Endometriose atrapalha o dia a dia das mulheres e pode dificultar uma desejada gravidez (Foto: Divulgação)

Saúde

Considerada uma das principais doenças do aparelho reprodutor feminino, a endometriose atinge até 15% das mulheres brasileiras em idade fértil e é caracterizada pela presença de tecido endometrial – semelhante ao que reveste a cavidade uterina – fora do útero. Este tecido pode surgir em locais como tubas uterinas, vagina, bexiga, peritônio, intestino, ligamentos útero-sacros e, em casos mais raros, até mesmo em regiões como nervos, diafragma e pulmões.

Os sintomas da endometriose incluem forte dor pélvica, infertilidade, dores durante ou logo após a relação sexual, fluxo menstrual abundante e cólica menstrual. Contudo, como o tecido pode aparecer em muitos locais diferentes, tais sinais variam, de acordo com o caso. Este é um dos motivos que leva, muitas vezes, à demora do diagnóstico, que pode exigir anos para que seja fechado (veja gráfico).

“Nem todas as mulheres com endometriose irão apresentar sintomas. Muitas, inclusive, só descobrem quando estão tentando engravidar, já que a infertilidade pode afetar cerca de 50% das pacientes com a doença, que também pode ocasionar dores ao urinar, dor na região lombar, sangramento anal na época da menstruação e problemas gastrointestinais”, conta Edvaldo Cavalcante, ginecologista e cirurgião ginecológico do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Segundo ele, que acaba de divulgar uma pesquisa em parceria com o Grupo de Ajuda às Portadoras de Endometriose e Infertilidade (Gapendi), o quadro é crônico, não tem cura e afeta a qualidade de vida como um todo. “Muitas pacientes precisam ir ao pronto-socorro para controle da dor. Esta é, sem dúvida, o tópico que mais afeta a produtividade, sem contar as ausências para o tratamento, consultas e exames”, ressalta o especialista, que ouviu 3 mil mulheres entre os meses de janeiro e fevereiro de 2018.

De acordo com a pesquisa realizada, a endometriose afeta a qualidade de vida e a produtividade. Tanto, que 73% admitem já ter se ausentado do trabalho por causa da doença; 38% levaram de cinco a oito anos para receber o diagnóstico; e 80,9% disseram que já se sentiram impedidas de executar determinadas ações por conta da doença. “É muito importante que a paciente busque, além do tratamento dos sintomas, apoio psicoterápico para lidar com as consequências emocionais que o problema causa”, frisa o Dr. Cavalcante.

Tratamento requer cuidados pontuais

Além da avaliação clínica, o diagnóstico da endometriose é realizado por meio de exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética. Já o tratamento, na maioria dos casos, baseia-se em medicamentos para controlar os sintomas e suspender a menstruação, com uso de terapia hormonal. A cirurgia é recomendada, principalmente, nos casos de dor crônica ou quando a mulher deseja engravidar. Nesse caso, é necessária internação de 24 a 48 horas e utilização de anestesia geral.

“O tratamento depende da gravidade da doença. Ele pode ser feito com a remoção dos focos da doença por videolaparoscopia ginecológica e com o uso de hormônios sexuais, como a gestrinona (implante hormonal), progestágenos (dispositivo intrauterino – DIU) ou anticoncepção oral”, afirma Maria Rita Curty, ginecologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão.

A médica ressalta que o desenvolvimento do tecido fora do útero só é evitado após a menopausa. “O que conseguimos antes disso é estabilizar a doença para que não surjam novos focos”, descreve.    

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Consulta com especialista é o caminho para decidir sobre vacinação (Foto: Divulgação)

Saúde

Muitas mulheres diagnosticadas com endometriose têm dúvidas se podem tomar a vacina da febre amarela porque ouviram falar que se trata de uma doença autoimune. Mas, não é bem assim. Segundo o cirurgião ginecológico, especialista no tratamento clínico e cirúrgico da endometriose, Dr. Edvaldo Cavalcante, atualmente, há evidências levantadas por estudos científicos de que nas mulheres afetadas pela doença parece haver produção de autoanticorpos, disfunção de linfócitos T e B, exacerbação das citocinas inflamatórias.

A recomendação é verificar junto ao seu médico seu estado de saúde e confirmar ou descartar a presença de doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, doenças da tireoide. Na ausência delas, ou ainda de gravidez, a mulher pode tomar a vacina e ficar tranquila.

Cerca de 180 milhões de mulheres sofrem com endometriose (Foto: Divulgação)

Saúde

Março, além de ser o mês da mulher, também é o período escolhido para chamar a atenção da endometriose.

A doença acomete aproximadamente 180 milhões de mulheres em todo o mundo. A endometriose é uma doença inflamatória crônica que acomete no sistema reprodutor feminino. De acordo com o Dr. Patrick Bellelis, especialista no assunto, a causa da doença ainda é incerta.

 A teoria mais aceita é sobre a menstruação retrógrada, em que o endométrio, tecido que reveste o interior do útero, sofre alterações durante o ciclo menstrual para que o óvulo fertilizado possa se implantar.

Ela não é doença maligna. Existem tratamentos eficazes e que devolvem a leveza para a vida dessas mulheres. 

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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