Em três anos, batalhão matou mais de 50 pessoas (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

O 41º Batalhão da Polícia Militar (Irajá) havia se tornado um dos principais alvos de denúncias apresentadas pela vereadora Marielle Franco, morta na última quarta-feira e que tinha o mandato focado no combate ao racismo e à violência de gênero e na defesa de minorias, como o público LGBT.

No sábado, dia 10, divulgando denúncias de lideranças da favela de Acari, da zona norte, ela publicou nas redes sociais: "O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! O 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da Morte. CHEGA de matarem nossos jovens". Pouco mais tarde, ela publicou sobre a suposta morte de dois jovens por PMs do batalhão - que não é confirmada pela corporação.

O batalhão é acusado por moradores de truculência. De 2013 a 2016 (último dado disponível), o total de autos de resistência - quando o policial mata supostamente em legítima defesa - passou de 51 para 117. Em 2016, o 41º Batalhão foi recordista no Estado de ocorrências do tipo. 

PMs do 41º são acusados de envolvimento na chacina de Costa Barros, há dois anos. Na ocasião, cinco jovens de 16 a 25 anos foram mortos dentro de um carro. O veículo foi atingido 111 vezes. Outro episódio violento que envolveu agentes do batalhão foi o homicídio de Maria Eduarda, de 13 anos, morta no ano passado, no pátio da escola onde estudava, em Acari, em operação do 41º BPM.

Denúncias

Marielle divulgava denúncias feitas pelas lideranças comunitárias de Acari que já haviam sido apresentadas ao Observatório da Intervenção. O grupo, criado por iniciativa da Universidade Candido Mendes, é formado por entidades da sociedade civil para acompanhar a ação federal. A vereadora fazia parte do grupo. 

Na última terça-feira, 13, Marielle voltou às redes para denunciar, desta vez na comunidade do Jacarezinho, também na zona norte: "Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", questionou.

Procurada nesta quinta-feira, 15, pela reportagem para comentar as denúncias, a PM não respondeu. 

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

Pressão pode afetar relações comerciais entre Europa e Mercosul (Foto: Reprodução/Facebook)

Mundo

A morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) coloca o Brasil sob pressão na Organização das Nações Unidas (ONU) e diante da comunidade internacional, após ser apontado como o local com maior número de execuções de ativistas de direitos humanos. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que autoridades brasileiras ignoraram comunicados sigilosos da ONU sobre ameaças contra ao menos 17 ativistas.

As informações fazem parte de cartas confidenciais obtidas pelo jornal. Nenhuma foi respondida. Procurado pela reportagem, o Itamaraty não se manifestou. "Nos últimos 15 anos, o Brasil tem assistido ao maior número de assassinatos de ativistas ambientais e de terra em todo o mundo, chegando à média de uma morte por semana. Os povos indígenas estão especialmente ameaçados", denunciaram relatores das Nações Unidas em uma carta em 2017.

Agora, a ONU exige que investigações sejam "independentes e rigorosas". Outras entidades internacionais, como Anistia Internacional, Human Rights Watch e Transparência Internacional, também criticaram a situação no País e pediram respostas diante da execução. 

Europa

Houve ainda reação na Europa. O partido espanhol Podemos enviou carta à Comissão Europeia exigindo que bloco condene o crime e suspenda as negociações comerciais em torno do acordo de livre comércio entre Europa e Mercosul. O pedido também foi feito por outros grupos do Parlamento Europeu, em especial a aliança de 52 euro deputados que integram a Esquerda Europeia Unida.

Imprensa

Diversos veículos de comunicação internacionais repercutiram o assassinato de Marielle. Jornais como "The Guardian" (Inglaterra), "The New York Times" (Estados Unidos) e "Le Monde" (França) reproduziram em seus sites informações sobre o crime. 

A agência espanhola EFE ainda lembrou da intervenção do Exército na segurança pública do Rio de Janeiro e destacou que o ataque aconteceu um dia depois da vereadora voltar a criticar a intervenção federal em mensagem nas redes sociais.

Vereadora morreu com 38 anos e foi a quinta mais votada no Rio nas últimas eleições (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

A vereadora Marielle Franco, do PSOL-RJ, foi morta a tiros no bairro do Estácio, região central da capital carioca, na noite desta quarta-feira, 14. Ela estava dentro de um carro acompanhada de um motorista, que também foi morto, e de uma assessora, quando foi abordada por outro veículo.

Uma ambulância do quartel central do Corpo de Bombeiros foi acionada para o local e constatou a morte da parlamentar e do motorista. A vereadora estava indo para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, voltando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa.

A Delegacia de Homicídios foi ao local para fazer a perícia no carro da vítima, atingido por vários tiros.  Segundo informações da Polícia Militar do RJ, que atendeu a ocorrência, a parlamentar e o motorista foram baleados e morreram no local. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque e não teria sofrido nenhum tiro, segundo o Corpo de Bombeiros, mas foi ferida com estilhaços de bala.

Marielle voltava de um evento chamado “Jovens negras movendo as estruturas”, na Lapa, quando, de acordo com testemunhas, teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros.

Em nota, a Executiva Nacional do PSOL manifestou pesar pelo assassinato da vereadora e destacou sua atuação política. “A atuação de Marielle como vereadora e ativista dos direitos humanos orgulha toda a militância do PSOL e será honrada na continuidade de sua luta”, diz um trecho. O partido também exigiu apuração “imediata e rigorosa” sobre as circunstâncias do crime.

Há duas semanas, Marielle havia assumido relatoria da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ela vinha se posicionando publicamente contra a medida.

A parlamentar também chegou a denunciar, em suas redes sociais, no fim de semana, uma ação de policiais militares na favela do Acari. “O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. (…) Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu.

A PMERJ confirmou a operação e argumentou que criminosos atiraram contra os policiais e houve confronto. Durante vasculhamento na comunidade, dois homens foram presos e houve apreensão de um fuzil calibre 7,62 mm e oito rádios comunicadores, segundo nota da corporação.

Trajetória

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, Marielle tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em Administração Pública e militava no tema de direitos humanos.

Prefeito

O prefeito Marcelo Crivella se manifestou sobre a morte da vereadora Marielle Franco. "É com profundo pesar que lamentamos o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, cuja honradez, bravura e espírito público representavam, com grandeza inigualável, as virtudes da mulher carioca. Sua trajetória exemplar de superação continuará a brilhar como uma estrela de esperança para todos que, inconformados, lutam por um Rio culto, poderoso, rico, mas, sobretudo, justo e humano. Em cada lar uma prece, em cada olhar uma lágrima e em cada coração um voto de tristeza, dor e saudade. É assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquecível e inigualável. Que Deus a tenha!”

VEJA NOSSA EDIÇÃO DO DIA

O plantel da Seleção daquele ano contava com: Martim Silveira, Pedrosa, Aramandinho, Tinoco, Luiz Luz, Canalli, Sylvio Hoffman, Waldemar de Brito, Leonidas da Silva, Patesko, Luizinho (Foto: Reprodução CBF)

Copa 2018

O "Gran Parque Central", estádio do Nacional Club (Uruguai), foi palco do primeiro jogo da Seleção Brasileira em Copas do Mundo (Foto: Reprodução/ Site Nacional Club)

Copa 2018

Técnico superou Picerni e Telê Santana nos anos 80 (Foto: Reprodução/Twitter Fifa)

Copa 2018

Bruna caiu em pegadinha de editora (Foto: Reprodução/Instagram)

Copa 2018
Ainda não possui um cadastro? Registre-se

ou

Articulistas

Colunistas

É necessário garantir a acessibilidade e banir o preconceito (Foto: Jaelson Lucas/SMCS/Fotos Públicas)

Opinião

PF apreendeu R$ 200 mil na casa do senador Ciro Nogueira nesta terça-feira, 24 (Foto: Reprodução/Facebook Ciro Nogueira)

Opinião

Carf é composto por representantes da Fazenda Nacional (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

Além de Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski vão se pronunciar sobre assunto (Foto: Reprodução/ Flickr)

Opinião