Fenômeno natural pode se agravar nos próximos dias (Foto: Reprodução/TV Globo)

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O tufão Jebi atingiu a região oeste do Japão nesta terça-feira, 4, se tornando o mais forte fenômeno do tipo a ser registrado no país desde 1993, informou o serviço estatal de notícias, Kyodo News. O Jebi causou fortes chuvas e acidentes e, até o fechamento deste texto, duas mortes foram registradas. Segundo a TV Globo, fenômeno pode se tornar um ciclone dentro de dois dias.

Depois de chegar na região oeste, a tempestade seguiu para o norte do território, em direção ao mar do Japão, saindo da costa norte de Fukui com ventos constantes de 126 quilômetros por hora e rajadas de até 180 quilômetros por hora, disse a Agência Meteorológica do Japão.

Uma das vítimas era um homem de 70 anos, que morreu ao ser derrubado no chão pelo vento, dentro de seu apartamento, em Osaka.

A segunda vítima era um homem de 71 anos, esmagado pelos escombros de um armazém, informaram autoridades. Segundo a rede nacional de televisão, NHK, a tempestade deixou 126 feridos.

Em Osaka, cidade duramente atingida pelo tufão, a água do mar invadiu o Aeroporto Internacional de Kansai, inundando uma de suas duas pistas, o armazenamento de cargas e outras instalações.

A situação obrigou o aeroporto a fechar, informou o governo japonês. Mais de 700 voos foram cancelados, segundo estatísticas da mídia local. Além disso, o serviço de trem bala entre o oeste de Tóquio e Hiroshima foi suspenso.

Um navio-tanque de 2,6 toneladas se chocou contra a lateral de uma ponte que ligava o aeroporto ao continente, danificando parte da estrutura da ponte e da embarcação. Os 11 tripulantes não ficaram feridos e permaneceram a bordo, informou a guarda costeira japonesa.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, cancelou uma viagem programada para Kyushu, a principal ilha do sul do país, para acompanhar a resposta do governo ao tufão, disse o secretário chefe de gabinete, Yoshihide Suga.

O fenômeno atingiu primeiro a ilha de Shikoku, no sudoeste do Japão, e então a região de Kobe, em Honshu. Imagens de televisão mostraram galhos de árvores caídos e águas transbordando em áreas baixas. Tóquio escapou relativamente ilesa, tendo registrado algumas rajadas de vento intermitentes. 

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A um dia da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode rever a prisão após segunda instância, o juiz federal da Lava Jato em Curitiba, Sérgio Moro, foi ovacionado por uma plateia de cerca de 2.000 pessoas em sua segunda palestra pública na tarde desta terça-feira, 10, no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre.

Assim como no evento da manhã, ele voltou a elogiar o Supremo Tribunal Federal pelo julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. "Fiquei muito feliz com o julgamento da semana passada. O STF merece todos os elogios. Impediu uma grande retrocesso", afirmou.

Em sua fala, o juiz também exaltou a Lava Jato e defendeu reformas mais amplas para acabar com o loteamento político de cargos no Brasil. "É necessário ter reformas mais amplas para diminuir incentivos à corrupção. Isso que chamamos de loteamento político de cargos públicos se encontra na raiz dos problemas da Petrobras", disse.

O juiz argumentou que criou-se no Brasil um ambiente institucional que favorece a corrupção. "Não se pode construir um processo penal que impeça que pessoas poderosas permaneçam impunes porque tem condições de manipular o sistema para impedir que um caso concreto chegue ao fim."

No início de sua fala, Moro afirmou que houve uma apropriação da Petrobras, "o grande orgulho brasileiro", para enriquecer seus executivos e dirigentes de empresas que faziam negócios com a estatal, com o componente perverso de que os desvios foram para políticos e partidos. Defendeu ainda, mais um vez, a limitação do foro privilegiado de autoridades.

Durante a palestra, um grupo de estudantes e militantes de esquerda tentou entrar no local do evento para protestar contra Moro e defender a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A presidente cassada Dilma Rousseff confirmou nesta terça-feira, 10, que existe uma "tendência" de que ela possa sair ao Senado pelo Estado de MG, onde nasceu e iniciou a militância política. Ela foi questionada sobre a mudança de domicílio eleitoral para Minas, requisitada ao Tribunal Regional eleitoral (TRE) na semana passada, em um evento na Espanha.

"Existe agora essa tendência de que eu concorra a senadora pelo Estado de Minas. (Mas) o fato de eu transferir meu título não significa que já me tornei candidata, são dois momentos distintos. Este momento de me tornar candidata se dará em agosto apenas", declarou.

Dilma também afirmou que, embora esteja preso desde o final de semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Operação Lava Jato, continua o candidato do PT para as eleições presidenciais deste ano. "Em agosto ficará claro quem são os candidatos presidenciais. Até, lá vamos lutar para que o presidente Lula seja candidato", disse Dilma, ecoando o discurso do partido desde que o líder petista se entregou à Polícia Federal, no sábado, 7.

A ex-presidente proferiu nesta terça-feira uma palestra na Casa das Américas, em Madri, intitulada "Brasil: uma democracia ameaçada". De hoje até a semana que vem, ela faz um giro internacional na Europa e nos Estados Unidos para divulgar o entendimento de que o ex-presidente é um preso político, vítima de um conluio para tirá-lo das eleições. Lula "nitidamente ganharia as eleições, quanto maior sua perseguição, maior era o destaque que ganhava", disse no evento.


Em sua segunda palestra no Fórum da Liberdade nessa terça-feira, 10, em Porto Alegre, o juiz Sérgio Moro disse que a opinião pública funcionou como uma "medicina" contra tentativas de "criminalizar" a interpretação dos juízes.

"O recurso à opinião pública foi importante para prevenir tentativas de obstrução à justiça, seja através de alterações legislativas ou ações de bastidores. Funcionou como medicina contra esses males específicos: ideias de criação de lei que criminalizassem atividade judicial".

No ano passado, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o relator de um projeto que atualizava a lei de abuso de autoridade. Na ocasião, integrantes da força-tarefa da Lava Jato fizeram críticas ao projeto de abuso de autoridade, alegando que esta podia ser uma forma e retaliação aos investigadores.

Devido à pressão, o senador flexibilizou o texto e incorporou sugestões dos magistrados. "A opinião pública funcionou como anteparo para iniciativas dessa espécie", disse Moro em Porto Alegre.

Segundo o juiz, que participou de painel ao lado de Antonio Di Pietro, vice-procurador do Tribunal de Milão e procurador responsável pela Operação Mãos Limpas, um dos revezes sofridos pela operação naquele país foi a ascensão de Silvio Berlusconi - empresário com grandes empresas de mídia na Itália - ao poder político. No Brasil, por outro lado, o brasileiro considerou que a mídia tem se colocado até o momento a favor da operação.


O governador de São Paulo e candidato do PSB à reeleição, Márcio França, declarou nesta segunda-feira, 16, que os 8% obtidos na pesquisa Datafolha para a sucessão do Palácio dos Bandeirantes são um "excelente começo", dado o baixo nível de conhecimento de seu nome entre o eleitorado paulista. Segundo o levantamento, divulgado nesta madrugada, apenas 9% dos entrevistados conheciam seu nome.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, França comparou sua situação a do ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), seu provável adversário neste pleito, em 2016. "Nesta época do ano, o Celso Russomanno (PRB) tinha 37% das intenções, Marta Suplicy (PMDB) tinha 28%, o (então prefeito petista) Fernando Haddad (PT) tinha 15% ou 10% e Doria tinha 1%", lembrou. Doria, que até então também era desconhecido da maioria do eleitorado, venceu a eleição no primeiro turno.

França disse apostar em sua exposição como governador e em seu arco de alianças para superar esse desconhecimento do eleitor. "Se eu tenho menor rejeição, se tenho mais tempo de TV que todos porque tenho mais partidos que me apoiam, se tenho 80% dos prefeitos do interior me apoiando, é possível que eu cresça", disse.

O atual governador considerou ainda "injusto" o desempenho de seu antecessor, o tucano Geraldo Alckmin na pesquisa para a presidência, e culpou o quadro "muito pulverizado, em que "não sobra espaço para ninguém se sair muito bem". Ele também disse que pode viver uma situação parecida com a do presidenciável do PSDB caso o seu partido decida lançar o ex-ministro Joaquim Barbosa ao Planalto.

"O governador me disse que eu era o candidato do coração dele, mas seu partido lançou outro candidato (Doria). A mesma coisa eu", comparou. "Vou fazer de tudo para ajudar o que acho ser melhor para o Brasil. Alckmin é segurança, estabilidade, aquilo que a gente vive procurando".


O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) usou as redes sociais para criticar "o açodamento" com que o Ministério Público Federal pediu o envio, à primeira instância, do inquérito em que o tucano é citado por delatores da Odebrecht.

"A defesa de Geraldo Alckmin se surpreendeu com a notícia do açodamento de setores do Ministério Público Federal, já que o processo está tramitando normalmente e será remetido, em termo oportuno, para instância competente", escreveu o presidenciável do PSDB em seu perfil no Twitter.

Alckmin reagiu à notícia de que o MPF pediu ao vice-procurador da República, Luciano Mariz Maia, que remeta "o mais rápido possível" para São Paulo o inquérito em que é investigado por ser beneficiário de recursos não contabilizados para campanha eleitoral. O cunhado do tucano, Adhemar Cesar Ribeiro, também é alvo da investigação. O documento é subscrito por nove procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava Jato.

"Espera-se que a apuração dos fatos continue a ser feita de forma isenta e equilibrada, sem contaminação política, pois repele a ideia que o inquérito, enquanto tramitou no STJ e na PGR, tenha servido de 'blindagem' para o ex-Governador", continua a nota.

Após entregar o cargo a seu vice, Marcio França (PSB), na sexta-feira, Alckmin encontra-se hoje em Brasília, onde almoça com deputados tucanos. O encontro foi organizado pelo senador Tasso Jereissati (CE).


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quarta-feira, 11, em entrevista à rádio CBN, considerar que o ex-governador de São Paulo e presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, é um nome competitivo, mas que a eleição deste ano deve se mostrar difícil porque tem várias candidaturas, sem que nenhuma desponte.

Para o cacique tucano, Alckmin tem chances não só porque venceu várias eleições no Estado de São Paulo, mas também porque deve dispor de uma aliança política maior que a de outros candidatos este ano.

"Temos que lembrar que a eleição é casada. As alianças eleitorais pesam, o tempo de televisão pesa", disse FHC na entrevista. O tucano teceu os comentários após comentar sobre a situação do deputado Jair Bolsonaro (PSL), que, em sua opinião, sobe nas pesquisas porque a população está insegura e quer ordem. "Agora, vamos ver na campanha o que ele vai dizer, como as forças sociais vão se colocar", disse.

Sobre quais candidaturas se mostram competitivas no momento, o tucano disse que só os embates públicos entre os candidatos devem mostrar isso. Para o ex-presidente, será competitivo aquele que tiver mensagem e capacidade de repassá-la ao eleitorado, mas que também é preciso ter capacidade de governar e de dialogar com o Congresso. "Para governar, não basta mensagem", disse.

O ex-presidente evitou comentar sobre a candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que se filiou na semana passada ao PSB, mas notou que o jurista deixou uma lembrança positiva por sua atuação no mensalão. Ele também voltou a dizer que não estimulou a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck. "Não estimulei Luciano, estimulei tudo que é novo. Acho importante abrir espaço para lideranças novas", comentou.

Lula

O ex-presidente afirmou também que não ficou contente com a prisão do ex-presidente Lula, mas que a "justiça se cumpriu". "Não acho que seja bom para ninguém (a prisão de Lula). É um momento delicado da vida política brasileira, especialmente porque as acusações não são políticas, são de conduta", opinou.

Na entrevista, o tucano afirmou ainda que não considera o petista um preso político, uma vez que a Justiça brasileira é livre e que todos os trâmites necessários foram cumpridos.

Para FHC, a prisão de Lula é triste porque tanto o PSDB e o PT, que polarizaram a política brasileira nas últimas duas décadas, nasceram com ideais próximos, mas acabaram deixando de se unir na luta contra "os verdadeiros males" do País, como o patrimonialismo e o corporativismo.

Por outro lado, o ex-presidente rebateu as acusações de que a Lava Jato estaria sendo parcial, focando especialmente em políticos do PT. "Acho que o que está no foco da Lava Jato é o poder central, e o PSDB não estava no poder", afirmou.

Questionado sobre qual seria sua opinião sobre a prisão em segunda instância, que pode ser revista novamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), FHC disse que a execução provisória de pena foi pensada para se impedir a prescrição de processos à custa de meios protelatórios. Ele indicou que poderia apoiar a ideia de permitir a prisão após apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), ideia defendida pelos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, caso ela previsse um prazo para o julgamento dessas ações.

Temer

FHC disse que relutou em apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como fez na época de Collor, uma vez que isso significa uma grande perda de capacidade de governar o País. Por outro lado, o ex-presidente disse considerar que o atual mandatário, Michel Temer, conseguiu fazer muito mais mudanças do que imaginava. O tucano entende que a popularidade do emedebista deve ter dificuldades para subir mesmo diante dos avanços vistos em seu governo. "O povo esquece que votou no vice. Pensa que votou no outro".

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França é candidato à reeleição, mas precisa crescer nas pesquisas (Foto: Roberto Casimiro/AE)

Cidade

Márcio França (PSB) já sabia que seria governador antes mesmo de assumir o cargo no dia 6 de abril deste ano, quando Geraldo Alckmin (PSDB) deixou a função o cargo para disputar a Presidência da República. França sempre teve na política a meta de ser governador do Estado. Começou sua carreira como vereador de São Vicente, onde também foi prefeito por duas vezes e teve uma aprovação de 80% após terminar o segundo mandato. Entre as propostas que quer implantar no Estado está o alistamento de jovens, programa que realizou em São Vicente e que afirma ter reduzido a violência drasticamente na cidade litorânea. Sobre a disputa à reeleição, França garante que é o candidato com mais visão social e diz que usar o termo esquerda para definir um partido é um tanto antiquado. Durante a entrevista ao Metrô News, fez questão de ressaltar que é diferente de seus principais adversários: Paulo Skaf (MDB) e Doria (PSDB). “Eles acham que podem colocar uma administração privada no poder público, como se fosse uma empresa, mas é preciso olhar o social. Eu tenho experiência para isso”, argumentou França. Para o governador, eleger Skaf seria como colocar uma gestão a do presidente Michel Temer (MDB) em São Paulo, enquanto eleger Doria significaria colocar alguém que não cumpre o que promete, como terminar o mandato à frente da Prefeitura de SP Qual a principal marca que você vai deixar nesta primeira gestão como governador? Claro que do ponto de vista de repercussão pública vai ser a greve dos caminhoneiros. As pessoas associaram a questão de desobstruir, abrir o diálogo com a categoria a mim. Mas o que eu penso que é mais importante é a mudança histórica de alguém que vai ser candidato à reeleição não ser do PSDB. Também ampliamos a Univesp, com aumento de 3 mil para 45 mil vagas no ensino superior, e fizemos duas concessões de rodovias que saíram com pedágios mais baratos, com média 25% a 30% menor, por exigirmos uma outorga menor. Você acha que fez mudanças significativas depois da transição para a sua gestão? Sim. Penso que isso foi possível porque respeitei as linhas de equilíbrio fiscal. Ninguém percebeu uma mudança que tenha tido traumas, mas nós mudamos secretários, quase dois terços são secretários de carreira, mudamos o comportamento no diálogo com o servidor público, há três anos sem negociações. Márcio França acredita que pessoas se lembram dele por diálogo com caminhoneiros (Foto: Divulgação) E como ocorreu este diálogo com o funcionalismo? Foram pequenos gestos que foram importantes, como a regra geral em que a Procuradoria-Geral do Estado recorria de todos os processos movidos pelo funcionalismo, mesmo sabendo que iam perdem no Superior Tribunal Federal. Não fazemos isto agora. Quais projetos essenciais você quer aprovar ainda nesta gestão? Tem um que está em andamento, o alistamento civil com jovens, que pretende contratar 4.530 jovens nas 100 cidades mais violentas do Estado para realizarem trabalhos nas ruas. Este é um programa que fiz quando era prefeito. A minha cidade era uma das mais violentas do Estado. Depois da implantação do programa, ela não ficou nem entre as 100 primeiras. Estes jovens começarão a trabalhar e serão tutelados com a gente. Será uma espécie de piloto para o que queremos fazer para o ano que vem, a ser lançado em todas as cidades, com 80 mil jovens, cada um recebendo uma bolsa no valor de R$ 500. Abriremos vagas para mulheres também, mas elas não farão serviços nas ruas. Quais os próximos passos na área do saneamento? A Sabesp é a terceira maior empresa do mundo em saneamento e conseguiu, recentemente, fazer parceria com municípios que não tinham a rede, como Carapicuíba e Guarulhos, que vai ser um ganho muito grande de despoluição na veia. A gente tem uma meta, por exemplo, de zerar o rodizio em Guarulhos em oito e dez meses depois de assinar uma negociação que estamos em andamento para ajudar a cidade tanto no abastecimento quanto no tratamento de esgoto.   Governador afirmou que conseguiu diminuir a violência em São Vicente, cidade na qual já foi prefeito (Foto: Roberto Casimiro/AE) Mas tratar o esgoto é um problema que demanda grande investimento e esforço. Como você fará isto? É fato. O tratamento de esgoto é demorado. Leva-se anos para fazer, mas estamos testando equipamentos novos que devem ser colocados na ponta dos canais para despoluir a água que chega. É muito mais prático. Os técnicos querem tratar de casa, e estão certos, mas sou adepto de que temos que fazer da solução mais rápida, ainda que não seja definitiva.   Mas a crise hídrica está batendo na porta do Estado. Há chance de rodízio? Chance zero, mas a preocupação é grande. A crise hídrica é evidente. Tem chovido menos, mas a Sabesp se preparou com grandes obras de transposição, por isso estamos sobrevivendo. Vamos lançar uma campanha nova, em breve, reforçando aos paulistas para fazerem economia. Não temos a pretensão de multar ninguém neste momento. O senhor ainda pretende desvincular a Polícia Civil da Pasta de Segurança e alocar à Justiça? Pretendo. Depende da aprovação da Assembleia. Agora ela tem que aprovar ou não. Insisto que a Polícia Civil é judiciária, e o fato de ter a desvinculação administrativa e orçamentária só vai ajudá-la. Mas falando de segurança é incrível que ninguém tenha noticiado que nós abrimos 66 delegacias que estavam fechadas à noite, simplesmente com um valor que se paga a mais, uma gratificação paga para qualquer servidor por um terço a mais para o serviço que ele presta. E também valorizei os policiais. Nós aprovamos a lei e ela foi sancionada: agora toda a defesa jurídica deles será feita pela Defensoria Pública. Márcio França rechaça rótulo de esquerdista, mas afirma que é preocupado com o social (Foto: Daniel Teixeira/AE) O senhor vem de um partido mais alinhado à esquerda, qual a diferença da sua gestão para uma gestão tucana? Isso é uma expressão meio antiquada, mas pelo menos tenho uma preocupação social maior que os representantes de outras siglas. Aqui em São Paulo, faz quase 30 anos que o mesmo modelo prosseguia no comando. A minha gestão é mais social.  Constantemente partidos e candidatos tentam barrar a sua publicidade. Qual sua opinião sobre isso? Eles querem me esconder. Como sou o novo governador, se eles conhecerem os três candidatos que vão disputar é difícil escolherem os outros dois. São pessoas do bem, só não sabem o que falam, não tem conhecimento da administração pública. Eles acham que podem fazer a gestão pública como privada. É como colocar o modelo Sesi e Senai no Estado, mas os pais pagam R$ 300 a R$ 400 por isso. Aqui temos 3,5 milhões na rede estadual, muitos alunos não têm, é como seu eu dissesse que o sujeito que está no restaurante gratuito vai ter que pagar a comida. Já o Doria quer privatizar o Aeroporto de Barretos, mas não tem movimento, não tem interesse. Você acredita que apenas três candidatos têm chances reais de vencer a eleição? Na verdade, existem quatro candidaturas que vão disputar o Governo do Estado. O PT, quem gosta é fiel e quem não gosta não quer. Uma candidatura é do MDB, do Governo Michel Temer, que não acho que será um bom caminho para São Paulo. O outro é o PSDB do Doria, que demos a oportunidade para mostrar sua capacidade de administração, mas que a desperdiçou. Se as pessoas souberem que eu sou o atual novo governador, as pessoas vão ter a chance de fazer uma opção. O que você pretende fazer na área da Saúde? Estamos com 101 hospitais e estamos acabando mais dois. São 31 mil leitos. Quando falam na televisão parece que não tem nada funcionando. Tem muita gente que vem de fora. O serviço público tem que ser melhorado, mas nem extinto e nem cobrado. Nós temos que abrir as ames aos finais de semana. Isto vai permitir zerar, em seis meses, uma fila de 1 milhão de consultas e 300 mil exames.  E as obras do Metrô. Qual sua pretensão para agora e para um novo governo? Nós temos que retomar todas que estão paradas. Algumas teremos que licitar de novo, porque muitas empresas quebraram, foram acusadas na Operação Lava Jato. Outras o Governo Federal furou na hora do financiamento. Neste ano temos de nove a oito estações para entregar. Está atrasado, mas o governo inteiro parou, o País parou, muitos estados não vão conseguir pagar nem o 13º salário. Tem alguma outra obra sobre trilhos que pode marcar sua gestão? A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ter aprovado a proposta da empresa Rumo será um grande passo para aumentar o transporte de carga a granel de 30 milhões para 70 milhões por ano. É uma obra marcante. A malha paulista liga o Mato Grosso, maior produtor de grãos, ao Porto de Santos, principal saída de commodities do País. Esta malha já existe, mas ela vai ser restaurada e vai abrir ainda dois eixos laterais, ligando São Paulo até Itirapina e a cidade de Colômbia até Araraquara. E o que pode ser feito na área da habitação? Nós pretendemos fazer três coisas. Cada casa hoje custa em torno de R$ 125 mil a R$ 130 mil. O Estado tem um R$ 1,3 bilhão por ano para este tema. A gente tem o suficiente para construir 10 mil casas. É pouca casa.  No interior, vamos criar lotes urbanizados. Você cede um terreno e um cartão com R$ 8 mil e o cidadão vai ter três plantas pré-aprovadas para construir a casinha dele.  E na Capital? Na Capital, a meta é imediatamente poder mudar o conceito da construção no Centro. Desocupar prédios públicos com repartição e transformar em apartamentos. Também queremos negociar para que empresários vendam apartamentos próprios por R$ 125 mil. Quando desocupamos prédios ocupados os proprietários vendem por um preço muito mais alto. Também estamos lançando os programas de recuperação dos atuais prédios da CDHU.

Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

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Na década de 1950, a teoria da “unanimidade burra”, de Solomon Asch, comprovou a tese de que  algumas pessoas, quando em grupo, acreditam nas coisas mais absurdas e patéticas, ignorando a lógica e a verdade. A experiência colocava um inocente voluntário dentro de um grupo formado por atores, todos dispostos a um teste que consistia em examinar uma placa com uma linha vertical à direita e três linhas verticais díspares à esquerda, onde apenas uma delas era igual à da direita. O examinador perguntava qual das alternativas era a idêntica e, por mais óbvia que fosse a resposta, os atores, cúmplices e combinados, respondiam a alternativa errada. A cobaia, mesmo tendo absoluta certeza do correto, duvidada da própria razão e concordava com a maioria, escolhendo a alternativa falsa, confirmando a tendência humana da maioria seguir a opinião dos outros. O poder da mídia sobre a opinião pública é um bom exemplo disto, pois desvia a atenção para a verdade, dando foco a inverdades tendenciosas. A propaganda induz o estúpido, mas não convence a mente atenta. Quanto mais se promove opiniões medíocres e ignorantes, mais as pessoas abandonam por convicção a racionalidade e o senso crítico, transformando-se em massa de manobra a ser conduzida por um caminho pavimentado por mentiras rumo ao final de um arco-íris, onde não há pote de ouro, mas sim uma ratoeira à espera. Em tempos de eleições isto fica muito mais evidente quando o grupo dominante ignora os desejos da população e cria, em conluio com que há de mais nefasto, uma tendência a se seguir. Talvez você não se recorde, mas, na eleição passada, a tendência era “mulher votar em mulher”, afinal, sem a força da militância, a presidente, que afundou o País, jamais seria reeleita. Hoje, a única mulher candidata não recebe este apelo, talvez por não fazer parte do grupo de interesse, que aliás contém uma candidata que se diz empoderada e independente, mas se rendeu às ordens de um presidiário, macho opressor, aceitando abandonar sua própria candidatura para ser vice decorativa numa chapa confusa na qual sequer aparece em algumas propagandas oficiais da campanha. O candidato líder nas pesquisas, mesmo sem apelo algum de publicidade, vai na contramão do establishment e recebe adjetivos depreciativos até quando atacado violentamente num atentado à sua própria vida. O trinômio “machista-racista-homofóbico” foi tatuado a contragosto em suas costas, já que a população nada questiona e tudo aceita. Ironicamente, seu mais forte adversário é publicamente conhecido por ser autoritário, arrogante, violento e representar o que há de pior e mais retrógrado na política brasileira. Mas, apesar das diversas provas de seu real machismo, racismo, homofobia, coronelismo, e suas constantes declarações polêmicas, estúpidas e discrepantes, é blindado pela mídia e acariciado pela bolha asquerosa e egoísta de uma medíocre parte da classe artística e “intelectual” brasileira. Tudo é um jogo sujo e inescrupuloso de interesses que em nada compartilham com os da população. Não se deixe levar pela minoria que se finge maioria. Não acredite no que lê, no que ouve. Esteja atento, não tema a discordância e vote sabiamente. Para se viver em paz, vote calado, vote em segredo, pois esta é a única arma que você possui.

Não devemos temer uma ideologia radical no próximo governo (Foto: Reprodução/Flickr)

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Esta eleição se apresenta como uma das mais importantes de nossa historia. De um lado, trata-se da oportunidade de escolher a pessoa mais capaz de comandar o País, governantes dos Estados que o compõem e representantes na esfera parlamentar. De outro, trata-se de eleger os núcleos ideológicos que definirão políticas de Estado.   Portanto, no caso da eleição para a Presidência, o pleito leva em consideração uma visão de mundo, o modo como os protagonistas  enxergam as tarefas do Estado, o mercado e a economia (cunho mais estatal e/ou mais privado), programas sociais, infraestrutura, potenciais e riquezas naturais etc. Numa tentativa de sumarizar tais visões,  chega-se às três principais correntes políticas que governam os Estados modernos: o socialismo, a social-democracia e o capitalismo.   O primeiro tem seu eixo fincado na transformação social por meio da distribuição de riquezas e da propriedade, abarcando a luta de classes, a extinção da propriedade privada, a igualdade de todos. Na teoria marxista, o socialismo encarna a fase intermediária entre o fim do capitalismo e a implantação do comunismo. O capitalismo se ancora na propriedade privada e na acumulação do capital, tendo como motivação a busca pelo lucro. Portanto, constitui o contraponto do socialismo. Já a social-democracia abriga a intervenção do Estado na economia (distribuição de renda mais igualitária) e nos programas sociais, sob o escopo do bem-estar social e, no território político, dá guarida à democracia representativa. Emerge como sistema que combina aspectos do socialismo e do capitalismo. O fato é que a derrocada do socialismo clássico, a partir do desmantelamento da URSS e a queda do Muro de Berlim, em 1989, estendeu o território da social-democracia, sendo este o modelo de nações democráticas, principalmente no continente europeu.Seja qual for o vencedor dessa eleição, a real política brasileira imporá barreiras intransponíveis para a instalação de uma ideologia radical. Disso não devemos ter receio. *Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político e de comunicação

Num possível segundo turno contra Haddad, Bolsonaro deve ganhar apoio de outros partidos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas)

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A cada pesquisa divulgada mais se revela um cenário polarizado entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Assim, quem pode ficar de fora já começa a pensar nas alternativas após 7 de outubro. Um deles é o bloco de partidos que apostou no ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Formados por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, essa aliança garantiu ao tucano um gordo tempo na TV, mas que, pelos menos até agora, não se reverteu em intenção de votos. O deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) é um dos que nunca escondeu sua preferência pelo ex-capitão do Exército. Foi ele, por exemplo, quem idealizou a viagem de Bolsonaro à Asia, em fevereiro deste ano, e esteve lá, ao lado do colega de Câmara. Outro que já disse que não tem como apoiar Haddad em um ainda hipotético segundo turno foi o ex-ministro da Educação de Michel Temer e atual candidato ao Senado Mendonça Filho, de Pernambuco. Ele foi um dos primeiros do DEM a sugerir o caminho em direção a Alckmin, sendo, inclusive, apontado com alternativa a vice na chapa. Ontem, foi a vez de Major Olímpio, um dos coordenadores da campanha bolsonarista em São Paulo, declarar que “muitos quadros” do Centrão devem se debandar da campanha de Alckmin e declarar apoio ao candidato do PSL. “Já estão fazendo missa de corpo presente há alguns dias”, ironizou. Dentro do governo Temer, que oficialmente apoia Henrique Meirelles, também já tem gente olhando para depois do primeiro turno. Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, segundo o blog Radar, da Veja, defende que, em havendo o confronto PSL-PT, que o MDB e o presidente declarem apoio a Bolsonaro. Duílio Malfatti, secretário de Publicidade e Promoção do Planalto foi mais específico em sua página no Facebook, ao se referir ao pesselista logo após o atentado: “Tomara [que] ganhe no 1º turno”. E assim, os organizadores da campanha de Bolsonaro vão reiterando a confiança. E o reforço natural de sua base de apoiadores revela que esta percepção extravasou o núcleo mais leal, podendo desta forma fazer o fiel da balança pender para o lado deles. Assim, aquilo que estava tão distante até alguns meses, já parece bem factível a essa altura da disputa.
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Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

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Legislação deve ser mudada, pois a violência cresce a cada dia no Brasil (Foto: Wilson Dias/ABR/Fotos Públicas)

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