Governo Temer quer que 40% da formação do Ensino Médio seja à distância (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Opinião

A educação é uma das áreas mais afetadas pelas forças políticas conservadoras na manutenção de domínio cultural, político, econômico e de relações humanas. As falsas reformas são mais um passo para a destruição, agora do ensino médio.

Depois de mudar o currículo, o Governo quer permitir que 40% da formação seja à distância. A justificativa na era digital, como salto à qualidade, é pretexto para impor a falência do ensino público presencial neste nível essencial e decisivo da trajetória escolar.

O desmonte da educação no governo Temer segue em São Paulo, onde o ataque vem há décadas. O objetivo é entregar a formação para o mercado. Retrocessos fazem parte destes governos do atraso nacional e a privatização só alimentará a exclusão social e a má-formação.

Escola pública, ensino de qualidade e formação sólida não interessam ao projeto neoliberal de educação. A estratégia é o aprendizado mínimo, precário e tecnicista para mão-de-obra, já escravizada, com a antirreforma trabalhista.

A intenção é abolir princípios básicos à educação, como dever do Estado e uma formação que transcenda o grau de instrução. O jogo impõe mais variáveis. Disciplinas como Filosofia, Sociologia e Artes não serão obrigatórias, e outras, opcionais.

O ensino médio deve ser um estágio no avanço da inclusão, formação humanística, do raciocínio, da memória e apreensão de valores sociais. É a fase de consolidação para a inter-relação com a diversidade, respeito, reflexão e análise do aprendizado à percepção e consciência da realidade.

O uso de plataformas digitais pode ser complementar e extraclasse, não suporte à formação em prejuízo à vida estudantil presencial, à concepção e acompanhamento pedagógicos de educadores e à autonomia e libertação com o saber.

A mudança deveria estimular alunos, professores, trabalhadores da educação, o conhecimento e pesquisa. Mas promove a falência da educação pública, hoje uma política de Estado. É o claro menosprezo com o social, cultural e educacional e o futuro do País.

*Edmilson Souza é professor de História, educador e vereador em Guarulhos

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