Professor Luiz Felipe Manvailer é acusado de matar esposa (Foto: Reprodução)

Nacional

A Lei Maria da Penha completou 12 anos, na terça-feira, 7, em meio a notícias de crimes cometidos contra mulheres, principalmente homicídios. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 representa um marco para a proteção dos direitos femininos ao endurecer a punição por qualquer tipo de agressão cometida contra a mulher no ambiente doméstico e familiar.

Em pouco mais de uma década de vigência, a lei motivou o aumento das denúncias de casos de violação de direitos. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), que administra a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180, foram registradas no primeiro semestre deste ano quase 73 mil denúncias. O resultado é bem maior do que as 12 mil registradas em 2006, no primeiro ano da central.

As principais agressões denunciadas são cárcere privado, violência física, psicológica, obstétrica, sexual, moral, patrimonial, tráfico de pessoas, homicídio e assédio no esporte. As denúncias também podem ser registradas pessoalmente, nas delegacias especializadas em crimes contra as mulheres.

A lei também permite que a Justiça adote medidas de proteção para mulheres que são ameaçadas e correm risco de morte. Entre as medidas protetivas está o afastamento do agressor da casa da vítima ou a proibição de se aproximar da mulher agredida e de seus filhos. 

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Recife lançou a Brigada Maria da Penha para combater a violência contra a mulher (Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR/Fotos Públicas)

Opinião

As mulheres têm lutado heroicamente desde os primórdios por um mundo mais justo, humanitário, fraternal, sem preconceitos, onde seus filhos e filhas possam viver sem os sofrimentos causados pela opressão. A Lei 11.340/06 foi promulgada para atender ao clamor das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, criando mecanismos para protegê-las das impunes barbáries.

A lei foi batizada de Maria da Penha em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, que foi vítima de seu até então marido, Marco Antonio Heredia Viveros, que tentou matá-la por duas vezes; em 1983, simulando um assalto, lhe desferiu disparos de arma de fogo; não obtendo êxito tentou em outra ocasião eletrocutá-la e afogá-la. Maria da Penha sobreviveu, mas ficou paraplégica.


A Lei Maria da Penha visa à prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher. Considera-se violência de gênero qualquer ação ou omissão praticada no âmbito da comunidade familiar contra a mulher, que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, dano moral ou patrimonial. O autor da violência pode ser qualquer indivíduo. Antes, nas ações penais condicionadas à representação, a ofendida podia se retratar para a autoridade policial. Agora, só se admite a renúncia à representação perante o juiz, em audiência designada para tal fim, evitando que a vítima se intimide com ameaças.


Nesta semana, o STJ reafirmou o entendimento de que não é possível a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos nos casos de crime contra a mulher. O ministro Jorge Mussi, em seu voto, destacou que, nos casos de violência doméstica, é vedada a aplicação de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição que implique o pagamento isolado de multa, conforme o artigo 17 da Lei Maria da Penha e a Súmula 588 do STJ.

As conquistas foram muitas, mas ainda há muito a conquistar, pois, as mulheres continuam sendo violentadas em seus próprios lares, tratadas com desigualdade no mercado de trabalho e discriminadas diuturnamente, motivo pelo qual devem denunciar o agressor, para que o Judiciário possa aplicar a tão sonhada Justiça.

*Cristiano Medina da Rocha é advogado e professor universitário

Crime aconteceu na Asa Sul de Brasília (Foto: Reprodução/Google Street View)

Nacional

Um morador da Asa Sul, na região central de Brasília, foi preso no início da noite de segunda-feira, 7, suspeito de assassinar sua companheira no imóvel do casal.

A Polícia Militar informou que a corporação foi acionada por vizinhos da vítima, Carla Grazielle Rodrigues Zandoná, 37 anos, que foi encontrada no pátio do prédio, na 415 sul, após cair do terceiro andar. Em estado de saúde gravíssimo, a mulher foi socorrida por uma vizinha, cabo do Corpo de Bombeiros, e levada ao Hospital de Base do Distrito Federal. Ela morreu em seguida.

Segundo a PM, o marido da vítima, Jonas Zandoná, 44 anos, foi encontrado no apartamento do casal, embriagado e empunhando uma faca. Ele foi imobilizado pela equipe de policiais que arrombou a porta do local. O acusado foi encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia. Questionado, o homem afirmou à polícia que não sabia o que havia acontecido.

Testemunhas ouvidas pelos policiais comentaram que o casal tinha brigas constantes, o que intensifica os indicativos de que a vítima estava sendo submetida a um ciclo de violência doméstica. A Polícia Civil, que classifica o crime como feminicídio – homicídio motivado por misoginia, isto é, ódio e desprezo contra mulheres – , informa que, após ter sido autuado, Jonas teria dito na delegacia a outro preso que ele estava ali por ter matado a esposa.

A hipótese de feminicídio toma força diante do depoimento de uma testemunha que sustenta que, ao presenciar a queda da mulher, interfonou para o apartamento do casal. O marido atendeu a ligação, mas desligou logo depois.

De acordo com a corporação, o homem deverá responder por homicídio triplamente qualificado, cometido por motivo torpe, por uma questão de gênero e por ter impossibilitado a defesa da vítima.

Os policiais vão verificar se existem imagens no local que possam esclarecer o caso. O casal, destacou a Polícia Civil, tem um filho, já maior de idade.

Para Samira, metade dos assassinatos de mulheres é feminicídio (Foto: Ivo Lindbergh)

Cidade

O noticiário constante de mulheres assassinadas por seus cônjuges pode ser considerado como reflexo do crescimento de feminicídios no Brasil. Somente no Estado de São Paulo, o número de registro deste crime de ódio baseado no gênero aumentou de 60 (em 2016) para 108 (em 2017). Isso representa uma elevação de 21,3% do casos de supressão de vidas femininas por homens pelo simples fato das vítimas serem mulheres. É como se uma mulher fosse morta pelo motivo de gênero a cada três dias.  Os dados foram divulgados ontem no 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O número de feminicídios de 2017 representa 21,2% dos assassinatos de mulheres no período, quando foram registradas 508 vítimas de homicídio do sexo feminino pelos mais diferentes motivos. Segundo a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, o número ainda pode estar subnotificado, uma vez que boa parte destes crimes é relacionada como passional.

Para ela, “no mínimo 50%” dos homicídios com vítimas femininas são feminicídios, dadas as circunstâncias em que ocorrem os crimes, geralmente na casa da vítima e por companheiros ou ex-cônjuges. Em todo o Brasil, foram registrados 221.238 casos de violência doméstica.

Recentemente, o assunto ganhou mais notoriedade. Na quarta-feira, 8, o corpo de Albane Barbosa Nunes, estudante de Jornalismo, foi encontrado em cima da cama, na casa onde morava com o namorado, na Zona Sul, com golpes de facadas. A família suspeita que o companheiro seja o responsável pelo crime. O desempregado Evandro José Honrado, de 28 anos, foi preso na noite da última terça-feira, 7, suspeito de matar a ex-namorada. “Precisamos nos livrar de valores machistas da nossa sociedade e capacitar os policiais civis e militares para acolher uma mulher vítima de violência sexual e doméstica”, disse Renato Sérgio de Lima, presidente do fórum. 

Brasil quebra recorde 

Um recorde indesejado, mas real. O Brasil atingiu a marca de 63.880 mortes violentas no ano de 2017, o equivalente a 175 crimes deste tipo por dia. A taxa de 30,8 homicídios a cada 100 mil habitantes revela um crescimento de 2,9% entre 2016 e 2017. Esta barbárie pode ser comparada com a tragédia causada pela bomba nuclear que atingiu a cidade de Nagasaki, que vitimou 60 mil pessoas no Japão, na 2ª Guerra Mundial, em 1945.     

Capital tem queda de mortes violentas

Apesar do aumento significativo de feminicídios, o índice de mortes violentas na Capital registrou queda de 7,8% na comparação entre 2016 e 2017, com, respectivamente, 1.450 e 1.344 registros do tipo. Mortes violentas intencionais envolvem homicídios culposos, feminícidios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, óbitos de policiais e mortes decorrentes de intervenções policiais.

“São Paulo tem apenas uma facção criminosa no poder, com estrutura, diferente de Estados como o Rio Grande do Norte e Ceará, onde a disputa por território e poder causa mais mortes. Contudo, São Paulo peca no sistema prisional, no qual fornece mão de obra às facções”, explicou Lima.   

Mulheres são as maiores vítimas (Foto: Reprodução/PX Here)

Cidade

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que crimes sexuais dentro de estabelecimentos de saúde no Estado saltaram 19% em 2017, com relação ao ano anterior. Os casos passaram de 291 para 345.

O levantamento abrange crimes contra a dignidade sexual, como estupro, violação sexual mediante fraude, assédio e estupro de vulnerável, mais os termos circunstanciados de importunação ofensiva ao pudor, e foram obtidos pela GloboNews via Lei de Acesso à Informação.

A maioria dos casos de 2017 aconteceu em hospitais, clínicas e postos de saúde: ao todo, foram 281 crimes nestes estabelecimentos. A secretaria afirmou que adotou medidas para coibir esse tipo de ocorrência. Foram 795 pessoas presas por estupro no Estado, sendo 64% por crime contra vulneráveis, somente até maio deste ano.

A pasta afirmou que, desde 2015, conta com o Banco de Perfis Genéticos, que até maio tinha 2,5 mil perfis inseridos no sistema. A ferramenta possibilita que um criminoso seja correlacionado em até seis crimes de estupro de cuja autoria é desconhecida

Homem de 47 anos afirmou que mulher havia dado em cima de outro (Foto: Divulgação/ Prefeitura de Penápolis)

Cidade

Por ciúmes, um homem matou a mulher batendo a cabeça dela contra o chão na noite de anteontem em Penápolis, interior de São Paulo. O acusado, Isaías Delfino de Souza, de 47 anos, alegou que a esposa, Rosemara Aparecida da Silva, de 48, tinha "dado em cima" de outro homem. Ele foi preso após se esconder na casa da mãe. O caso foi registrado como de feminicídio - assassinato de mulher em contexto de desigualdade de gênero. 

Estudo foi feito em 121 cidades paulistas durante um ano (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Dois terços dos casos de feminicídio foram cometidos na casa da vítima, segundo pesquisa do Ministério Público Estadual (MPE). Em 58% dos casos foram usadas armas brancas, como facas, para feri-las ou matá-las. Dos registros, em 75% a vítima tinha laço afetivo com o agressor. 

A pesquisa analisou estatísticas de 121 cidades paulistas de março de 2016 a março do ano passado. O Núcleo de Gênero do MPE analisou 356 denúncias apresentadas à Justiça e divulgou o estudo nesta quinta-feira, dia 1º.

A Lei do Feminicídio - que prevê penas mais altas para condenados por assassinatos decorrentes de violência doméstica ou por discriminação e menosprezo à mulher - completará três anos de promulgação na próxima sexta-feira. A lei classifica esses homicídios como hediondos, dificultando, por exemplo, a progressão da pena do condenado, além de elevar em até um terço a pena final do réu. Mas muitos dos crimes passíveis de enquadramento como feminicídio ainda não são registrados assim, dizem especialistas.

De acordo com a promotora Valéria Scarance, coordenadora do núcleo, um dos méritos do estudo é tentar desmistificar informações, como as que indicam que a maioria dos casos é praticada aos fins de semana. O estudo mostra que 68% dos crimes aconteceram durante a semana e 39%, durante o dia.

Para cometer os crimes, a maioria (58%) usou armas brancas, como facas, ou ferramentas (11%), como martelo. O uso de arma de fogo foi constatado em 17% dos crimes. 

"Claro que a arma é um fator de risco nesses casos, mas os dados mostram que o perigo não é afastado quando o homem não tem uma arma. O uso de ferramentas caseiras é constante. Há casos em que até são usados materiais de construção, como blocos de concreto", diz Valéria. Ataques com uso das mãos para asfixiar ou espancar a vítima representam 10% do total. 

Em 75% dos casos, a vítima tinha laço afetivo com o agressor, com quem era casada ou namorava. E em quase metade dos registros (45%) o que motivou o ataque foi a separação ou o pedido de separação do casal. "Vivemos uma doença social, um 'generocídio' motivado por machismo e sentimento de posse", afirma Valéria. 

A pesquisa também chamou a atenção para o dano desse tipo de crime na família da vítima. Para cada quatro feminicídios, um deles atinge outra pessoa além da mulher - as vítimas secundárias, que presenciam o crime ou até mesmo são agredidos ao lado da mãe, por exemplo, no momento do ataque. Também há os que saem feridos na tentativa de defender a vítima principal. 

Em outubro, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que um terço das mães vítimas de feminicídio deixa ao menos três filhos, segundo estudo da Universidade Federal do Ceará com 10 mil famílias vítimas de violência no Nordeste.

Ciclo de violência

A promotora ressaltou a necessidade de as mulheres tentarem quebrar o ciclo de violência e fazer denúncias. "Se opor a essa conduta pode significar evitar a morte. Toda mulher que sofre deve caminhar para a libertação dessa violência. Um passo por dia no sentido contrário", disse, destacando a importância do registro de boletim de ocorrência e até mesmo de pedidos diretos à Justiça para medidas protetivas. Ela reconheceu, porém, que há dificuldades para atendimento adequado nas delegacias, mas disse que os servidores passam por treinamento para melhoria. 

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança mostraram que em 2016, dos 4.606 assassinatos de mulheres no País, 621 foram registrados na polícia como feminicídio. Dez Estados não forneceram dados específicos sobre esse tipo de crime. 

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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Vale a reflexão sobre o desarmamento no Brasil (Foto: Arquivo/ABR)

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Juntos, os hospitais filantrópicos, como é o caso das santas casas, acumulam uma dívida de R$ 21 bilhões (Foto: Edson Lopes Jr/ (Arquivo) – A2 Comunicações/Fotos Públicas)

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