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Sex, Out

Ideia é que células sejam recrutadas para combater a doença (Foto: Divulgação/Cynthia Goldsmith/CDC/Fotos Públicas)

Saúde

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Crid) e da USP deram mais um passo para desvendar os mecanismos envolvidos na infecção por Trypanosoma Cruzi, protozoário que causa a doença de Chagas.

Eles identificaram uma molécula, a fosfatidilinositol 3-quinase (PI3K) gama, que tem papel importante no reconhecimento do parasita e também no recrutamento de células de defesa do organismo para combatê-lo. O estudo terá continuidade para aprofundar o entendimento do mecanismo de regulação do PI3K gama. “Agora estamos mostrando que existe uma molécula capaz de regular o PI3K gama e é possível modulá-la. Precisamos saber se o PI3K gama é dependente exclusivamente dessa molécula ou se há outras envolvidas.

É um estudo complexo, razoavelmente demorado e exige estudantes bem treinados para trabalharmos”, explicou o docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, João Santana da Silva.

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Artista inspirado por Michelângelo e Rubens, que chocou os neoclássicos com cores vibrantes e movimentos caóticos sobre a tela, foi reverenciado pelos impressionistas e celebrado por historiadores e críticos como o maior pintor do romantismo, Eugène Delacroix (1798-1863) tem a primeira retrospectiva de sua obra realizada no continente americano mais de um século depois de sua morte. Em exibição até 6 de janeiro no Metropolitan Museum, em Nova York, Delacroix foi produzida pelo Met e o Louvre e exibe em torno de 150 pinturas, gravuras, desenhos e manuscritos. Além das 12 galerias que ela ocupa, mais três salas abrigam uma mostra paralela com cerca de cem desenhos dele.

Ao ser exibida no Louvre, entre março e julho, a retrospectiva mostrou a amplitude da obra de Delacroix a novas gerações pela primeira vez. Antes dela, a última exposição de grande porte sobre o trabalho dele na França, onde o pintor nasceu, ocorreu no centenário de sua morte, há 55 anos. A deste ano foi vista por cerca de 540 mil pessoas e marcou o recorde de visitantes nos 225 anos de história do museu parisiense. Delacroix se baseia em pesquisa que inventariou mais de 800 pinturas, 8 mil desenhos, cem gravuras e milhares de páginas escritas sobre as quatro décadas da carreira dele.

Os organizadores Asher Miller, do Departamento de Pinturas Europeias do Met, Sébastian Allard e Côme Fabre, do Departamento de Pinturas do Louvre, estruturaram Delacroix em três fases, começando pelo período de 1822 a 1834, com as primeiras participações do pintor no Salão de Paris. O segundo grande bloco, de 1835 a 1855, abrange duas décadas marcadas pela exploração de temas históricos e a última parte enfatiza o interesse dele pela natureza e pela memória.

Delacroix evitou deliberadamente as convenções acadêmicas na escolha de seus temas, voltando-se para cenas da história do seu tempo ou imaginadas na literatura, dramáticas e violentas, representando-as em grande escala. Fez uso de cores fortes e da dinâmica do seu pincel para mexer com as emoções do observador. O Salão de Paris, maior evento de artes plásticas do Ocidente no século 19, foi sua escolha para buscar reconhecimento do seu estilo. Apenas sete anos depois de começar seu treinamento com o acadêmico Pierre-Narcisse Guérin, em 1822 ele apresentou seu primeiro trabalho no Salão, Dante e Virgílio no Inferno, também conhecido como A Barca de Dante.

A interpretação de uma cena de A Divina Comédia, escrita por Dante Alighieri no século 13 e com o autor como personagem, marca o início da proveitosa exploração da literatura como um dos estímulos de sua criação. O quadro é representado no Met apenas pelo estudo de um dos personagens que o compõem. Dante e Virgílio no Inferno é grande e frágil demais para correr riscos numa viagem transatlântica. Assim como A Liberdade Guiando o Povo, do Salão de 1831 e uma das pinturas mais conhecidas de Delacroix, com lugar cativo no Louvre. Mas a retrospectiva é pontuada por outras obras que Delacroix lançou no Salão (nem sempre com boa receptividade) e dezenas de pinturas monumentais. Já à entrada das galerias está Cristo no Jardim das Oliveiras (278 × 345 cm), a primeira encomenda que ele recebeu para criar uma pintura religiosa. Feito entre 1824 e 1826 para a Igreja de Saint-Paul-Saint-Louis, em Paris, o quadro foi exibido no Salão de 1827.

Em menos de dez anos, Delacroix experimentou quase todos os gêneros, da religião à mitologia e fatos históricos de sua época, como a luta dos gregos por independência na alegoria Grécia nas Ruínas de Missolonghi, de 1826. Ganhou fama como líder da vanguarda, mas ??não gostava de ser rotulado como pintor romântico. "Se romantismo significa a manifestação livre de minhas impressões pessoais, minha aversão a modelos copiados nas escolas e por fórmulas acadêmicas", disse ele, "devo confessar que não sou apenas romântico, mas já o era aos 15 anos de idade".

Embora considerasse ser o pintor um artista com mais qualidades que o escritor (porque este "diz quase tudo para ser entendido" enquanto "a pintura constrói uma espécie de ponte misteriosa entre a alma dos personagens e a do espectador"), sua afinidade com a literatura o inspirou durante toda a carreira. Suas comissões para pinturas de guerra tratavam de assuntos da história real ou fatos adaptados por escritores como o inglês Walter Scott em romances históricos. O Assassinato do Bispo de Liège (1829), por exemplo, foi inspirado por Quentin Durward, romance popular de Scott publicado em 1823 que se passa no século 15. Um dos episódios de Ivanhoé, escrito pelo mesmo autor em 1819, compõe O Rapto de Rebeca, apresentado no Salão de 1846.

A relação com a literatura incluiu também a ilustração de livros. Ao criar imagens para a tradução francesa de Fausto, de Goethe, ele optou pela litografia para explorar as possibilidades cromáticas do preto. O processo criativo para esse trabalho pode ser acompanhado na retrospectiva em desenhos preparatórios, impressões de prova e o livro em sua forma final, publicado em 1828. Complementando a pintura, a escrita era uma atividade constante para ele, que copiou ou traduziu autores que o instigavam, escreveu cartas e publicou artigos contra críticos, analisando os antigos mestres e refletindo sobre a beleza.

Seus escritos mais importantes estão nos diários que manteve de 1822 a 1824 e, depois, de 1847 até morrer. Talvez com intenção de transmitir um perfil completo, ele guardou até seus cadernos de escola. Num deles, de 1815, criou variações da sua assinatura em estilos romanos e góticos, cores diferentes, como logogrifos e traduziu seu nome para o italiano como "signor della croce". Esses registros pessoais documentam suas convicções artísticas num dicionário de belas artes que nunca terminou. Na sua última anotação, em 22 de junho de 1863, ele afirmou: "O primeiro mérito de um quadro é o de ser uma festa para o olho".

De janeiro a julho de 1832, acompanhando uma missão diplomática francesa ao Marrocos, Delacroix visitou Tânger, Meknes, esteve em Argel e Sevilha. Para ele, que partiu sem nenhum projeto artístico específico, a experiência foi revigorante e inspirou pinturas pelos próximos 30 anos. Vendo a sociedade marroquina como uma "antiguidade viva", ele sentiu ter viajado mais no tempo do que no espaço, revendo a antiga Roma no norte da África. Em Tânger, em 4 de junho daquele ano, admirado com as roupas e costumes da região, ele escreveu: "Há romanos e gregos à minha porta. Eu sei agora como eles realmente eram. Roma não está mais em Roma".

Em Mulheres de Argel em seu Apartamento, uma de suas pinturas orientalistas mais influentes, Delacroix inventou uma técnica que chamou de flochetage. Prolongamento da maneira dele desenhar, ela consiste na aplicação de várias camadas de cores contrastantes, geralmente em pinceladas curtas, para criar efeitos.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

Opinião

Desde 2013, o Ibope realiza a Pesquisa Brasileira de Mídia, a pedido do governo federal. O objetivo é saber por quais meios os brasileiros se informam. Desde o início, o estudo – que é feito nacionalmente e com uma amostra de cerca de 15 mil pessoas, distribuídas por todas as Unidades da Federação – revela a prevalência da TV sobre os demais meios. Mas, desde 2016 (último ano da análise, publicada em 2017) há evidências do avanço da Internet, que se consolidou como o segundo meio de comunicação mais usado (49% da amostragem), ameaçando inclusive a soberania televisiva (89%). A soma é superior a 100% porque se pode indicar mais de uma opção. E as eleições deste ano reforçam o poder da internet e dos meios digitais. Para o bem ou para o mal, estas formas se cristalizaram como o caminho preferido de muitos brasileiros para o consumo de notícias. E não são poucos aqueles que fazem isso de modo exclusivo, bebendo apenas na fonte de sites, blogues, aplicativos e redes sociais. E, ainda que estes não sejam maioria, dedicam mais tempo nestes acessos. Enquanto o tempo médio em frente à TV é de três horas e 21 minutos, entre aqueles que utilizam a web (segundo a mesma pesquisa Ibope) é de quatro horas e 40 minutos, superando seis horas entre o público de 16 a 24 anos. Mais importante que a quantidade de informação disponível na web e redes sociais são a relevância e qualidade do conteúdo oferecido. Evidentemente, no universo digital há muitas empresas e grupos sérios, que primam pela credibilidade do que oferta. No entanto, há um sem número de virulentos guetos, que servem de fábrica para as fake news. Assim, nunca é demais ressaltar que estar na internet, Facebook ou WhatsApp não representa selo de veracidade. Ainda são os meios tradicionais que têm o compromisso com a verdade, por não sair noticiando o que não foi confirmado. Falta isso nos rincões digitais. E até que se separe o joio do trigo, esta revolução representará não um avanço, mas um retrocesso. Nesta nova era, a verdade já não basta para a formação da opinião pública, nem é antídoto à manipulação. Agora se consome aquilo em que se quer acreditar, acriticamente e ainda que falso, desprezando o que vai contra as próprias convicções. A isso se convencionou chamar de “pós-verdade”.

Mais uma pesquisa dá empate técnico entre os dois oponentes (Fotos: Klaus Silva /TJSP/ Fotos Públicas e Reprodução/Twitter)

Cidade

Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) estão tecnicamente empatados na disputa para o segundo turno, aponta a mais recente pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada nesta quarta-feira, 17. Doria tem 52% dos votos válidos - quando são excluídos os brancos, nulos e indecisos - e Márcio França, 48%. A margem de erro é de três pontos porcentuais. É a primeira pesquisa Ibope para o governo de São Paulo neste segundo turno das eleições 2018. Se considerados os votos totais, Doria tem 46% das menções e França, 42%. Eleitores que declaram a intenção de votar em branco ou nulo são 10%; 2% não sabem ou preferiram não responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 17 de outubro. Na intenção de voto espontânea, na qual os eleitores manifestam sua preferência antes de ler a lista de candidatos, Doria aparece com 28% das intenções de voto, também empatado tecnicamente com França, que tem 26%. Neste caso, os indecisos são um quarto dos entrevistados. Outros 15% manifestam a intenção de votar branco ou nulo, e 6% disseram nomes diferentes, que não estão na disputa. A rejeição de Doria é a maior - 32% apontaram que não votariam nele de jeito nenhum. A de França, que vinha se mantendo baixa no primeiro turno - subiu e agora está em 20%. No dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno, era de 9%. Também chama a atenção a quantidade de eleitores que não os conhecem - 18% disseram não conhecer Doria o suficiente para opinar. No caso de França, o número é de 28%. A pesquisa ouviu 1.512 votantes e a margem de erro estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95% - esta é a chance de os resultados retratarem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob o protocolo Nº SP-07777/2018 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo Nº BR-BR-07265/2018.

Vice de Haddad, Manuela d'Ávila é uma critica do machismo (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Confesso que essa batalha do #elenão e #elesim algumas vezes me deixa confuso. Afinal, quem é o seu “ele não”? Ou o “ele sim”? Parece que as pessoas têm medo de falar esse nome que supostamente não pode ser dito. Vejo um enorme questionamento sobre machismo. Geralmente, quem fala isso é uma mulher. Vi, inclusive, a vice do Haddad criticando o machismo e em uma certa frase ela usou a palavra feminismo três vezes. Eu fico confuso: o machismo é proibido, errado, questionado, uma coisa que deve ser totalmente excluída da sociedade, mas o feminismo radical pode? Sempre fui a favor dos direitos iguais. Há dez anos, quando ganhei a guarda definitiva do meu filho, defendia essa postura sem hipocrisia. Eu acho que não existe nenhuma diferença entre homem e mulher. Se fosse há 2 mil anos, quando tudo era à base da força física, faria sim diferença em uma caça, batalha, onde era necessário usar espada, ou armadura pesada para defender uma civilização. Mas hoje, você precisa de uma espada para decidir alguma coisa? Não, uma caneta decide. As mulheres são atuantes nas universidades e ocupam altos cargos. Sei que ainda existe diferenciação, fruto de uma cultura absurda, subdesenvolvida. Afinal, a mulher é tão capaz quanto o homem, e o contrário também, e ambos podem sozinhos gerir uma família, assim como aconteceu comigo. Eu administro as tarefas de ser pai, empresário, profissional e empreendedor. Fiquei com nosso filho porque chegamos a um acordo, o que não significa que eu, naquela situação, era melhor ou pior do que a mãe dele. Quem questiona o machismo, assim como quem questiona o feminismo ou a homossexualidade é tão preconceituoso ou mais do que aquele que está só externando a sua possibilidade ou vontade política. Essa campanha #elesim e #elenão, vou fazer isso ou vou fazer aquilo, é desgastante. Meu filho tem 12 anos e eu o criei sem a ajuda de ninguém, absolutamente sozinho, nem minha família tão pouco a da mãe dele. Sempre eu e ele a vida inteirinha. Basta a gente querer, e deixar o preconceito de lado. Daniel Toledo é Advogado especializado em direito internacional, consultor de negócios e sócio fundador da Loyalty Miami

Em uma disputa acirrada, França e Doria tentam colar suas imagens a Bolsonaro (Fotos: Klaus Silva /TJSP, Fernando Frazão/ABR e Marcos Corrêa/PR

Opinião

Bolsonaro nada de braçada no Estado de São Paulo onde, segundo a última sondagem do instituto Paraná Pesquisas tem quase 70% das intenções de voto do eleitorado local. Daí não ser surpresa o fato de tanto João Doria (PSDB) quanto Márcio França (PSB) desejarem e precisarem dos votos dos correligionários do capitão reformado para vencer a disputa ao Palácio dos Bandeirantes. França até que saiu na frente nesta disputa particular, ao obter de primeiro momento o apoio do futuro senador Major Olímpio (PSL), simplesmente o mais bem votado para o cargo em todo o País. Também obteve a preferência do Major Costa e Silva (DC), aliado de Bolsonaro e quinto colocado na disputa estadual. Mas Doria reagiu rápido. Primeiro atraiu o PRTB, partido do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, e, em seguida, buscou uma aproximação direta com o próprio presidenciável, ao tentar um encontro com ele no Rio de Janeiro. Embora não tenha sido recebido, o ex-prefeito paulistano saiu de lá com um excelente recorte de uma declaração mais ampla do pesselista, que logo passou a ser usada na campanha do tucano. “Eu sei que ele (Doria) é uma oposição ao PT. Somos oposição ao PT. E eu sei que o outro lado, o França, tem o apoio velado do PT. Então, no momento eu desejo boa sorte ao Doria”, disse Bolsonaro, depois de destacar sua neutralidade na disputa paulista. França até que tentou descolar a eleição no Estado da polarização nacional, mas sem sucesso. Mas, por fim pode ser sugado pelo sentimento anti-PT que varre o País. Enquanto busca se afastar do seu vínculo histórico, seu adversário faz questão de explorá-lo. Com isso, as propostas vão ficando em segundo plano, mascaradas por ataques e tentativas de defesa de ambos os lados. Desta forma, segundo o Paraná Pesquisas, os dois estão em situação de empate técnico (52,3% de Doria contra 47,7% de França), inclusive com rejeição similar (39,8% contra 37%). Diante de linha tão tênue entre a vitória e a derrota, pode ganhar mais votos aquele que mais endurecer o discurso, ainda que, contraditoriamente, em um momento em que o presidenciável do PSL busca mais equilíbrio em suas falas. Ainda assim, quem conseguir convencer essa parte do eleitorado paulista que pode jogar no mesmo time do ex-militar do Exército certamente não ficará de urnas vazias.
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Decisão do STF preserva direito de trabalho à grávida, mesmo se ela desconhecer a gestação (Foto: André Borges/Agência Brasília/Fotos Públicas)

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