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Ovos desenhados eram presentes para as crianças (Foto: Lucas Dantas)

Fora dos Trilhos

Conforme a Páscoa se aproxima, as discussões sobre os ovos de chocolate e quanto daria para comprar em barras com o mesmo valor são recorrentes. Mas se você questionar um pastor, uma antropóloga e um teólogo sobre qual o significado desta data, a resposta será unânime: comemorar a ressurreição de Jesus Cristo.

Então por que esta relação entre Páscoa, coelhos e ovos? Segundo o teólogo Maurício Zágari, depois que o cristianismo deixou de ser perseguido – graças a um documento assinado pelos imperadores Constantino (do Ocidente) e Licínio (do Oriente), no ano de 313, em Milão (daí o nome Édito de Milão) –, muitos dos costumes de povos pagãos foram adaptados aos cultos cristãos.

“O ovo é um símbolo que representa a fertilidade. Isso vem de muitos séculos antes do nascimento de Cristo, de povos pagãos agrícolas”, explicou o teólogo. Zágari ressaltou que era típico de alguns povos pintar ovos com cores alegres durante a passagem do Inverno para a Primavera. A professora de Antropologia do Mackenzie, Lidice Meyer Pinto Ribeiro, afirmou que o costume de quebrar ovos e jogar ao solo, como símbolo de fertilidade, é comum até hoje em algumas regiões do Sul do Brasil.

A ideia mais próxima do ovo de Páscoa de chocolate vem da França. “As pessoas que trabalhavam com as mãos, podemos dizer que eram confeiteiros, pegavam os ovos de galinhas e enchiam de chocolate para presentear alguém”, afirmou Zágari. Segundo a professora Lidice, “rapazes e moças que iam estudar na França conheceram estes costumes e começaram a trazer para o Brasil”, ressaltou.

Com a consolidação deste costume o comércio viu uma oportunidade de fazer dinheiro e começou a comercializar o ovo de chocolate. Já sobre o coelho, não há uma relação histórica. Trata-se apenas de outro símbolo de fertilidade. “O animal que devia representar a Páscoa, na verdade, é o cordeiro. Por isso, a igreja nunca cristianizou o próprio coelho”, ressaltou a antropóloga.

“Esses símbolos não têm nada a ver com a Páscoa dos judeus e a ceia do Senhor. Vem das mitologias egípcia e grega, simbolizando fertilidade. Claro que o comércio aproveita esses elementos, mas nada tem a ver com Israel ou com Jesus”, explicou o pastor Manoel Ramires Filho, presidente da Convenção Batista do Estado de São Paulo. 

Páscoa judaica e cristã

Embora a pronúncia seja igual na língua portuguesa, a Páscoa tem significados diferentes entre os judeus e os cristãos. A Páscoa cristã trata da ressureição de Jesus Cristo, que, segundo a tradição, se deixou sacrificar por amor à humanidade e para redimi-la de seus pecados. Já a Páscoa judaica celebra a libertação dos hebreus da escravidão, no Egito, no ano aproximado de 1440 ou 1280 antes de Cristo.     

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Época da Páscoa serve de incentivo para consumo de chocolates (Foto: Divulgação)

Saúde

Ele invade as gôndolas de supermercados e lojas nessa época do ano por conta da Páscoa, mas é consumido o ano inteiro por crianças, jovens e adultos. Encontrado em diferentes texturas e formas, o chocolate nunca sai de cena, principalmente de uns tempos para cá, em que as propriedades nutricionais do cacau – matéria-prima para a formulação deste queridíssimo alimento – vieram à tona.

E os benefícios à saúde são muitos, desde que consumidos com moderação. Rico em cálcio, ferro, zinco, magnésio e vitaminas E, B1, B2, B3, B6, B12 e C, ele conta com muitos nutrientes. Enquanto os flavonoides da semente do cacau agem na proteção cardiovascular, na diminuição da pressão arterial e no melhor fluxo sanguíneo, as procianidinas têm propriedades antioxidantes, que auxiliam na redução das cardiopatias e na melhoria da saúde vascular.

Contudo, a quantidade e o tipo de chocolate a ser consumido fazem toda a diferença para que esses benefícios apareçam. “O chocolate amargo [56% a 85% de massa de cacau] possui o maior número de substâncias antioxidantes. Vale ressaltar que o consumo deve ser com moderação”, explica a nutricionista Madalena Vallinoti. De acordo com ela, estudos demonstram que o chocolate escuro (dark chocolate, amargo e extra-amargo), tem efeitos benéficos sobre o metabolismo da glicose, diminuindo os níveis desta importante fonte de energia no sangue. Por outro lado, aumenta a sensibilidade à insulina, reduzindo o risco de diabetes.

No Brasil, o consumo anual de chocolate chega a 2,5 quilos por pessoa. Para aqueles que têm costume de comer a iguaria todos os dias, a recomendação é ingerir, no máximo, dois quadradinhos por dia, de preferência do chocolate 70% cacau. Entre as crianças mais novas, a ingestão de chocolate e derivados não é indicada, sendo liberada a partir dos três anos, desde que seja sazonal.

Para a dermatologista Flávia Guglielmino, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, a regra é: quanto maior a porcentagem de cacau, melhor a qualidade do chocolate. Por isso, deve-se verificar no rótulo do produto a ser consumido a quantidade de cacau, gordura, tipo e quantidade açúcar, além de outros ingredientes.

O açúcar contido no preparo do chocolate, e não o cacau, é o grande vilão quando o assunto é acne. “O chocolate com açúcar pode piorar a acne, não pelo cacau em si, mas pelo açúcar contido”, analisou a especialista.  

Chocolate e suas variações

Amargo: feito com grãos de cacau torrados sem adição de leite. É também chamado de chocolate puro, pois, além do cacau, leva apenas açúcar. Contém de 50% a 75% de cacau.

Extra-amargo: contém em torno de 75% a 85% de cacau. 

Meio amargo: tem na composição 35% a 55% de cacau.

Ao leite: tem em média de 30% a 40% de pasta de cacau acrescido de manteiga de cacau, leite em pó e açúcar. 

Branco: é apenas um composto de  manteiga de cacau, leite, açúcar e lecitina. 

Efeito reverso

Se por um lado o chocolate apresenta tantas características positivas, por outro é preciso ficar atento aos excessos. Por também conter fenilatilamina, que possui efeitos estimulantes, o consumo excessivo, em algumas pessoas pode desencadear problemas como dores de cabeça, enxaquecas, diarreias e irritações na pele, no estômago e na mucosa intestinal. “Deve-se considerar ainda os indivíduos que apresentam intolerância à lactose, cujos sintomas mais característicos são muitos gases (flatulência, ruídos e cólicas intestinais). Estes podem apresentar diarreia e devem evitar o chocolate, principalmente o ‘ao leite’ e o ‘branco’, que possuem açúcares e gorduras na composição”, conclui a nutricionista Madalena Vallinoti.

Fátima faz ovos de chocolate há 20 anos para ajudar a pagar as contas da casa (Foto: Lucas Dantas)

Economia

Ainda que os empregos comecem a ressurgir no mercado de trabalho, o momento econômico não é de se comemorar. Com um pé fora da crise, os paulistanos seguem “se virando” para conseguir complementar a renda de casa. E nada melhor do que aproveitar a época de Páscoa para ganhar um dinheirinho a mais para a família.

Este é o caso da dona de casa Fátima Gedra, 56, que percebeu essa possibilidade há 20 anos. “Sempre gostei de cozinhar, mas para muita gente. Não sei fazer pouca comida”, brincou ela. “Para ajudar a pagar as contas, eu comecei a fazer e vender ovos de Páscoa para os conhecidos e isso se tornou tradição”, disse.

A confeiteira Margot Oliveira Zanzarini, 35, começou a fazer a delícia de chocolate com 15 anos para conseguir um dinheiro extra. Depois de algum tempo, parou. Em 2013, voltou a aproveitar a época. “Minha mãe ficou doente e eu tive filha nesse período, então fiquei afastada do mercado de trabalho e não parei mais de fazer bolos, doces e ovos de Páscoa”, contou.

Formada em gastronomia, Gabriela Ranieri tem apenas 23 anos, mas cozinha como gente grande. “É o meu segundo ano na área e os meus são mais focados em recheio, para comer de colher”, explicou. “Eu gosto de fazer doces, então essa é a época do ano em que eu mais me divirto”, comentou.

Sonho de viajar

A estudante Andressa Gonçalves, 19, sonha em fazer um cruzeiro no Nordeste brasileiro. Para isso, também enxergou uma oportunidade de juntar uma quantia na época do ano em que as pessoas mais compram chocolate. “Eu fiz uma vez em casa, meu namorado tirou foto e colocou no Facebook. As pessoas começaram a me chamar e pedir outros recheios”, disse. “As receitas que eu sigo são da internet. Teve uma moça que comentou que o ovo de Páscoa que eu fiz tinha gosto de infância e eu me derreti”, brincou.

Trabalho duro para atingir a perfeição

Todas as entrevistadas concordaram que fazer ovos de Páscoa caseiros dá um pouco de trabalho. “Mexer com chocolate é complicado”, disse Fátima. “Tem que cortar, derreter, fazer o processo de temperagem para ele não se desmanchar com facilidade. Não dá para cozinhar com muito calor, porque não dá certo”, explicou Gabriela.

 E os vizinhos adoram o cheiro que sai da cozinha delas. “Nunca ninguém reclamou”, falou, aos risos, a gastrônoma. “Fica um cheiro maravilhoso de chocolate. Meus dois filhos vivem aqui na cozinha, pegando um pedacinho, uma trufinha”, concluiu a dona de casa.

Aprenda a fazer um ovo comum

Para fazer um ovo de Páscoa, segundo o site Panelaterapia, o primeiro passo é ter uma forma do tamanho que você quer que o ovo fique. No caso desta receita, rende 250 gramas. Para isso, são necessários 340 gramas de chocolate ao leite ou meio amargo.

Deve-se picar o chocolate em pedaços pequenos e derreter cerca de três quatros deles. Pode ser no micro-ondas ou em banho-maria. Misturar o restante do chocolate picado. Essa é a famosa temperagem, para que o ovo não derreta depois.

Quando o ovo esfriar, em temperatura ambiente, coloque duas colheres de sopa do chocolate na cavidade da forma e, com as costas da colher, espalhe do centro para as bordas. Bata levemente o fundo da forma para retirar as bolhas. Vire a forma para escorrer o excesso. Limpe as bordas, deite a forma e leve ao congelador ou freezer por cinco minutos.

Em cima dessa camada, coloque mais duas colheres de chocolate e repita os passos anteriores. Deixe por mais 10 minutos no congelador e ele se soltará naturalmente da forma.

Brinquedo dentro de ovo de Páscoa é estratégia de empresas para atrair crianças (Foto:Lucas Dantas)

Economia

O chocolate já foi o grande atrativo da Páscoa para as crianças. Atualmente, elas preferem os brinquedos e brindes escondidos dentro dos ovos do que o doce em si, embora a junção dos dois seja uma combinação ideal para atraí-las.

A professora Tatiane Bergamo tem dois filhos e quatro sobrinhos pequenos. Enquanto pesquisava os valores dos pedidos feitos pelos filhos, ela contou que, este ano, se surpreendeu com o menino de dez anos, que pediu um ovo de KitKat. Já a garota de nove anos deu à mãe opções de ovos com bonecas ou com um copo de canudo especial. “Ano passado eles pediram o ovo de Páscoa do Kinder Ovo. Como todo brasileiro, acabei deixando para a última hora, mas consegui comprar”, contou a professora.

Para o professor de marketing Alencar Gomes Júnior, da Faculdade Estácio de Sá, ao incluir o brinquedo no ovo de chocolate, a empresa cria um valor agregado ao produto. Segundo o especialista, além do atrativo, hoje as empresas investem ainda na tecnologia para prender os clientes.

“Temos ovos de Páscoa que, além do brinquedo, oferecem um aplicativo exclusivo que leva a um jogo, um quadrinho ou outra interatividade do tipo que vai criando um vínculo entre marca e cliente. Esta é uma das apostas das marcas para o futuro”, explicou o professor.

Na opinião de Gomes Júnior, mesmo adultos e adolescentes podem se ver tentados a adquirir um ovo com um preço mais salgado por conta da surpresa. “As marcas apelam para personagens, séries, desenhos que marcaram época exatamente para estreitar este laço com o comprador”, concluiu o professor. 

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Presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a decisão pelo Twitter (Foto: Divulgação)

Mundo

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou há pouco a indicação do embaixador Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. Diplomata há 29 anos, Araújo é diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Bolsonaro anunciou a indicação por meio de sua conta no Twitter. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje”, escreveu o presidente eleito, classificando o diplomata como um “um brilhante intelectual.” Com o novo anúncio, sobe para oito os nomes confirmados para a equipe ministerial do governo eleito. Alguns escolhidos atuam diretamente no governo de transição. Nas declarações públicas, Bolsonaro avisou que pretende reduzir de 29 para de 15 a 17 o número de ministérios, extinguindo pastas e fundindo outras. A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

"Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares", disse o presidente eleito (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Saúde

O governo cubano informou nesta quarta-feira, 14, que está se retirando do programa social Mais Médicos do Brasil após declarações "ameaçadores e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou mudanças "inaceitáveis" no projeto do governo. O convênio com o governo cubano é feito entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "Diante desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim comunicou a diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", anunciou a entidade em um comunicado. Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 11 mil médicos cubanos que trabalham hoje no Brasil depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa "à revalidação do diploma", além de ter imposto "como via única a contratação individual". O programa Mais Médicos tem 18.240 vagas em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras. Quando são abertos chamamentos de médicos para o programa, a seleção segue uma ordem de preferência: médicos com registro no Brasil (formados em território nacional ou no exterior, com revalidação do diploma no País); médicos brasileiros formados no exterior; e médicos estrangeiros formados fora do Brasil. Após as primeiras chamadas, caso sobrem vagas, os médicos cubanos são convocados. "Não é aceitável que se questione a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, presta serviços atualmente em 67 países", declarou o governo. "As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificados em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa", informou em nota o Ministério da Saúde. De acordo com o governo cubano, em cinco anos de trabalho no programa brasileiro, cerca de 20 mil médicos atenderam a 113.539 milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios. "Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história", disse o governo. Segundo o governo de Cuba, mais de 20 mil médicos cubanos passaram pelo Brasil e chegaram a compor 80% do contingente do Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff. Cuba anunciou que manteria o programa depois do impeachment da ex-presidente petista, apesar de considerar o afastamento um "golpe de Estado". Bolsonaro critica Cuba O presidente eleito Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a decisão do governo cubano.  Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável! — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

e temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", questionou Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Nacional

O presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta quarta-feira, 14, que quer preservar o meio ambiente, mas "não dessa forma que está aí". Ele culpou políticas ambientais e indigenistas pelo atraso de algumas regiões do País e disse que "o índio quer ser o que nós somos". Bolsonaro citou como exemplo a situação de Roraima, que disse ter potencial para ser "o Estado mais rico do Brasil". "Se não tivesse problemas ambientais e indigenistas, tinha tudo para ser Estado mais rico do Brasil. Esse é um problema que temos que resolver. O índio quer ser o que nós somos, o índio quer o que nós queremos. Se temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", declarou Bolsonaro . Durante reunião com governadores, em Brasília, Bolsonaro contou que está na iminência de anunciar o nome do seu ministro do Meio Ambiente e afirmou que "não será o que dizem". Lembrou, ainda, que desistiu de fundir a pasta com a Agricultura por orientações do setor produtivo.

Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

Opinião

A solução dos problemas começa com um diálogo franco e aberto. Daí ser louvável a reunião agendada para hoje, em Brasília, entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e os 27 novos governadores do País. Todos eles têm um grande desafio pela frente, mas, evidentemente, se trabalharem em parceria, e não boicotando o que pode ser bom para o Brasil, haverá grande chance de que os remédios necessários sejam encontrados e o trabalho seja bem feito. Os futuros chefes do Executivo estadual têm muito a contribuir com o presidente eleito. E, politicamente, também têm muito a ganhar, quando o projeto deste novo Brasil der certo. Percebe-se que, aos poucos, as nuvens negras de uma campanha desgastante vão se dissipando, a razão começa a prevalecer e, ao invés de torcer contra, é cada vez maior o número daqueles que preferem alimentar a esperança que a descrença. Aliás, uma célebre frase do escritor latino Públio Siro, diz que “quem perdeu a confiança não tem mais o que perder.” A hora não é para isso. Na verdade, o momento pede que se dê crédito aos novos condutores da Nação e que se guardem as pedras previamente preparadas para serem jogadas na vidraça. E muitos dos novos governadores estão dispostos a ajudar Bolsonaro, inclusive na aprovação da reforma da Previdência, essencial para o ajuste das contas públicas do País. Por sua vez, a maioria das Unidades da Federação também está com suas contas no vermelho, por gastarem mais do que arrecadam, e esperam suporte da União para manter a máquina funcionando. Relatório do Tesouro Nacional, por exemplo, apontou que 16 Estados mais o DF descumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal no ano passado, ao destinar mais de 60% da receita para o pagamento de salários e aposentadorias. Assim, sobra cada vez menos para serviços básicos, como segurança e educação. Os problemas são complexos, daí a necessidade do diálogo e da busca por novas perspectivas. E a reunião de hoje em Brasília, com Bolsonaro e os governadores, oferece exatamente esta oportunidade. Desde agora, a capacidade de cada um deles estará colocada à prova, mas já começam bem, buscando o apoio e o entendimento mútuo, ao invés da divisão pura e simples. No final, quem ganha mesmo com isso é o Brasil e os brasileiros. Ainda bem!
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Sucesso do agronegócio é fundamental para a economia brasileira e a geração de empregos (Foto: Antonio Costa/Fotos Públicas)

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Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

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Tentaram boicotar até um programa que visa a ajudar crianças com deficiência física, o Teleton, apenas por que Sílvio Santos agradeceu e enalteceu o presidente eleito (Foto: Reprodução/SBT)

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O uso de bicicletas reduz problemas na Mobilidade e na Saúde, como a diminuição da poluição (Foto: Rovena Rosa/Ag Brasil/Fotos Públicas)

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