Procon de São Paulo atua para garantir aplicação do Código do Consumidor (Foto: Divulgação)

Nacional

Pense na seguinte situação: na hora de concluir a compra, o vendedor faz algumas contas na calculadora e diz: “infelizmente, o preço não é este da etiqueta”. Ao invés de pagar R$ 100, por um tênis em promoção, você teria que desembolsar R$ 150, de repente. Para coibir esse e outros tipos de abusos existe o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

A lei foi sancionada em 1990, passou por algumas alterações, mas continua valendo atualmente. De acordo com Alessandro Segalla, especialista em defesa do consumidor da São Judas, o documento é muito importante. “O cliente é sempre o elo mais fraco da cadeia. Se o código não existisse, as nossas necessidades não seriam levadas em conta”, explicou.

Apesar de sua relevância, o documento ainda é pouco conhecido pelo público, segundo Ageu Camargo, professor da Univeritas. “Todos os estabelecimentos comerciais devem ter o CDC exposto, mas o pessoal ainda é acanhado em pegá-lo, lê-lo e fazer valer o direito”, disse. “Há uma barreira, porque ele sempre acha que não será respeitado”, afirmou.

O coordenador dos cursos de tecnologia na área de negócios da FMU, Arnaldo Vhieira, esclareceu que o direito mais importante é o à informação. “Sem isso, o consumidor não saberia o peso, quantidade, maneira como vai utilizar, possíveis riscos à saúde, entre outros”, falou. “A livre escolha também é essencial. Ninguém pode nos empurrar um produto que não queremos”, concluiu.

Confira alguns direitos presentes no código

O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à restituição em dobro do valor pago a mais, confome o artigo 42. É útil, principalmente em supermercados, onde os preços no caixa nem sempre estão de acordo com a etiqueta;

O artigo 49 assegura o direito à devolução do produto ou serviço no prazo de até sete dias, sempre que a compra for efetuada fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone e internet. Assim protege o consumidor de ofertas enganosas;

O inciso III do artigo 6 exige informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços (quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preços);

Já o inciso IV do mesmo artigo 6 protege contra publicidade enganosa e métodos comerciais coercitivos ou desleais.

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Entrega de produtos comprados de sites internacionais pode sofrer com furtos e extravios indesejados (Foto: Divulgação)

Tecnologia

Preço baixo e variedade são algumas das principais vantagens que fazem um consumidor brasileiro tentar importar um produto da China por meio da internet. Mas nem tudo é tão fácil, e o barato pode acabar saindo caro, como diz o velho ditado.

Segundo Almir Neves, conselheiro de tecnologia em comércio eletrônico, embora exista uma popularização das importações pela internet, principalmente por sites de venda chineses, é necessário levar em consideração alguns fatores essenciais. “Se você tem urgência em adquirir o produto não tente importar. A mercadoria precisa de no mínimo 45 dias para chegar”, argumentou.

Mas se não há urgência, existem outras questões que o consumidor deve se atentar. Segundo Edu Neves, CEO do Reclame Aqui no Brasil, é preciso verificar se o site é idôneo, cumpre com o que é prometido e se possui reclamações. “Além da demora na entrega, o produto pode ser roubado ou extraviado, e muitas vezes o lojista tem a informação de que ele chegou no Brasil, o que torna difícil uma devolução de valores. É essencial pesquisar sobre o site antes de comprar”, explicou.

Segundo Neves, muitas lojas on-line trabalham com estoque de terceiros, o que dificulta ainda mais o comércio. Outro problema é a logística reversa. “Esta logística praticamente não existe no Brasil. Se o produto chega com a cor errada ou quebrado, por exemplo, o processo de troca pode ser muito devagar e custoso”, ressaltou.

Taxas podem tornar produto mais caro

O varejista Renan Dias começou a importar produtos para o uso pessoal e até mesmo para alguns colegas, mas desistiu depois de algumas complicações. “Eu tive mais de R$ 1,6 mil em mercadorias barradas. Na hora que fui ver as taxas que tinha de pagar para retirá-las desisti”, explicou.

Ambos os especialistas ressaltaram ainda que é preciso levar todas as taxas em consideração. O site da Amazon, por exemplo, já cobra todas as taxas do cliente na hora da compra, garantindo a entrega do produto, mas em outros casos que não trabalham com a mesma política empresarial a mercadoria pode ficar presa até que o consumidor pague os impostos e as multas necessárias.

Testes de qualidade são essenciais, diz especialista

Presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, Rodrigo Bandeira Santos acrescentou que além deste tipo de problema, a diferença entre um produto importado e outro que seja vendido no Brasil está também na manutenção e no fato de que o produto vendido aqui passou por testes que se comprometam a cumprir normas de segurança e qualidade. “Pode parecer uma questão simples, mas um produto sem qualificação pode causar uma alergia, no caso de roupas, até um incêndio, quando se trata de equipamentos eletrônicos”, afirmou.

Para Bandeira, outro agravante é que as importações não favorecem o mercado nacional. “Quando você compra fora, você está aquecendo a economia de outro país”, concluiu.

 

Verificar o prazo de validade dos produtos é a melhor forma para não ser enganado com itens vencidos (Foto: Divulgação)

Economia

Na hora de comprar um produto no supermercado, o consumidor deve estar atento ao prazo de validade. Isso porque, segundo o Código de Defesa do Consumidor, são impróprios ao uso e ao consumo os bens que não se enquadram mais neste quesito. De acordo com a especialista no Código, Cintia Lima, caso um estabelecimento seja pego vendendo produtos vencidos, pode ser condenado ao pagamento de multa. 

Além disso, a empresa também deve devolver o dinheiro gasto pelo consumidor ou trocá-lo. “Ressalta-se que cabe uma ação de indenização apenas se o cliente sofrer algum dano, por exemplo, se consumir o produto vencido”, explicou a advogada.

A dona de casa Débora Mingussi Nascimento contou que ia a um supermercado e percebeu que os iogurtes vendidos estavam fora da validade. “Na primeira vez, eles retiraram da prateleira. Na segunda, me deram o mesmo produto, na validade, de graça. Mas, como era corriqueiro, parei de ir a este mercado”, disse.

O advogado e professor do curso de Direito da UNG, Gleibe Pretti, ressaltou que o comércio só pode ser punido caso o produto realmente estiver vencido. No caso de uma venda, por exemplo, se é um alimento que passe do prazo no dia seguinte, não há qualquer ação a ser tomada. “Se o consumidor for lesado, poderá procurar o juizado especial cível e ingressar com ação contra o fornecedor”, afirmou o especialista.

Procon fiscaliza e orienta consumidores

A Fundação Procon-SP, em parceria com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), realiza, desde 2011, a campanha “De Olho na Validade”, que visa a incentivar uma atenção maior ao prazo, tanto por parte do fornecedor quanto do consumidor.

De acordo com Gleibe Pretti, além de ter que pagar uma indenização ao consumidor, a venda de produtos vencidos é caracterizada como crime à ordem econômica. “Assim, o fornecedor responderá tanto civilmente quanto criminalmente”, disse.

No caso da empresária Giovanna Bruno, não houve dano ao consumidor, mas ela teve de avisar uma funcionária de uma padaria sobre um pão embolorado. “Não cheguei a comprar, mas olhei uma sessão tipo ‘queima de estoque’ do comércio e o pão estava embolorado em uma estante ao lado do caixa e a etiqueta na embalagem apontava que havia vencido no dia anterior”, contou. Assim que avisou a funcionária, o produto foi retirado da prateleira. 

Saiba como proceder para denunciar

Se o leitor comprar um produto vencido, deve procurar o estabelecimento em que o adquiriu ou o fabricante, com nota fiscal em mãos. Se houver negativa em devolução do dinheiro ou troca, outra alternativa é abrir uma queixa em sites de reclamações, como o Reclame Aqui ou o Consumidor e escrever o problema nos locais indicados. Se o caso não for resolvido, a dica é denunciar o estabelecimento à Vigilância Sanitária 0800-6429782 e à Fundação Procon-SP (telefone 151).

Ambiente virtual traz boas oportunidades de negócios, mas é preciso evitar golpes de sites (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Economia

Realizar compras pela internet tem vantagens mas também possui contratempos. O preço é mais barato e há possibilidade de encontrar maior variedade sem precisar sair de casa.

Por outro lado, existem alguns problemas, como prazo para entrega e o risco de ser alvo de golpistas. Para evitar problemas, especialistas dão dicas sobre cuidados essenciais para não ser lesado na hora da compra virtual.

Segundo o advogado Igor Marchetti, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a recomendação é pesquisar a idoneidade da loja on-line, conferindo se o site oferece informações como CNPJ, endereço físico, telefone e canais de contato direto. 

Ricardo de Paola, diretor-chefe de tecnologia da Infracommerce, empresa especializada em negócios digitais, citou outro detalhe que pode ajudar o consumidor. “Um passo simples é observar, ao acessar a loja on-line, se antes do www tem o protocolo https. Esse “s” significa que o ambiente possui certificado de segurança e atesta que os dados do cliente são protegidos por criptografia. Isso evita que informações  do cliente sejam roubadas”, explicou.  

Para evitar que a compra se torne um pesadelo também é preciso desconfiar de promoções. “Leia as especificações do produto, inclusive se há manuais a respeito. Anote o prazo prometido e cobre a emissão da nota fiscal”, ressaltou o advogado do Idec. 

Segundo Ricardo, sites como o ReclameAqui podem ajudar nesta investigação, mas, de acordo com recomendações do próprio canal de pesquisa, o consumidor deve se atentar não só ao número de reclamações recebidas, mas também como elas são atendidas. Outra dica essencial ao consumidor virtual é checar se o site sugerido para compra de um produto é real ou apenas uma cópia. Se detectar alguma fraude, o comprador pode procurar o Procon ou a Delegacia de Defesa do Consumidor. 

E-Commerce no Brasil: uma fraude a cada cinco segundos

Pode parecer absurdo, mas é verdade. O comércio eletrônico brasileiro sofre uma fraude a cada cinco segundos, fato ruim tanto para os lojistas, quanto para o cliente que busca um preço mais justo ou mais comodidade na hora da compra on-line. Neste caso, foram levadas em consideração apenas as fraudes aplicadas em tentativas de compras com cartões clonados.

“A maioria destas transações ilegítimas é barrada pelos sistemas antifraudes ou pelos lojistas antes mesmo da aprovação do pagamento na hora da compra, e os produtos sequer são enviados ao fraudador. Um e-commerce saudável não pode ter uma taxa de fraudes superior a 1% do faturamento, sob risco de advertências, multas e até mesmo descredenciamento junto às operadoras e bandeiras de cartão de crédito”, explicou Tom Canabarro, cofundador da Konduto.

O levantamento “Raio-X da Fraude no E-commerce Brasileiro”, foi feito pela Konduto, empresa de atuação no desenvolvimento de sistemas antifraudes, levou em consideração uma amostragem de mais de 40 milhões de transações realizadas entre 1o de janeiro e 31 de dezembro de 2017. 

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, foram movimentados 203 milhões de pedidos via comércio eletrônico em 2017. Se 3,03% delas são de origem fraudulenta, mais de 6 milhões de transações foram feitas por estelionatários utilizando cartões clonados durante os 365 dias do ano, ou seja, uma tentativa de crime é cometida a cada cinco segundos.       

Brasileiro precisa ter cautela para fazer compras (Foto: Lucas Dantas)

Opinião

Que a situação política e econômica do Brasil se tornou problemática desde 2015, após a reeleição de Dilma Rousseff (PT) não é novidade. De lá para cá, houve o impeachment da petista, prisão de vários políticos por corrupção, alta no desemprego, perda do poder aquisitivo e um grande clima de pessimismo e desesperança.

Contudo, neste Dia do Consumidor, 15 de março, há fatos para se refletir e que são positivos. O consumo das famílias aumentou 1% em 2017, após dois anos de queda, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso é relevante para a recuperação econômica do País, já que 60% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional se refere exatamente ao dispêndio das famílias.

Os números do IBGE coincidem com os da consultoria Kantar Worldpanel, que mostrou, nesta semana, que os produtos mais caros voltaram a ser adquiridos pelos brasileiros no ano passado. Para efeito de comparação, elevou-se a comercialização da manteiga, que retornou à mesa de mais de 2 milhões de residências. O mesmo aconteceu com itens mais “elitizados”, como requeijão, batata congelada e pão industrializado, que também estão em alta.

Se o consumo aumenta, é importante que o consumidor esteja atento para não ser ludibriado e, ao mesmo tempo, não correr o risco de contrair prejuízos, após dois anos de recessão no País. Vale lembrar que, durante a crise, boa parte dos brasileiros passou a substituir suas preferências por opções mais baratas, para poder fechar as contas no final do mês ou não se endividar. Este é um momento em que se deve ter atenção.

O consumo precisa ser consciente, afinal, ninguém sabe como ficará o País depois das eleições de 2018. Os consumidores são fundamentais para a economia voltar a crescer. Contudo, não devem repetir os erros dos inconsequentes que afundaram o Brasil. Controlar os gastos, com responsabilidade, dará mais tranquilidade para as famílias. Assim, vamos todos ajudar a reconstruir a Nação.

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França é candidato à reeleição, mas precisa crescer nas pesquisas (Foto: Roberto Casimiro/AE)

Cidade

Márcio França (PSB) já sabia que seria governador antes mesmo de assumir o cargo no dia 6 de abril deste ano, quando Geraldo Alckmin (PSDB) deixou a função o cargo para disputar a Presidência da República. França sempre teve na política a meta de ser governador do Estado. Começou sua carreira como vereador de São Vicente, onde também foi prefeito por duas vezes e teve uma aprovação de 80% após terminar o segundo mandato. Entre as propostas que quer implantar no Estado está o alistamento de jovens, programa que realizou em São Vicente e que afirma ter reduzido a violência drasticamente na cidade litorânea. Sobre a disputa à reeleição, França garante que é o candidato com mais visão social e diz que usar o termo esquerda para definir um partido é um tanto antiquado. Durante a entrevista ao Metrô News, fez questão de ressaltar que é diferente de seus principais adversários: Paulo Skaf (MDB) e Doria (PSDB). “Eles acham que podem colocar uma administração privada no poder público, como se fosse uma empresa, mas é preciso olhar o social. Eu tenho experiência para isso”, argumentou França. Para o governador, eleger Skaf seria como colocar uma gestão a do presidente Michel Temer (MDB) em São Paulo, enquanto eleger Doria significaria colocar alguém que não cumpre o que promete, como terminar o mandato à frente da Prefeitura de SP Qual a principal marca que você vai deixar nesta primeira gestão como governador? Claro que do ponto de vista de repercussão pública vai ser a greve dos caminhoneiros. As pessoas associaram a questão de desobstruir, abrir o diálogo com a categoria a mim. Mas o que eu penso que é mais importante é a mudança histórica de alguém que vai ser candidato à reeleição não ser do PSDB. Também ampliamos a Univesp, com aumento de 3 mil para 45 mil vagas no ensino superior, e fizemos duas concessões de rodovias que saíram com pedágios mais baratos, com média 25% a 30% menor, por exigirmos uma outorga menor. Você acha que fez mudanças significativas depois da transição para a sua gestão? Sim. Penso que isso foi possível porque respeitei as linhas de equilíbrio fiscal. Ninguém percebeu uma mudança que tenha tido traumas, mas nós mudamos secretários, quase dois terços são secretários de carreira, mudamos o comportamento no diálogo com o servidor público, há três anos sem negociações. Márcio França acredita que pessoas se lembram dele por diálogo com caminhoneiros (Foto: Divulgação) E como ocorreu este diálogo com o funcionalismo? Foram pequenos gestos que foram importantes, como a regra geral em que a Procuradoria-Geral do Estado recorria de todos os processos movidos pelo funcionalismo, mesmo sabendo que iam perdem no Superior Tribunal Federal. Não fazemos isto agora. Quais projetos essenciais você quer aprovar ainda nesta gestão? Tem um que está em andamento, o alistamento civil com jovens, que pretende contratar 4.530 jovens nas 100 cidades mais violentas do Estado para realizarem trabalhos nas ruas. Este é um programa que fiz quando era prefeito. A minha cidade era uma das mais violentas do Estado. Depois da implantação do programa, ela não ficou nem entre as 100 primeiras. Estes jovens começarão a trabalhar e serão tutelados com a gente. Será uma espécie de piloto para o que queremos fazer para o ano que vem, a ser lançado em todas as cidades, com 80 mil jovens, cada um recebendo uma bolsa no valor de R$ 500. Abriremos vagas para mulheres também, mas elas não farão serviços nas ruas. Quais os próximos passos na área do saneamento? A Sabesp é a terceira maior empresa do mundo em saneamento e conseguiu, recentemente, fazer parceria com municípios que não tinham a rede, como Carapicuíba e Guarulhos, que vai ser um ganho muito grande de despoluição na veia. A gente tem uma meta, por exemplo, de zerar o rodizio em Guarulhos em oito e dez meses depois de assinar uma negociação que estamos em andamento para ajudar a cidade tanto no abastecimento quanto no tratamento de esgoto.   Governador afirmou que conseguiu diminuir a violência em São Vicente, cidade na qual já foi prefeito (Foto: Roberto Casimiro/AE) Mas tratar o esgoto é um problema que demanda grande investimento e esforço. Como você fará isto? É fato. O tratamento de esgoto é demorado. Leva-se anos para fazer, mas estamos testando equipamentos novos que devem ser colocados na ponta dos canais para despoluir a água que chega. É muito mais prático. Os técnicos querem tratar de casa, e estão certos, mas sou adepto de que temos que fazer da solução mais rápida, ainda que não seja definitiva.   Mas a crise hídrica está batendo na porta do Estado. Há chance de rodízio? Chance zero, mas a preocupação é grande. A crise hídrica é evidente. Tem chovido menos, mas a Sabesp se preparou com grandes obras de transposição, por isso estamos sobrevivendo. Vamos lançar uma campanha nova, em breve, reforçando aos paulistas para fazerem economia. Não temos a pretensão de multar ninguém neste momento. O senhor ainda pretende desvincular a Polícia Civil da Pasta de Segurança e alocar à Justiça? Pretendo. Depende da aprovação da Assembleia. Agora ela tem que aprovar ou não. Insisto que a Polícia Civil é judiciária, e o fato de ter a desvinculação administrativa e orçamentária só vai ajudá-la. Mas falando de segurança é incrível que ninguém tenha noticiado que nós abrimos 66 delegacias que estavam fechadas à noite, simplesmente com um valor que se paga a mais, uma gratificação paga para qualquer servidor por um terço a mais para o serviço que ele presta. E também valorizei os policiais. Nós aprovamos a lei e ela foi sancionada: agora toda a defesa jurídica deles será feita pela Defensoria Pública. Márcio França rechaça rótulo de esquerdista, mas afirma que é preocupado com o social (Foto: Daniel Teixeira/AE) O senhor vem de um partido mais alinhado à esquerda, qual a diferença da sua gestão para uma gestão tucana? Isso é uma expressão meio antiquada, mas pelo menos tenho uma preocupação social maior que os representantes de outras siglas. Aqui em São Paulo, faz quase 30 anos que o mesmo modelo prosseguia no comando. A minha gestão é mais social.  Constantemente partidos e candidatos tentam barrar a sua publicidade. Qual sua opinião sobre isso? Eles querem me esconder. Como sou o novo governador, se eles conhecerem os três candidatos que vão disputar é difícil escolherem os outros dois. São pessoas do bem, só não sabem o que falam, não tem conhecimento da administração pública. Eles acham que podem fazer a gestão pública como privada. É como colocar o modelo Sesi e Senai no Estado, mas os pais pagam R$ 300 a R$ 400 por isso. Aqui temos 3,5 milhões na rede estadual, muitos alunos não têm, é como seu eu dissesse que o sujeito que está no restaurante gratuito vai ter que pagar a comida. Já o Doria quer privatizar o Aeroporto de Barretos, mas não tem movimento, não tem interesse. Você acredita que apenas três candidatos têm chances reais de vencer a eleição? Na verdade, existem quatro candidaturas que vão disputar o Governo do Estado. O PT, quem gosta é fiel e quem não gosta não quer. Uma candidatura é do MDB, do Governo Michel Temer, que não acho que será um bom caminho para São Paulo. O outro é o PSDB do Doria, que demos a oportunidade para mostrar sua capacidade de administração, mas que a desperdiçou. Se as pessoas souberem que eu sou o atual novo governador, as pessoas vão ter a chance de fazer uma opção. O que você pretende fazer na área da Saúde? Estamos com 101 hospitais e estamos acabando mais dois. São 31 mil leitos. Quando falam na televisão parece que não tem nada funcionando. Tem muita gente que vem de fora. O serviço público tem que ser melhorado, mas nem extinto e nem cobrado. Nós temos que abrir as ames aos finais de semana. Isto vai permitir zerar, em seis meses, uma fila de 1 milhão de consultas e 300 mil exames.  E as obras do Metrô. Qual sua pretensão para agora e para um novo governo? Nós temos que retomar todas que estão paradas. Algumas teremos que licitar de novo, porque muitas empresas quebraram, foram acusadas na Operação Lava Jato. Outras o Governo Federal furou na hora do financiamento. Neste ano temos de nove a oito estações para entregar. Está atrasado, mas o governo inteiro parou, o País parou, muitos estados não vão conseguir pagar nem o 13º salário. Tem alguma outra obra sobre trilhos que pode marcar sua gestão? A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ter aprovado a proposta da empresa Rumo será um grande passo para aumentar o transporte de carga a granel de 30 milhões para 70 milhões por ano. É uma obra marcante. A malha paulista liga o Mato Grosso, maior produtor de grãos, ao Porto de Santos, principal saída de commodities do País. Esta malha já existe, mas ela vai ser restaurada e vai abrir ainda dois eixos laterais, ligando São Paulo até Itirapina e a cidade de Colômbia até Araraquara. E o que pode ser feito na área da habitação? Nós pretendemos fazer três coisas. Cada casa hoje custa em torno de R$ 125 mil a R$ 130 mil. O Estado tem um R$ 1,3 bilhão por ano para este tema. A gente tem o suficiente para construir 10 mil casas. É pouca casa.  No interior, vamos criar lotes urbanizados. Você cede um terreno e um cartão com R$ 8 mil e o cidadão vai ter três plantas pré-aprovadas para construir a casinha dele.  E na Capital? Na Capital, a meta é imediatamente poder mudar o conceito da construção no Centro. Desocupar prédios públicos com repartição e transformar em apartamentos. Também queremos negociar para que empresários vendam apartamentos próprios por R$ 125 mil. Quando desocupamos prédios ocupados os proprietários vendem por um preço muito mais alto. Também estamos lançando os programas de recuperação dos atuais prédios da CDHU.

Eymael disse acreditar que Haddad estará no segundo turno (Foto: Ivo Lindbergh)

Nacional

O gaúcho José Maria Eymael, conhecido principalmente pelo jingle de campanha “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão”, criado em 1985, chega a disputa de sua quinta eleição presidencial e garante: “somos os únicos capazes de derrotar o PT nas urnas”. Crente de que o candidato petista Fernando Haddad (PT) herdará os votos do ex-presidente Lula (PT) e estará no segundo turno, Eymael acredita que seu partido, o Democracia Cristã, é prejudicado pela falta de espaço na televisão e no rádio, assim como pela recente reforma eleitoral, “feita para manter quem está no poder”, e que se muitos soubessem de sua história com certeza lhe confiariam o voto.  Segundo Eymael, sua legenda não está nem à esquerda e nem à direita. “A democracia cristã é uma força transformadora”, explicou o democrata. Entre suas principais propostas está a Reforma Tributária, para diminuir a pressão governamental sobre as empresas e colocar o Brasil para surfar nas “ondas do desenvolvimento”. Eymael foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com 72.132 votos, tendo sido reeleito em 1990 com 34.191 sufrágios. Questionado se está na hora de rever a Constituição, o democrata cristão negou esta possível necessidade. “A Constituição precisa amadurecer, mas é a responsável pelo maior período democrático de nosso País”.    Candidato é contra o Fundão Partidário e critica falta de espaço na TV e nas rádios (Foto: Ivo Lindbergh) O que faltou para a Democracia Cristã crescer como outros partidos, a exemplo do PT, PSDB e MDB? Então, hoje, o pouco tempo que nós temos é o grande obstáculo. Com as redes sociais, este problema é um pouco amenizado. Se eu tivesse tempo para falar o que fiz aos trabalhadores: aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, proteção contra demissão sem justa causa, a estimulação de lazer como promoção social e mecanismos para proteger a mulher no mercado de trabalho…Seria um outro universo. As pessoas me conhecem, mas não conhecem o conteúdo. É uma dificuldade. E como driblar esta falta de tempo? Redes sociais. Hoje, a minha fanpage tem participação do Brasil inteiro. Embora não tenha como negar a importância da TV. Tenho feito também a campanha corpo a corpo. Minha agenda está lotada: Brusque (SC), Brasília, Campinas, Cuiabá (MT). Não tem lugar em que eu me sinta melhor do que a rua. Qual é o principal mote da sua campanha? Qual seria a primeira coisa que faria ao ser eleito? Primeira coisa: montar um time do presidente. Reduzir 29 ministérios para 15. Não economiza quase nada, mas o presidente, assim, terá um time próximo, com pessoas que conversam diariamente com ele. Também tem que ser feita uma reforma tributária. Este sistema tributário que nós temos, com todas as mexidas que ele sofreu, esmaga as empresas. Tem que ser algo que o empresário entenda. Perde-se muito tempo só para entender o que se paga. O sistema também é muito injusto. Um comerciante da zona leste de São Paulo, por exemplo, recebe uma multa e tem quinze dias para recorrer. Até ele falar com o contador, o prazo já acabou. É preciso ter uma igualdade maior entre contribuinte e fisco. E quais seriam os critérios para escolher este time do presidente? Nenhuma indicação de partido político. Se eu me eleger presidente, eu me elejo de forma independente. Vou me eleger pela Democracia Cristã. Chega de indicação de partido político. Nós temos que buscar pessoas que tenham excelência na sua área de trabalho. É isto que tem que ser feito. Temos que conversar, respeitar opiniões diferentes, mas sempre ir para o diálogo preparado. Assim, você sensibiliza as pessoas. Na elaboração da Constituição, falaram que o nosso partido não tinha representatividade e que iríamos nos machucar. No final, fui um dos 15 deputados com mais propostas aprovadas. Sintetizando: o Legislativo legisla e fiscaliza. O Executivo governa. E o Judiciário julga. Eymael afirmou que corte abrupto do imposto sindical foi um erro (Foto: Ivo Lindbergh) O que é preciso fazer na questão da segurança? Quem foi que propôs a criação do Ministério da Segurança Pública em 2010? Nós. A intenção era integrar as inteligências das forças de segurança do País – municipais, estaduais e federal. Colocar o Exército para fechar as fronteiras. Adotar procedimentos internacionais de sucesso em países desenvolvidos na área de segurança. Agora apresentaram o Ministério da Segurança Pública como se fosse uma novidade em 2018. O que vemos hoje é uma situação em que as polícias não se comunicam e não compartilham informações. Um Estado não está conjugado com os demais. Isso que gera esta insegurança nacional. E na área da saúde? Eu falo sempre na “Saúde da Inteligência”. É a saúde da prevenção. Tem que se prevenir, mas, na prática, isto não existe. Por exemplo, a falta de saneamento é uma das grandes causadoras de doenças no Brasil. Só que não se faz nada em termos de saneamento no País. Qual a sua visão sobre o atentado a Jair Bolsonaro? Nós tivemos uma posição oficial. É um retrato da insegurança do País. Veja o seguinte. O Bolsonaro estava cercado por 25 agentes da polícia federal. Vai alguém com uma faca e consegue atingir o Bolsonaro. O próprio discurso do Bolsonaro falando que a solução era armar todo mundo não é a solução. Para Eymael, processo de impeachment que tirou Dilma Rousseff do poder foi indecente (Foto: Ivo Lindbergh) O senhor é contra o armamento então? Porte de armas seletivo. Que é mais ou menos o sistema que temos hoje. Só que nós temos que fazer que nem o sistema europeu. Você tem o porte de arma seletivo, mas a pessoa que tem periodicamente tem que demonstrar que tem condições de ter uma arma. Em um segundo turno, quem o senhor apoiaria? Hoje, o Haddad vai para o segundo turno e eu estou absolutamente convencido disso. E só a democracia cristã pode derrotar o Haddad. Nenhum outro candidato tem condições. O Lula vai transferir os votos. Hoje os jornais já dizem: um terço do eleitorado brasileiro já aceita votar em alguém indicado pelo Lula. Mesmo só com 9% ele já vence o Bolsonaro no segundo turno. Por que? Porque nós somos as conquistas sociais dos trabalhadores. O partido com a totalidade dos avanços sociais na Constituição, todos os avanços sociais dos trabalhadores presentes na Constituição são da Democracia Cristã. Num segundo turno, o tempo de TV é igual, não são mais os oitos segundo que nós temos. E se o senhor não chegar no segundo turno, apoiaria outro candidato? Se eu te responder esta pergunta eu já estaria aceitando não ir para o segundo turno (risos). Quais estatais você manteria e quais você privatizaria? Eu mantenho Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, por uma questão de segurança nacional. As demais eu ia fazer uma análise da vantagem de continuar com elas ou não. Como o senhor trataria a questão dos refugiados venezuelanos? Tem que acolhê-los e fazer uma distribuição dentro do território nacional. Mas o Brasil não pode ficar indiferente à situação da Venezuela, que é um regime ditatorial. No governo do PT houve uma certa condescendência. O Temer poderia ter um certo posicionamento. Qual sua posição sobre a Reforma Trabalhista? Em termos gerais eu acho que houve um avanço. Dando um pouco mais de liberdade na relação entre patrão e empregado. O que eu acho que foi um erro foi o corte abrupto do imposto sindical, sem uma transição, sem dar uma chance para os sindicatos se adequarem e criarem novas fontes de receita. O estrago já está feito. Tem que fazer um amplo debate nacional para ver como os sindicatos vão se manter. É preciso fazer a Reforma da Previdência? Tem que fazer. O problema fundamental é o período de vida mais longo. A previdência foi calculada com base em um período mais curto. Tem que ter uma elevação na idade mínima e tem que ter uma transição inteligente. A Previdência está quebrada. Tem que ter reforma, mas também tem que cobrar quem está devendo. Como o senhor avalia os resultados do último impeachment? Olha os dois anos do Temer. Tinha que ter sido mais transparente o sistema de impeachment. Uma análise realmente, uma comprovação de desvio. Aquilo foi carta marcada com o vice-presidente tramando para tomar o lugar da presidente. Nós defendíamos, em 2016, a convocação de novas eleições. A coisa foi alongando, o TSE acabou não julgando, com o MDB articulado para tomar conta do governo. Eymael conta a história do seu famoso jingle:  Foi um golpe então? Foi indecente. O que o senhor pretende fazer para gerar emprego? Emprego é fruto do desenvolvimento. Tem algumas medidas que podem ser tomadas. Uma delas, eu coloquei que o ICMS pode ser seletivo, menor, para os produtos mais necessários, como no caso dos genéricos, em São Paulo. A cesta básica da constituição poderia ter este critério. O setor que mais reage é a construção civil. Ter uma redução no ICMS da Construção Civil poderia ser um avanço. Outra questão é a seguinte. Hoje tem financiamento, a pessoa tem que ter 20% para comprar o imóvel. Ela não compra. Se ela tivesse 100% de financiamento ela passaria a ter este financiamento e pagaria um valor inferior ao que paga de aluguel. O risco para os bancos é zero porque tem a garantia do imóvel. Mas hoje os juros são elevadíssimos. A parcela ainda fica, muitas vezes, muito mais alta o que o aluguel. Como resolver isto? Aí você entra em uma outra área. A falta de renda não pode representar a falta de moradia. Isto é básico, é fundamental. Hoje, se você não tem renda, você não tem moradia. Este é um problema de gestão pública.    

Skaf acredita que pode se beneficiar do desgaste do PSDB (Foto: Karim Kahn)

Cidade

 Presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, do MDB, diz que é possível construir 50 quilômetros de linha metroviária em um espaço de quatro anos.  “Também iremos investir em modernização das linhas da CPTM, elevando o nível do serviço o mais próximo possível ao do Metrô”, continua o candidato, 63, que é do mesmo partido do presidente Michel Temer e tenta pela terceira vez chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Foi quarto em 2010 e segundo em 2014. Apesar de estar na mesma sigla de Temer, Skaf busca desvencilhar a sua imagem à do presidente, que sofre com grande rejeição no fim de seu mandato. Como bandeira de sua campanha no Estado, o empresário paulistano aposta no sistema educacional implantado no Serviço Social da Indústria (Sesi) durante a sua gestão. Confira a entrevista completa do candidato.  Como pretende implementar o “Sistema de Ensino Sesi” na Rede Pública? Pretende ampliar o EAD no Ensino Superior?  Pretendo implementar um plano gradual para a universalização do ensino em tempo integral na rede estadual, nos mesmos moldes que fiz com sucesso no Sesi. Em 2020, os alunos que entrarem no primeiro ano do Ensino Fundamental terão aulas em tempo integral. Ao longo de quatro anos adequarei a rede de escolas para receberem o ensino integral. Deixarei todo o caminho pronto para que, em dez anos, todos os alunos do Ensino Fundamental I tenham educação em tempo integral de qualidade. Sobre o ensino à distância, acredito que é uma boa alternativa para educação profissional e superior. Ela vem ganhando força ao longo dos últimos anos. O Senai já possui 210,5 mil matrículas de ensino à distância. Quero levar a experiência do Senai para o Estado de São Paulo. Skaf afirma que deseja proibir as "saidinhas" dos presidiários (Foto: Karim Kahn)  Apesar dos números decrescentes em relação aos homicídios, o paulista não se sente seguro. O que fazer para diminuir esta sensação de insegurança? Como pretende agir em relação às facções?  Não podemos aceitar a insegurança instalada no Estado. A segurança pública está abandonada. A cada 1 hora e 8 minutos, uma pessoa é morta ou sofre tentativa de homicídio. A cada 47 minutos, uma pessoa (mulher ou vulnerável) é estuprada. A cada hora, 107 pessoas são roubadas ou furtadas no estado. É dever do governador garantir que os cidadãos possam ir e vir em segurança. Pretendo agir em três frentes. Primeiro, vou equipar, modernizar e integrar o trabalho das nossas polícias. Elas estarão voltadas para a atividade-fim. Ou seja, para a investigação e o patrulhamento. O nosso foco será a inteligência policial. Além disso, é urgente reassumir o controle dos nossos presídios. Hoje, eles estão nas mãos do crime organizado. Não é possível que o governo paulista seja refém do crime organizado. Pretendo também, utilizar a minha força e liderança política como governador para atualizar a lei penal no Congresso Nacional. Quero acabar com as saidinhas, visitinhas e redução de penas.  Mulheres têm relatado abusos nas proximidades e, até mesmo, dentro das estações do Metrô. Haverá uma política específica para a segurança delas?  É inadmissível que mulheres e meninas sejam violentadas a caminho do trabalho, da escola ou em seu tempo de lazer. As mulheres enfrentam diariamente situações absurdas no transporte público. Precisamos coibir e investigar os crimes e abusos sexuais dentro e fora do transporte público. Para isso, como disse, pretendo aumentar o efetivo policial alocado na atividade-fim. Vou desburocratizar o serviço policial, aumentando assim a quantidade de policiais militares em patrulhamento nas ruas e policiais civis investigando. Com relação especificamente ao transporte público, pretendo aumentar a vigilância por meio da instalação de câmeras nos trens e estações de metrô, da CPTM e nos ônibus intermunicipais da EMTU, cuja licitação compete ao governo. Além disso, no meu governo intensificaremos o programa de denúncia a casos de abusos no transporte público. Precisamos conscientizar a população sobre a importância de denunciar os agressores. Tanto as vítimas quanto as pessoas que presenciam abusos devem denunciar e cabe ao governo garantir que esses crimes não fiquem impunes. Não podemos nos omitir.  Falando em Metrô, o transporte sobre trilhos é um tema que gera bastante palpitação nos paulistas, sobretudo, paulistanos. O que fazer para melhorá-lo?  Mobilidade urbana é um problema que precisa ser enfrentado com planejamento, boa gestão e direcionamento de investimentos. O metrô de São Paulo tem a mesma idade dos metrôs da Cidade do México e de Seul, mas com uma rede bastante inferior. Enquanto São Paulo conta com uma rede de 92 quilômetros, Seul conta com 331 quilômetros de metrô e a Cidade do México com 226 quilômetros. Não podemos continuar expandindo a rede num ritmo de 2 quilômetros por ano. Vamos fazer um amplo projeto de investimentos em metrô, de forma a aumentar o número de conexões da rede e equilibrar a quantidade de passageiros nas estações. Temos um plano de expansão de 100 km de rede metrô em dez anos. Vamos implantar de 40 a 50 quilômetros durante o mandato de quatro anos e criar as condições necessárias para que as obras continuem futuramente no mesmo ritmo. Também iremos investir em modernização das linhas da CPTM, elevando o nível do serviço o mais próximo possível ao do Metrô. Paulo Skaf ao lado de Cidinha Raiz, candidata ao Senado pelo MDB (Foto: Karim Kahn)  Voltamos a nos assustar com o baixo nível do Sistema Cantareira. O que fará para que o abastecimento não seja afetado mesmo em tempos de seca?  Na nossa avaliação, o abastecimento no ano de 2018 está garantido, pois o Cantareira está com nível de 37%, recebendo água da transposição da Bacia do Paraíba do Sul e foram feitas obras de interligação dos sistemas que abastecem a cidade de São Paulo. Para 2019, o abastecimento depende do volume de chuvas que será verificado no período de novembro a abril. Ainda que não haja necessidade de racionalização do consumo este ano, São Paulo não pode ficar à mercê das crises hídricas. Minha prioridade para garantia do abastecimento é o combate às perdas de água. Anualmente, a Sabesp perde mais de 30% do volume total de água captada. Isso representou, apenas em 2017, o desperdício de 850 milhões de metros cúbicos de água. É quase esvaziar um sistema Cantareira inteiro, só em perdas na rede. Além de representar o desperdício de um recurso escasso, afeta a segurança no abastecimento da região metropolitana. Vamos fazer um amplo programa para redução das perdas de água, com investimento em manutenção e renovação da rede, uso de tecnologia e combate às ligações irregulares. Além disso, vamos concluir as obras de interligação dos diferentes sistemas de abastecimento da Grande São Paulo.  Temos visto muitos problemas na área da saúde pública. Quais são os seus planos para estes temas?  Não há maior desrespeito a uma pessoa do que necessitar de atendimento médico e não conseguir. Precisamos garantir atendimento médico com qualidade e rapidez. Não podem existir hospitais sem equipamentos ou com equipamentos quebrados, muito menos equipamentos sem médicos ou técnicos para operá-los. No meu governo vou organizar a saúde por região, desde o primeiro atendimento até a alta complexidade. Precisamos organizar e articular os entes de saúde que compõem a rede SUS no estado de São Paulo, dando resolutividade à atenção básica e desafogando os grandes hospitais para o atendimento à alta complexidade. Além disso, vou implantar o prontuário eletrônico em todo o Estado. O prontuário eletrônico guardará todo o histórico clínico dos pacientes.  E para a habitação?  Com relação à habitação, nos últimos anos, muitos bairros populares foram formados por loteamentos clandestinos e invasões. Essas ocupações trazem insegurança jurídica aos cidadãos. As famílias têm pouco conhecimento técnico e condições financeiras para regularizar a situação da sua moradia. Por outro lado, o CDHU tem forte experiência no tema, precisamos vocacionar o CDHU para gestão, regulação e regularização das habitações. No meu governo, o objetivo do CDHU será a regularização fundiária, gestão de plano de terrenos estaduais para construção de habitações e fomentação de PPPs para construção de moradias. Também investiremos na urbanização das favelas. As comunidades são áreas nas quais o estado não se faz presente. Como se sabe, essas regiões carecem de infraestrutura urbana, educação, saúde, cultura, entre outros. Candidato pretende replicar sistema educacional do Sesi na rede pública estadual (Foto: Karim Kahn)  O Sesi tem um projeto vencedor no esporte. Como replicar isto no governo do Estado? Quais são seus planos em relação à área esportiva?  O esporte é uma poderosa ferramenta à serviço da saúde, da educação e da inclusão social. No Sesi adotamos a pedagogia do exemplo, ao fomentar o aperfeiçoamento de atletas e equipes profissionais, o Sesi não apenas busca resultados expressivos como também contribui para a criação de novos exemplos e dissemina à sociedade uma ampla gama de modalidades esportivas ainda pouco conhecidas no Brasil. Hoje, o Programa Atleta do Futuro do Sesi promove a formação esportiva de quase 115 mil crianças e adolescentes. Pretendo levar a experiência do Programa Atleta Do Futuro para toda a rede estadual de ensino, em parceria com as prefeituras, empresas e demais membros da sociedade civil. Vamos também incentivar a prática de esportes paraolímpicos, com a instalação de equipamentos esportivos adaptados para a prática de esporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Como ferramenta de inclusão social, vamos ampliar os equipamentos esportivos nas comunidades da capital e do interior.  Como pretende se relacionar com as administrações municipais, principalmente, da Capital?  Eu pretendo ter um relacionamento muito próximo com os prefeitos. O governador precisa enfrentar as dificuldades que a população sofre diariamente. Os problemas dos municípios também são problema do governador. As prefeituras são responsáveis pela gestão dos serviços mais essenciais para população, como educação e saúde, mas são os entes da Federação que recebem a menor parcela da arrecadação. Ao longo desses quase trinta anos, a carga tributária aumentou 9 pontos percentuais, saindo de 23,3% em 1988, para 32,36% em 2017.  No entanto, só a União se beneficiou desse crescimento. Do total da arrecadação, 50% é destinado à União, 27% aos estados e apenas 24% são destinados aos municípios. Vamos defender o aumento a fatia dos estados e municípios na receita tributária e apoiar os municípios na geração de soluções eficientes para saúde e educação.  Acredita que a máquina pública está inchada? Pretende diminuí-la?  Uma das minhas primeiras ações como governador será melhorar a gestão do governo, aumentando a eficiência e cortando gastos desnecessários. Faltam professores, policiais, médicos e sobram funcionários em atividades burocráticas. Quero desburocratizar o serviço público e alocar os funcionários nas atividades-fim. Quero os policiais militares nas ruas evitando crimes. Quero a Polícia Civil investigando e punindo os crimes que infelizmente ocorreram. Quero que nossos professores sejam valorizados e respeitados. É assim que vamos transformar São Paulo. Skaf evitou falar sobre Temer na entrevista (Foto: Marcello Casal Jr./ABR/Fotos Públicas)  Como amenizar o problema do desemprego? Quais são seus planos para a economia?  O estado de São Paulo possui 3,5 milhões de pessoas desempregadas. Ampliando esse montante, todo ano aproximadamente 700 mil jovens atingem idade para trabalhar e muitos deles já buscam seu primeiro emprego. Precisamos gerar novos postos de trabalho. Para isso, pretendo atrair mais investimentos para o estado de São Paulo, por meio da busca ativa por novas empresas no Brasil e no exterior. Além disso, tenho um grande programa de investimentos em ferrovias, rodovias, metrô e habitação, áreas que oferecem muitas vagas. Além de gerar empregos, precisamos qualificar a nossa mão-de-obra. O mundo mudou, estamos entrando na quarta revolução industrial, na era da internet das coisas, da nanotecnologia. Essa revolução está criando novos empregos, altamente tecnológicos. Precisamos preparar nossos jovens para esse novo mercado. Para isso, precisamos de educação básica de qualidade e modernização das ETECs e FATECs. Vou equipar, modernizar e implantar laboratórios modernos nas ETECs e FATECs. Além disso, precisamos direcionar as ETECs e FATECs para as vocações locais. O objetivo dos cursos técnicos tem que ser o emprego. Não adianta formar as pessoas em áreas para as quais não há empregos na região. Por isso, vou utilizar a experiência de sucesso do Senai, direcionando os cursos das ETECs e FATECs para o mercado local.  Tendo em vista que o PSDB está há 24 anos no poder e que a taxa de aprovação do presidente Michel Temer, do seu partido, é baixa, como mostrar para o paulista que o senhor é uma opção melhor do que o Doria em um eventual segundo turno?  A população procura um candidato que resolva os problemas que precisam ser atacados. O governador precisa enfrentar as dificuldades que a população sofre diariamente. O que eu quero mostrar para o povo é que sou um candidato de fazer e não de falar. Foi-se o tempo das promessas vazias, dos padrinhos políticos, do jogo de empurra, do só falar e não fazer. Quem me conhece sabe: eu faço antes de falar. Ao longo de anos à frente do Sesi e do Senai, percorri grande parte do estado de São Paulo, mas não foi fazendo política. Foi construindo e reformando escolas, transformando a vida das pessoas. Eu quero apresentar ao eleitor de São Paulo as minhas propostas. Se for da vontade de Deus e a decisão do povo do estado de São Paulo que eu seja eleito, garanto que não vão se arrepender.  

Chequer não se arrepende de ter apoiado o impeachment de Dilma (Foto: Ivo Lindbergh)

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Fundador do movimento Vem Pra Rua, que chegou a reunir até 6 milhões de pessoas em protestos pelo impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff (PT), Rogerio Chequer, aos 50 anos, é o candidato do Novo ao Governo do Estado e quer implantar “a nova política”, que “trabalha junto com a população, não contra ela”. Sem coligações e sem tempo de TV, Chequer aposta no poder das mídias sociais e da tecnologia para chegar ao eleitor, além de ações como a que realiza na Avenida Paulista, aos domingos, com dois microfones, um para ele e outra para alguém fazer perguntas sobre as suas propostas. Se eleito, acredita que poderá contar com o apoio da população para inibir os deputados estaduais de votarem contra ou pedirem barganhas em troca da aprovação de projetos necessários aos paulistas. Ele garantiu que não irá lotear Secretarias em troca de apoio. Crítico ferrenho do PT, Chequer não se considera nem de esquerda e nem de direita, e disse que estes argumentos são erros que levam a desvios de informação.  O que você faria em uma situação de crise hídrica? Temos que começar um programa para preparar não apenas as bacias ao redor da cidade de São Paulo, mas as outras bacias hidrográficas do Estado para terem tanto armazenamento de água quanto qualidade, além da necessidade de um saneamento fiscalizado. Hoje, a Sabesp coleta e não trata tudo, e quem regula é a Cetesb. As duas empresas são de controle do Estado. Se você tem interferência governamental nas duas, quem perde é o cidadão que vai ficar sem a devida fiscalização. Chequer acredita que a população paulista perde com a administração estatal da Sabesp e da Cetesb (Foto: Ivo Lindbergh) Então você pensa em passar à iniciativa privada estes serviços? A regulamentação não. A responsabilidade é do Estado. A Sabesp deveria oferecer serviço do que nível que oferecem hoje as empresas de saneamento privado. E os municípios deveriam estar livres e desimpedidos para fazerem parcerias público-privadas de saneamento. O que você pretende fazer para reduzir a sensação de insegurança no Estado? Um dos motivos principais de insegurança é que a capacidade investigativa da polícia civil é muito baixa, que tem que ser recuperada. A outra é o monitoramento de limites. São Paulo não produz nem drogas nem armas. O que chega aqui vem por caminhões. Chegou a hora de nós utilizarmos tecnologia de escaneamento de containers para investigar as cargas que chegam em São Paulo. Na prática, como você pretende crescer o Metrô? A interligação de São Paulo com as outras cidades do Estado é importante. Precisamos avançar nos projetos de montar eixos Norte-Sul e Leste-Oeste: do Vale do Paraíba, Sorocaba, Campinas e Americana e Baixada Santista. Com isto, você diminui esse fluxo de 1,8 milhões de carros que chegam todo dia à Região Metropolitana de São Paulo. Como você pretende ter o apoio da Assembleia Legislativa? O Legislativo, tanto no nível federal ou estadual, sempre que necessário exige novas barganhas ao governo. Além de pedir de emendas e cargos. Este sistema não funciona. Nós vamos fazer uma triangulação com o povo. Na nossa campanha, falaremos quais são as nossas promessas e vamos falar quais são as medidas que precisam da Assembleia. Eu pretendo conversar com toda a Assembleia, mas se houver resistência em projetos de melhoria à vida da população é a população que vai cobrar. Candidato afirma que o transporte sobre trilhos deve ser ampliado no Estado (Foto: Ivo Lindbergh) Como você pretender sanar o déficit habitacional do Estado? Por meio de parcerias feitas com a iniciativa privada. A construção de moradias requer um investimento inicial e os governos não têm recursos suficientes para colocar este pagamento inicial. No entanto, eles conseguem montar parcerias. Não só para construir ou reformar, mas para a zeladoria. O que não pode ser feito é você dar espaços para as pessoas morarem e depois não se preocupar com a qualidade destes espaços. O prédio do Paissandu é o melhor exemplo disso. E para sanar os problemas da Saúde? Trazer modernização à saúde como nunca foi feito no Estado de São Paulo. É absurdo que, em 2018, um usuário do SUS não possa marcar uma consulta ou exame pelo próprio celular. Para isto é preciso um cadastro único, que permitirá um histórico do paciente registrado. Queremos trazer também o conceito do médico de família, que cuidará com uma equipe de uma região geográfica.  Nesta região, ele  fará medicina preventiva, vitaminas, diagnósticos precoces e encaminhará estas pessoas diretamente ao especialista, quando necessário, desafogando o atendimento inicial e resolvendo antes que a pessoa precise perder um dia de trabalho para ficar em uma fila. E como gerar emprego no Estado de São Paulo? O maior empregador do Brasil, hoje, são as médias e pequenas empresas. Existem 5,3 milhões empresas registradas no Estado.  Se cada um contratar uma pessoa você chega a quase metade do desemprego nacional. Precisamos facilitar a forma, os meios, a legislação, para que estes empreendedores que realmente tomam risco possam fazer contratações. Algumas dessas contratações terão de ser feitas em parceria com o Governo Federal e com o Congresso, na mudança de algumas reformas trabalhistas que ainda prejudicam a contratação de pessoas. "Eu nunca tive nenhuma simpatia especial pelo Temer" (Foto: Ivo Lindbergh) Os resultados do impeachment para o Brasil, com Michel Temer (MDB) presidente, compensaram? A qualidade do vice-presidente jamais pode ser o critério para não afastar um presidente ou uma presidente criminosa do poder. O dia que nós deixarmos de punir porque o vice-presidente tem baixa qualidade estaremos prejudicando todo processo constitucional e democrático no País. Nós não votamos no Temer. Eu não votei no Temer. Eu nunca tive nenhuma simpatia especial pelo Temer. O Temer tem baixa qualidade então? Principalmente pela qualidade das pessoas que ele se cercou. Trazendo para o governo a velha política. O movimento Vem Pra Rua foi o único que pediu o afastamento do presidente Temer, mas algumas pessoas tinham esperança que ele poderia fazer as reformas necessárias e preferiram fazer vista grossa para a falta de ética que estava rondando a Presidência.  

Alckmin é o candidato que mais tem batido na polarização (Foto: José Cruz/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

A polarização da disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) nas eleições 2018, indicada pelas recentes pesquisas de intenção de voto Ibope e Datafolha, tem feito adversários subirem o tom contra os candidatos que lideram a corrida em seus programas de TV e rádio. Nos programas que foram ao ar nesta quinta-feira, 20, os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) fizeram ataques diretos a Bolsonaro e Haddad. "De um lado, a turma de vermelho, que quer o fim da Lava Jato para encobrir o maior caso de corrupção da história; do outro, a turma do preconceito, da intolerância e do ódio a tudo e todos", diz o tucano no programa. Alckmin ainda disse que o Brasil já elegeu "um poste vermelho", em referência a Dilma Rousseff (PT), sucessora indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que não pode entrar "de novo em uma aventura, de um candidato que se diz o novo", em referência a Fernando Collor (hoje no PTC, que foi presidente pelo PRN). Já Meirelles apostou no discurso de que o Brasil precisa de um governo que imponha confiança. Com recortes de jornais em que mostra notícias relacionadas a Bolsonaro e ao PT, disse que ninguém confia em gente "desequilibrada" ou "corrupta". "Confiança é a chave que abre todas as portas", diz Meirelles. "Quando você pede uma indicação para cuidar dos seus filhos, você pergunta se a pessoa é de confiança. A mesma coisa acontece com o País. As empresas precisam confiar no governo para fazer investimentos, criar empregos. Ou você acha que vão confiar num governo de alguém despreparado, desequilibrado ou corrupto? Claro que não." Terceiro colocado nas pesquisas, Ciro Gomes (PDT) mostrou seu currículo e da proposta de limpar o nome de pessoas negativadas no SPC e Serasa. Atual quinta colocada nos levantamentos, Marina Silva (Rede) falou sobre fazer investimentos na saúde e na educação, ao lado de seu vice Eduardo Jorge (PV).

Mesmo no hospital, presidenciável mantém declarações em tom de campanha (Foto: Reprodução/Twitter)

Opinião

Há exatos 13 dias Jair Bolsonaro foi transferido da Santa Casa de Juiz de Fora (MG) para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Mas, apesar de um susto aqui e outro ali, o presidenciável está bem ativo, como demonstram os boletins médicos e sua assídua presença nas redes sociais. Ontem, o candidato do PSL agiu rápido e buscou contornar uma declaração de Paulo Guedes, seu conselheiro econômico e nome escolhido para ocupar o Ministério da Fazenda, em caso de vitória do ex-militar. Guedes propôs a criação de um tipo de CPMF, a partir da qual o cidadão pagaria uma taxa sobre qualquer movimentação bancária, que seria destinada ao financiamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mas, via Twitter, Bolsonaro destacou que sua equipe “trabalha para a redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos”. O posicionamento do candidato vai ao encontro do que pede a sociedade brasileira, que sente o peso de viver no país com a maior carga tributária de toda a América Latina e Caribe. Em 2016, por exemplo, tudo que as três esferas de governo arrecadaram equivaleram a 32,38% do PIB, depois de subir por dois anos consecutivos. Mas, de fato, o novo presidente terá de encarar a questão fiscal do País, que todos comentam, mas que ninguém até agora conseguiu resolver. E o sucessor de Temer não estará imune a isso, pois herdará uma casa desorganizada. Portanto, a ele caberá construir acordos visando a, entre outras coisas, alcançar a estabilidade fiscal. Aumentar impostos pode ser um caminho necessário e o mais fácil. No entanto, não será possível fechar os olhos a temas espinhosos, como previdência, funcionalismo, salário mínimo e, claro, reforma tributária, que certamente, fazem parte da solução.

Ciro Gomes diz rejeitar estratégia e que o “voto útil é um insulto à experiência popular” (Foto: Leo Canabarro/Fotos Públicas)

Opinião

Em muitas eleições há o candidato ideal e o útil. E, nesta, muitos apostam que, no final, o eleitor que ainda não tem o voto consolidado ou que teme um segundo turno polarizado entre PT e Jair Bolsonaro abra mão da paixão, ideologia, apreço ou preferência por determinado candidato (que não tem chance de vencer) e faça uma escolha estratégica e tática na tentativa de evitar a vitória daquele a quem rejeita. Ciro Gomes disse abrir mão desta possibilidade. Segundo ele, “voto útil é insulto à experiência popular”, e disse querer ser eleito por aqueles que o consideram uma saída para o Brasil e não por quem “não queria votar em outro”. Mas esse não é pensamento do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta atrair o eleitorado de João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e também de Marina Silva (Rede), ao mesmo tempo que faz um chamamento ao voto anti-PT e fustiga a candidatura de Bolsonaro. “A nossa percepção é que Haddad vai para o segundo turno. Já o voto em Bolsonaro não está cristalizado”, disse João Carlos Meirelles, conselheiro próximo de Alckmin, aparentemente alheio às pesquisas, que mostram que os eleitores de Bolsonaro são os mais convictos. Cerca de 70% deles dizem que não mudará sua decisão ou que a escolha é “firme”, segundo o penúltimo Ibope (11 de setembro), número levemente superior ao de Haddad. Mas a estratégia de atacar pesadamente o ex-capitão do Exército e líder nas pesquisas não é consenso nem entre aqueles que conduzem a campanha de Alckmin. Uma ala da coligação quer que os ataques mirem apenas o PT, e não no candidato do PSL. E mesmo Marina briga por seu lugar ao sol. Depois de perder terreno, a acreana vem se colocando como aquela capaz de fazer um governo de transição, com duração de apenas quatro anos e sem direito a reeleição. Se estes discursos vão funcionar é o que se verá nos próximos dias. O certo é que ainda existe um amplo segmento insatisfeito com mais uma eleição marcada pela radicalização e polarização, que sonha com um nome de consenso e capaz de trazer normalidade ao País. Isso seria bastante útil, mas, aparentemente, está cada vez mais difícil.

Candidatos com ideias opostas crescem em pesquisa (Fotos: Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação e Paulo Lopes/AE)

Nacional

O crescimento de Fernando Haddad (PT) na semana que foi oficializado como candidato do PT à Presidência aumentou as chances de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e o petista, afirma a diretora executiva do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari. Na pesquisa divulgada pelo instituto nesta noite de terça-feira, 18, Haddad cresceu 11 pontos em relação ao levantamento apresentado no último dia 11, indo de 8% para 19% das intenções de voto e se isolando em segundo lugar. Bolsonaro continua liderando o cenário, com 28% - ele tinha 26% há uma semana. "Com esse crescimento de Haddad, a probabilidade de haver segundo turno entre ele e Bolsonaro aumentou significativamente, embora não se possa descartar totalmente outros cenários", disse Marcia Cavallari ao Estadão/Broadcast Político. No cenário em que os dois se enfrentam na segunda etapa da eleição, há um empate: 40% a 40%. O Ibope ouviu 2.506 eleitores de 16 a 18 de setembro em 177 municípios. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09678/2018.
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Luiza Trajano, do Magazine Luiza, é uma das maiores representantes do empoderamento feminino no Brasil (Foto: Reprodução/Instagram)

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Temos que preparar os jogadores para a vida, pois poucos vão conseguir fazer sucesso no futebol (Foto: Reprodução/Instagram)

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