Educação

O impacto das tecnologias digitais na saúde mental nas escolas brasileiras

Redação Por Redação
04/08/2026 - 13:13 3 min de leitura
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O tema dos efeitos das tecnologias digitais na saúde mental dos alunos já é discutido em 80% das escolas do Brasil. Essa proporção representa um aumento significativo de 18 pontos percentuais em relação ao ano anterior, quando 62% das instituições abordavam a questão.

Esses dados foram revelados pela pesquisa TIC Educação 2025, divulgada recentemente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que faz parte do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O levantamento, que envolveu 2.404 entrevistas com gestores de escolas públicas e privadas, tanto em áreas urbanas quanto rurais, mostra um aumento na preocupação com o uso das tecnologias digitais no ambiente escolar. Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais e responsáveis para discutir o tema, um aumento em relação aos 60% do ano anterior. Além disso, 86% dos gestores conversaram com professores sobre o assunto, comparado a 68% em 2024.

Outros tópicos que ganharam destaque nas reuniões incluem o uso seguro e responsável das tecnologias digitais, que subiu de 56% para 75%, e a inclusão da educação midiática no currículo, que passou de 46% para 67%.

Apesar do avanço, a pesquisa revela que 65% das escolas realizam ações voltadas para a saúde mental dos alunos, mas a implementação dessas iniciativas é desigual. As escolas urbanas e aquelas que oferecem acesso a computadores e internet têm maior probabilidade de desenvolver tais ações. Entre os desafios enfrentados, a baixa participação das famílias é citada por 75% dos gestores, seguida pela falta de materiais de apoio.

Para as instituições que não realizam atividades relacionadas, a falta de recursos e a baixa participação familiar são os principais obstáculos. Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, destaca a importância de um olhar atento às desigualdades estruturais que podem afetar a equidade na educação digital.

Ela também enfatiza a necessidade de uma colaboração efetiva entre escolas e famílias para promover a educação digital. Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram orientação sobre como mediar o uso digital de crianças, enquanto 48% ofereceram palestras sobre saúde mental e 46% disponibilizaram materiais de orientação.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, ressalta que a construção de uma educação digital segura é um desafio que deve ser compartilhado entre todos os envolvidos, incluindo escolas, famílias e o Estado. A regulação e políticas públicas são essenciais para proteger crianças e jovens, conforme indicado pelo ECA Digital.

O estudo também revela que 51% dos gestores proíbem o uso de celulares pessoais nas escolas, com regras variando conforme o nível de ensino. Em 40% das instituições, os alunos podem levar seus celulares, mas as normas de armazenamento diferem. O uso pedagógico do celular é permitido em 66% das escolas que autorizam seu uso, especialmente em regiões com menor acesso a tecnologia.

Por fim, a pesquisa TIC Educação 2025 é a primeira a mapear o uso de inteligência artificial (IA) nas escolas. 53% dos gestores afirmam utilizar essas ferramentas em suas atividades, embora apenas 22% tenham um guia sobre seu uso no ensino. O uso de IA para tarefas educacionais é permitido em 37% das escolas, com maior aceitação nas estaduais e nas que atendem até o ensino médio.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-08/impacto-das-telas-na-saude-mental-ja-e-debatido-em-80-das-escolas

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