde. Vale lembrar que no sábado, 18, é o dia D da campanha.

De acordo com a Prefeitura, que deve atualizar os dados entre quinta, 15, e sexta-feira, 17, foram administradas pouco mais de 262 mil vacinas (132,7 mil de pólio e 129,9 mil de sarampo, caxumba e rubéola), o que representa uma cobertura de 22,4% e 22% nas duas modalidades, respectivamente. Faltam, portanto, ao menos 928 mil crianças para que os 100% sejam atingidos.

No caso do País, segundo números do Ministério, a campanha teve uma adesão mais baixa ainda: foram 3,6 milhões de doses, ou seja, pouco mais de 16% da expectativa que a pasta tinha no início do mês. A estimativa era de que 11 milhões de crianças, de um a cinco anos, fossem levadas pelos pais às unidades de saúde para a imunização.

A SMS explicou ao Metrô News que a campanha continua em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade até 31 de agosto, mas que a vacinação pode ser feita a qualquer período do ano. “A secretaria reforça que os pais ou responsáveis devem levar as crianças até o posto de saúde mais próximo para se vacinar mesmo que a carteirinha esteja em dia”, diz nota. O reforço na imunização é importante para reduzir riscos de os vírus circularem pela cidade.

Saiba como vacinar as crianças

Para receber a dose, é preciso levar documento de identificação e, se possível, carteira de vacinação e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). O portal Busca Saúde  disponibiliza consulta sobre qual é a UBS de referência de determinado endereço.

Crianças menores de dois anos de idade não devem tomar simultaneamente as vacinas. É recomendável um intervalo de 30 dias entre as doses. As vacinas são contraindicadas para pessoas que apresentam imunodeficiência congênita ou adquirida, como portadores de neoplasias malignas, submetidos a transplantes de medula ou outros órgãos; infectados pelo HIV, que estão em tratamento com corticosteroides em dose alta; ou que tenham alergia grave a algum componente da vacina ou dose anterior. Crianças com febre muito alta também devem evitar a aplicação.

O Brasil está livre da poliomielite desde 1989. Os últimos dois casos confirmados de sarampo no município de São Paulo – ambos importados - foram registrados em 2015.

VEJA NOSSA EDIÇÃO VIRTUAL

Há propostas para reduzir o desemprego? Ao menos 13 milhões de pessoas querem saber (Fotos: Tânia Rêgo/ABR e Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que é a soma de toda a riqueza produzida no País, foi de 1%. O avanço parece pequeno, mas foi muito comemorado depois de dois anos seguidos de queda. Talvez isso tenha contaminado os especialistas, que começaram 2018 otimistas, apostando que este importante marcador da economia chegaria a 2,7%. Essa percepção foi se atenuando ao longo dos meses e, atualmente, a previsão é de que, ao fechar dezembro, alcance 1,5%, o que não seria desprezível. Até lá, isso é um problema para a equipe econômica de Michel Temer. Mas, e para 2019, com qual margem de crescimento trabalham o estafe dos dois presidenciáveis? O leitor já perguntou isso para o seu candidato? Em meio a campanhas empobrecidas, até aqui os postulantes à Presidência da República não têm dado muita importância à difícil tarefa de oferecer soluções factíveis para os problemas reais da Nação. Certamente um tópico que interessa diretamente a pelo menos 13 milhões de brasileiros é saber qual a meta de criação de emprego para o ano que vem ou para os próximos quatro? Henrique Meirelles, por exemplo, saiu da disputa, mas tornou célebre a promessa de abrir 10 milhões de postos de trabalho durante seu mandato, se fosse eleito. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, por enquanto, não externaram um número, mas devem saber que esta é uma questão central. Se o tema preocupa a eles, então deveriam responder qual é a receita deles para combater o desemprego. Para isso, não é segredo, vão precisar movimentar a economia novamente. Mas não em marcha lenta, que é o estado em que se encontra atualmente. O País precisa de um motor de crescimento poderoso, e alguém precisará vir a público e explicar se este será o próprio governo, por intermédio de investimento público, principalmente em infraestrutura; o setor privado, apostando no agronegócio ou na indústria nacional; ou simplesmente as famílias, que com uma injeção de otimismo se sentiriam mais confiantes em consumir e, assim, dariam início a um círculo virtuoso, de mais compra, mais fabricação, mais necessidade de mão de obra. E se o assunto é trabalho formal, porque não falar em salário mínimo. A previsão inicial para 2019 é de aumento dos atuais R$ 954 para R$ 1.006. Será confirmada? Tantas perguntas mais importantes para discutir e por enquanto ficamos na sessão de perfumaria.

Candidato do PSL mantém grande vantagem sobre adversário (Fotos: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR e Ricardo Stucket/Fotos Públicas)

Nacional

A segunda pesquisa Datafolha do segundo turno da eleição presidencial mostra que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) se manteve à frente de Fernando Haddad (PT). O capitão reformado do Exército passou de 58% para 59% das intenções de voto válidas em relação ao levantamento da semana passada, enquanto o petista foi de 42% para 41%. Considerando os votos totais, Bolsonaro tem 50%, contra 35% de Haddad. Brancos e nulos somaram 10% e indecisos, 5%. A pesquisa Datafolha foi realizada a pedido da TV Globo e do jornal Folha de São Paulo. Ela tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram entrevistados 9.137 eleitores em 341 municípios entre ontem e hoje. O levantamento foi registrado no TSE com o código BR-07528/2018. Rejeição A rejeição ao candidato Fernando Haddad (PT) superou a de Jair Bolsonaro (PSL) no último levantamento realizado pelo Datafolha para o segundo turno das eleições deste ano. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados não votaria de jeito nenhum no petista, contra 41% para o capitão do Exército.Considerando os votos por região, Bolsonaro continua vencendo em todas, exceção feita ao Nordeste, onde Haddad tem 53% das intenções de voto, contra 31% do capitão reformado do Exército. No Sudeste, região mais populosa do País, o presidenciável do PSL bate o petista por 55% a 29%. No sul, a diferença chega a 61% contra 27%.A pesquisa Datafolha foi realizada a pedido da TV Globo e do jornal Folha de São Paulo. Ela tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram entrevistados 9.137 eleitores em 341 municípios entre ontem e hoje. O levantamento foi registrado no TSE com o código BR-07528/2018. 

Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

Opinião

Desde 2013, o Ibope realiza a Pesquisa Brasileira de Mídia, a pedido do governo federal. O objetivo é saber por quais meios os brasileiros se informam. Desde o início, o estudo – que é feito nacionalmente e com uma amostra de cerca de 15 mil pessoas, distribuídas por todas as Unidades da Federação – revela a prevalência da TV sobre os demais meios. Mas, desde 2016 (último ano da análise, publicada em 2017) há evidências do avanço da Internet, que se consolidou como o segundo meio de comunicação mais usado (49% da amostragem), ameaçando inclusive a soberania televisiva (89%). A soma é superior a 100% porque se pode indicar mais de uma opção. E as eleições deste ano reforçam o poder da internet e dos meios digitais. Para o bem ou para o mal, estas formas se cristalizaram como o caminho preferido de muitos brasileiros para o consumo de notícias. E não são poucos aqueles que fazem isso de modo exclusivo, bebendo apenas na fonte de sites, blogues, aplicativos e redes sociais. E, ainda que estes não sejam maioria, dedicam mais tempo nestes acessos. Enquanto o tempo médio em frente à TV é de três horas e 21 minutos, entre aqueles que utilizam a web (segundo a mesma pesquisa Ibope) é de quatro horas e 40 minutos, superando seis horas entre o público de 16 a 24 anos. Mais importante que a quantidade de informação disponível na web e redes sociais são a relevância e qualidade do conteúdo oferecido. Evidentemente, no universo digital há muitas empresas e grupos sérios, que primam pela credibilidade do que oferta. No entanto, há um sem número de virulentos guetos, que servem de fábrica para as fake news. Assim, nunca é demais ressaltar que estar na internet, Facebook ou WhatsApp não representa selo de veracidade. Ainda são os meios tradicionais que têm o compromisso com a verdade, por não sair noticiando o que não foi confirmado. Falta isso nos rincões digitais. E até que se separe o joio do trigo, esta revolução representará não um avanço, mas um retrocesso. Nesta nova era, a verdade já não basta para a formação da opinião pública, nem é antídoto à manipulação. Agora se consome aquilo em que se quer acreditar, acriticamente e ainda que falso, desprezando o que vai contra as próprias convicções. A isso se convencionou chamar de “pós-verdade”.

Mais uma pesquisa dá empate técnico entre os dois oponentes (Fotos: Klaus Silva /TJSP/ Fotos Públicas e Reprodução/Twitter)

Cidade

Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) estão tecnicamente empatados na disputa para o segundo turno, aponta a mais recente pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada nesta quarta-feira, 17. Doria tem 52% dos votos válidos - quando são excluídos os brancos, nulos e indecisos - e Márcio França, 48%. A margem de erro é de três pontos porcentuais. É a primeira pesquisa Ibope para o governo de São Paulo neste segundo turno das eleições 2018. Se considerados os votos totais, Doria tem 46% das menções e França, 42%. Eleitores que declaram a intenção de votar em branco ou nulo são 10%; 2% não sabem ou preferiram não responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 17 de outubro. Na intenção de voto espontânea, na qual os eleitores manifestam sua preferência antes de ler a lista de candidatos, Doria aparece com 28% das intenções de voto, também empatado tecnicamente com França, que tem 26%. Neste caso, os indecisos são um quarto dos entrevistados. Outros 15% manifestam a intenção de votar branco ou nulo, e 6% disseram nomes diferentes, que não estão na disputa. A rejeição de Doria é a maior - 32% apontaram que não votariam nele de jeito nenhum. A de França, que vinha se mantendo baixa no primeiro turno - subiu e agora está em 20%. No dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno, era de 9%. Também chama a atenção a quantidade de eleitores que não os conhecem - 18% disseram não conhecer Doria o suficiente para opinar. No caso de França, o número é de 28%. A pesquisa ouviu 1.512 votantes e a margem de erro estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95% - esta é a chance de os resultados retratarem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob o protocolo Nº SP-07777/2018 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo Nº BR-BR-07265/2018.
or
or

Articulistas

Colunistas

Nem o diabo, que é o pai da mentira (Jo 8:44), deve acreditar que existam socialistas cristãos (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Há propostas para reduzir o desemprego? Ao menos 13 milhões de pessoas querem saber (Fotos: Tânia Rêgo/ABR e Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Decisão do STF preserva direito de trabalho à grávida, mesmo se ela desconhecer a gestação (Foto: André Borges/Agência Brasília/Fotos Públicas)

Opinião

Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

Opinião