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Sáb, Nov

Prisão de Lula não vai acabar com suas ideias (Foto: Ricardo Stuckert)

Opinião

Lula, quatro letras que são a síntese contemporânea do Brasil. Quatro letras, múltiplas linguagens, e dimensão de uma vida, com significantes e significados para milhões de pessoas, mesmo com a restrição compreensiva além da ótica maniqueísta do bem e do mal.

Deixou sua terra, em um pau-de-arara, com a simplicidade de quatro letras, mas toda a complexidade que extrapola o entendimento simplista, como Triste Partida e Ispinho e Fulô, de Patativa do Assaré. A expressividade da linguagem, poesia, cantada, contestação, luta e esperança.

Luiz Inácio Lula da Silva tem grandeza sonora e simbólica. Mas sempre é o Lula da resistência à opressão em tempos sombrios, dos trabalhadores, do sertão, do morro, da favela, do povo sofrido, sem renegar abastados. De andarilho à caminheiro pelo Brasil para estar onde o povo vive.

Sempre Lula. Ora comunista, analfabeto, insurgente, incômodo ou conciliador. Mas uma permanente antítese ao atraso que impõe o País à servidão, ao domínio, à fome e ao povo seu devido lugar. Ora, metamorfoses. De sapo barbudo ao Lulinha paz e amor. Do chão de fábrica à Presidência.

Faz renascer um projeto de nação soberana e socialmente justa. Quatro letras e uma vida com função referencial, poética, metafórica e enigmática viram estudos de caso e teses. Títulos acadêmicos. Lula, quatro letras sincrônicas à trajetória e contra a exclusão, preconceito e ódio.

Da transformação do País ao protagonismo diplomático, Lula vira o cara. Incomoda predadores internos e externos. O cara precisa ser redimensionado, interditado, calado. Quatro letras e novos sentidos: criminalização da política, retrocessos ao trabalhador, entrega do País e ataque à democracia.

É a tentativa de desconstruir Lula no imaginário coletivo por moralistas imorais e legalistas ilegais com milhões de palavras na mídia e em processos judiciais de exceção. Lula resiste, impõe a narrativa e desperta o mundo. Chama à reflexão. Se dispõe à prisão. Está livre. Vive. O simbólico sempre tem significados.

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A amigos, ex-presidente admite que está fora das eleições (Foto; Reprodução/Facebook)

Nacional

Pouco depois do voto decisivo da ministra Rosa Weber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, resignado, com um grupo restrito de pessoas que acompanhavam com ele o julgamento de seu pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), que "não iam dar o golpe para me deixarem ser candidato".

A frase foi interpretada por dirigentes e lideranças petistas como uma admissão de que está fora da disputa eleitoral, embora o PT publicamente insista em manter o discurso sobre a manutenção da candidatura de Lula à Presidência, mesmo que o ex-presidente vá para a cadeia. "Isso foi para tentar tirar o Lula da eleição, mas podemos registrar a candidatura dele, mesmo preso. Acredito que Lula vai ficar pouco tempo na prisão", afirmou o deputado estadual José Américo Dias (PT).

Enquanto isso, petistas começaram a postar nas redes sociais a hashtag #LulaValeALuta. O objetivo é evitar que o desânimo com a derrota no STF contamine a militância e o eleitorado do petista

O abatimento tomou conta das cerca de 500 pessoas que lotavam o salão principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC logo depois do voto de Rosa. Antes, a cada intervalo, os apoiadores de Lula dançavam, faziam batucadas ou se manifestavam em defesa do petista. Depois, ficaram em silêncio durante vários minutos, até que a organização tocou nos alto-falantes a música tema das caravanas de Lula. Muitos foram embora.

Segundo relatos, o clima também ficou pesado no segundo andar do sindicato, onde o petista passou o dia ao lado de apoiadores. Entre eles, estavam a presidente cassada, Dilma Rousseff, os governadores Wellington Dias (PI), Tião Vianna (AC) e Fernando Pimentel (MG), além do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad

Conforme pessoas que estavam no segundo andar, o clima descontraído estimulado pelo próprio Lula durante todo o dia foi substituído pela tensão à medida em que Rosa proferia seu intrincado voto. 

Até então, Lula tentava demonstrar tranquilidade. Posou para fotos, recebeu ex-colegas da direção do sindicato na década de 1970, contou histórias sobre as greves de 1978, 1979 e 1980, elogiou o golaço de Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, e demonstrou otimismo ao dizer que o Corinthians vai vencer o Palmeiras por 2 a 0 na final do Campeonato Paulista. 

O petista passou a maior parte do tempo em uma sala reservada, sem TV, ao lado de Dilma e aliados mais próximos. Ele era informado sobre o andamento do julgamento por assessores. Nos poucos momentos em que esteve na frente do aparelho de TV, não prestou atenção. "Não vou acompanhar isso aí", disse. 


Lula discursa para militantes acompanhado por aliados (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

Após não se apresentar no prazo determinado pelo juiz federal Sergio Moro e não se pronunciar publicamente sobre o mandado de prisão na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu subir ao palanque próximo ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, neste sábado, 7. Em um discurso inflamado, no qual atacou a imprensa, o Ministério Público e adversários políticos, o petista afirmou que cumprirá a determinação da Justiça, mas não deu detalhes de como vai se apresentar à PF em Curitiba.

Depois de encerrar o discurso de 55 minutos, que foi acompanhado de perto pela ex-presidente Dilma Rousseff, pelo ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, pelos presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB), além da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), Lula foi carregado pelos militantes até o sindicato. Antes, ele acompanhou uma cerimônia de homenagem póstuma à sua mulher Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado. 

O acordo para se entregar começou a ser feito na tarde desta sexta-feira. Na manhã de ontem, o petista chegou a ser orientado a não ser entregar e afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que não iria para a capital paranaense.

Manifestantes começam a se dispersar em São Bernardo do Campo. Nesta sexta, ainda houve também protestos em vários estados do País.

A defesa de Lula tentou ainda um habeas corpus junto ao STF, mas não obteve êxito. Os advogados apelaram até para a Organização das Nações Unidas (ONU). 

Decisão

“Relativamente ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,  concedo-lhe, em atenção à dignidade cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17h do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, decidiu Moro.

A medida foi tomada após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou na madrugada desta quinta, 5, um habeas corpus protocolado pela defesa para mudar o entendimento firmado pela Corte em 2016, quando foi autorizada a prisão após o fim dos recursos naquela instância. Lula foi condenado a 12 anos e um mês na ação penal do tríplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato.

Sérgio Moro também determinou à Polícia Federal que não sejam utilizadas algemas em “qualquer hipótese”. O juiz também determinou que Lula terá direito a cela especial.

"Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, diz o mandado de prisão.

Defesa

Em nota, o criminalista José Roberto Batochio, defensor de Lula, afirmou: "Como o processo não terminou no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) essa providência da decretação da prisão, esse açodamento na decretação da prisão do ex-presidente configura a mais rematada expressão do arbítrio no século XXI."

Ex-presidente sofre nova derrota na Justiça (Foto: Filipe Araújo/Fotos Públicas)

Nacional

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou, na madrugada desta quinta-feira, habeas corpus no qual a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta impedir eventual prisão, após o fim dos recursos na segunda instância da Justiça Federal. Os advogados tentavam mudar o entendimento firmado pela corte em 2016, quando foi autorizada a prisão após o fim dos recursos naquela instância. O julgamento durou cerca de onze horas.

O voto surpreendente foi da ministra Rosa Weber que, apesar de se posicionar contra a prisão em segunda instância, manteve último o entendimento firmado pelo STF. Apesar disso, os ministros derrotados cobram a votação de ações declaratórias de constitucionalidade (ADC), que tratam do mesmo tema e podem beneficiar o ex-presidente.

Em julho do ano passado, Lula foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão. Em janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) aumentou a pena para 12 anos e um mês na ação penal do triplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato.

Com a decisão, Lula perde direito ao salvo-conduto que foi concedido a ele pela corte no dia 22 de março que impedia sua eventual prisão. Dessa forma, o juiz Moro poderia determinar a prisão imediata do ex-presidente, no entanto, a medida não é automática, porque ainda está pendente de mais um recurso na segunda instância da Justiça Federal.

Em casos semelhantes na Lava Jato, o juiz determinou a prisão sem esperar comunicação do tribunal. Em outros, aguardou a deliberação dos desembargadores.

No dia 26 de março, a Oitava Turma do TRF-4 negou os primeiros embargos contra a condenação e manteve a condenação de Lula, no entanto, abriu prazo para notificação da decisão até  8 de abril, fato que permite a apresentação de um novo embargo.

Para que a condenação seja executada, o tribunal deve julgar os recursos e considerá-los protelatórios, autorizando Moro, titular da 13ª Vara Federal em Curitiba, responsável pela primeira sentença de Lula, assinar o mandado de prisão.

Quem votou a favor do habeas corpus:

Gilmar Mendes

Dias Toffoli

Ricardo Lewandowski

Marco Aurélio Mello

Celso de Mello

Quem votou contra:

Edson Fachin

Alexandre de Moraes

Luís Roberto Barroso

Rosa Weber

Luiz Fux

Cármen Lúcia

Ministra Rosa Weber foi decisiva (Foto: Antônio Araújo Trilux/AE)

Opinião

Falaram longamente Edson Fachin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso. Três votos a um contra a concessão do habeas corpus preventivo para Lula. Então, falou Rosa Weber. O País silenciou para ouvir seu discurso bem construído, tendo como base um juridiquês irretocável.

Enfim, ela revelou seu voto, que foi na direção contrária aos interesses do ex-presidente e de todos aqueles que se beneficiariam da mesma decisão. Quatro a um. O que veio depois foi uma série de votos esperados. Mas foi Rosa quem fez a diferença. Ela que sempre disse respeitar a decisão do colegiado, ainda que contrariando suas convicções pessoais, não desviou um milímetro deste princípio muito particular. Por fim, acompanhou o voto do relator Fachin e fez a balança pender a favor da prisão de condenados em segunda instância.


O perfil discreto, mais técnico e menos político da ministra ajudou na manutenção da incerteza a respeito de qual posição adotaria nesta quarta-feira. Mas, no final, mudou o seu entendimento de 2016, quando, ao julgar as Ações Declaratória de Constitucionais (ADCs) nº 43 e 44, defendeu que a Constituição Federal vincula claramente o princípio da não culpabilidade ou da presunção de inocência a uma condenação transitada em julgado. “Não vejo como se possa chegar a uma interpretação diversa”, disse à época. Mas, desta vez, ela surpreendeu e conseguiu, assim como o ministro Gilmar Mendes, mudar de opinião.


Dessa forma, vencido o salvo-conduto provisório dado pelo próprio STF na polêmica sessão de 22 de março e julgado o habeas corpus do petista, abre-se finalmente o caminho para a prisão de Lula. Ele, que é provavelmente o presidente mais popular da história do País, caminha para um desfecho melancólico de uma trajetória cinematográfica, cujos capítulos seguintes devem se passar dentro de uma prisão. Isso porque, diferentemente do que cantou Cartola, aquela Rosa falou e do seu discurso se entendeu que no País em que pobres são presos em flagrante, o mesmo deve acontecer com personagens mais poderosos, desde que condenados em segunda instância. É isso que reza a atual jurisprudência. E foi isso que Rosa Weber subscreveu.

País está dividido em relação ao futuro de Lula (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

O STF é o órgão de cúpula do Judiciário, sendo o responsável pela defesa e guarda da Constituição Federal. Infelizmente, nos dias atuais, a Suprema Corte, em diversos julgados, está se afastando de sua nobre missão de guardiã do texto constitucional e da segurança jurídica, para, aparentemente, atender a anseios populares ou interesses de poderosos.

Mas os holofotes se acenderam ao STF de forma mais vigorosa com o Caso Lula e a dicotomia se é constitucional ou não a prisão com o trânsito em julgado na segunda instância. Em 2016, o STF enrijeceu sua jurisprudência, “buscando aplausos sociais”, e firmou o entendimento de que a pena poderia começar a ser cumprida após a condenação na segunda instância, mesmo a CF dispondo que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

A mesma Suprema Corte, que autorizou centenas de pessoas presumidamente inocentes a aguardarem seus recursos presos, irá decidir nesta quarta, se a regra também se aplica ao ex-presidente Lula. A credibilidade do Judiciário está sendo colocada à prova.

O Ministério Publico e os Juízes espalhados por todo o País, como nunca visto na história brasileira, se mobilizam e pedem ao STF a manutenção da prisão em segunda instância. O julgamento do habeas corpus de Lula será um divisor de águas em nossa jurisprudência em meio à politização do Judiciário, causando assim, insegurança jurídica irreparável. Seria tão mais fácil e seguro ao cidadão que o juiz voltasse a ser juiz e se manifestasse apenas nos autos do processo, com base na Constituição, Leis e sua livre convicção motivada. No Brasil, a regra é a liberdade e a prisão é exceção.

A prisão antes do trânsito em julgado é cautelar e somente deverá ser decretada nos termos do artigo 312 do CPP, ou seja, para a garantia da ordem pública, econômica, conveniência da instrução processual e aplicação da lei penal. É inconstitucional, ilegal e imoral fixar regra genérica de que se deve prender antes do trânsito em julgado, quando a constituição prescreve o contrário. Prender ou não é uma prerrogativa do juiz, que deve ser analisada no caso concreto.

*Cristiano Medina da Rocha é advogado e professor universitário

Ex-presidente Lula está ansioso pela decisão do STF (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

O Supremo Tribunal Federal (STF) só julga nesta quarta-feira o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este “remédio” constitucional visa à manutenção da liberdade do petista (já condenado há mais de 12 anos pelo TRF-4) até que todos os recursos sejam julgados pela Justiça.

Mas, ainda nesta terça à tarde, entidades de advogados, juristas e defensores públicos entregaram à Corte um abaixo-assinado defendendo que ninguém seja considerado culpado enquanto não forem esgotadas todas as possibilidades de defesa. Entre aqueles que subscreveram o documento estava Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado de Paulo Maluf.

Quase que simultaneamente, foi a vez dos membros do Ministério Público e do Poder Judiciário também baterem à porta do STF para, também, apresentarem o seu documento, com mais de 5 mil assinaturas, mas este a favor da prisão de condenados em segunda instância.

Entre os assinantes estavam o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Evidentemente, a máxima instância do Judiciário brasileiro não se deixa influenciar por este ou aquele berro. Mas, por outro lado, os 11 juízes sabem da influência que suas decisões têm sobre os rumos políticos do Brasil.

Amanhã é mais um dia de decisão, do tipo que paralisa o País. Principalmente para os figurões que clamam para o Supremo fazer justiça conforme a ocasião e os interesses em jogo. E não é só Lula o interessado. Muitos condenados da Lava Jato podem se beneficiar com a mudança da jurisprudência.

Tem ainda Eduardo Cunha, Antônio Palocci, Sérgio Cabral, que fazem coro para que o STF opte pelo retrocesso, que só vigorou na história judiciária brasileira entre 2009 e 2016, por submissão de nossos magistrados a interesses estranhos ao conceito de justiça. Se isso mais uma vez prevalecer – como na série de sucesso da Netflix, “O Mecanismo” – haverá comemoração no Complexo da Papuda, em Brasília, no Complexo-Médico Penal, em Curitiba, e, porque não, no edifício Hill House, em São Bernardo do Campo.

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"Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais, entre aspas, sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis, no mínimo?", questionou Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil)

Nacional

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), encerrou intempestivamente uma entrevista coletiva no 1º Distrito Naval, no Rio. O militar da reserva estava sendo perguntado sobre a continuidade dos atendimentos de saúde no Programa Mais Médicos, já que cerca de 8,3 mil profissionais podem deixar o País com decisão de Cuba de interromper a parceria. Bolsonaro respondeu apenas uma pergunta após ser questionado sobre o Mais Médicos - não comentou, por exemplo, a indicação do economista Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central (BC). O presidente eleito voltou a criticar os termos do acordo com Cuba no Mais Médicos, que prevê o repasse direto ao governo caribenho de 70% dos salários dos profissionais de saúde. Repetiu que a situação dos profissionais de saúde cubanos é "praticamente de escravidão" e questionou a qualidade dos serviços prestados. "Nunca vi uma autoridade no Brasil dizer que foi atendido por um médico cubano. Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais, entre aspas, sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis, no mínimo? Isso é injusto, é desumano", disse Bolsonaro. O presidente eleito defendeu o exame presencial de validação do diploma dos médicos incluídos no programa. "O que temos ouvido, em muitos relatos, são verdadeiras barbaridades. Não queremos isso para ninguém no Brasil, muito menos para os mais pobres. Queremos o salário integral (dos médicos cubanos) e o direito (deles) de trazer a família para cá. Isso é pedir muito? Isso está em nossas leis, que estão sendo desrespeitadas", resumiu Bolsonaro antes de encerrar a entrevista, que durou menos de cinco minutos. O futuro presidente do Brasil também prometeu asilo político para todos os médicos cubanos que pedirem. "Há quatro anos e pouco, quando foi discutida a Medida Provisória (que criou o Mais Médicos), o governo da senhora Dilma (Rousseff) disse, em alto e bom som, que qualquer cubano que, por ventura, pedisse asilo, seria deportado. Se eu for presidente, o cubano que pedir asilo aqui, (que) se justifica pela ditadura da ilha, terá o asilo concedido da minha parte", afirmou.

Presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a decisão pelo Twitter (Foto: Divulgação)

Mundo

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou há pouco a indicação do embaixador Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. Diplomata há 29 anos, Araújo é diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Bolsonaro anunciou a indicação por meio de sua conta no Twitter. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje”, escreveu o presidente eleito, classificando o diplomata como um “um brilhante intelectual.” Com o novo anúncio, sobe para oito os nomes confirmados para a equipe ministerial do governo eleito. Alguns escolhidos atuam diretamente no governo de transição. Nas declarações públicas, Bolsonaro avisou que pretende reduzir de 29 para de 15 a 17 o número de ministérios, extinguindo pastas e fundindo outras. A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

"Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares", disse o presidente eleito (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Saúde

O governo cubano informou nesta quarta-feira, 14, que está se retirando do programa social Mais Médicos do Brasil após declarações "ameaçadores e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou mudanças "inaceitáveis" no projeto do governo. O convênio com o governo cubano é feito entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "Diante desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim comunicou a diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", anunciou a entidade em um comunicado. Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 11 mil médicos cubanos que trabalham hoje no Brasil depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa "à revalidação do diploma", além de ter imposto "como via única a contratação individual". O programa Mais Médicos tem 18.240 vagas em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras. Quando são abertos chamamentos de médicos para o programa, a seleção segue uma ordem de preferência: médicos com registro no Brasil (formados em território nacional ou no exterior, com revalidação do diploma no País); médicos brasileiros formados no exterior; e médicos estrangeiros formados fora do Brasil. Após as primeiras chamadas, caso sobrem vagas, os médicos cubanos são convocados. "Não é aceitável que se questione a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, presta serviços atualmente em 67 países", declarou o governo. "As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificados em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa", informou em nota o Ministério da Saúde. De acordo com o governo cubano, em cinco anos de trabalho no programa brasileiro, cerca de 20 mil médicos atenderam a 113.539 milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios. "Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história", disse o governo. Segundo o governo de Cuba, mais de 20 mil médicos cubanos passaram pelo Brasil e chegaram a compor 80% do contingente do Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff. Cuba anunciou que manteria o programa depois do impeachment da ex-presidente petista, apesar de considerar o afastamento um "golpe de Estado". Bolsonaro critica Cuba O presidente eleito Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a decisão do governo cubano.  Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável! — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

e temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", questionou Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Nacional

O presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta quarta-feira, 14, que quer preservar o meio ambiente, mas "não dessa forma que está aí". Ele culpou políticas ambientais e indigenistas pelo atraso de algumas regiões do País e disse que "o índio quer ser o que nós somos". Bolsonaro citou como exemplo a situação de Roraima, que disse ter potencial para ser "o Estado mais rico do Brasil". "Se não tivesse problemas ambientais e indigenistas, tinha tudo para ser Estado mais rico do Brasil. Esse é um problema que temos que resolver. O índio quer ser o que nós somos, o índio quer o que nós queremos. Se temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", declarou Bolsonaro . Durante reunião com governadores, em Brasília, Bolsonaro contou que está na iminência de anunciar o nome do seu ministro do Meio Ambiente e afirmou que "não será o que dizem". Lembrou, ainda, que desistiu de fundir a pasta com a Agricultura por orientações do setor produtivo.
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Sucesso do agronegócio é fundamental para a economia brasileira e a geração de empregos (Foto: Antonio Costa/Fotos Públicas)

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Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

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Tentaram boicotar até um programa que visa a ajudar crianças com deficiência física, o Teleton, apenas por que Sílvio Santos agradeceu e enalteceu o presidente eleito (Foto: Reprodução/SBT)

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O uso de bicicletas reduz problemas na Mobilidade e na Saúde, como a diminuição da poluição (Foto: Rovena Rosa/Ag Brasil/Fotos Públicas)

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