Volume exagerado das ligações pode causar danos à saúde (Foto: Reprodução/Pixabay)

Opinião

Um ano após o julgamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a respeito do direito dos trabalhadores em teleatendimento ao recebimento do adicional de insalubridade, as condições de trabalho parecem ter permanecido as mesmas.

Ao julgar o caso repetitivo, o TST reafirmou o entendimento de que “em razão do volume de som necessário à manutenção do fone de ouvido utilizado pelo operador de telemarketing (...) sempre gera o direito ao adicional de insalubridade”.

Embora seja possível o recebimento do adicional, o TST esclareceu não se tratar de uma consequência automática da atividade de teleatendimento pelo uso de fones de ouvido ou do ruído no ambiental. Afirmou ser necessária a realização de perícia do ambiente de trabalho, com medição quantitativa dos ruídos constantes no local de trabalho.

O anexo 1 da NR-15 da portaria nº 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego estabelece o limite de tolerância sonora ao nível de 87 decibéis. Qualquer medição acima desse patamar obriga o empregador a pagar o adicional de insalubridade aos trabalhadores submetidos às condições irregulares de trabalho.

Apesar dos esclarecimentos constantes do julgamento, o adoecimento dos trabalhadores em teleatendimento é constante e crescente, haja vista o contingente aproximado de 500 mil trabalhadores do setor. Além disso, a expansão da terceirização de atividades contribui para a precarização das condições de trabalho dessa categoria, potencializando o descumprimento das normas de segurança e proteção de saúde do trabalhador, constitucionalmente garantidas no artigo 7º, XXII, da Constituição Federal.

Nesse contexto, estar atento aos índices de ruído ambiental e requerer o pagamento do adicional de insalubridade, quando não respeitados os patamares previstos no anexo 1 da NR-15 da portaria nº 3.214/78 do MTE, é fundamental para a proteção individual do trabalhador. Além disso, ajuda a garantir a dignidade e a segurança do trabalho em condições de risco suportado por toda a categoria de teleatendentes.

Rafaela Possera é Advogada do escritório Mauro Menezes & Advogados e especialista em Direito Material e Processual do Trabalho*

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

Aos 36 anos, Boulos é o candidato mais novo postulante à Presidência (Foto: Ivo Lindbergh)

Nacional

Guilherme Boulos se destacou nacionalmente como líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e disputa pela primeira vez o cargo de presidente da República. Filiado ao Psol, partido considerado de extrema esquerda, Boulos defende maior participação popular e afirmou que sua candidatura foi posta para derrubar a “turma do Temer, que botou o Brasil no buraco nos últimos dois anos e que fez com que 1,2 milhão de pessoas voltassem à miséria”.

Defensor do ex-presidente Lula (PT), considera uma injustiça a prisão do petista, mas garante que, com ou sem Lula, a esquerda estará no segundo turno. Aos 36 anos, o paulistano Boulos é o candidato mais novo postulante ao cargo. Filho de médicos, não nasceu pobre, mas afirmou que “não é preciso passar fome ou não ter um teto para se solidarizar com quem passa por estas situações”. Apesar de já ter pregado a desobediência civil em alguns casos, Boulos afirmou que é contra o armamento da população, que passa por uma crise ética e que não se indigna com a situação dos moradores de rua e de crianças pedintes. 

 Se eleito, o primeiro compromisso do senhor será com os sem-teto?

Sem dúvida nenhuma. Se vende uma ideia de que quem faz ocupação por moradia é vagabundo, que quer tomar o que é dos outros. Ignora-se a realidade dessas pessoas, que todo fim do mês têm de escolher entre pagar o aluguel e botar comida na mesa.

E por que estas pessoas vivem nessa situação?

São levadas a esta situação porque os governos não cumprem a lei e deveriam, desde a Constituição e o Estatuto das Cidades, desapropriar imóveis vazios e abandonados e destiná-los à moradia popular. No nosso governo, nós vamos fazer a lei ser cumprida. Imóvel que esteja abandonado será desapropriado para dar moradia a quem precisa. Inclusive nas regiões centrais, porque pobre tem direito de morar no Centro também.

Boulos disse acreditar que campanha "olho no olho" dá credibilidade (Foto: Ivo Lindbergh)

E para famílias que não são pobres, mas não têm condição de financiar um imóvel?

Nós vamos baixar os juros, que, no Brasil, são extorsivos. Tem um exemplo que é bem emblemático. O banco Santander, que é um banco espanhol, para uma mesma linha de crédito cobra juros zero na Espanha e 140% no Brasil. É uma esculhambação.  O Brasil é a Disneylândia dos bancos privados. Nós vamos pegar os bancos públicos – Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil – para reduzir os juros de mercado. Os bancos privados terão que vir atrás ou vão perder a clientela. 

Seria melhor ter mais bancos para aumentar a competitividade?

A solução não é simplesmente ter mais bancos. Eu vi outro dia, em um debate, o Alckmin dizer que o problema do Brasil era ter poucos bancos. Eu achava que o problema do Brasil era ter pouco investimento em educação, em saúde, mas o Alckmin nos ensinou que o problema é termos poucos bancos. Eu não acredito nisso. Acho que é óbvio, nós temos que descentralizar com bancos populares, cooperativas de crédito. São elementos importantes, mas nós temos bancos públicos no Brasil que podem cumprir o papel de enfrentar o cartel de bancos privados, fazendo a redução de juros e da taxa de agiotagem, o chamado spread bancário.

Para chegar ao segundo turno, não era melhor a esquerda ter apenas um candidato?

A Esquerda, a oposição ao governo Temer, estará no segundo turno. O governo Temer tem rejeição de 97% da população brasileira. Deveria se fazer um concurso em que fosse dado a alguém que andasse pelas ruas e encontrasse um cidadão que apoia o governo Temer. O primeiro turno é momento de apresentar alternativas, projetos de futuro, plantar sementes. A nossa candidatura faz isso, não olhando no espelho retrovisor, mas apresentando um projeto para uma geração, não apenas para uma eleição.

Quase sem tempo no rádio e TV e tachado de invasor, como pretende chegar ao eleitor?

A campanha é uma oportunidade de desfazer essa mistificação. O MTST nunca ocupou casa de ninguém. O MTST ocupa grandes imóveis que estão abandonados há muito tempo. Grandes propriedades que devem impostos. Nós estamos tendo a oportunidade de esclarecer isso durante a campanha e enfrentar as fake news. O filho do Jair Bolsonaro inventou que o MTST cobrava aluguel de moradores e está enfrentando processo sobre isso.

E referente ao tempo eleitoral?

Referente à televisão, o sistema eleitoral, tanto de financiamento das candidaturas quanto de aparição, é feito para ficar tudo como está, para manter os mesmo no poder e bloquear a mudança. A nossa candidatura pode fazer diferente porque não tem rabo preso. Sou o único candidato que pisa em favela. Essa campanha olho no olho dá credibilidade.

O senhor disse que pretende aumentar a participação brasileira na política. Como?

As pessoas não participam porque elas não foram chamadas. Democracia não pode ser apertar um botão a cada quatro anos e acabou. As pessoas têm de decidir sobre os próprios temas. A reforma trabalhista que o Temer aprovou, se passasse por um referendo popular, seria aprovada? Não seria. Nós queremos chamar o povo a decidir, porque só assim nós podemos enfrentar privilégios, a esculhambação que é o sistema político brasileiro, que é a base do toma lá da cá. Quem entra no governo troca apoio no Congresso por cargo.

Boulos afirmou que pobre também tem o direito de morar nas regiões centrais das grandes cidades (Foto: Ivo Lindbergh)

Qual o tamanho da máquina pública que o senhor pensa ser ideal?

Quando se fala de máquina pública nós temos de enfrentar privilégios, não reduzir serviços públicos. Alguém acha que tem hospitais demais? Está sobrando serviço de educação? Está sobrando investimento em moradia popular? Está parte tem que ser ampliada. Nós temos que enfrentar privilégios. O que não pode é ter 6 milhões de famílias sem casa e juiz, promotor e deputado ganhando R$ 4 mil por mês de auxílio-moradia. O que não pode, hoje, é quem tem carro pagar IPVA, para manter a máquina pública, e quem tem jatinho, helicóptero não pagar um real de imposto. Nós vamos de enfrentar os privilegiados.

E como pretende fazer isso?

Uma das primeiras canetadas que eu vou dar, com gosto, vai ser chegar lá e revogar o aumento do judiciário, auxílio-moradia para quem tem casa e destinar este dinheiro para políticas públicas. Vai ser uma das canetadas mais gostosas da minha vida. Nós também vamos revogar a reforma trabalhista, porque trabalhador tem de ter emprego e direitos, revogar o congelamento de investimentos em saúde e educação por 20 anos e revogar a entrega do pré-sal às empresas estrangeiras.

O senhor pretende desmilitarizar a polícia?

O problema da violência é gravíssimo no Brasil. Nós tivemos 62 mil mortes violentas no último ano. Isso é mais do que a Síria, um país que está em guerra. Não se consegue enfrentar isso com gritaria e bravata. O modelo que tentou fazer isso fracassou. Nos últimos 30 anos foi mais militarização, mais política, mais presídio, mais arma. Eu pergunto: resolveu? Nós temos de seguir por outro caminho. Nós não queremos que as pessoas tenham medo da polícia, como muitos moradores da periferia, sobretudo os negros, têm hoje. Nós queremos que as pessoas respeitem a polícia, e para isso a polícia precisa respeitar as pessoas. Nós precisamos ter um outro modelo de polícia, que não é o modelo da formação militar, é o modelo da prevenção e da inteligência. Quando nós dizemos prevenção é dar oportunidade para as pessoas e para os jovens. Nós não queremos que o jovem tenha a primeira arma. Queremos que o jovem tenha o primeiro emprego. Queremos construir escolas para não construir presídio.

E o combate à violência?

É preciso enfrentar o tráfico de armas e munição. Não deixar que a arma chegue onde chega hoje. Vamos dizer a verdade: o comando do crime organizado não está no barraco de nenhuma favela. O comando do crime está mais perto da Praça dos Três Poderes do que das favelas de Paraisópolis e da Rocinha. O caminho vai ser enfrentar o crime organizado de verdade, que está de colarinho branco. Que não foi mexido até agora.

"Quem tem jatinho, helicóptero não paga um real de imposto. Nós vamos de enfrentar os privilegiados" (Foto: Ivo Lindbergh)

Qual é a sua principal proposta para a saúde?

Nós vamos criar a UBS completa. Hoje, quando se chega a uma UBS, se você chega com uma infecção, dor nas costas, vão te dar um dipirona, quando tem, e um papel para um exame dali a seis meses. Nós vamos fazer a UBS completa, investindo de verdade em cada delas, onde o cidadão vai fazer o exame e já vai sair com o resultado na mão. Para procedimentos complexos, como ressonância, tomografia, que não dá para fazer ali, vamos estabelecer um teto de espera de, no máximo, um mês. Mas, para isso precisamos investir, e nós vamos dobrar o orçamento do SUS.

E qual a receita para dobrar o orçamento do SUS?

Tirando de quem tem mais. Fazendo com que o rico comece a pagar impostos no Brasil. Taxar grandes fortunas, lucros e dividendos. Só esta reforma tributária vai dar mais de R$ 100 bilhões ao ano.

 Tem algum projeto na área de esporte?

A primeira delas é colocar o esporte e o lazer como um direito. Onde tem oportunidade de esportes, lazer e cultura para a juventude se reduz a violência e a criminalidade. Todos os índices mostram isso. Nós queremos tratar o esporte como direito dentro do programa “Meu Bairro, Minha Vida”. Além de dar moradia com regularização fundiária, o programa vai levar serviços públicos com qualidade para cada periferia do País. Vai ter quadra esportiva e atendimento de esportes para a comunidade.

 Pretende também taxar a venda de jogadores de futebol?

A proposta que nós colocamos é estabelecer uma taxação para a exportação de jogadores, que é feita sem critério. O clube europeu vem, pega um menino de 17 anos, leva embora, e depois valorizava o talento milionariamente na Europa. Nós temos de garantir que os jogadores brasileiros e que a formação de atletas brasileiros recebam a atenção pública, para que estes profissionais possam também atuar no Brasil.

Ministro Brito Pereira permitiu continuação do processo de privatização (Foto: Igo Estrela/Divulgação/TST)

Economia


O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Brito Pereira, atendeu ao pedido da Advocacia Geral da União (AGU) e derrubou liminar concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Rio de Janeiro, que suspendia o processo de privatização das distribuidoras deficitárias do Norte e Nordeste da Eletrobras.

O governo ainda trabalha com a data do leilão de três distribuidoras (Acre, Rondônia e Roraima) para o próximo dia 30 de agosto, ainda que o projeto de lei que destrava a privatização dessas empresas não tenha sido aprovado pelo Senado. O texto - que já foi aprovado pelos deputados antes do recesso de julho - resolve pendências dessas distribuidoras e poderia aumentar a atratividade do leilão. A venda da distribuidora do Amazonas foi remarcada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para 26 de setembro.

Já para licitar a Ceal, de Alagoas, é preciso resolver uma disputa com o governo estadual, que cobra ressarcimento financeiro da União no Supremo Tribunal Federal (STF). Até agora, apenas a Cefisa, no Piauí, foi licitada.

Desde julho de 2016, as distribuidoras estão em um regime precário de designação, em que a Eletrobras é responsável por manter os serviços. Isso acontece porque a Eletrobras decidiu não renovar a concessão das distribuidoras. Nessa hipótese, cabe ao governo leiloar a concessão para um novo operador. Até lá, no entanto, a Eletrobras continua à frente das empresas.

A liminar do TRT determinava a realização de estudo, no prazo de 90 dias, sobre o impacto da privatização das empresas nos contratos de trabalho em curso nas empresas e nos direitos dos empregados. O processo envolve federações representativas de trabalhadores da Eletrobras nos estados do Piauí, Alagoas, Acre, Rondônia e Amazonas.

No pedido de suspensão de liminar, a Advocacia Geral da União argumentou que a privatização das distribuidoras já foi aprovada pelo Congresso e regulamentada pelo governo federal e visa assegurar a continuidade operacional das companhias e a manutenção dos serviços. Segundo a AGU, parecer do Ministério Público do Trabalho diz inexistir previsão legal ou contratual para a realização de estudo de impacto nas relações trabalhistas e não haver indício de alteração objetiva dos contratos de trabalho.

Ao analisar o processo, o presidente do TST observou ter ficado demonstrado que, em assembleia geral, os acionistas da empresa optaram pela venda das companhias distribuidoras, em vez da liquidação da empresa, o que, em princípio, representa a manutenção das empresas e dos contratos de trabalho.

De acordo com o ministro Brito Pereira, a determinação de suspensão do processo estava fundamentada unicamente na inexistência de estudo sobre eventuais impactos da privatização nos contratos de trabalho, sem que tenha sido apresentado nos autos norma ou regulamento com essa obrigação. "É certo que a legislação trabalhista prestigia a manutenção dos empregos e dos direitos conquistados pelos empregados, além de conter normas que os protegem das alterações nessa relação. Mas essas garantias asseguradas aos empregados devem ser invocadas no momento próprio e pelos meios adequados", disse o presidente do TST.

Operadoras estão proibidas de vender novos planos enquanto não melhorarem o atendimento (Foto: Reprodução/Freepic)

Saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou a suspensão da venda de 44 planos de saúde de 17 operadoras. A medida começará a valer na sexta-feira, 9, e tem o intuito de proteger cerca de 180,9 mil beneficiários.

Esses usuários continuarão a ter assistência regular, mas as operadoras ficam impedidas de vender os planos para outros interessados até que comprovem a melhoria no atendimento.

Realizado a cada três meses, o monitoramento da ANS avalia as operadoras a partir das reclamações dos beneficiários relativas à cobertura assistencial como, por exemplo, negativas e demora no atendimento. A lista das operadores pode ser consultada no site da ANS.

Manifestantes já deixaram o imóvel (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

Manifestantes da Frente Povo Sem Medo, da qual faz parte o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam na manhã desta segunda-feira, 16, o triplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, que motivou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo estendeu faixas dizendo "Se é do Lula, é nosso", "Se não é, por que prendeu?" e "Povo sem Medo".

A ocupação do triplex pelos manifestantes foi anunciada nas redes sociais do líder do MTST e pré-candidato do PSOL à presidência da República, Guilherme Boulos. "MTST e a Povo Sem Medo acabam de ocupar o tríplex do Guarujá, atribuído a Lula por Moro. Se é do Lula, o povo poderá ficar. Se não é, por que então ele está preso?", disse Boulos, repetido os dizeres das faixas dos manifestantes.

Segundo a TV Globo, todos os manifestantes já deixaram o imóvel e causaram danos no local. 

Informal, Boulos anunciou sua candidatura em evento com Caetano Veloso e Maria Gadu (Foto: Ceert.org.br)

Nacional

Guilherme Boulos, Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), vai se filiar, na próxima segunda-feira, 5, ao PSOL para disputar a Presidência. Antes disso, no sábado, faz um lançamento informal da sua pré-candidatura, em um evento que vai reunir artistas e intelectuais.

Entre os nomes confirmados para o encontro, batizado de "conferência cidadã", estão os cantores Caetano Veloso e Maria Gadu, os escritores Marcelo Rubens Paiva e Frei Betto, a urbanista Raquel Rolnik e o antropólogo Luiz Eduardo Soares. O ator Wagner Moura e o apresentador Gregório Duvivier devem enviar vídeos de apoio a Boulos.

Muitas dessas personalidades, como Frei Betto, já foram ligados ao PT. Outros, como Luiz Eduardo Soares, orbitaram em torno da Rede de Marina Silva.

Segundo o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o evento desse sábado, que acontece em São Paulo, será uma "demonstração da amplitude que pode alcançar a candidatura" de Boulos. O lançamento oficial da pré-candidatura do líder do MTST será no dia 10 de março, durante a convenção nacional do partido. A chapa deverá ter como vice a liderança indígena Sonia Guajajara, que também é do PSOL.

VEJA NOSSA EDIÇÃO VIRTUAL

França é candidato à reeleição, mas precisa crescer nas pesquisas (Foto: Roberto Casimiro/AE)

Cidade

Márcio França (PSB) já sabia que seria governador antes mesmo de assumir o cargo no dia 6 de abril deste ano, quando Geraldo Alckmin (PSDB) deixou a função o cargo para disputar a Presidência da República. França sempre teve na política a meta de ser governador do Estado. Começou sua carreira como vereador de São Vicente, onde também foi prefeito por duas vezes e teve uma aprovação de 80% após terminar o segundo mandato. Entre as propostas que quer implantar no Estado está o alistamento de jovens, programa que realizou em São Vicente e que afirma ter reduzido a violência drasticamente na cidade litorânea. Sobre a disputa à reeleição, França garante que é o candidato com mais visão social e diz que usar o termo esquerda para definir um partido é um tanto antiquado. Durante a entrevista ao Metrô News, fez questão de ressaltar que é diferente de seus principais adversários: Paulo Skaf (MDB) e Doria (PSDB). “Eles acham que podem colocar uma administração privada no poder público, como se fosse uma empresa, mas é preciso olhar o social. Eu tenho experiência para isso”, argumentou França. Para o governador, eleger Skaf seria como colocar uma gestão a do presidente Michel Temer (MDB) em São Paulo, enquanto eleger Doria significaria colocar alguém que não cumpre o que promete, como terminar o mandato à frente da Prefeitura de SP Qual a principal marca que você vai deixar nesta primeira gestão como governador? Claro que do ponto de vista de repercussão pública vai ser a greve dos caminhoneiros. As pessoas associaram a questão de desobstruir, abrir o diálogo com a categoria a mim. Mas o que eu penso que é mais importante é a mudança histórica de alguém que vai ser candidato à reeleição não ser do PSDB. Também ampliamos a Univesp, com aumento de 3 mil para 45 mil vagas no ensino superior, e fizemos duas concessões de rodovias que saíram com pedágios mais baratos, com média 25% a 30% menor, por exigirmos uma outorga menor. Você acha que fez mudanças significativas depois da transição para a sua gestão? Sim. Penso que isso foi possível porque respeitei as linhas de equilíbrio fiscal. Ninguém percebeu uma mudança que tenha tido traumas, mas nós mudamos secretários, quase dois terços são secretários de carreira, mudamos o comportamento no diálogo com o servidor público, há três anos sem negociações. Márcio França acredita que pessoas se lembram dele por diálogo com caminhoneiros (Foto: Divulgação) E como ocorreu este diálogo com o funcionalismo? Foram pequenos gestos que foram importantes, como a regra geral em que a Procuradoria-Geral do Estado recorria de todos os processos movidos pelo funcionalismo, mesmo sabendo que iam perdem no Superior Tribunal Federal. Não fazemos isto agora. Quais projetos essenciais você quer aprovar ainda nesta gestão? Tem um que está em andamento, o alistamento civil com jovens, que pretende contratar 4.530 jovens nas 100 cidades mais violentas do Estado para realizarem trabalhos nas ruas. Este é um programa que fiz quando era prefeito. A minha cidade era uma das mais violentas do Estado. Depois da implantação do programa, ela não ficou nem entre as 100 primeiras. Estes jovens começarão a trabalhar e serão tutelados com a gente. Será uma espécie de piloto para o que queremos fazer para o ano que vem, a ser lançado em todas as cidades, com 80 mil jovens, cada um recebendo uma bolsa no valor de R$ 500. Abriremos vagas para mulheres também, mas elas não farão serviços nas ruas. Quais os próximos passos na área do saneamento? A Sabesp é a terceira maior empresa do mundo em saneamento e conseguiu, recentemente, fazer parceria com municípios que não tinham a rede, como Carapicuíba e Guarulhos, que vai ser um ganho muito grande de despoluição na veia. A gente tem uma meta, por exemplo, de zerar o rodizio em Guarulhos em oito e dez meses depois de assinar uma negociação que estamos em andamento para ajudar a cidade tanto no abastecimento quanto no tratamento de esgoto.   Governador afirmou que conseguiu diminuir a violência em São Vicente, cidade na qual já foi prefeito (Foto: Roberto Casimiro/AE) Mas tratar o esgoto é um problema que demanda grande investimento e esforço. Como você fará isto? É fato. O tratamento de esgoto é demorado. Leva-se anos para fazer, mas estamos testando equipamentos novos que devem ser colocados na ponta dos canais para despoluir a água que chega. É muito mais prático. Os técnicos querem tratar de casa, e estão certos, mas sou adepto de que temos que fazer da solução mais rápida, ainda que não seja definitiva.   Mas a crise hídrica está batendo na porta do Estado. Há chance de rodízio? Chance zero, mas a preocupação é grande. A crise hídrica é evidente. Tem chovido menos, mas a Sabesp se preparou com grandes obras de transposição, por isso estamos sobrevivendo. Vamos lançar uma campanha nova, em breve, reforçando aos paulistas para fazerem economia. Não temos a pretensão de multar ninguém neste momento. O senhor ainda pretende desvincular a Polícia Civil da Pasta de Segurança e alocar à Justiça? Pretendo. Depende da aprovação da Assembleia. Agora ela tem que aprovar ou não. Insisto que a Polícia Civil é judiciária, e o fato de ter a desvinculação administrativa e orçamentária só vai ajudá-la. Mas falando de segurança é incrível que ninguém tenha noticiado que nós abrimos 66 delegacias que estavam fechadas à noite, simplesmente com um valor que se paga a mais, uma gratificação paga para qualquer servidor por um terço a mais para o serviço que ele presta. E também valorizei os policiais. Nós aprovamos a lei e ela foi sancionada: agora toda a defesa jurídica deles será feita pela Defensoria Pública. Márcio França rechaça rótulo de esquerdista, mas afirma que é preocupado com o social (Foto: Daniel Teixeira/AE) O senhor vem de um partido mais alinhado à esquerda, qual a diferença da sua gestão para uma gestão tucana? Isso é uma expressão meio antiquada, mas pelo menos tenho uma preocupação social maior que os representantes de outras siglas. Aqui em São Paulo, faz quase 30 anos que o mesmo modelo prosseguia no comando. A minha gestão é mais social.  Constantemente partidos e candidatos tentam barrar a sua publicidade. Qual sua opinião sobre isso? Eles querem me esconder. Como sou o novo governador, se eles conhecerem os três candidatos que vão disputar é difícil escolherem os outros dois. São pessoas do bem, só não sabem o que falam, não tem conhecimento da administração pública. Eles acham que podem fazer a gestão pública como privada. É como colocar o modelo Sesi e Senai no Estado, mas os pais pagam R$ 300 a R$ 400 por isso. Aqui temos 3,5 milhões na rede estadual, muitos alunos não têm, é como seu eu dissesse que o sujeito que está no restaurante gratuito vai ter que pagar a comida. Já o Doria quer privatizar o Aeroporto de Barretos, mas não tem movimento, não tem interesse. Você acredita que apenas três candidatos têm chances reais de vencer a eleição? Na verdade, existem quatro candidaturas que vão disputar o Governo do Estado. O PT, quem gosta é fiel e quem não gosta não quer. Uma candidatura é do MDB, do Governo Michel Temer, que não acho que será um bom caminho para São Paulo. O outro é o PSDB do Doria, que demos a oportunidade para mostrar sua capacidade de administração, mas que a desperdiçou. Se as pessoas souberem que eu sou o atual novo governador, as pessoas vão ter a chance de fazer uma opção. O que você pretende fazer na área da Saúde? Estamos com 101 hospitais e estamos acabando mais dois. São 31 mil leitos. Quando falam na televisão parece que não tem nada funcionando. Tem muita gente que vem de fora. O serviço público tem que ser melhorado, mas nem extinto e nem cobrado. Nós temos que abrir as ames aos finais de semana. Isto vai permitir zerar, em seis meses, uma fila de 1 milhão de consultas e 300 mil exames.  E as obras do Metrô. Qual sua pretensão para agora e para um novo governo? Nós temos que retomar todas que estão paradas. Algumas teremos que licitar de novo, porque muitas empresas quebraram, foram acusadas na Operação Lava Jato. Outras o Governo Federal furou na hora do financiamento. Neste ano temos de nove a oito estações para entregar. Está atrasado, mas o governo inteiro parou, o País parou, muitos estados não vão conseguir pagar nem o 13º salário. Tem alguma outra obra sobre trilhos que pode marcar sua gestão? A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ter aprovado a proposta da empresa Rumo será um grande passo para aumentar o transporte de carga a granel de 30 milhões para 70 milhões por ano. É uma obra marcante. A malha paulista liga o Mato Grosso, maior produtor de grãos, ao Porto de Santos, principal saída de commodities do País. Esta malha já existe, mas ela vai ser restaurada e vai abrir ainda dois eixos laterais, ligando São Paulo até Itirapina e a cidade de Colômbia até Araraquara. E o que pode ser feito na área da habitação? Nós pretendemos fazer três coisas. Cada casa hoje custa em torno de R$ 125 mil a R$ 130 mil. O Estado tem um R$ 1,3 bilhão por ano para este tema. A gente tem o suficiente para construir 10 mil casas. É pouca casa.  No interior, vamos criar lotes urbanizados. Você cede um terreno e um cartão com R$ 8 mil e o cidadão vai ter três plantas pré-aprovadas para construir a casinha dele.  E na Capital? Na Capital, a meta é imediatamente poder mudar o conceito da construção no Centro. Desocupar prédios públicos com repartição e transformar em apartamentos. Também queremos negociar para que empresários vendam apartamentos próprios por R$ 125 mil. Quando desocupamos prédios ocupados os proprietários vendem por um preço muito mais alto. Também estamos lançando os programas de recuperação dos atuais prédios da CDHU.

Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Na década de 1950, a teoria da “unanimidade burra”, de Solomon Asch, comprovou a tese de que  algumas pessoas, quando em grupo, acreditam nas coisas mais absurdas e patéticas, ignorando a lógica e a verdade. A experiência colocava um inocente voluntário dentro de um grupo formado por atores, todos dispostos a um teste que consistia em examinar uma placa com uma linha vertical à direita e três linhas verticais díspares à esquerda, onde apenas uma delas era igual à da direita. O examinador perguntava qual das alternativas era a idêntica e, por mais óbvia que fosse a resposta, os atores, cúmplices e combinados, respondiam a alternativa errada. A cobaia, mesmo tendo absoluta certeza do correto, duvidada da própria razão e concordava com a maioria, escolhendo a alternativa falsa, confirmando a tendência humana da maioria seguir a opinião dos outros. O poder da mídia sobre a opinião pública é um bom exemplo disto, pois desvia a atenção para a verdade, dando foco a inverdades tendenciosas. A propaganda induz o estúpido, mas não convence a mente atenta. Quanto mais se promove opiniões medíocres e ignorantes, mais as pessoas abandonam por convicção a racionalidade e o senso crítico, transformando-se em massa de manobra a ser conduzida por um caminho pavimentado por mentiras rumo ao final de um arco-íris, onde não há pote de ouro, mas sim uma ratoeira à espera. Em tempos de eleições isto fica muito mais evidente quando o grupo dominante ignora os desejos da população e cria, em conluio com que há de mais nefasto, uma tendência a se seguir. Talvez você não se recorde, mas, na eleição passada, a tendência era “mulher votar em mulher”, afinal, sem a força da militância, a presidente, que afundou o País, jamais seria reeleita. Hoje, a única mulher candidata não recebe este apelo, talvez por não fazer parte do grupo de interesse, que aliás contém uma candidata que se diz empoderada e independente, mas se rendeu às ordens de um presidiário, macho opressor, aceitando abandonar sua própria candidatura para ser vice decorativa numa chapa confusa na qual sequer aparece em algumas propagandas oficiais da campanha. O candidato líder nas pesquisas, mesmo sem apelo algum de publicidade, vai na contramão do establishment e recebe adjetivos depreciativos até quando atacado violentamente num atentado à sua própria vida. O trinômio “machista-racista-homofóbico” foi tatuado a contragosto em suas costas, já que a população nada questiona e tudo aceita. Ironicamente, seu mais forte adversário é publicamente conhecido por ser autoritário, arrogante, violento e representar o que há de pior e mais retrógrado na política brasileira. Mas, apesar das diversas provas de seu real machismo, racismo, homofobia, coronelismo, e suas constantes declarações polêmicas, estúpidas e discrepantes, é blindado pela mídia e acariciado pela bolha asquerosa e egoísta de uma medíocre parte da classe artística e “intelectual” brasileira. Tudo é um jogo sujo e inescrupuloso de interesses que em nada compartilham com os da população. Não se deixe levar pela minoria que se finge maioria. Não acredite no que lê, no que ouve. Esteja atento, não tema a discordância e vote sabiamente. Para se viver em paz, vote calado, vote em segredo, pois esta é a única arma que você possui.

Não devemos temer uma ideologia radical no próximo governo (Foto: Reprodução/Flickr)

Opinião

Esta eleição se apresenta como uma das mais importantes de nossa historia. De um lado, trata-se da oportunidade de escolher a pessoa mais capaz de comandar o País, governantes dos Estados que o compõem e representantes na esfera parlamentar. De outro, trata-se de eleger os núcleos ideológicos que definirão políticas de Estado.   Portanto, no caso da eleição para a Presidência, o pleito leva em consideração uma visão de mundo, o modo como os protagonistas  enxergam as tarefas do Estado, o mercado e a economia (cunho mais estatal e/ou mais privado), programas sociais, infraestrutura, potenciais e riquezas naturais etc. Numa tentativa de sumarizar tais visões,  chega-se às três principais correntes políticas que governam os Estados modernos: o socialismo, a social-democracia e o capitalismo.   O primeiro tem seu eixo fincado na transformação social por meio da distribuição de riquezas e da propriedade, abarcando a luta de classes, a extinção da propriedade privada, a igualdade de todos. Na teoria marxista, o socialismo encarna a fase intermediária entre o fim do capitalismo e a implantação do comunismo. O capitalismo se ancora na propriedade privada e na acumulação do capital, tendo como motivação a busca pelo lucro. Portanto, constitui o contraponto do socialismo. Já a social-democracia abriga a intervenção do Estado na economia (distribuição de renda mais igualitária) e nos programas sociais, sob o escopo do bem-estar social e, no território político, dá guarida à democracia representativa. Emerge como sistema que combina aspectos do socialismo e do capitalismo. O fato é que a derrocada do socialismo clássico, a partir do desmantelamento da URSS e a queda do Muro de Berlim, em 1989, estendeu o território da social-democracia, sendo este o modelo de nações democráticas, principalmente no continente europeu.Seja qual for o vencedor dessa eleição, a real política brasileira imporá barreiras intransponíveis para a instalação de uma ideologia radical. Disso não devemos ter receio. *Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político e de comunicação

Num possível segundo turno contra Haddad, Bolsonaro deve ganhar apoio de outros partidos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

A cada pesquisa divulgada mais se revela um cenário polarizado entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Assim, quem pode ficar de fora já começa a pensar nas alternativas após 7 de outubro. Um deles é o bloco de partidos que apostou no ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Formados por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, essa aliança garantiu ao tucano um gordo tempo na TV, mas que, pelos menos até agora, não se reverteu em intenção de votos. O deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) é um dos que nunca escondeu sua preferência pelo ex-capitão do Exército. Foi ele, por exemplo, quem idealizou a viagem de Bolsonaro à Asia, em fevereiro deste ano, e esteve lá, ao lado do colega de Câmara. Outro que já disse que não tem como apoiar Haddad em um ainda hipotético segundo turno foi o ex-ministro da Educação de Michel Temer e atual candidato ao Senado Mendonça Filho, de Pernambuco. Ele foi um dos primeiros do DEM a sugerir o caminho em direção a Alckmin, sendo, inclusive, apontado com alternativa a vice na chapa. Ontem, foi a vez de Major Olímpio, um dos coordenadores da campanha bolsonarista em São Paulo, declarar que “muitos quadros” do Centrão devem se debandar da campanha de Alckmin e declarar apoio ao candidato do PSL. “Já estão fazendo missa de corpo presente há alguns dias”, ironizou. Dentro do governo Temer, que oficialmente apoia Henrique Meirelles, também já tem gente olhando para depois do primeiro turno. Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, segundo o blog Radar, da Veja, defende que, em havendo o confronto PSL-PT, que o MDB e o presidente declarem apoio a Bolsonaro. Duílio Malfatti, secretário de Publicidade e Promoção do Planalto foi mais específico em sua página no Facebook, ao se referir ao pesselista logo após o atentado: “Tomara [que] ganhe no 1º turno”. E assim, os organizadores da campanha de Bolsonaro vão reiterando a confiança. E o reforço natural de sua base de apoiadores revela que esta percepção extravasou o núcleo mais leal, podendo desta forma fazer o fiel da balança pender para o lado deles. Assim, aquilo que estava tão distante até alguns meses, já parece bem factível a essa altura da disputa.
Ainda não possui um cadastro? Registre-se

ou

Articulistas

Colunistas

Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Não devemos temer uma ideologia radical no próximo governo (Foto: Reprodução/Flickr)

Opinião

Num possível segundo turno contra Haddad, Bolsonaro deve ganhar apoio de outros partidos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Legislação deve ser mudada, pois a violência cresce a cada dia no Brasil (Foto: Wilson Dias/ABR/Fotos Públicas)

Opinião