Brasileiros reclamam da saúde, mas ignoram campanha contra a gripe (Foto: Elza Fiúza/ABR)

Opinião

Mais uma vez o Ministério da Saúde coloca à disposição vacinas contra três tipos do vírus influenza, o principal responsável pela gripe. Por enquanto, só serão beneficiados aqueles que fazem parte dos grupos prioritários, como crianças de seis meses a cinco anos, idosos com mais de 60 anos, gestantes e aquelas que tiveram bebês nos últimos 45 dias. E a explicação para esta preferência é simples, uma vez que o Estado brasileiro, infelizmente, não dispõe de condições financeiras para garantir a imunização para toda a população. Portanto, para este grupo de escolhidos, nunca é demais lembrar que a campanha começa nesta segunda-feira em todos os postos de saúde do País e vai até 1º de junho.


O artigo 196 da CF é claro ao dizer que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos.” Por este aspecto, ainda que se reconheça todas as fragilidades do sistema de saúde no Brasil, o Governo está fazendo sua parte. Mas, estranhamente, é a própria população, pelo menos parte dela, que tem irresponsavelmente aberto mão deste direito, ainda que não tenha de pagar nada para usufruí-lo. No Rio de Janeiro do início do século XX, muitos se recusaram a aderir à campanha de vacinação contra a varíola, dando origem à Revolta da Vacina. A agitação social paralisou a cidade, alimentada pelos boatos e ignorância do público-alvo. Hoje não há uma revolta, mas apenas uma falta de compromisso daqueles que poderiam se beneficiar da campanha.


No ano passado, por exemplo, apenas 60% das pessoas dos grupos prioritários tomaram a vacina contra a gripe durante a campanha. Na recente investida contra a febre amarela, 24% ignoraram o chamado. Muitos pais de crianças e adolescentes, por exemplo, cada vez mais, não se preocupam em atualizar a carteira de vacinação dos filhos. É hora de tomar uma atitude. Se há uma campanha de vacinação, os grupos prioritários devem aderir a ela. A imunização deles diminuiu a possibilidade de o vírus se alastrar e, consequentemente, um número inferior de pessoas serão infectadas. Fazer isso não é apenas se proteger. É ter uma atitude cidadã, responsável e a favor da vida.

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Idosos e profissionais de saúde já podem tomar a vacina (Foto: Nelson Antoine/AE)

Saúde

Começou na segunda-feira, 24, a campanha de vacinação contra a gripe, em todo o País. Somente na cidade de São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde espera imunizar 2,3 milhões pessoas. A mobilização nacional termina no dia 1º de junho e não haverá prorrogação.

Poderá tomar a vacina quem pertence ao grupo prioritário, considerado pelo Ministério da Saúde mais suscetível ao agravamento de doenças respiratórias. A meta do governo federal é imunizar 54 milhões no País.

Nos postos de saúde da capital paulista, a imunização será aplicada em etapas: na primeira, o foco são os profissionais de saúde, indígenas e cidadãos acima de 60 anos. A partir de 2 de maio, serão incluídas as crianças com idade entre seis meses e cinco anos de idade, as gestantes e as puérperas (que tiveram filhos nos últimos 45 dias).

A terceira fase começa no dia 9 de maio, quando será a vez dos portadores de doenças crônicas (cardiopatias, diabetes, HIV positivo e imunodeprimidos) e outras comorbidades, além de professores.

A Secretaria Estadual de Saúde e a Fundação Pró-Sangue convocaram doadores antes da imunização, já que recém-vacinados devem aguardar ao menos 48 horas para doar sangue. O objetivo é garantir estabilidade nos estoques dos bancos de sangue.

Mitos e verdades

É possível pegar gripe pela vacina?

Isso não é possível. A vacina contra a gripe é feita com o vírus morto. Portanto, é 100% segura e incapaz de provocar a doença nas pessoas que são vacinadas.

 

Em gestantes, a vacina faz mal para o bebê?

Pelo contrário. É muito importante a vacinação das grávidas, pois, quando a mãe é vacinada, o bebê também fica protegido.

 

A única forma de prevenir a gripe é tomando a vacina?

A vacina contra a gripe é a melhor e mais segura forma de se proteger contra a doença, porém existem outras medidas importantes que ajudam na prevenção, como lavar as mãos.

 

É preciso tomar a vacina todos os anos?

Sim. Isso acontece por dois motivos. Primeiro, porque a imunidade da vacina se mantém por um período de aproximadamente 12 meses. Segundo, porque a cada ano surgem outros vírus, que causam diferentes tipos de gripe, e a vacina é produzida a partir dos vírus que estão mais propensos a aparecer durante o período de vacinação.

 

A gripe pode matar?

Se não for tratada a tempo, a gripe pode causar complicações graves e levar à morte, principalmente nos grupos de alto risco como, pessoas com mais de 60 anos, crianças menores de cinco anos, gestantes e doentes crônicos.

 

Gripe e resfriado são doenças diferentes?

Embora os sintomas sejam muito parecidos, os vírus que causam a gripe e o resfriado são diferentes. A gripe é uma doença mais grave, que causa febre alta, dores musculares, dor de cabeça, dor de garganta e pode evoluir para uma pneumonia.

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