Equipe tenta salvar vítimas afetadas pelo vulcão (Foto: Luis Soto/AE)

Mundo

Autoridades guatemaltecas calculam que pelo menos 69 pessoas morreram vítimas do Vulcão do Fogo, mas apenas 17 foram identificadas. A dificuldade em reconhecer os corpos é consequência das temperaturas altas dos detritos vulcânicos, que tornam a maioria dos corpos irreconhecível.

"É muito difícil para nós identificá-los, porque alguns perderam suas características ou impressões digitais", disse o diretor do Instituto Nacional de Ciências Forenses, Fanuel García. "Vamos ter que recorrer a outros métodos e, se possível, coletar amostras de DNA para identificá-los", acrescentou.

A erupção surpreendeu moradores de aldeias remotas na região da montanha, deixando pouco ou nenhum tempo para que os habitantes fugissem para locais seguros.

Na noite da segunda-feira, 4, pessoas choravam sobre caixões enfileirados no principal parque de San Juan Alotenango. Como não há eletricidade nas áreas mais atingidas de Los Lotes e El Rodeo, os trabalhos de buscas param ao pôr do sol.

Trabalhadores utilizam pás e retroescavadeiras para vasculhar os destroços e a lama, enquanto o terreno ainda está quente o suficiente para derreter solas de sapatos. Alguns corpos encontrados estavam tão cobertos de cinzas que pareciam estátuas. Equipes de resgate precisaram usar marretas para atravessar telhados de casas enterradas em destroços e checar se havia sobreviventes no interior das residências.

A guatemalteca Hilda López disse que sua mãe e irmã ainda estavam desaparecidas depois que a mistura de gás quente, cinzas e pedras vulcânicas atingiu sua aldeia em San Miguel Los Lotes, localizada abaixo dos flancos da montanha. "Estávamos em uma festa, comemorando o nascimento de um bebê, quando um dos vizinhos gritou para que nós saíssemos e pudéssemos ver a lava que estava chegando", relembrou. "Nós não acreditamos e, quando saímos, a lama quente já estava descendo pela rua."

Ela relatou que a mãe ficou presa dentro do local. O marido de Hilda, Joel González, disse que seu pai também não conseguiu escapar e acredita que ele tenha ficado enterrado na parte de trás da casa.

O porta-voz da Coordenadoria Nacional para Redução de Desastres (Conred), David de León, informou que o vulcão entrou em erupção por volta do meio-dia de domingo, 3 (15h em Brasília), lançando fumaça e cinzas no céu.

Então, por volta das 14 horas (17h em Brasília), uma explosão maior aconteceu. Depois disso, fluxos de lava, cinzas, rochas vulcânicas e destroços jorraram pelos flancos da montanha, bloqueando estradas e queimando casas. "(Os fluxos) andaram muito rápido. Chegaram às comunidades quando os alertas de desocupação foram enviados", disse León.

Mesmo diante dos efeitos rápidos da erupção, as autoridades locais se esforçaram para emitir avisos. No entanto, em lugares como Los Lotes e El Rodeo, a cerca de 12 quilômetros da cratera, os alertas chegaram tarde demais.

As ruas e residências foram atingidas pelos materiais sólidos que chegaram a 700ºC e pelas cinzas e gases vulcânicos, que podem causar asfixia muito rapidamente. "Assim que recebemos a informação, por volta das 6h (9h de Brasília) de que o vulcão estava em fase eruptiva, o protocolo foi iniciado para verificar com diferentes setores e também para falar com as comunidades e seus líderes", disse León.

Ele acrescentou que especialistas guatemaltecos dizem que é provável que a movimentação vulcânica diminua. "Recebemos a informação de nosso serviço científico, nos dizendo que a tendência é que a atividade diminua", explicou.

Em El Rodeo, soldados armados e usando máscaras faziam guarda para isolar as cenas do desastre. Trabalhadores transportavam corpos para longe dali em macas e a fumaça ainda subia em algumas partes do local, coberto por rochas e outros detritos.

Equipes emergenciais de helicóptero conseguiram resgatar pelo menos dez pessoas vivas que estavam isoladas pelos fluxos vulcânicos. Segundo o Conred, 3,2 mil pessoas saíram de suas casas.

Número de mortos sobe para 69

O número de mortos após a erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala, que expeliu grandes colunas de fumaça e fragmentos em uma área rural do país, subiu para 69 nesta segunda-feira, 4. Ainda de acordo com as autoridades, há um número não determinado de pessoas desaparecidas.

A movimentação vulcânica começou pouco antes do meio-dia (15 horas de Brasília) do domingo, 3, lançando cinzas e rochas a 4,5 mil metros acima do nível do mar. As cidades próximas sofreram com a fumaça pesada e com o fluxo de pedras que desceram pelos flancos do vulcão, atingindo casas e estradas.

Segundo a Agência de vulcanologia da Guatemala, a erupção diminuiu por volta das 22h (1h desta segunda-feira, em Brasília). De acordo com o porta-voz da agência, David de León, os primeiros corpos foram encontrados na comunidade San Miguel Los Lotes. 

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Governo da Guatemala alegou ser arriscado colocar bombeiros na busca (Foto: Luis Soto/AE)

Mundo

A Coordenadoria Nacional para Redução de Desastres da Guatemala (Conred) disse, na quinta-feira, 7, que está suspendendo os trabalhos de resgate nas áreas afetadas pela erupção do Vulcão de Fogo. Chove na área e, segundo a Conred, o material vulcânico acumulado na região torna o trabalho perigoso para os socorristas.

O órgão suspendeu o resgate depois que 72 horas se passaram desde o desastre. Segundo autoridades, depois desse período, as chances de encontrar sobreviventes são mínimas.

O Conred também pediu à população que fique longe das áreas devastadas.

Mais cedo na quinta-feira, a Força Aérea dos Estados Unidos transportou seis crianças guatemaltecas com graves queimaduras para tratamento no Texas.

O grupo será internado no Hospital Shriner's, na cidade de Galveston. As crianças estão entre as vítimas da erupção do vulcão, que enterrou quase aldeias inteiras em cinzas e lama superaquecida.

Segundo autoridades, 99 mortes foram confirmadas e muitas pessoas ainda estão desaparecidas. Fonte: Associated Press

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente guatemalteco, Jimmy Morales,conversam durante inauguração de embaixada (Foto:Kobi Gideon/ GPO/Fotos Públicas)

Opinião

Depois dos Estados Unidos transferirem sua embaixada em Israel da cidade de Tel Aviv para Jerusalém, fato que trouxe turbulência ao Oriente Médio, nesta quarta-feira, 16, foi a vez do presidente da Guatemala, Jimmy Morales, fazer o mesmo. Assim os governos norte-americano e guatemalteco são os primeiros a atenderem a uma velha ambição israelense, que é o reconhecimento da Cidade Santa como sua capital “eterna e indivisível”. E, em breve, quem deve se juntar a este ainda diminuto grupo é o Paraguai, com previsão para o fim deste mês de maio.


Tal atitude em nada ajuda a amenizar a realidade da instável região e contraria a posição da própria Organização das Nações Unidas (ONU), que jamais auferiu a Jerusalém o status de capital do Estado de Israel, nem tampouco reconheceu a anexação de Jerusalém Oriental por parte dos israelenses, em 1967. Até então, pertencia ao Reino da Jordânia. É nesta parte que se encontra a Cidade Velha e lugares sagrados para o judaísmo, islamismo e cristianismo, como o Muro das Lamentações, a Mesquita de al-Aqsa e a Igreja do Santo Sepulcro.

Este espaço também é reivindicado pela Autoridade Nacional Palestina como capital do futuro Estado que almeja criar.
A questão é complexa e atitudes tempestivas como as de Donald Trump, Morales e do paraguaio Horácio Cartes só ajudam a atear fogo em um território coberto de pólvora.

O resultado pôde ser visto na reação brutal das forças israelenses na última segunda-feira, 14, que deixaram 60 mortos, sendo 59 por tiro de soldados e um bebê de oito meses, por inalação de gás lacrimogêneo. Outros cerca de 2,7 mil ficaram feridos, sendo a metade por projéteis.

O que se percebe é que quem deveria sentar à mesa e negociar para tentar evitar derramamento de sangue tão desnecessário é o primeiro a fomentá-lo. Assim, se um dia Israel teve ao seu lado a opinião internacional para a criação do seu Estado, agora vêm se esforçando para perdê-la, como mostra a recente onda de repúdio à violência do seu Exército. Aparentemente, o Davi, armado de funda, agora fala árabe e tem pela frente um impiedoso Golias, equipado com tanques e fuzis de assalto modernos.

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O PT foi omisso em relação à falta de democracia na Venezuela, enquanto Temer não tem dado o suporte necessário para Roraima (Foto: Reprodução/Rede TV/Fotos Públicas)

Opinião

O lamentável episódio na remota cidade de Pacaraima, um dos pontos mais ao Norte do território brasileiro, serviu não apenas para desnudar a crise que representa a imigração venezuelana para o Estado de Roraima e para o País como um todo. Mas também para alinhar o discurso de boa parte dos presidenciáveis. De Geraldo Alckmin (PSDB) a Guilherme Boulos (Psol), de João Amoêdo (Novo) a Marina Silva (Rede), houve um chamamento ao bom-senso e da lembrança da tradição brasileira de acolher os mais diversos povos que aqui chegaram, deixando para trás uma dura realidade de sua nação natal. “Temos uma tradição humanitária no Brasil, de receber as pessoas que estão fugindo, na realidade, do desastre econômico venezuelano”, lembrou Alckmin.  Amoêdo destacou que 87% da população da Venezuela vive na pobreza e que “o Brasil, como nação, tem o dever de ajudar”. Boulos repudiou o que chamou de “atos movidos por ódio e xenofobia” e, na mesma linha, seguiu Álvaro Dias, que considerou ainda que “o Governo federal deveria enviar força-tarefa ao Estado.” Já Marina lembrou que são dois grupos de “desvalidos” que precisam de ajuda: os venezuelanos e os habitantes de Roraima. Por um aspecto, a visão da ex-senadora está precisa. Foi ela quem lembrou que o Brasil negligenciou duplamente a situação da Venezuela, e este silêncio contribuiu, ainda que indiretamente, para o quadro que hoje se assiste. Primeiro, o governo do PT, em função de seu alinhamento político e ideológico fez vistas grossas à situação de falta de democracia no país vizinho, desde a época de Hugo Chávez, se deteriorando ainda mais com Nicolás Maduro. Como a grande potência regional, o Brasil foi omisso e não usou de sua então privilegiada condição para denunciar e tentar dar novos rumos àquela realidade. Agora, sob Temer, lavaram-se simplesmente as mãos e pouco se fez para ajudar o paupérrimo Estado da região Norte, que está longe demais da capital federal. É nítido que Roraima não tem condições de lidar com o problema. A questão é complexa. Mas, certamente, fechar fronteiras, atear fogo em acampamento de imigrantes e expulsá-los a chutes, tiros e pontapés não representa a solução.

Maria Aparecida Pinto é a única negra candidata ao Senado por São Paulo (Foto: Alesp/Divulgação)

Cidade

A média de candidatos negros no Estado de São Paulo é menor do que a média nacional. Entre os paulistas, 72,52% dos 3.737 candidatos são brancos, enquanto os negros são apenas 26,2% dos postulantes paulistas a cargos eletivos. Na análise do Brasil inteiro, 52,78% dos candidatos são brancos, enquanto pretos (como é denominado na pesquisa) e pardos sobem para 46,13%. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral. A maioria dos candidatos paulistas é formada por homens, com 68,1% de representatividade, e exercem as funções de empresário (12,34%) e advogado (7,89%), com índice de curso superior de 54,88%.  Segundo Jacqueline Quaresemin, especialista em opinião pública, o Congresso tem um perfil de branco, rico e conservador, mas não se deve usar isto para um embate entre o branco rico e o negro pobre. Ela avalia que isso se trata de uma questão histórica, com grandes famílias que sempre tiveram recursos e que continuam a se perpetuar no poder, e do interesse de outras classes, como as empreiteiras citadas na Lava Jato, que criam este cenário. “Continuamos em uma visão colonial de classe. Se esse ciclo não for rompido, nada vai mudar”, argumentou. A opinião da especialista vai ao encontro a um estudo dos doutores em Ciência Política Luiz Augusto Campos e Carlos Machado, que concluíram, com base em dados das eleições de 2012 e 2014, que a raça não é o valor determinante para o voto. “A origem da classe [econômica], combinada aos critérios de recrutamento partidário, explicam em grande medida a ausência de não brancos no Parlamento”, afirmam. A Justiça Eleitoral não divulga dados sobre classe econômica.  Mulheres ainda têm menor representatividade A concorrência por uma das 94 cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) é de 22 candidatos para cada vaga. Mas, na atual Legislatura, apenas dez mulheres conseguiram votos suficientes para obter o diploma de deputada estadual, sendo que somentes duas são negras. Para muitas candidatas, o problema maior é consolidar as tarefas familiares, a campanha e o trabalho, uma espécie de tripla jornada, que dificulta a participação feminina na Alesp. Pelo menos é isso que ocorre com a candidata Rute Barbosa (PCdoB), que é mulher e autodeclarada negra. Ela não acha que o fato de ter mais brancos impeça a criação de políticas públicas, mas avalia que existe uma diferença de pensamento. “Quando você tem um entendimento real da situação de um grupo social você tem mais condição de defender as necessidades destas pessoas”, disse. Segundo Rute, o principal problema é a representatividade e, mesmo em um partido de esquerda, é difícil para uma mulher conseguir recursos para financiar a campanha. Já na disputa por uma das vagas no Senado, a psicóloga Maria Aparecida Pinto (MDB), conhecida como Cidinha, é a única negra candidata paulista. 

Candidato do Novo acredita que a máquina pública brasileira está inchada (Foto: Reprodução/Instagram)

Nacional

O Partido Novo foi criado em 2011 com um alinhamento liberal, o que significa menor tamanho da máquina pública, redução de privilégios e de números de políticos e uma maior liberdade para empreender. Apesar de apresentar medidas que muitos eleitores elencam como essenciais, a sigla ainda não conseguiu transformar este ideal em voto, segundo João Amoêdo, pré-candidato à Presidência da República, porque “ainda são desconhecidos”. Na última eleição que participou, em 2016, o Novo elegeu quatro vereadores em cinco cidades que disputou vagas ao Legislativo. Este ano, a sigla, que recusa a utilizar o fundo partidário e eleitoral – que deve esvaziar em R$ 2,5 bilhões os cofres públicos –, concorre com cerca de 300 nomes ao pleito de deputado federal e 130 ao estadual. Seis senadores devem se candidatar pela legenda, que conta ainda com seis postulantes à função de governador. Estes políticos se comprometem em reduzir o número de cargos e até da verba utilizada com despesas pessoais. Os 22 mil filiados do Novo, que passam por uma espécie de processo seletivo, contribuem com R$ 29,90 por mês. Para Amoêdo, a meta é conseguir eleger 30 deputados federais para que o partido tenha corpo e “consiga avançar com propostas de renovação da sigla”. Carioca, executivo do setor bancário e com 55 anos, Amoêdo acredita que a alta burocracia e a falta de competitividade complicam a vida do brasileiro, que arca com uma máquina pública inchada e custosa que pesa cada vez mais no bolso do brasileiro. Com 55 anos, João Amoêdo tem como bandeira a facilitação da vida do empreendedor brasileiro (Foto: Reprodução Instagram) Qual o principal diferencial do Novo para com os outros partidos? Tem vários aspectos: o único partido ficha limpa, o único partido que não utiliza dinheiro público, nem fundo partidário, nem fundo eleitoral. Entendemos que temos que ter mais liberdade econômica para o cidadão brasileiro, que hoje paga impostos demais. Nós queremos desburocratizar, para deixar os pequenos e médios empreendedores crescerem e gerarem empregos. Uma diferença é justamente a defesa que a gente faz mais do cidadão, e não do governo. A privatização de todas as empresas estatais. Nós entendemos que seria um bom sistema para reduzir a corrupção, aumentar concorrência e a qualidade dos produtos. Apesar de falar em cortar gastos, o eleitor brasileiro espera assistência do governo em praticamente todas as áreas. Como o senhor pretende atrair o eleitor? O eleitor brasileiro começou a notar que o Estado cresceu muito sobre a justificativa de que iria nos dar muita coisa e foi ficando menos eficiente, tirando nossa poupança. O Estado deveria se concentrar nas áreas essenciais: saúde, educação básica e segurança. Qual seria o número ideal de ministérios para vocês? A gente trabalha com a ideia de dez a doze ministérios. O Estado brasileiro foi sendo inchado pela necessidade dos políticos de se perpetuarem no poder em troca de cargos, indicações política, e toda essa conta acabou indo para o cidadão brasileiro.  Como você faria para reduzir a dívida pública? A primeira coisa é equilibrar as contas. Mais responsabilidade fiscal, Reforma da Previdência, redução do Estado. Algo que tem que estar claro é que o equilíbrio das contas tem que ser via corte de custos, sem aumento de impostos. No liberalismo do Novo, existe espaço para agências reguladoras? Eu entendo que as principais agências reguladoras são os consumidores em um ambiente de livre mercado. Mas, como não temos este modelo, as agências podem ter o seu papel em alguns setores. No entanto, no período em que existirem, tem que ter uma indicação de cargos técnicos. Nós vimos, recentemente, que elas são aparelhadas politicamente. O MDB lidera estas indicações e as agências acabam se desvirtuando, viram um local de atendimento de demandas e negociações políticas. Amoêdo afirma que agências reguladoras não podem ser balcões de negócios (Foto: Reprodução/Instagram) Mas este comportamento traria um descontentamento de muitos políticos. Como você faria para governar neste meio? O nosso principal desafio é ter um grande aliado: a população. Hoje, existem três grandes grupos que precisamos cortar privilégios e benefícios que são pagos pelo povo cujos recursos deviam ir para áreas essenciais. O primeiro grupo é dos políticos. Tem que acabar com dinheiro público para partidos políticos, reduzir em um terço o número de congressistas e diminuir muito a verba de gabinete e o número de assessores. Quando elegemos quatro vereadores, eles cortaram 39 assessores, ficaram apenas com seis, e cada um faz uma economia de R$ 4 milhões por ano. Interessante lembrar que são quase 58 mil vereadores. Um dado que eu gosto de deixar claro é que o Congresso custa, hoje, R$ 29 milhões por dia. E quais seriam os demais grupos? O segundo grupo é a elite do funcionalismo público que recebe, especialmente, pensões muito elevadas. Um estudo feito pelo Banco Mundial mostrou que funcionários federais recebem 67% a mais que o setor privado. Enquanto na área privada não tem reajustes, na iniciativa pública tem sempre reajuste salarial, pressão dos funcionários e outro ponto, na área privada, se você não tem bom desempenho pode ser demitido, mas no serviço público, não. E o terceiro grupo são setores empresariais que têm grandes benefícios do governo, como taxas de juros subsidiadas e isenção de impostos. Tudo isso cria uma distorção na economia e uma transferência de renda. O Estado brasileiro acaba, no fundo, sendo um grande concentrador de renda, fomentando a desigualdade quando se espera o contrário.   Os bancos hoje cobram juros exorbitantes em seus empréstimos, mas pagam valores risíveis nos rendimentos de investimentos. Como mudar isso? O que eu entendo é que a burocracia e a falta de concorrência favorecem os grandes bancos. Vários bancos estrangeiros que estiveram no Brasil decidiram ir embora, fecharam sua operação. Com mais oferta e mais concorrência você vai conseguir baixar os spreads bancários. E como seria a sua relação com o Judiciário? Eu entendo que temos grandes desafios. Aumentar a independência das instituições para que uma não aumente seu poder sobre a outra. O Judiciário, em alguns casos, age de forma correta, mas no Brasil tudo tem sido muito judicializado.  Este é um problema que tem que ser resolvido. Perdemos produtividade, atrasam processos e acaba trazendo instabilidade quando as regras não são muito claras. Deste jeito é difícil atrairmos investimentos. O Judiciário tem autonomia nos seus salários, então temos que começar dando o exemplo, cortando 50% de assessores, verba de políticos eleitos. Pretendo cortar vários gastos do presidente da República, que custa R$ 560 milhões por ano. Candidato se diz a favor da união homoafetiva e contra o Estatuto do Desarmamento (Foto: Reprodução/Facebook) Você acredita no conceito de meritocracia? Eu entendo que as pessoas têm que ter o reconhecimento pelo trabalho que entregam, independentemente do ponto de largada que elas têm. Pessoas com o mesmo ponto de largada podem ter resultados diferentes. O que falta no Brasil, fundamental na educação básica, é permitir que todas as pessoas tenham alguma formação inicial que as permita ter oportunidades, mas o Estado tem deixado muito a desejar neste quesito. Tem que ter uma avaliação meritocrática que valorize os bons funcionários e substitua os maus. Em temas como união entre casais homoafetivos, liberação de armas e aborto, como você se posiciona? Nos dois primeiros temas sigo o entendimento do partido. Sou favorável à união homoafetiva e contra o Estatuto do Desarmamento. O aborto o partido deixa como uma questão pessoal. Eu, particularmente, sou contra, mas não travaria a pauta no Congresso. O que você melhoria no Sistema Único de Saúde (SUS)? O que precisa fazer é melhorar a gestão. O SUS é importante, tem uma estrutura montada, agora a gente quer melhorar a gestão, melhorar a responsabilidade, incluir tecnologia, marcação de consultas, prontuário eletrônico, tudo sendo integrado. E como seria na questão habitacional? A gente tem que melhorar a renda das pessoas para que elas possam ter a capacidade de comprar suas casas, ter uma estabilidade para financiamento em longo prazo. Existem programas de habitação, mas a gente acaba vendo que eles não funcionam.    

Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 
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É aconselhável ter cautela nas redes sociais (Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas)

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Até a Independência, proclamada por Dom Pedro I, a Justiça brasileira era regida pela Família Real portuguesa (Foto: Divulgação)

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Todos precisam fazer sua parte para que doenças sejam erradicadas e não voltem a aterrorizar crianças brasileiras (Foto: Tomaz Silva/ABR/Fotos Públicas)

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