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20/04/2007
O ano de Caio Blat no cinema




Aos 26 anos, Caio Blat tem um currículo apreciável que inclui numerosas peças como ator e até diretor, cinco filmes já estreados e quase uma dezena de novelas e especiais de tevê (sete na Globo, dois no SBT e um na Cultura). Não são muitos atores jovens, talvez nenhum outro, que possuem números como esses para exibir. Mesmo assim, 2007 tem tudo para ser o ano de Caio Blat no cinema brasileiro.

A partir de hoje, a Mais Filmes e o Espaço Unibanco de Cinema realizam uma retrospectiva só com filmes em que Blat atua. “Cama de Gato”, “Carandiru”, “Lavoura Arcaica” e “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” são títulos já confirmados. E o ator está em três novos filmes, que vão estrear sucessivamente. O primeiro, é o próprio “Batismo de Sangue”, que chega hoje; os próximos serão “É Proibido Proibir”, de Jorge Durán, no dia 27; e, um pouco mais adiante, “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, dia 11 de maio. E tem também no teatro. A peça “Mordendo os Lábios”, espetáculo de Hamilton Vaz Pereira, estará em cartaz no Sesc Santo André de 3 a 5 de maio.

Em “Batismo de Sangue”, no qual interpreta frei Tito, Blat vive uma experiência intensa. É até certo ponto doloroso assistir, primeiro, à quebra física do personagem e, depois, à sua destruição psicológica. O resultado: a opção pela morte em detrimento da loucura iminente, o que representaria a vitória do algoz, Fleury, e do sistema de repressão da ditadura militar.

Ator talentoso, Blat agradece ao preparador de elenco, Sérgio Pena, que reuniu o grupo todo durante um mês e meio, antes das filmagens. “Sérgio não fez a preparação clássica. Ele queria que a gente sentisse os personagens, mas não em função das cenas que estavam no roteiro e foram para o filme. Por exemplo, ele nos fez recriar o congresso da UNE (a União Nacional de Estudantes), em Ibiúna, que não está no filme, só o seu efeito. Nos reunimos naquele sítio com 500 figurantes e ele fazia a gente se virar. Tinha de arranjar pão, leite, acomodação. Quando chegaram os policiais, a simulação era tão perfeita que a gente viajou, como se estivesse vivendo aquele horror”, disse.

Bom trabalho – Quem se destaca também é Daniel de Oliveira, no papel de frei Betto. É tão convincente que chegou a impressionar o escritor e religioso dominicano, que afirmou ter tomado um susto quando se viu na tela, na interpretação de Oliveira. “Tivemos um encontro, ele ficou uns dois dias me observando. Captou coisas minhas, muito íntimas. Se transformou, fisicamente. Amigos me confessaram que também me viram na tela.” Já o ator se preparou com base em pesquisa e informação. Leu sobre a época, absorveu tudo o que podia no contato direto com o frei. “O trabalho para (viver) frei Betto foi muito particular. Senti que teria de me aproximar dele pela palavra. Ela foi a porta para que entrasse nesse mundo de dor e, apesar de tudo, de esperança”, revelou o ator.


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