Bruno Covas já tem um sobrenome de peso. Agora precisa mostrar na prática que pode ser a aposta do PSDB para as próximas eleições (Foto: Alex Silva/AE)

Opinião

O sobrenome já impõe respeito. Neto de Mário Covas, ex-prefeito paulistano e ex-governador de São Paulo, o atual chefe do Executivo da Capital, Bruno Covas, tem em mãos a chance de se firmar como um nome de força do PSDB para as eleições dos próximos anos.

Nunca é demais lembrar que seu avô iniciou a hegemonia dos tucanos no Estado de São Paulo, em 1994, sendo reeleito quatro anos depois. Ele morreu em 2001, vítima de um câncer. Fez uma carreira política sólida, de enfrentamento à ditadura militar e ativo nos movimentos de redemocratização do País na década de 1980.

Bruno assumiu, em certo aspecto, o capital político de Mário, afinal, o seu nome é sempre associado a um gestor público reconhecido. Após se eleger deputado estadual duas vezes e uma como deputado federal, ele apostou alto ao aceitar ser vice na chapa encabeçada pelo empresário João Doria, à Prefeitura, em 2016.


Doria tinha forte resistência no ninho tucano e só conseguiu ser candidato graças ao apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A vitória no primeiro turno, contudo, foi surpreendente. Assim, o jovem Covas teve de abdicar do cargo na Câmara dos Deputados para exercer o papel de vice em São Paulo. Após 15 meses, ele virou o prefeito e será cabeça de chapa do PSDB na reeleição, em 2020. Se conseguir uma boa gestão, pode trilhar um bom caminho político, assim como o avô.


Mas o desafio do prefeito não é fácil. O rombo previdenciário anual de R$ 6 bilhões é um problema que ele pretende encarar, apesar da forte resistência dos servidores. Sem uma reforma, ele admite que terá que aumentar impostos ou cortar investimentos em zeladoria urbana.

Além da reforma, ele fala em priorizar as áreas de saúde, educação e mobilidade. Sem o discurso de gestor, que ajudou a eleger Doria, mas assumindo a figura de político, Bruno aposta que os paulistanos vão sentir, com o passar do tempo, uma transformação na cidade. Se obtiver êxito, poderá alçar voos mais altos em direção ao governo estadual e, quem sabe, à Presidência.

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Novo, Bruno Covas tem o desafio de dialogar com a Câmara (Foto: Dario Oliveira/AE)

Opinião

A cidade está sob os cuidados de um novo gestor, mas, até prova em contrário, a gestão é a mesma. O agora prefeito de São Paulo, Bruno Covas, vem de uma caminhada política meteórica e, aos 38 anos – completados um dia depois de sua posse – ganhou de presente o maior desafio da carreira.

Ao assumir a chefia do Executivo paulistano, no lugar de João Doria, se comprometeu a levar adiante questões empenhadas pelo seu antecessor, como a aprovação da polêmica reforma da previdência municipal, sob a justificativa de equilibrar as contas da Prefeitura. Outra missão é concluir a licitação do transporte público, que tem valor estimado em R$ 140 bilhões – o maior da história, e que valerá por 20 anos.


Tudo isso exigirá muita energia de Covas. Mas, jovialidade não lhe falta, afinal é apenas o segundo prefeito mais novo a assumir a cidade, aos 37 anos, 11 meses e 28 dias. Mais precoce do que ele só Paulo Maluf, e isso por nomeação, durante a ditadura militar. O perfil do novo administrador é mais político, uma vez que vem de uma trajetória como deputado (estadual e federal), além de ter ocupado, de 2011 a 2015, o cargo de secretário estadual do Meio Ambiente. “Sou um homem do diálogo e vou buscar dialogar até com a oposição”, assinalou.


E irá precisar mesmo, para poder conduzir a cidade para o rumo certo. Para isso, sabe que terá de estreitar sua relação com a Câmara. Afinal, o sucesso do seu governo passa por lá, mediante a construção de uma base sólida e do apoio do Legislativo. São apenas 33 meses de desafio até o fim deste mandato, daí ter pressa, como ele mesmo disse.

Se der certo, sairá bem maior do que é hoje. Por enquanto, ao nome do prefeito é ainda preciso associar a explicação de que é “neto do ex-governador Mário Covas”. Mas, a julgar pelo percurso que já trilhou em tão pouco tempo de caminhada, não será surpresa se demonstrar fôlego para ir mais longe do que seu antepassado. Assim, quem sabe, em um futuro incerto, as coisas mudem definitivamente de lugar e Mário Covas seja lembrado simplesmente como “O avô de Bruno Covas”.

Apesar de dizer que manterá pensamento de Doria, Covas faz mudanças chaves no município (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Em seu primeiro dia útil de trabalho, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou trocas em cargos-chave do primeiro escalão da Prefeitura de São Paulo. As Secretarias das Prefeituras Regionais, de Transportes e de Obras (que agora voltará a se chamar de Infraestrutura e Obras) terão novos titulares. A maioria dos novos nomes vem da própria Prefeitura.

O novo secretário de Transportes é João Octaviano, que até sexta-feira ocupava a presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Indicado pelo presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (DEM), ele ocupará espaço deixado por Sérgio Avelleda, que agora será chefe de gabinete do prefeito. Octaviano se comprometeu a continuar a licitação para o serviço de ônibus da cidade, atrasada desde 2013, que está marcada para ser lançada no próximo dia 16.

Avelleda, réu em uma ação judicial por improbidade administrativa no caso que ficou conhecido como Cartel do Metrô, foi para a chefia de gabinete de Covas com a saída de Wilson Pedroso, que acompanhou o ex-prefeito João Doria. Na presidência da CET, Covas indicou o engenheiro Milton Persoli, servidor de carreira da empresa que vinha ocupando cargo de secretário-adjunto das Prefeituras Regionais.

Na Secretaria das Prefeituras Regionais, foi anunciada a entrada de Marcos Penido, que antes era o secretário de Obras. Ele trocou de posição na administração com a saída de Claudio Carvalho, ex-executivo da incorporadora Cyrela e amigo de Doria, que vinha ocupando o cargo a convite do ex-prefeito e anunciou que o auxiliaria na campanha ao governo do Estado.

Penido e Covas afirmaram que novas mudanças podem ocorrer nas 32 Prefeituras Regionais, mas Covas lembrou que ele mesmo havia indicado os nomes dos atuais ocupantes dos cargos.

A mudança de Penido deixaria a Secretaria de Obras vaga. O espaço será preenchido pelo antigo presidente da estatal SP Obras, empreiteira da Prefeitura, Vitor Aly. Na estatal, Covas indicou um amigo, o executivo Maurício Brun Bucker, da empresa de engenharia Construdata, que já havia ocupado cargos por indicação na SP Obras.

Câmara

Na secretaria da Casa Civil, cargo que havia sido criado para Bruno Covas pelo ex-prefeito Doria, após sua saída da Secretaria das Prefeituras Regionais, Covas convidou o vereador Eduardo Tuma (PSDB), vice-presidente da Câmara. Será o vereador quem fará a articulação entre o Executivo e o Legislativo. Tuma é tido como aliado do presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), e chegou a fazer críticas pontuais à gestão Doria em ocasiões como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a dívida ativa da cidade.

Por fim, haverá ainda nas próximas semanas uma troca na Secretaria da Justiça. Advogado eleitoral de Doria, Anderson Pomini, atual titular do cargo, deixará o governo para auxiliar o ex-prefeito em sua campanha. Em seu lugar, deve assumir o advogado Rubens Rizek Júnior, ex-corregedor geral da administração no governo do Estado e amigo de Covas, com quem trabalhou quando o prefeito ocupou cargo de secretário do Meio Ambiente do governo do Estado.

bruno Covas e Márcio França: eles assumiram cargos de prefeito e governador, respectivamente, no começo de abril (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Três em cada dez residentes de São Paulo sabem quem é o atual prefeito da capital paulista. Pesquisa Datafolha realizada na semana passada mostra que Bruno Covas (PSDB) - eleito vice-prefeito em 2016 e novo chefe do Executivo municipal no lugar de João Doria (PSDB) - é mais conhecido entre homens ricos de 60 anos ou mais.

O levantamento questionou 1.031 eleitores da capital paulista entre quarta-feira, 11, e sexta-feira, 13, sobre quem é o prefeito de São Paulo, sem apresentar nomes.

Do total, 25% responderam o nome do atual prefeito. Outros se referiram a ele por meio de alcunhas como "Covas" (2%) ou "neto do Covas" (3%). Bruno, neto do ex-governador Mario Covas, foi vice-prefeito até o dia 6 de abril, quando assumiu a Prefeitura.

Dos entrevistados, 62% disseram não saber informar quem comanda a cidade ou deram respostas equivocadas (2% responderam "João Doria", por exemplo).

O nome de Covas foi mais lembrado entre homens (38%) do que entre mulheres (23%). O novo prefeito também é mais conhecido entre a fatia rica do eleitorado paulista: 64% dos que sabem quem é o novo prefeito recebem mais de 10 salários mínimos.

Em relação à expectativa sobre a gestão Covas, a maioria (40%) espera uma administração regular. Estão otimistas, aguardando um governo ótimo ou bom, 27%. Já 20% do eleitorado acreditam que a gestão do tucano será ruim ou péssima.

A maioria dos moradores de São Paulo (60%) acredita que a saída de Doria não fará diferença para a cidade, nem prejudicando, nem beneficiando o município.

Renúncia

Outra pesquisa Datafolha mostrou esta semana que a maioria dos eleitores da capital reprova a saída de Doria. Para 66% do eleitorado paulistano, o tucano agiu mal ao deixar a Prefeitura. Outros 28% concordaram com a decisão, e 6% não souberam responder. Além disso, sobre a gestão, 47% dos paulistanos avaliam os 15 meses de Doria à frente do Executivo municipal como péssimos ou ruins.

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