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Sex, Out

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Presidente eleito precisará de acordo com vários partidos para ter governabilidade (Fotos: Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas e Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Um dos problemas do nosso sistema político é o alto número de partidos. O chamado presidencialismo de coalizão tornou quase obrigatória a prática do toma lá, dá cá. Os governos eleitos acabam se submetendo às chantagens dos partidos para garantir a maioria no Congresso e a governabilidade. Neste segundo turno, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disputam a preferência dos eleitores para chefiar o Executivo nacional pelos próxi ...

Abrir as portas da prisão é escancarar ainda mais a impunidade no País (Foto: Lúcio Adolfo/Boa Esporte/Fotos Públicas)

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No meio do turbilhão das eleições, uma notícia passou despercebida por grande parte dos brasileiros: a possibilidade de o ex-goleiro Bruno adquirir o direito ao regime semiaberto já no próximo dia 13. Apesar de condenado a cerca de 20 anos de prisão, ele não deve cumprir nem metade disso na cadeia. O mesmo, inclusive, deve ocorrer em breve com outro assassino que ajudei a condenar, neste caso por matar a advogada Mércia Nakashima, em maio de 2010. Infelizmente, este é o nosso Brasil. E ...

Doria quer colar em França a pecha de comunista. E França o chama de sem palavra (Fotos GOVSP/Fotos Públicas e Reprodução/Twitter/Fotos Públicas)

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A campanha eleitoral ao governo estadual deve elevar ainda mais a temperatura com a disputa entre João Doria e Márcio França. O embate dos dois já saiu do terreno político e passou para o âmbito pessoal, com estocadas dos dois lados. Decerto, o tucano quer manter a dianteira conquistada no último domingo, quando pôs uma frente de mais de 2 milhões de votos sobre o pessebista. Já França vem se preparando para virar o jogo e disputar palmo a palmo a preferência dos mais de 33 milhões ...

Clima da eleição deve continuar hostil entre os apoiadores do Bolsonaro e do PT no segundo turno (Fotos: Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas e Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

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Meu pai, que sabia quando ia chover só em olhar para a formação de nuvens no nascente e no poente, dizia: “Quando o vento vem numa direção, ninguém desvia seu rumo”. Costumei aplicar a pequena lição à política. Quando o vento corre na direção de um candidato, não há barreira que o detenha. Torna-se ele “a bola da vez”, o cara que tende a chegar ao pódio antes dos outros. E, aproveitando mais um ditado popular, a corrida do vento até se acelera quando alguém “cutuca a o ...

Câmara está mais fragmentada, mas Bolsonaro já conta com 300 deputados (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Fotos Públicas)

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Se até antes da votação do primeiro turno um dos pontos fracos de Jair Bolsonaro era o desafio da governabilidade, aparentemente, a julgar pelos números e pela nova configuração do Congresso Nacional, isso já não será um problema. Só o PSL, partido do capitão reformado, assegurou 10% das cadeiras da Câmara (52 das 513 vagas) e 5% das do Senado (quatro de 81). Embora o resultado seja relevante para uma legenda que elegeu apenas um parlamentar em 2014, é pouco para garantir a aprova ...

Resultados mostram que eleitores querem mudanças (Foto: ABR)

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Pela primeira vez parece que, ao menos o Legislativo brasileiro, receberá uma mudança significativa. Talvez seja sinal dos tempos e agora quem jogou pedra, vai virar vidraça, restando-nos apenas torcer para que permaneçam intactas e iluminem a Nação desta escuridão até o final de seus mandatos. Finalmente, graças à internet, muito parlamentar que só tumultuou assembleias e fez comícios em favor de criminoso foi ignorado pela população. Teve senador populista e demagogo que nunca c ...

Consulta a um advogado pode ser o caminho para garantir a verdadeira defesa dos seus direitos (Foto:Rafael-Neddermeyer/Fotos Públicas)

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A CF/88 definiu que o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) é de competência dos municípios e do Distrito Federal, sendo contribuintes pessoas físicas ou jurídicas proprietárias ou possuidoras de imóveis localizados em zona urbana. O constituinte ao criar o IPTU conferiu determinadas imunidades, ou seja, hipóteses de não incidência tributária. Em São Paulo, são imunes do IPTU os imóveis integrantes dos poderes públicos, os templos religiosos de qualquer ...

Candidato fez com que seu partido aumentasse número de representantes (Foto: Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Criar uma sigla partidária é relativamente fácil, daí o número expressivo de legendas que dão as caras a cada pleito. Mas, é raro assistir ao surgimento de um partido político, e, até prova em contrário, foi isso que aconteceu nestas eleições com o até então anônimo e nanico Partido Social Liberal (PSL), que surfou na onda do fenômeno Jair Bolsonaro e conquistou seu espaço no cenário nacional. O grupo, registrado em 2 de junho de 1998, há 20 anos, enfim ganhou uma certidão de ...

É preciso ter uma legislação que esteja em sintonia com o momento vivenciado em nosso País (Foto: Ivo Lindbergh)

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A cada novo período eleitoral surge o problema quanto à aplicação do disposto junto ao artigo 236 da Lei Federal nº 4.736/1965 (Código Eleitoral), sendo que referido dispositivo reza que: “Nenhuma autoridade poderá, no período de cinco dias que antecedem a eleição e após quarenta e oito horas de seu encerramento, prender ou deter qualquer eleitor, excetuando-se apenas os casos de flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou por desrespeito a ...

Segundo turno deve esquentar campanhas ao Governo de SP e à Presidência ( Fotos: GOVSP/Fotos Públicas, Marcos Corrêa/PR/Fotos Públicas Ricardo Stuckert/Fotos Públicas e Tânia Rêgo/ABR/Fotos Públicas)

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Os brasileiros deram ontem, mais uma vez, um exemplo de cidadania no primeiro turno das eleições gerais. Nas zonas eleitorais, adolescentes de 16 e 17 anos foram votar pela primeira vez, sem qualquer obrigação, mas pelo desejo de também fazer parte deste processo democrático e de gente grande. Na outra ponta, idosos maiores de 70 anos, alguns com dificuldade de locomoção, fizeram o esforço de comparecer à urna, na esperança de construir um Brasil melhor para eles e para as novas gera ...

Seu voto vai definir o futuro do País (Foto: Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados/Fotos Públicas)

Opinião

Talvez este seja o meu último texto por aqui. A depender do que venha a ocorrer nos próximos dias, é bem provável que eu abandone tudo e passe a investir na firme ideia de deixar o País. No entanto, ainda que as escolhas certas sejam feitas e a minha mudança se torne desnecessária, é fato que, mesmo assim, corro o risco de não escrever mais neste espaço. Por qual razão? Muito simples, caro leitor. O que vou dizer aqui não agrada a elite cultural brasileira, bem como outros setores p ...

Votar em um deputado estadual é tão importante como votar para governador e presidente (Foto: Rovena Rosa/ABR/Fotos Públicas)

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Se é difícil escolher candidato a presidente ou a governador, muito mais complicado ainda é ter a certeza de que nome ou número marcar na urna para o cargo de deputado estadual. E não que a função não seja importante, uma vez que estes parlamentares serão os responsáveis por legislar e fiscalizar as ações do futuro chefe do Executivo estadual. No entanto, enquanto são apenas 12 opções para o cargo de governador, existem 2.174 concorrentes à Assembleia Legislativa do Estado de Sã ...

Votar em um deputado estadual é tão importante como votar para governador e presidente (Foto: Rovena Rosa/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Se é difícil escolher candidato a presidente ou a governador, muito mais complicado ainda é ter a certeza de que nome ou número marcar na urna para o cargo de deputado estadual. E não que a função não seja importante, uma vez que estes parlamentares serão os responsáveis por legislar e fiscalizar as ações do futuro chefe do Executivo estadual. No entanto, enquanto são apenas 12 opções para o cargo de governador, existem 2.174 concorrentes à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), representando as 35 siglas partidárias, de Bebe da Pipoca a Jazze do Café, de Bazelau a Chiclete. Nesta lista enorme, também é possível escolher conforme a profissão, entre professores, advogados, engenheiros e até um chef. Só entre concorrentes militares, dá para fazer a escolha de quase todas as patentes: são sete coronéis, três tenentes, seis majores, cinco capitães, 14 sargentos, 15 cabos e um soldado, indicativo de quanto a questão da segurança pública tem dado a tônica neste caminho para as urnas. Para todos eles estão reservadas 94 vagas, em que, por conta do sistema proporcional de lista aberta, nem sempre os mais bem votados conseguem sua cadeira. Para acentuar as dificuldades de se fazer notar dos postulantes a deputado estadual, não existem pesquisas de intenção de voto para o cargo e nem é dado espaço na cobertura da mídia tradicional. Daí travarem uma briga de foice para passarem neste difícil vestibular eleitoral. Mas vale dizer que estes parlamentares são fundamentais na administração estadual e não se pode brincar na hora de fazer esta opção. A escolha de uma assembleia de qualidade, vigilante, zelosa da coisa pública e conectada às demandas de quem representa é tão ou mais importante do que a do próprio governador. Mas, na prática, a ela é dada pouca relevância, o que é prejudicial para o próprio cidadão. Afinal, não faltam exemplos de eleitores que, a caminho do local de votação, pega de última hora um santinho eleitoral perdido pela calçada e faz sua escolha de forma acrítica. Daí não ser surpresa a falta de lembrança em quem se votou na última eleição e as reclamações para com aqueles que foram escolhidos. Mas, se o emprego é bom, o salário é ótimo e o patrão é o eleitor, vale a pena adotar critérios mais rígidos para esta seleção. Ainda dá tempo!

Luiza Trajano, do Magazine Luiza, é uma das maiores representantes do empoderamento feminino no Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)

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Em nossa cultura, a ambição econômica, a audácia e a coragem têm sido características atribuídas à identidade masculina e, por esse motivo, muitos entendem ser “masculina” a mulher arrojada e “vencedor” um homem destemido.   Os 18 anos de pesquisa sobre a inteligência, a liderança e o business ao feminino me levam a concordar que a psique da mulher não tem alguma diferença em relação à inteligência que se apresenta vestida de homem, no que diz respeito à substância do conhecimento e da experiência. Encontra-se na obra A Feminilidade como Sexo, Poder e Graça, que a psique em si possui uma forma universal, agindo segundo o modo do lugar onde se faz existente. Concluindo-se que: “a música é a mesma, pode-se tocá-la com o violino ou com o violão, ainda que existam discrepâncias técnicas dos instrumentos”. Passo a passo convém então que nós, mulheres e meninas, aprendamos a usar a nossa inteligência para o crescimento e felicidade de nós mesmas, tornando-nos úteis também para o crescimento dos nossos colaboradores. A obra Psicologia Empresarial refere que no ato de delegar está presente a necessidade do empresário-líder que seus colaboradores cresçam para garantir o primado de sua própria organização. É um fato de economia, pois embora não busque ser substituído, agrada ao líder ver o seu projeto expandir-se por intermédio de tantas mãos que ampliam o espaço da sua ação. Trazendo o exemplo do filme O Diabo Veste Prada, citado na obra Cinelogia Ontopsicológica, observamos que, ao trabalhar em uma organização, devemos nos assegurar de possuir a capacidade técnica objetiva daquela tarefa para a qual nos apresentamos. O filme evidencia que para uma jovem ambiciosa e capaz participar do time de uma empresa de ponta significa a ocasião de colocar as mãos sobre o arado, a chance de apresentar uma performance de superioridade e competência, ampliando a própria capacidade de saber fazer. A um certo momento porém, no referido filme, a jovem Andy olhou para trás e desistiu de continuar crescendo. Aproveitar as chances que se apresentam a nós é uma escolha pessoal e a chave para o sucesso. Alice Schuch é doutora, escritora, palestrante e pesquisadora do universo feminino*

Ex-prefeito de São Paulo corre o risco de não ir para o segundo turno (Foto: Divulgação/Secom)

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Desde o início da disputa pelo governo de São Paulo, o ex-prefeito João Doria despontava como favorito na corrida eleitoral. No entanto, a vantagem nunca foi satisfatória a ponto de sugerir uma vitória do tucano. Desde as primeiras pesquisas, após anunciar que trocaria o certo pelo duvidoso, Doria sempre teve no seu encalço a companhia incômoda de outro empresário, Paulo Skaf, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que concorre pela terceira vez seguida ao cargo de governador paulista. Mas, em todas elas, o escolhido do PSDB vinha mantendo dianteira, inclusive nas simulações para o segundo turno.O desgaste resultante da renúncia à Prefeitura de São Paulo naturalmente foi calculado. Mas, aparentemente, o impacto negativo foi além de um simples arranhão na imagem, que tem imposto ao tucano dificuldades para deslanchar. Com isso, a pesquisa de 3 de agosto do Ibope trouxe pela primeira vez o emedebista à frente do ex-prefeito, lugar que, desde então, não mais deixou, como ratificou a última pesquisa deste mesmo instituto (terça-feira, 25). Nesta sondagem, Skaf apareceu com 24%, enquanto Doria, com 22%. Já para o segundo turno, a vantagem do homem da Fiesp avançou de 4% para 8% (39% contra 31%). E para piorar o atual momento de Doria, o tucano ainda assiste à ascensão do deu desafeto pessoal, Márcio França, com quem mantém uma disputa particular pelo capital político do PSDB no Estado de São Paulo e pelo papel de herdeiro de Geraldo Alckmin. O atual governador, que patinava em medíocres 3%, começou a crescer. Hoje, com 12% das intenções de voto, já é percebido no retrovisor de Doria. Desta forma, a presença do peessedebista no segundo turno nunca esteve tão ameaçada, e isso a apenas nove dias das eleições. Assim, o futuro do outrora promissor político, que parecia tão certo, agora não passa de uma incógnita.

Estatal sofre para se recuperar após recursos serem desviados (Foto: Tânia Rêgo/ABR/Fotos Públicas)

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O prejuízo da Petrobras por conta dos desmandos de ex-diretores e políticos – que deveriam zelar pela empresa e os interesses do País e também dos seus acionistas – não para de crescer. Ontem, a estatal anunciou que concordou em pagar multa de US$ 853,2 milhões (aproximadamente R$ 3,4 bilhões) para encerrar ação aberta nos Estados Unidos, por conta do esquema de desvios de recursos e manipulação de contabilidade da gigante brasileira em território norte-americano. O acordo foi firmado com o Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Imobiliários (SEC, em inglês) daquele país. A isso se soma ainda o valor de outro acordo fechado diretamente com seus acionistas em janeiro deste ano. Nesse processo, a Petrobras se comprometeu a recompensar em US$ 2,95 bilhões (R$ 11,8 bilhões) seus investidores, que se sentiram lesados pelas severas perdas decorrentes do maléfico sistema de corrupção em favor de alguns funcionários, políticos e partidos. “Operaram um esquema maciço de subornos e corrupção”, disse Steven Peikin, codiretor da área de fiscalização da SEC, que analisou a conduta financeira da companhia no período entre 2003 e 2012, que compreende os dois governos Lula e o início do de Dilma Rousseff. Aí vem o presidenciável Fernando Haddad e diz que quer que o jeito Lula de governar volte. Certamente que, se for o jeitinho visto na Petrobras, não há motivo algum para que se deseje este passo atrás, pois ainda vai demorar muito até que a petrolífera nacional retome o brilho de outros tempos. E não tem como negar o papel preponderante do PT neste processo. Enquanto paga pelos erros de uma quadrilha muito bem organizada, a empresa busca reaver parte daquilo que lhe tiraram. E não é pouco: mais de R$ 40 bilhões, referentes a indenizações e multas no âmbito da Lava Jato. Por enquanto, só conseguiu reaver R$ 2,5 bilhões do montante desviado. Ainda assim, a Petrobras de hoje é uma estatal melhor, embora menor, pois se desfez de ativos e reduziu custos. Também foi depurada, tem normas internas que a protegem da corrupção e está mais competitiva, apesar do atual momento econômico e de instabilidade política. Deste jeito, segue a caminho de superar suas feridas e, neste aspecto, volta a ser de novo um exemplo para o Brasil.

Jair Bolsonaro tem avançado, mas precisa ir além se quiser encerrar a disputa no domingo (Fotos: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas e Cláudio Kbene/Fotos Públicas)

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O que parecia irreal até alguns meses atrás, já não se apresenta tão impossível: a definição da eleição presidencial ainda em primeiro turno. A possibilidade disso, de fato, acontecer com Jair Bolsonaro ainda é pequena, conforme as últimas pesquisas apontam, mas existe. E, em existindo, não pode ser descartada, ainda mais em um cenário tão polarizado e tão propício a surpresas. De qualquer forma, não é algo rotineiro na jovem democracia brasileira. O único que carrega tal façanha no currículo é Fernando Henrique Cardoso, que, em 1994 e 1998, não deu chances para os adversários e, em uma só rodada, pôs fim ao embate. Depois da pesquisa Ibope de segunda-feira, 1, em que Bolsonaro teve uma alta expressiva – de 27% para 31% e vantagem de 10% frente a Fernando Haddad –, muitos dos seus correligionários apostavam na ampliação da dianteira do deputado federal, o que não se confirmou na sondagem apresentada ontem por este mesmo instituto (32% x 23%). No entanto, a resiliência aos ataques exibida até aqui pelo ex-capitão tem intrigado e deixado sem reação seus principais adversários. Diante de um genuíno “candidato teflon”, em que nada cola, gruda ou adere, os demais concorrentes têm ficado sem arsenal para tentar miná-lo na corrida ao Palácio do Planalto. Do outro lado, Haddad não tem demonstrado o mesmo poder de absorver os golpes, impetrados mais pesadamente especialmente por Geraldo Alckmin. E, organicamente, quando o ex-prefeito de São Paulo recua, Bolsonaro avança. Ainda assim, precisaria avançar muito mais para resolver a questão no primeiro turno. A última pesquisa Ibope para as eleições presidenciais de 2014, por exemplo, dava a Dilma Rousseff 40% das intenções de voto, e 27% para Aécio Neves. Ainda assim, houve segundo turno, cujo resultado foi o mais apertado da história. Uma margem segura seria em torno de 45%, que, em se confirmando nas urnas, daria mais da metade dos votos válidos necessários ao candidato e encerraria a disputa já neste domingo. Possível, é. Provável, não. Ao menos a lógica diz isso, mas, em um cenário de paixões tão exacerbadas, a razão foi a primeira a sair de cena nestas eleições.

Doria quer colar em França a pecha de comunista. E França o chama de sem palavra (Fotos GOVSP/Fotos Públicas e Reprodução/Twitter/Fotos Públicas)

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A campanha eleitoral ao governo estadual deve elevar ainda mais a temperatura com a disputa entre João Doria e Márcio França. O embate dos dois já saiu do terreno político e passou para o âmbito pessoal, com estocadas dos dois lados. Decerto, o tucano quer manter a dianteira conquistada no último domingo, quando pôs uma frente de mais de 2 milhões de votos sobre o pessebista. Já França vem se preparando para virar o jogo e disputar palmo a palmo a preferência dos mais de 33 milhões de eleitores registrados no Estado de São Paulo. Doria tem tentado surfar na onda Bolsonaro e vem buscando colar sua imagem à do presidenciável do PSL para colher dividendos eleitorais. França reagiu a esta estratégia compartilhando na sua conta no Twitter um vídeo em que, ao ser entrevistado por Marco Antonio Villa, no Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o tucano disse rejeitar o apoio do capitão reformado, o considerando um extremista. E, como se isso não bastasse, o próprio Major Olímpio, candidato ao Senado mais bem votado em São Paulo e braço direito de Bolsonaro, desprezou a tentativa de aproximação do empresário com o militar da reserva e anunciou publicamente apoio a França. Pesa ainda contra Doria o fato de não ser unanimidade nem dentro do próprio ninho tucano. Alckmin, o presidente da legenda, já se indispôs com ele e falou duro, chamando enviesadamente o ex-prefeito de “traidor”. E não são poucos os nomes do próprio partido que já assumiram ser partidários do atual governador, mesmo este sendo do PSB. A estratégia de Doria é marcar o adversário como sendo esquerdista, comunista e aliado do PT, se referindo ao rival sempre como “Márcio Cuba”, alusão à ilha caribenha. Já Márcio França, ao mesmo tempo em que tenta colar em Doria a pecha de alguém sem palavra, busca alianças, como a de Paulo Skaf, que no primeiro turno, obteve 4,27 milhões de votos. Oficializada ontem, a parceria pode fazer a balança pender favoravelmente ao pessebista, que, embora desconhecido para a maioria dos paulistas até alguns meses atrás, venceu as adversidades para se impor como candidato, ganhou simpatizantes em pouco espaço de tempo e está em um momento político mais favorável. À Doria resta reagir, usando os remédios apropriados na medida certa. Mas nisso ele tem se atrapalhado

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Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

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Desde 2013, o Ibope realiza a Pesquisa Brasileira de Mídia, a pedido do governo federal. O objetivo é saber por quais meios os brasileiros se informam. Desde o início, o estudo – que é feito nacionalmente e com uma amostra de cerca de 15 mil pessoas, distribuídas por todas as Unidades da Federação – revela a prevalência da TV sobre os demais meios. Mas, desde 2016 (último ano da análise, publicada em 2017) há evidências do avanço da Internet, que se consolidou como o segundo meio de comunicação mais usado (49% da amostragem), ameaçando inclusive a soberania televisiva (89%). A soma é superior a 100% porque se pode indicar mais de uma opção. E as eleições deste ano reforçam o poder da internet e dos meios digitais. Para o bem ou para o mal, estas formas se cristalizaram como o caminho preferido de muitos brasileiros para o consumo de notícias. E não são poucos aqueles que fazem isso de modo exclusivo, bebendo apenas na fonte de sites, blogues, aplicativos e redes sociais. E, ainda que estes não sejam maioria, dedicam mais tempo nestes acessos. Enquanto o tempo médio em frente à TV é de três horas e 21 minutos, entre aqueles que utilizam a web (segundo a mesma pesquisa Ibope) é de quatro horas e 40 minutos, superando seis horas entre o público de 16 a 24 anos. Mais importante que a quantidade de informação disponível na web e redes sociais são a relevância e qualidade do conteúdo oferecido. Evidentemente, no universo digital há muitas empresas e grupos sérios, que primam pela credibilidade do que oferta. No entanto, há um sem número de virulentos guetos, que servem de fábrica para as fake news. Assim, nunca é demais ressaltar que estar na internet, Facebook ou WhatsApp não representa selo de veracidade. Ainda são os meios tradicionais que têm o compromisso com a verdade, por não sair noticiando o que não foi confirmado. Falta isso nos rincões digitais. E até que se separe o joio do trigo, esta revolução representará não um avanço, mas um retrocesso. Nesta nova era, a verdade já não basta para a formação da opinião pública, nem é antídoto à manipulação. Agora se consome aquilo em que se quer acreditar, acriticamente e ainda que falso, desprezando o que vai contra as próprias convicções. A isso se convencionou chamar de “pós-verdade”.

Mais uma pesquisa dá empate técnico entre os dois oponentes (Fotos: Klaus Silva /TJSP/ Fotos Públicas e Reprodução/Twitter)

Cidade

Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) estão tecnicamente empatados na disputa para o segundo turno, aponta a mais recente pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada nesta quarta-feira, 17. Doria tem 52% dos votos válidos - quando são excluídos os brancos, nulos e indecisos - e Márcio França, 48%. A margem de erro é de três pontos porcentuais. É a primeira pesquisa Ibope para o governo de São Paulo neste segundo turno das eleições 2018. Se considerados os votos totais, Doria tem 46% das menções e França, 42%. Eleitores que declaram a intenção de votar em branco ou nulo são 10%; 2% não sabem ou preferiram não responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 17 de outubro. Na intenção de voto espontânea, na qual os eleitores manifestam sua preferência antes de ler a lista de candidatos, Doria aparece com 28% das intenções de voto, também empatado tecnicamente com França, que tem 26%. Neste caso, os indecisos são um quarto dos entrevistados. Outros 15% manifestam a intenção de votar branco ou nulo, e 6% disseram nomes diferentes, que não estão na disputa. A rejeição de Doria é a maior - 32% apontaram que não votariam nele de jeito nenhum. A de França, que vinha se mantendo baixa no primeiro turno - subiu e agora está em 20%. No dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno, era de 9%. Também chama a atenção a quantidade de eleitores que não os conhecem - 18% disseram não conhecer Doria o suficiente para opinar. No caso de França, o número é de 28%. A pesquisa ouviu 1.512 votantes e a margem de erro estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95% - esta é a chance de os resultados retratarem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob o protocolo Nº SP-07777/2018 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo Nº BR-BR-07265/2018.

Vice de Haddad, Manuela d'Ávila é uma critica do machismo (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

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Confesso que essa batalha do #elenão e #elesim algumas vezes me deixa confuso. Afinal, quem é o seu “ele não”? Ou o “ele sim”? Parece que as pessoas têm medo de falar esse nome que supostamente não pode ser dito. Vejo um enorme questionamento sobre machismo. Geralmente, quem fala isso é uma mulher. Vi, inclusive, a vice do Haddad criticando o machismo e em uma certa frase ela usou a palavra feminismo três vezes. Eu fico confuso: o machismo é proibido, errado, questionado, uma coisa que deve ser totalmente excluída da sociedade, mas o feminismo radical pode? Sempre fui a favor dos direitos iguais. Há dez anos, quando ganhei a guarda definitiva do meu filho, defendia essa postura sem hipocrisia. Eu acho que não existe nenhuma diferença entre homem e mulher. Se fosse há 2 mil anos, quando tudo era à base da força física, faria sim diferença em uma caça, batalha, onde era necessário usar espada, ou armadura pesada para defender uma civilização. Mas hoje, você precisa de uma espada para decidir alguma coisa? Não, uma caneta decide. As mulheres são atuantes nas universidades e ocupam altos cargos. Sei que ainda existe diferenciação, fruto de uma cultura absurda, subdesenvolvida. Afinal, a mulher é tão capaz quanto o homem, e o contrário também, e ambos podem sozinhos gerir uma família, assim como aconteceu comigo. Eu administro as tarefas de ser pai, empresário, profissional e empreendedor. Fiquei com nosso filho porque chegamos a um acordo, o que não significa que eu, naquela situação, era melhor ou pior do que a mãe dele. Quem questiona o machismo, assim como quem questiona o feminismo ou a homossexualidade é tão preconceituoso ou mais do que aquele que está só externando a sua possibilidade ou vontade política. Essa campanha #elesim e #elenão, vou fazer isso ou vou fazer aquilo, é desgastante. Meu filho tem 12 anos e eu o criei sem a ajuda de ninguém, absolutamente sozinho, nem minha família tão pouco a da mãe dele. Sempre eu e ele a vida inteirinha. Basta a gente querer, e deixar o preconceito de lado. Daniel Toledo é Advogado especializado em direito internacional, consultor de negócios e sócio fundador da Loyalty Miami

Em uma disputa acirrada, França e Doria tentam colar suas imagens a Bolsonaro (Fotos: Klaus Silva /TJSP, Fernando Frazão/ABR e Marcos Corrêa/PR

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Bolsonaro nada de braçada no Estado de São Paulo onde, segundo a última sondagem do instituto Paraná Pesquisas tem quase 70% das intenções de voto do eleitorado local. Daí não ser surpresa o fato de tanto João Doria (PSDB) quanto Márcio França (PSB) desejarem e precisarem dos votos dos correligionários do capitão reformado para vencer a disputa ao Palácio dos Bandeirantes. França até que saiu na frente nesta disputa particular, ao obter de primeiro momento o apoio do futuro senador Major Olímpio (PSL), simplesmente o mais bem votado para o cargo em todo o País. Também obteve a preferência do Major Costa e Silva (DC), aliado de Bolsonaro e quinto colocado na disputa estadual. Mas Doria reagiu rápido. Primeiro atraiu o PRTB, partido do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, e, em seguida, buscou uma aproximação direta com o próprio presidenciável, ao tentar um encontro com ele no Rio de Janeiro. Embora não tenha sido recebido, o ex-prefeito paulistano saiu de lá com um excelente recorte de uma declaração mais ampla do pesselista, que logo passou a ser usada na campanha do tucano. “Eu sei que ele (Doria) é uma oposição ao PT. Somos oposição ao PT. E eu sei que o outro lado, o França, tem o apoio velado do PT. Então, no momento eu desejo boa sorte ao Doria”, disse Bolsonaro, depois de destacar sua neutralidade na disputa paulista. França até que tentou descolar a eleição no Estado da polarização nacional, mas sem sucesso. Mas, por fim pode ser sugado pelo sentimento anti-PT que varre o País. Enquanto busca se afastar do seu vínculo histórico, seu adversário faz questão de explorá-lo. Com isso, as propostas vão ficando em segundo plano, mascaradas por ataques e tentativas de defesa de ambos os lados. Desta forma, segundo o Paraná Pesquisas, os dois estão em situação de empate técnico (52,3% de Doria contra 47,7% de França), inclusive com rejeição similar (39,8% contra 37%). Diante de linha tão tênue entre a vitória e a derrota, pode ganhar mais votos aquele que mais endurecer o discurso, ainda que, contraditoriamente, em um momento em que o presidenciável do PSL busca mais equilíbrio em suas falas. Ainda assim, quem conseguir convencer essa parte do eleitorado paulista que pode jogar no mesmo time do ex-militar do Exército certamente não ficará de urnas vazias.
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Decisão do STF preserva direito de trabalho à grávida, mesmo se ela desconhecer a gestação (Foto: André Borges/Agência Brasília/Fotos Públicas)

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Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

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Vice de Haddad, Manuela d'Ávila é uma critica do machismo (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

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Em uma disputa acirrada, França e Doria tentam colar suas imagens a Bolsonaro (Fotos: Klaus Silva /TJSP, Fernando Frazão/ABR e Marcos Corrêa/PR

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