Obras de época ensinam como lidar com situações contemporâneas (Foto: Divulgação)

Saúde

Conciliar o estudo de várias disciplinas com a leitura de livros obrigatórios para prestar os vestibulares não é fácil. Mas é possível, segundo o professor de literatura do Cursinho Maximize, Daniel Perez. “O interessante é ler. Não importa se é no ônibus, no metrô, ou sentado no sofá, em casa”, explicou.

A ideia é abraçar, pelo menos, dez páginas por dia. “Se fizer isso, o candidato tem a possibilidade de ler uns 15 livros por ano”, comentou o especialista. “Lendo aos poucos, o importante é observar os detalhes da obra, como a personalidade de uma personagem, e compará-lo com outros livros solicitados”, esclareceu.

Na Fuvest, principal porta de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), a lista deste ano abrange Iracema (José de Alencar), Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), O Cortiço (Aluísio Azevedo), A Cidade e as Serras (Eça de Queirós), Minha Vida de Menina (Helena Morley), Vidas Secas (Graciliano Ramos), Caro Enigma (Carlos Drummond de Andrade), Sagarana (João Guimarães Rosa) e Mayombe (Pepetela).

“Essas obras são muito importantes na formação de uma pessoa, porque mostram conflitos que esses jovens estão passando ou vão passar em suas vidas”, comentou Perez. “Elas moldam um caráter do bem, preparam esse cidadão para a vida de busca de status na sociedade, além de mostrar as confusões políticas da época, que se confundem com as de hoje”, concluiu.

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A amamentação depende da dedicação das mães (Foto: Divulgação)

Saúde

Mais do que um ato de amor, a amamentação traz benefícios não só para o bebê que a recebe, mas também para a mãe, principalmente se o gesto acontece por um tempo superior a seis meses. Para o recém-nascido, a amamentação é comparada como uma primeira vacina, já que a mãe passa, juntamente com o leite, não só nutrientes essenciais para o desenvolvimento, como também diversos anticorpos capazes de prevenir o bebê de uma série de doenças. 

Já para as mamães, a amamentação diminui a incidência de câncer de mama, ovário e útero, tendo também um papel importante na volta do peso pré-gestação e na diminuição da incidência de osteoporose. Estima-se que, o risco de a mãe desenvolver câncer de mama reduza em 2% a cada cinco meses de amamentação. Hélio Pinczowsky, oncologista do Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia, explica que um estudo da comunidade europeia sugere que parte do aumento da incidência de câncer de mama se deve à redução na amamentação. E que também há relação entre a menor incidência de câncer de ovário e endométrio com a prática da amamentação. “Além disso, existe o conceito de que se a mãe consegue amamentar por mais de seis meses ajuda a prevenir futuros casos de câncer no filho, bem como reduzir o risco de obesidade infantil”, diz Pinczowsky. 

O leite materno deve ser dado até os seis meses de idade de forma exclusiva. Após este período, inicia-se a inserção de outros alimentos. No entanto, vale lembrar que, desde o nascimento do bebê, é imprescindível o acompanhamento do pediatra, que irá verificar se existe a necessidade (ou não) de suplementação e orientará quanto à introdução de novos alimentos. “O leite materno envia para a criança imunoglobulinas responsáveis pela defesa do organismo de infecções virais, respiratórias e do trato gastrointestinal. O ideal é que a amamentação seja exclusiva até os seis meses de vida e seja feita até os dois anos junto com outros alimentos”, diz Anastasio Berretini Júnior, presidente da comissão de aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). 

O mastologista diz que a produção de leite é desencadeada pelo estímulo e que quem amamenta necessita de um ambiente tranquilo para produzir a quantidade de leite necessária. “Não existe medicamento ou hormônio que faça a mulher produzir mais leite. É importante sim que a hidratação da mãe seja adequada, com a ingestão de dois a três litros de água por dia e que a higiene dos mamilos seja feita com sabonete neutro logo após cada mamada. “Para as mulheres que desenvolvem fissuras, a substância mais eficaz é a lanolina, que hidrata sem irritar o estômago da criança”, orienta Berretini Júnior, que recentemente realizou um estudo junto a 350 mulheres prestes a darem à luz na região de Bragança Paulista e constatou que 60% das entrevistadas não tiveram as mamas examinadas no pré-natal. Vale lembrar que a consulta de pré-natal deve ser feita no mínimo a cada trimestre e que o exame das mamas é importante antes e durante a amamentação, para evitar problemas com a mastite, infecção que ocasiona intensa dor nos seios. 

 

Bancos de leite salvam vidas e estimulam a doação consciente 

Desta quarta-feira, 1, até o dia 7 de agosto acontece a Semana Mundial do Aleitamento Materno.  No Brasil, esse período é apoiado por campanha elaborada pelo Ministério da Saúde e, desde 2017, o assunto ganha destaque com o #agostodourado, incentivando o aleitamento materno em todo o País.  Para auxiliar nesta tarefa, o Brasil também conta com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), criada em 1998 e que, hoje, dispõe de 220 postos espalhados pelo Brasil. As mulheres que possuem uma produção excessiva de leite podem fazer a doação de leite humano. Dentro dos bancos de leite, o material é avaliado, selecionado, classificado e pasteurizado.  Somente após este processo, o material é congelado e ganha um prazo de validade de seis meses. As lactantes que quiserem doar ou buscam mais informações sobre a rBLH-BR podem encontrar o banco mais próximo no link https://producao.redeblh.icict.fiocruz.br/portal_blh/blh_brasil.php.

 

Aplicativos dão dicas e ajudam no controle da amamentação 

Diante das modernidades da atualidade, os aplicativos surgem como uma opção a mais para auxiliar nas atividades para com o bebê. Na maioria dos casos, é possível fazer um diário de atividades bem detalhado, com registro para horários de mamadas, troca de fraldas, horário de sono, inserção de novos tipos de alimentação, retirada de leite da mãe, quando necessário, e até mesmo uma calculadora de aleitamento. Tudo isso de forma gratuita. Abaixo listamos os mais populares nas lojas de aplicativos.

 

Baby Tracker: bem completo, além de se poder colocar informações como horários das mamadas e de sono, trocas de fraldas e retirada de leite, ele também possibilita fazer gráficos comparativos após 14 dias de atividades.


Amamentação – Diário de atividades do bebê:
 diário virtual com registro de mamadas, alimentação, fraldas, sono, altura e peso, para registrar todo o dia a dia do bebê.

Easy Baby Care: a ideia é simplificar a vida das mamães com os cuidados para com o bebê, dando uma ferramenta para controle de amamentação, sono e trocas de fraldas.

 

Calculadora de aleitamento: ajuda a determinar a quantidade correta de leite por dia e por mamada.

 

Colocar os gastos e ganhos na ponta da caneta ajuda a se organizar e ainda evita prejuízos (Foto: Reprodução/PX Here)

Economia

A busca pelo aumento do bem-estar e da produtividade dos funcionários está provocando uma alta tendência na inclusão de educação financeira dentro das empresas. Atualmente, 84% de empresas norte-americanas possuem algum programa que auxilie o colaborador a lidar melhor com o dinheiro. 

Segundo o educador financeiro Ricardo Natali, os departamentos de RH já perceberam os bons resultados desta prática. Em pesquisa realizada em 2017 pela PricewaterhouseCoopers (PwC), estima-se que uma empresa com 10.000 funcionários pode perder U$ 3.466.000,00 por ano, devido a problemas financeiros dos colaboradores. 

Dos 1.600 funcionários entrevistados, 30% admite distração nas atividades do trabalho ocasionados por problemas financeiros. Eles chegam a utilizar cerca de três horas semanais no ambiente de trabalho para resolver pendências financeiras pessoais. Além disto, 12% dos colaboradores admitem faltas ocasionadas pelas preocupações financeiras, sendo uma causa de aumento do absenteísmo e diminuição da produtividade. 

“Problemas financeiros afetam negativamente o ambiente organizacional e diminuem a produtividade. No Brasil, 42% dos trabalhadores com altos níveis de preocupação financeira demonstram desatenção e pouca produtividade em seus empregos, segundo pesquisa realizada em 2015 pela CNDL e SPC Brasil (2015). E pelo menos 22% alegaram perder a paciência com os colegas de trabalho mais facilmente”, afirmou Natali. 

Como forma de reverter este quadro, surgem os programas de educação financeira. Existe um aumento gradual na percepção das empresas que o bem-estar do colaborador é fator-chave para o desenvolvimento da companhia. 

De acordo com um estudo norte-americano, o retorno dos investimentos em educação financeira é muito alto. Para cada dólar gasto, retornam três dólares. 

“É notório que o aumento do engajamento, da produtividade e da lealdade dos colaboradores traz grandes benefícios para as empresas, assim como a diminuição do absenteísmo (nome dado a ausências no ambiente de trabalho, seja por falta ou atraso). Investir em ajudar o colaborador é investir na sua empresa e no tempo que se dedicou a treiná-lo”, concluiu o especialista.

 

 

 

 

 

 

 

 

Desabrigados insistem em ficar no Largo do Paissandú (Foto: Mister Shadow/AE)

Cidade

Com a tragédia que aconteceu no edifício Wilton Paes de Almeida, 86 instituições da sociedade civil se mobilizaram e emitiram uma nota para pressionar a Câmara Municipal a aprovar o Plano Municipal de Habitação, entregue pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT), em dezembro de 2016.

A proposta de lei já teve aval da Comissão de Constituição e Justiça do Legislativo e está sob avaliação da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente. Segundo Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, uma das instituições que assinam a nota, faltou atenção ao Legislativo para evitar o crescimento de ocupações e até mesmo a tragédia ocorrida no feriado do Dia do Trabalhador. “Os vereadores estão descolados da realidade e faltou ação da base governista, que tem ampla maioria para aprovar a lei”, argumentou. A nota emitida pelas instituições está disponível no site www.habitacaoja.minhasampa.org.br, no qual é possível enviar um e-mail aos vereadores cobrando um posicionamento sobre o tema.

Questionado pela reportagem, o vereador Toninho Paiva, presidente da comissão cujo projeto está em avaliação, afirmou que já definiu o relator da proposta e que este é um problema que persiste há mais de dez anos. “O governo anterior não fez nada. Eu já vou cobrar para que a gente faça duas audiências públicas para que ele possa ser discutido e votado em plenário”, disse.

Ventilada na semana passada, a CPI da Habitação não foi discutida no Colégio de Líderes, que se reuniu ontem.

Atenção à vulnerabilidade é essencial, diz especialista

De acordo com o professor universitário e mestre em bioética Samuel Sabino, as pessoas que ficaram sem moradia após o desabamento do prédio estão com a dignidade humana afetada. “O poder público tem que dar atenção, porque os indicadores de ética mostram que a situação é degradante”, disse. “Eles não têm lugar para morar, estão em uma praça, passando frio, fome, sem lugar para tomar banho. Isso afeta diretamente a dignidade humana”, completou.

Colaborou Raphael Pozzi*

Lesão de Neymar merece tanta atenção? (Foto: Reprodução/Instagram)

Fora dos Trilhos

Há 50 anos, o filósofo francês e agitador social Guy Debord publicava sua obra A Sociedade do Espetáculo, livro que figura entre os precursores na análise crítica da moderna sociedade de consumo.

Um dos principais alvos de Debord, já naquela época, era a mídia, e assim como Orwell, outro profeta literário, previu a decadente transformação de nossa sociedade, destroçada pela mídia e suas manifestações superficiais das massas.

A realidade já não mais importa quando os meios se tornam o fim. Vale mais o desenrolar de uma estória (sim, sem H) do que a conclusão dos fatos.

Vivemos o culto à futilidade e à total irresponsabilidade dos meios de comunicação. Ignoram-se opiniões de especialistas e estudiosos para dar ênfase às convicções de cantores, modelos, atores de folhetins e animadores de auditório sobre temas que não são de suas alçadas. Palpiteiros hermeticamente trancafiados no senso comum ditado pelo roteiro de emissoras prontas para entreter, assustar, iludir e confundir.

Há 60 mil homicídios por ano no Brasil, um dos países mais violentos do mundo, mas só se torna assunto universal aquele que a mídia pincela como parte importante e influente para o cumprimento de sua agenda socio-cultural. O pai de família, a dona de casa, o indivíduo comum, estes praticamente não existem. Apenas engrossam o caldo de uma macabra estatística.

Os meios de comunicação agem como investigadores, promotores, juízes e, por vezes, até carrascos. Condenam ou absolvem ao bel- prazer enquanto milhões de mentes hipnotizadas, e com extrema deficiência cognitiva, são atraídas para a luz da TV, da tela do celular ou dos holofotes dos astros, como mariposas, em um suicídio coletivo de ideias.

A massa segue à risca o que a agenda determina e, mesmo sem entender, repete tudo que leu ou que ouviu, tal qual o ídolo que inclui no telão de seu show a imagem do novo mártir e assim discursa sobre algo que desconhece tanto quanto a pronúncia correta do nome do país em que se apresenta. O ego os faz confundir “concerto” com “conserto”. São muito bem pagos para realizar o primeiro, mas insistem no segundo, acreditando que, com suas retóricas adolescentes, possam salvar o mundo, enquanto os homens que puxam as cordinhas gargalham nos bastidores.

A substituição do indivíduo pelo ídolo fez nascer a triste teoria do “eu só existo se o outro me vê, e se me vê com sucesso, eu existo ainda mais”. Por insegurança ou total insatisfação com a vida comum, todos querem ser importantes, impor seu lugar no trem do sucesso, mesmo ignorados pela mídia que já tem traçado seus próprios planos para a massa. Talvez daí a tara popular pelos super-heróis de quadrinhos transpostos para o cinema. De algum lugar a salvação há de vir, nem que seja do imaginário coletivo.

A sociedade atual se importa com o jogador operado, político condenado ou a artista lacradora, mas não com a professora que deu a vida para salvar crianças num incêndio, afinal, a imagem dela não foi aprovada pelos homens da mídia. Não era famosa, não tinha partido político, era apenas uma heroína real.Quem se importa?

Uma sociedade que não mais distingue “preço” de “valor”, sempre irá confundir heroísmo com oportunismo. Nesta sociedade do espetáculo somos todos espectadores ou expectadores de uma verdade que um dia virá?

VEJA NOSSA EDIÇÃO VIRTUAL

O PT foi omisso em relação à falta de democracia na Venezuela, enquanto Temer não tem dado o suporte necessário para Roraima (Foto: Reprodução/Rede TV/Fotos Públicas)

Opinião

O lamentável episódio na remota cidade de Pacaraima, um dos pontos mais ao Norte do território brasileiro, serviu não apenas para desnudar a crise que representa a imigração venezuelana para o Estado de Roraima e para o País como um todo. Mas também para alinhar o discurso de boa parte dos presidenciáveis. De Geraldo Alckmin (PSDB) a Guilherme Boulos (Psol), de João Amoêdo (Novo) a Marina Silva (Rede), houve um chamamento ao bom-senso e da lembrança da tradição brasileira de acolher os mais diversos povos que aqui chegaram, deixando para trás uma dura realidade de sua nação natal. “Temos uma tradição humanitária no Brasil, de receber as pessoas que estão fugindo, na realidade, do desastre econômico venezuelano”, lembrou Alckmin.  Amoêdo destacou que 87% da população da Venezuela vive na pobreza e que “o Brasil, como nação, tem o dever de ajudar”. Boulos repudiou o que chamou de “atos movidos por ódio e xenofobia” e, na mesma linha, seguiu Álvaro Dias, que considerou ainda que “o Governo federal deveria enviar força-tarefa ao Estado.” Já Marina lembrou que são dois grupos de “desvalidos” que precisam de ajuda: os venezuelanos e os habitantes de Roraima. Por um aspecto, a visão da ex-senadora está precisa. Foi ela quem lembrou que o Brasil negligenciou duplamente a situação da Venezuela, e este silêncio contribuiu, ainda que indiretamente, para o quadro que hoje se assiste. Primeiro, o governo do PT, em função de seu alinhamento político e ideológico fez vistas grossas à situação de falta de democracia no país vizinho, desde a época de Hugo Chávez, se deteriorando ainda mais com Nicolás Maduro. Como a grande potência regional, o Brasil foi omisso e não usou de sua então privilegiada condição para denunciar e tentar dar novos rumos àquela realidade. Agora, sob Temer, lavaram-se simplesmente as mãos e pouco se fez para ajudar o paupérrimo Estado da região Norte, que está longe demais da capital federal. É nítido que Roraima não tem condições de lidar com o problema. A questão é complexa. Mas, certamente, fechar fronteiras, atear fogo em acampamento de imigrantes e expulsá-los a chutes, tiros e pontapés não representa a solução.

Maria Aparecida Pinto é a única negra candidata ao Senado por São Paulo (Foto: Alesp/Divulgação)

Cidade

A média de candidatos negros no Estado de São Paulo é menor do que a média nacional. Entre os paulistas, 72,52% dos 3.737 candidatos são brancos, enquanto os negros são apenas 26,2% dos postulantes paulistas a cargos eletivos. Na análise do Brasil inteiro, 52,78% dos candidatos são brancos, enquanto pretos (como é denominado na pesquisa) e pardos sobem para 46,13%. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral. A maioria dos candidatos paulistas é formada por homens, com 68,1% de representatividade, e exercem as funções de empresário (12,34%) e advogado (7,89%), com índice de curso superior de 54,88%.  Segundo Jacqueline Quaresemin, especialista em opinião pública, o Congresso tem um perfil de branco, rico e conservador, mas não se deve usar isto para um embate entre o branco rico e o negro pobre. Ela avalia que isso se trata de uma questão histórica, com grandes famílias que sempre tiveram recursos e que continuam a se perpetuar no poder, e do interesse de outras classes, como as empreiteiras citadas na Lava Jato, que criam este cenário. “Continuamos em uma visão colonial de classe. Se esse ciclo não for rompido, nada vai mudar”, argumentou. A opinião da especialista vai ao encontro a um estudo dos doutores em Ciência Política Luiz Augusto Campos e Carlos Machado, que concluíram, com base em dados das eleições de 2012 e 2014, que a raça não é o valor determinante para o voto. “A origem da classe [econômica], combinada aos critérios de recrutamento partidário, explicam em grande medida a ausência de não brancos no Parlamento”, afirmam. A Justiça Eleitoral não divulga dados sobre classe econômica.  Mulheres ainda têm menor representatividade A concorrência por uma das 94 cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) é de 22 candidatos para cada vaga. Mas, na atual Legislatura, apenas dez mulheres conseguiram votos suficientes para obter o diploma de deputada estadual, sendo que somentes duas são negras. Para muitas candidatas, o problema maior é consolidar as tarefas familiares, a campanha e o trabalho, uma espécie de tripla jornada, que dificulta a participação feminina na Alesp. Pelo menos é isso que ocorre com a candidata Rute Barbosa (PCdoB), que é mulher e autodeclarada negra. Ela não acha que o fato de ter mais brancos impeça a criação de políticas públicas, mas avalia que existe uma diferença de pensamento. “Quando você tem um entendimento real da situação de um grupo social você tem mais condição de defender as necessidades destas pessoas”, disse. Segundo Rute, o principal problema é a representatividade e, mesmo em um partido de esquerda, é difícil para uma mulher conseguir recursos para financiar a campanha. Já na disputa por uma das vagas no Senado, a psicóloga Maria Aparecida Pinto (MDB), conhecida como Cidinha, é a única negra candidata paulista. 

Candidato do Novo acredita que a máquina pública brasileira está inchada (Foto: Reprodução/Instagram)

Nacional

O Partido Novo foi criado em 2011 com um alinhamento liberal, o que significa menor tamanho da máquina pública, redução de privilégios e de números de políticos e uma maior liberdade para empreender. Apesar de apresentar medidas que muitos eleitores elencam como essenciais, a sigla ainda não conseguiu transformar este ideal em voto, segundo João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República, porque “ainda são desconhecidos”. Na última eleição que participou, em 2016, o Novo elegeu quatro vereadores em cinco cidades que disputou vagas ao Legislativo. Este ano, a sigla, que recusa a utilizar o fundo partidário e eleitoral – que deve esvaziar em R$ 2,5 bilhões os cofres públicos –, concorre com cerca de 300 nomes ao pleito de deputado federal e 130 ao estadual. Seis senadores devem se candidatar pela legenda, que conta ainda com seis postulantes à função de governador. Estes políticos se comprometem em reduzir o número de cargos e até da verba utilizada com despesas pessoais. Os 22 mil filiados do Novo, que passam por uma espécie de processo seletivo, contribuem com R$ 29,90 por mês. Para Amoêdo, a meta é conseguir eleger 30 deputados federais para que o partido tenha corpo e “consiga avançar com propostas de renovação da sigla”. Carioca, executivo do setor bancário e com 55 anos, Amoêdo acredita que a alta burocracia e a falta de competitividade complicam a vida do brasileiro, que arca com uma máquina pública inchada e custosa que pesa cada vez mais no bolso do brasileiro. Com 55 anos, João Amoêdo tem como bandeira a facilitação da vida do empreendedor brasileiro (Foto: Reprodução Instagram) Qual o principal diferencial do Novo para com os outros partidos? Tem vários aspectos: o único partido ficha limpa, o único partido que não utiliza dinheiro público, nem fundo partidário, nem fundo eleitoral. Entendemos que temos que ter mais liberdade econômica para o cidadão brasileiro, que hoje paga impostos demais. Nós queremos desburocratizar, para deixar os pequenos e médios empreendedores crescerem e gerarem empregos. Uma diferença é justamente a defesa que a gente faz mais do cidadão, e não do governo. A privatização de todas as empresas estatais. Nós entendemos que seria um bom sistema para reduzir a corrupção, aumentar concorrência e a qualidade dos produtos. Apesar de falar em cortar gastos, o eleitor brasileiro espera assistência do governo em praticamente todas as áreas. Como o senhor pretende atrair o eleitor? O eleitor brasileiro começou a notar que o Estado cresceu muito sobre a justificativa de que iria nos dar muita coisa e foi ficando menos eficiente, tirando nossa poupança. O Estado deveria se concentrar nas áreas essenciais: saúde, educação básica e segurança. Qual seria o número ideal de ministérios para vocês? A gente trabalha com a ideia de dez a doze ministérios. O Estado brasileiro foi sendo inchado pela necessidade dos políticos de se perpetuarem no poder em troca de cargos, indicações política, e toda essa conta acabou indo para o cidadão brasileiro.  Como você faria para reduzir a dívida pública? A primeira coisa é equilibrar as contas. Mais responsabilidade fiscal, Reforma da Previdência, redução do Estado. Algo que tem que estar claro é que o equilíbrio das contas tem que ser via corte de custos, sem aumento de impostos. No liberalismo do Novo, existe espaço para agências reguladoras? Eu entendo que as principais agências reguladoras são os consumidores em um ambiente de livre mercado. Mas, como não temos este modelo, as agências podem ter o seu papel em alguns setores. No entanto, no período em que existirem, tem que ter uma indicação de cargos técnicos. Nós vimos, recentemente, que elas são aparelhadas politicamente. O MDB lidera estas indicações e as agências acabam se desvirtuando, viram um local de atendimento de demandas e negociações políticas. Amoêdo afirma que agências reguladoras não podem ser balcões de negócios (Foto: Reprodução/Instagram) Mas este comportamento traria um descontentamento de muitos políticos. Como você faria para governar neste meio? O nosso principal desafio é ter um grande aliado: a população. Hoje, existem três grandes grupos que precisamos cortar privilégios e benefícios que são pagos pelo povo cujos recursos deviam ir para áreas essenciais. O primeiro grupo é dos políticos. Tem que acabar com dinheiro público para partidos políticos, reduzir em um terço o número de congressistas e diminuir muito a verba de gabinete e o número de assessores. Quando elegemos quatro vereadores, eles cortaram 39 assessores, ficaram apenas com seis, e cada um faz uma economia de R$ 4 milhões por ano. Interessante lembrar que são quase 58 mil vereadores. Um dado que eu gosto de deixar claro é que o Congresso custa, hoje, R$ 29 milhões por dia. E quais seriam os demais grupos? O segundo grupo é a elite do funcionalismo público que recebe, especialmente, pensões muito elevadas. Um estudo feito pelo Banco Mundial mostrou que funcionários federais recebem 67% a mais que o setor privado. Enquanto na área privada não tem reajustes, na iniciativa pública tem sempre reajuste salarial, pressão dos funcionários e outro ponto, na área privada, se você não tem bom desempenho pode ser demitido, mas no serviço público, não. E o terceiro grupo são setores empresariais que têm grandes benefícios do governo, como taxas de juros subsidiadas e isenção de impostos. Tudo isso cria uma distorção na economia e uma transferência de renda. O Estado brasileiro acaba, no fundo, sendo um grande concentrador de renda, fomentando a desigualdade quando se espera o contrário.   Os bancos hoje cobram juros exorbitantes em seus empréstimos, mas pagam valores risíveis nos rendimentos de investimentos. Como mudar isso? O que eu entendo é que a burocracia e a falta de concorrência favorecem os grandes bancos. Vários bancos estrangeiros que estiveram no Brasil decidiram ir embora, fecharam sua operação. Com mais oferta e mais concorrência você vai conseguir baixar os spreads bancários. E como seria a sua relação com o Judiciário? Eu entendo que temos grandes desafios. Aumentar a independência das instituições para que uma não aumente seu poder sobre a outra. O Judiciário, em alguns casos, age de forma correta, mas no Brasil tudo tem sido muito judicializado.  Este é um problema que tem que ser resolvido. Perdemos produtividade, atrasam processos e acaba trazendo instabilidade quando as regras não são muito claras. Deste jeito é difícil atrairmos investimentos. O Judiciário tem autonomia nos seus salários, então temos que começar dando o exemplo, cortando 50% de assessores, verba de políticos eleitos. Pretendo cortar vários gastos do presidente da República, que custa R$ 560 milhões por ano. Candidato se diz a favor da união homoafetiva e contra o Estatuto do Desarmamento (Foto: Reprodução/Facebook) Você acredita no conceito de meritocracia? Eu entendo que as pessoas têm que ter o reconhecimento pelo trabalho que entregam, independentemente do ponto de largada que elas têm. Pessoas com o mesmo ponto de largada podem ter resultados diferentes. O que falta no Brasil, fundamental na educação básica, é permitir que todas as pessoas tenham alguma formação inicial que as permita ter oportunidades, mas o Estado tem deixado muito a desejar neste quesito. Tem que ter uma avaliação meritocrática que valorize os bons funcionários e substitua os maus. Em temas como união entre casais homoafetivos, liberação de armas e aborto, como você se posiciona? Nos dois primeiros temas sigo o entendimento do partido. Sou favorável à união homoafetiva e contra o Estatuto do Desarmamento. O aborto o partido deixa como uma questão pessoal. Eu, particularmente, sou contra, mas não travaria a pauta no Congresso. O que você melhoria no Sistema Único de Saúde (SUS)? O que precisa fazer é melhorar a gestão. O SUS é importante, tem uma estrutura montada, agora a gente quer melhorar a gestão, melhorar a responsabilidade, incluir tecnologia, marcação de consultas, prontuário eletrônico, tudo sendo integrado. E como seria na questão habitacional? A gente tem que melhorar a renda das pessoas para que elas possam ter a capacidade de comprar suas casas, ter uma estabilidade para financiamento em longo prazo. Existem programas de habitação, mas a gente acaba vendo que eles não funcionam.    

Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 
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É aconselhável ter cautela nas redes sociais (Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas)

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O PT foi omisso em relação à falta de democracia na Venezuela, enquanto Temer não tem dado o suporte necessário para Roraima (Foto: Reprodução/Rede TV/Fotos Públicas)

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Até a Independência, proclamada por Dom Pedro I, a Justiça brasileira era regida pela Família Real portuguesa (Foto: Divulgação)

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Todos precisam fazer sua parte para que doenças sejam erradicadas e não voltem a aterrorizar crianças brasileiras (Foto: Tomaz Silva/ABR/Fotos Públicas)

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