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Sex, Out

Aos 86 anos, Farias ainda presidia Acadêmia Brasileira (Foto: Divulgação)

Fora dos Trilhos

Quem pensa em Roberto Farias lembra logo do diretor daquele que é considerado o maior filme brasileiro de gênero policial - Assalto ao Trem Pagador. Roberto morreu na segunda-feira, 14, aos 86 anos, e foi muito mais que isso, embora o filme, baseado na realidade, seja de fato um marco do nosso cinema. O cineasta estava internado no hospital Copa Star, em Copacabana, fazendo um tratamento contra um câncer de próstata diagnosticado há cinco anos. O velório de Roberto Farias será na terça-feira, 15, no Memorial do Carmo, e o enterro, em Nova Friburgo.

Nascido em Nova Friburgo em 27 de março de 1932, Roberto Figueira de Farias deixa um legado cinematográfico dos mais consistentes, abrangendo várias fases do cinema nacional. Dirigiu três chanchadas, quatro dramas, um filme com os Trapalhões, uma comédia de costumes (Toda Donzela Tem Um Pai Que É Uma Fera) e um documentário, O Fabuloso Fittipaldi.

Roberto foi também importante gestor do nosso cinema. Presidiu a Embrafilme e o Concine nos anos de chumbo do regime militar. E, por paradoxo, lançou um filme provocativo "Pra Frente, Brasil", em que seu irmão, o ator Reginaldo Faria, interpreta um homem preso por engano e submetido a torturas. Na época, 1982, o tema ainda era tabu e, mesmo tratado com todo cuidado, foi vetado pela censura e provocou a queda do então presidente da Embrafilme, o diplomata Celso Amorim.

Roberto nunca perdeu o gosto pela gestão de instituições: foi um dos criadores e presidente da Academia Brasileira de Cinema, pensada nos moldes da Academia de Hollywood, com a finalidade de promover e premiar a indústria do cinema.
Como costumava dizer, aprendeu cinema na prática, no sistema old school, pré-Cinema Novo, que fazia os aspirantes a cineastas subir degrau a degrau na hierarquia do sistema produtivo até ganhar prestígio para dirigir seu primeiro longa. Roberto foi assistente de direção de uns dez filmes na Companhia Atlântica, até assinar, em 1957, o seu primeiro longa, Rico Ri à Toa. No ano seguinte fez No Mundo da Lua e, em 1961, Um Candango na Belacap.

Iniciou-se no gênero policial em 1960, com Cidade Ameaçada, e, em 1962, lançou Assalto ao Trem Pagador, de fato sua obra-prima. Episódio real do noticiário policial, ganha as telas com interpretações magníficas de Elieser Gomes como o bandido Tião Medonho, Grande Otelo em papel dramático e patético como o alcoólatra do bando, e Reginaldo Faria, interpretando um playboy da zona sul e autor intelectual do golpe. Além das grandes atrizes Ruth de Souza e Luisa Maranhão, amante e esposa como rivais no amor de Tião Medonho. Filme de ação e reflexão, incorpora os elementos sociais ao drama criminoso à maneira dos grandes filmes noir do cinema americano e francês. Só que este é brasileiro e carioca da gema.

O elemento social compareceria também como propulsor de Selva Trágica, de 1963, que denuncia desigualdades brutais no campo. O ambiente é o do cultivo da erva-mate, no qual os homens indefesos são explorados até o limite por uma companhia inescrupulosa.

Roberto exercitou sua veia para o cinema popular na trilogia de Roberto Carlos (Em Ritmo de Aventura, 1968), (O Diamante Cor de Rosa, 1970), (A 300 Km por Hora, 1971). Era homem da indústria, visava ao sucesso de bilheteria e levou essa disposição até aos filmes de fundo social que tratam de temas importantes, mas nem por isso podem se dar ao luxo de desprezar o público.

Nesse sentido filmou um texto nascido clássico de Ariano Suassuna, Os Trapalhões no Auto da Compadecida. E também deu voz ao cansaço nacional com a ditadura nesse filme corajoso e narrado de maneira clara, Pra Frente, Brasil, cujo desempenho foi prejudicado pela censura.

Como quase todo cineasta brasileiro, Roberto sofreu com o desmanche da Embrafilme nos anos Collor e procurou formas de financiamento alternativos naqueles anos duros. Tinha um sonho que deixou irrealizado e sobre o qual conversou longamente com a reportagem na ocasião. Queria filmar a incrível história da passagem de Theodore Roosevelt pelo Brasil, mas a produção seria cara e não saiu. A história será agora filmada por Bruno Barreto em forma de série para uma TV por assinatura.

Com seu talento de criador e inventividade de gestor, deixa uma marca importante no cinema brasileiro. E, sim, Assalto ao Trem Pagador é um filme para sempre. Um clássico.



As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Verdade já não basta para formar a opinião pública, nem é antídoto à desinformação (Foto: Allan White/ Fotos Públicas)

Opinião

Desde 2013, o Ibope realiza a Pesquisa Brasileira de Mídia, a pedido do governo federal. O objetivo é saber por quais meios os brasileiros se informam. Desde o início, o estudo – que é feito nacionalmente e com uma amostra de cerca de 15 mil pessoas, distribuídas por todas as Unidades da Federação – revela a prevalência da TV sobre os demais meios. Mas, desde 2016 (último ano da análise, publicada em 2017) há evidências do avanço da Internet, que se consolidou como o segundo meio de comunicação mais usado (49% da amostragem), ameaçando inclusive a soberania televisiva (89%). A soma é superior a 100% porque se pode indicar mais de uma opção. E as eleições deste ano reforçam o poder da internet e dos meios digitais. Para o bem ou para o mal, estas formas se cristalizaram como o caminho preferido de muitos brasileiros para o consumo de notícias. E não são poucos aqueles que fazem isso de modo exclusivo, bebendo apenas na fonte de sites, blogues, aplicativos e redes sociais. E, ainda que estes não sejam maioria, dedicam mais tempo nestes acessos. Enquanto o tempo médio em frente à TV é de três horas e 21 minutos, entre aqueles que utilizam a web (segundo a mesma pesquisa Ibope) é de quatro horas e 40 minutos, superando seis horas entre o público de 16 a 24 anos. Mais importante que a quantidade de informação disponível na web e redes sociais são a relevância e qualidade do conteúdo oferecido. Evidentemente, no universo digital há muitas empresas e grupos sérios, que primam pela credibilidade do que oferta. No entanto, há um sem número de virulentos guetos, que servem de fábrica para as fake news. Assim, nunca é demais ressaltar que estar na internet, Facebook ou WhatsApp não representa selo de veracidade. Ainda são os meios tradicionais que têm o compromisso com a verdade, por não sair noticiando o que não foi confirmado. Falta isso nos rincões digitais. E até que se separe o joio do trigo, esta revolução representará não um avanço, mas um retrocesso. Nesta nova era, a verdade já não basta para a formação da opinião pública, nem é antídoto à manipulação. Agora se consome aquilo em que se quer acreditar, acriticamente e ainda que falso, desprezando o que vai contra as próprias convicções. A isso se convencionou chamar de “pós-verdade”.

Mais uma pesquisa dá empate técnico entre os dois oponentes (Fotos: Klaus Silva /TJSP/ Fotos Públicas e Reprodução/Twitter)

Cidade

Os candidatos ao governo do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) estão tecnicamente empatados na disputa para o segundo turno, aponta a mais recente pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada nesta quarta-feira, 17. Doria tem 52% dos votos válidos - quando são excluídos os brancos, nulos e indecisos - e Márcio França, 48%. A margem de erro é de três pontos porcentuais. É a primeira pesquisa Ibope para o governo de São Paulo neste segundo turno das eleições 2018. Se considerados os votos totais, Doria tem 46% das menções e França, 42%. Eleitores que declaram a intenção de votar em branco ou nulo são 10%; 2% não sabem ou preferiram não responder. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 17 de outubro. Na intenção de voto espontânea, na qual os eleitores manifestam sua preferência antes de ler a lista de candidatos, Doria aparece com 28% das intenções de voto, também empatado tecnicamente com França, que tem 26%. Neste caso, os indecisos são um quarto dos entrevistados. Outros 15% manifestam a intenção de votar branco ou nulo, e 6% disseram nomes diferentes, que não estão na disputa. A rejeição de Doria é a maior - 32% apontaram que não votariam nele de jeito nenhum. A de França, que vinha se mantendo baixa no primeiro turno - subiu e agora está em 20%. No dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno, era de 9%. Também chama a atenção a quantidade de eleitores que não os conhecem - 18% disseram não conhecer Doria o suficiente para opinar. No caso de França, o número é de 28%. A pesquisa ouviu 1.512 votantes e a margem de erro estimada é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança utilizado é de 95% - esta é a chance de os resultados retratarem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob o protocolo Nº SP-07777/2018 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo Nº BR-BR-07265/2018.

Vice de Haddad, Manuela d'Ávila é uma critica do machismo (Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Opinião

Confesso que essa batalha do #elenão e #elesim algumas vezes me deixa confuso. Afinal, quem é o seu “ele não”? Ou o “ele sim”? Parece que as pessoas têm medo de falar esse nome que supostamente não pode ser dito. Vejo um enorme questionamento sobre machismo. Geralmente, quem fala isso é uma mulher. Vi, inclusive, a vice do Haddad criticando o machismo e em uma certa frase ela usou a palavra feminismo três vezes. Eu fico confuso: o machismo é proibido, errado, questionado, uma coisa que deve ser totalmente excluída da sociedade, mas o feminismo radical pode? Sempre fui a favor dos direitos iguais. Há dez anos, quando ganhei a guarda definitiva do meu filho, defendia essa postura sem hipocrisia. Eu acho que não existe nenhuma diferença entre homem e mulher. Se fosse há 2 mil anos, quando tudo era à base da força física, faria sim diferença em uma caça, batalha, onde era necessário usar espada, ou armadura pesada para defender uma civilização. Mas hoje, você precisa de uma espada para decidir alguma coisa? Não, uma caneta decide. As mulheres são atuantes nas universidades e ocupam altos cargos. Sei que ainda existe diferenciação, fruto de uma cultura absurda, subdesenvolvida. Afinal, a mulher é tão capaz quanto o homem, e o contrário também, e ambos podem sozinhos gerir uma família, assim como aconteceu comigo. Eu administro as tarefas de ser pai, empresário, profissional e empreendedor. Fiquei com nosso filho porque chegamos a um acordo, o que não significa que eu, naquela situação, era melhor ou pior do que a mãe dele. Quem questiona o machismo, assim como quem questiona o feminismo ou a homossexualidade é tão preconceituoso ou mais do que aquele que está só externando a sua possibilidade ou vontade política. Essa campanha #elesim e #elenão, vou fazer isso ou vou fazer aquilo, é desgastante. Meu filho tem 12 anos e eu o criei sem a ajuda de ninguém, absolutamente sozinho, nem minha família tão pouco a da mãe dele. Sempre eu e ele a vida inteirinha. Basta a gente querer, e deixar o preconceito de lado. Daniel Toledo é Advogado especializado em direito internacional, consultor de negócios e sócio fundador da Loyalty Miami

Em uma disputa acirrada, França e Doria tentam colar suas imagens a Bolsonaro (Fotos: Klaus Silva /TJSP, Fernando Frazão/ABR e Marcos Corrêa/PR

Opinião

Bolsonaro nada de braçada no Estado de São Paulo onde, segundo a última sondagem do instituto Paraná Pesquisas tem quase 70% das intenções de voto do eleitorado local. Daí não ser surpresa o fato de tanto João Doria (PSDB) quanto Márcio França (PSB) desejarem e precisarem dos votos dos correligionários do capitão reformado para vencer a disputa ao Palácio dos Bandeirantes. França até que saiu na frente nesta disputa particular, ao obter de primeiro momento o apoio do futuro senador Major Olímpio (PSL), simplesmente o mais bem votado para o cargo em todo o País. Também obteve a preferência do Major Costa e Silva (DC), aliado de Bolsonaro e quinto colocado na disputa estadual. Mas Doria reagiu rápido. Primeiro atraiu o PRTB, partido do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, e, em seguida, buscou uma aproximação direta com o próprio presidenciável, ao tentar um encontro com ele no Rio de Janeiro. Embora não tenha sido recebido, o ex-prefeito paulistano saiu de lá com um excelente recorte de uma declaração mais ampla do pesselista, que logo passou a ser usada na campanha do tucano. “Eu sei que ele (Doria) é uma oposição ao PT. Somos oposição ao PT. E eu sei que o outro lado, o França, tem o apoio velado do PT. Então, no momento eu desejo boa sorte ao Doria”, disse Bolsonaro, depois de destacar sua neutralidade na disputa paulista. França até que tentou descolar a eleição no Estado da polarização nacional, mas sem sucesso. Mas, por fim pode ser sugado pelo sentimento anti-PT que varre o País. Enquanto busca se afastar do seu vínculo histórico, seu adversário faz questão de explorá-lo. Com isso, as propostas vão ficando em segundo plano, mascaradas por ataques e tentativas de defesa de ambos os lados. Desta forma, segundo o Paraná Pesquisas, os dois estão em situação de empate técnico (52,3% de Doria contra 47,7% de França), inclusive com rejeição similar (39,8% contra 37%). Diante de linha tão tênue entre a vitória e a derrota, pode ganhar mais votos aquele que mais endurecer o discurso, ainda que, contraditoriamente, em um momento em que o presidenciável do PSL busca mais equilíbrio em suas falas. Ainda assim, quem conseguir convencer essa parte do eleitorado paulista que pode jogar no mesmo time do ex-militar do Exército certamente não ficará de urnas vazias.
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Decisão do STF preserva direito de trabalho à grávida, mesmo se ela desconhecer a gestação (Foto: André Borges/Agência Brasília/Fotos Públicas)

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