Uruguaio Arrascaeta marcou o primeiro gol do Cruzeiro no Maracanã (Foto: Reprodução/Instagram)

Futebol


Organizado, coeso e eficiente, o Cruzeiro surpreendeu o Flamengo no Maracanã na noite desta quarta-feira e abriu boa vantagem no primeiro jogo das oitavas de final da Copa Libertadores. Com gols de Arrascaeta e Thiago Neves, o time mineiro derrotou o rival carioca por 2 a 0 e ficou muito confortável para decidir a vaga em casa no jogo da volta.

O Cruzeiro sobrou no Maracanã e dominou boa parte da primeira partida do mata-mata. O que se viu foi um time maduro, inteligente, compacto e eficaz, que implementou com precisão a estratégia do técnico Mano Menezes do começo ao final do jogo. Ao contrário do Flamengo, que, nervoso, se mostrou uma equipe frágil e deu os espaços que o rival queria para sair de campo com a vitória. Além disso, o time de Barbieri sentiu demais a ausência de Lucas Paquetá, suspenso, que deu lugar ao jovem Jean Lucas. O garoto teve má atuação e recebeu algumas vaias da torcida.



Os dois gols saíram de contra-ataques rápidos que foram iniciados a partir da pressão na saída de bola do Flamengo, que falhou demais individual e coletivamente, permitindo que os jogadores mais talentosos do Cruzeiro tivesse o tempo e o espaço necessários para construir as jogadas dos gols. O primeiro, logo aos seis minutos, saiu dos pés de Arrascaeta, com a tranquilidade de um centroavante ao bater na saída de Diego Alves. O segundo foi marcado por Thiago Neves, em lance de oportunismo, ao desviar chute forte de Lucas Silva já na etapa final.

O jogo da volta que define quem avança às quartas de final está marcado para o dia 29 deste mês, às 21h45, no Mineirão, em Belo Horizonte. Antes disso, os times se reencontram no domingo, às 16 horas, no Maracanã, em duelo da 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Com a ótima vantagem adquirida no Maracanã, o time mineiro pode até perder por 1 a 0 que segue no torneio continental. O Fla precisa vencer por três gols de diferença ou devolver o placar da ida para levar a decisão da vaga às penalidades.

O JOGO - O inteligente Cruzeiro neutralizou o que o Flamengo tem de melhor no primeiro tempo e levou a melhor entre as propostas apresentadas. A estratégia de Mano Menezes, que consistia em marcação em cima da saída de bola para reduzir os espaços do adversário e contra-ataque rápido e, acima de tudo, bem organizado, foi cirurgicamente bem implementada pelos jogadores em campo.

Na frente, a organização do time mineiro, aliada à técnica do quarteto ofensivo e às falhas da retaguarda do time rubro-negro fez a diferença para o placar sair do zero.
Depois de alguns minutos de estudo e pouca ação, o Cruzeiro abriu o placar na primeira oportunidade que teve.

Aos nove minutos, Robinho girou dentro da área e encontrou Arrascaeta nas costas da zaga. O uruguaio, completamente livre, dominou e concluiu no canto direito de Diego Alves com a calma e a frieza de um camisa 9. O gol cedo facilitou a manutenção do plano de jogo da equipe mineira e deixou o Flamengo nervoso e exposto.

O time carioca passou a dar espaços, sobretudo pelo lado esquerdo da defesa. Foi por ali que Arrascaeta arrancou e teve todo o tempo necessário para acionar Robinho em velocidade na segunda trave. O meia tocou de primeira, ajeitando para Thiago Neves, que, quase debaixo do gol, fechou os olhos no cabeceio e mandou no travessão, perdendo um gol incrível.

Acuado e sob pressão, o Flamengo errou demais, tanto defensivamente quanto no momento ofensivo. Facilmente desestabilizado, os flamenguistas erraram passes fáceis no meio-campo e, carente do talento e da criatividade de Paquetá, tomaram decisões erradas quando subiam ao ataque. No lance de maior perigo, Uribe desviou escanteio na primeira trave e obrigou Fábio a ser ágil em sua defesa.

Na etapa final, a superioridade do Cruzeiro foi ainda maior. Enganou-se quem pensou que o Fla voltaria melhor e mais tranquilo. Barbieri até tentou mudar o panorama, colocando Vitinho e o menino Lincoln em campo. Em um time desorganizado e desestabilizado como poucas vezes se viu nesta temporada, os dois, porém, pouco produziram.

O que surtiu efeito foi a entrada de Raniel na vaga de Barcos. O jovem cruzeirense entrou disposto a incomodar a defesa flamenguista e quase marcou em chute de longa distância, que passou rente à trave direita de Diego Alves. Quem balançou as redes foi Thiago Neves. O meia, bem colocado, desviou arremate forte de Lucas Silva dentro da área aos 32 minutos e aumentou o placar. No lance, valeu a pressão dos cruzeirenses para roubar a bola de Cuéllar e ter calma e qualidade até chegar ao gol.

O prejuízo do Flamengo poderia ter sido ainda maior se não fosse Diego Alves. O goleiro foi decisivo e defendeu as conclusões de Raniel e Rafinha em contra-ataques rápidos conduzidos por Arrascaeta nos descontos. O uruguaio, em noite inspirada, deixou os dois companheiros na cara do gol.

No final, vaias da torcida rubro-negra, que entoou o tradicional "time sem vergonha", além de pedir raça e comprometimento aos jogadores.

BOCA EM VANTAGEM - Em outro duelo das oitavas da Libertadores nesta quarta-feira, o Boca Juniors, da Argentina, venceu o Libertad, do Paraguai, por 2 a 0, na Bombonera, em Buenos Aires. Ramon Ábila foi o nome do jogo.

Ex-Cruzeiro, o centroavante fez o primeiro gol e deu assistência para Zárate, em sua estreia pelo Boca, marcar o segundo e definir o placar que coloca o time argentino em boa condição. O confronto da volta será no dia 30 deste mês, às 19h30, no Defensores del Chaco, casa do Libertad, em Assunção, no Paraguai.


FICHA TÉCNICA:

FLAMENGO 0 x 2 CRUZEIRO

FLAMENGO - Diego Alves; Rodinei (Pará), Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Jean Lucas (Vitinho), Éverton Ribeiro e Marlos (Lincoln); Uribe. Técnico: Maurício Barbieri.

CRUZEIRO - Fábio; Edilson, Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Robinho (Rafinha), Thiago Neves (Ariel Cabral) e Arrascaeta; Barcos (Raniel). Técnico: Mano Menezes.

GOLS - Arrascaeta, aos nove minutos do primeiro tempo. Thiago Neves, aos 32 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Cuéllar (Flamengo); Thiago Neves, Robinho (Cruzeiro).

ÁRBITRO - Nestor Pitana (Argentina).

RENDA - R$ 3.273.749,00.

PÚBLICO - 41.533 pagantes (45.967 no total).

LOCAL - Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).

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Apodi domina bola observado por rival do Nacional (Foto: Sirli Freitas / Fotos Públicas)

Libertadores

A Chapecoense começou a segunda fase preliminar da Copa Libertadores da pior forma possível. Quarta-feira, 31, na Arena Condá, em Chapecó (SC), o time catarinense foi derrotado pelo Nacional, do Uruguai, por 1 a 0, e se complicou na briga por uma vaga na terceira e última etapa eliminatória antes da fase de grupos do torneio continental.

O time brasileiro precisa de uma vitória por, pelo menos, dois gols de diferença para avançar na próxima quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), no estádio Centenário, em Montevidéu. O time catarinense até se classifica com uma vitória por um gol desde que marque mais de uma vez (2 a 1; 3 a 2; 4 a 3 e etc.). Os uruguaios jogam por qualquer empate.

Em falha grotesca da Chapecoense, o Nacional abriu o placar aos 28 minutos do segundo tempo. Bergessio escapou pela esquerda e cruzou rasteiro. A bola passou pelo goleiro Jandrei e pelos zagueiros Fabrício Bruno e Douglas e sobrou limpa para Romero rolar para o fundo das redes.

 

Atleta deve ser inscrito no Paulista e Libertadores, mas não jogará clássico contra o Palmeiras (Reprodução/Instagram)

Futebol

O Corinthians anunciou a chegada do lateral esquerdo Sidcley, de 24 anos, que atuava pelo Atlético-PR, até o final do ano. Pelo atleta, o Timão cedeu, também por empréstimo, o volante Camacho ao time paranaense.

Capixaba, Sidcley, curiosamente, vai disputar uma vaga na equipe titular com Juninho Capixaba, que chegou do Bahia em janeiro. O atual camisa 6 corintiano falhou no último jogo, contra o Red Bull, quando chegou a fazer o gol contra que deu o empate ao time de Campinas.

Com o anúncio nesta sexta, o Corinthians deve inscrever Sidcley no Campeonato Paulista e na Taça Libertadores. No entanto, o atleta não será relacionado para o clássico contra o Palmeiras, neste sábado, 24, em Itaquera. Além do Atlético-PR, o lateral passou por São Caetano e Catanduvense. Foi campeão paranaense em 2016.

Guilherme Romão, até então reserva de Juninho Capixaba e titular na estreia do Timão na temporada contra a Ponte – jogo em que foi expulso -, foi emprestado para o Oeste.  

Atleta foi o principal responsável pela classificação do Vasco (Foto: Reprodução/ Facebook)

Futebol

O goleiro uruguaio Martín Silva evitou um vexame histórico para o Vasco, na noite desta quarta-feira, 21, em Sucre.

Pelo segundo mata-mata da Pré-Libertadores, o time carioca havia vencido o boliviano Jorge Wilstermann por 4 a 0, em São Januário, na semana passada. No entanto, perdeu pelo mesmo placar na Bolívia e precisou dos pênaltis para avançar à fase de grupos da competição continental.

Nas penalidades, Martín Silva brilhou e defendeu três cobranças. Após a atuação de gala, o uruguaio foi “transformado” em santo, herói e até ministro da defesa na web. Confira as imagens:

Martin Silva Reprodução Facebook

(Foto: Reprodução/Facebook)

Até o canal Fox Sports se rendeu aos "milagres de San Martín".

Martin Reprodução Facebook

(Foto: Reprodução/Facebook)

Martin Vasco Reprodução Facebook

(Foto: Reprodução/Facebook)

 

Atacante marcou 10 gols pelo ABC em 2018 (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)

Futebol

O Corinthians anunciou na manhã desta quarta-feira, 21, a contratação do atacante Matheus Mathias, de 19 anos. 

O atleta, revelado pelo ABC, do Rio Grande do Norte, é o artilheiro da temporada no Brasil, com 10 gols marcados. O vínculo do jogador com o Timão vai até 2022.

“É uma emoção que não tem explicação. Espero fazer o que eu vinha fazendo e dar muita alegria para a torcida”, disse Matheus ao site oficial do clube.

Nesta terça-feira, 20, o Corinthians apresentou o volante Ralf, multicampeão pela equipe entre os anos de 2011 e 2015. Na segunda, o clube oficializou a chegada do zagueiro Marllon, ex-Ponte Preta.

 

 

Defensor atuava pela Ponte Preta e fez gol no Corinthians na final do Paulista - 2017 (Foto: Daniel Augusto Jr./ Agência Corinthians)

Futebol

O Corinthians oficializou na manhã desta segunda-feira (19) a contratação do zagueiro Marllon, ex-Ponte Preta. Ele assinou acordo para defender o seu novo time por quatro temporadas. O atletar de 25 anos já vinha realizando atividades físicas no CT Joaquim Grava, em São Paulo, e dependia apenas de ser aprovado nos exames médicos para ser confirmado como reforço

O Corinthians pagará R$ 1 milhão por 50% dos direitos econômicos do atleta, que pertenciam ao Cianorte, do Paraná. Revelado pelo Cruzeiro, o jogador comemorou o acerto enquanto assinava os papéis de seu contrato.

"Torcida corintiana, estamos juntos! Estou bastante feliz e mais motivado ainda para vestir essa camisa. Pode ter certeza de que vou dar a minha vida por este clube", afirmou o jogador, por meio de um vídeo reproduzido pelo Corinthians em sua página no Twitter, rede social na qual o atleta também aparece em outra publicação vestindo o uniforme da equipe.

Carioca, Marllon tem 1,86m de estatura e em sua carreira profissional atuou por Cruzeiro, Bangu, Flamengo, Duque de Caxias, Boavista, Rio Claro, Santa Cruz, Capivariano, Atlético Goianiense, Cianorte e Ponte Preta. Os seus principais títulos foram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, conquistado com o time flamenguista, em 2011, e a Série B do Brasileiro de 2016, pelo Atlético-GO, quando também foi eleito o melhor zagueiro daquela edição da competição.

Instalação é feita para atletas treinarem em melhores condições (Foto: Marivaldo Oliveira/AE)

Cidade

O muro de vidro, de 2,2 quilômetros de extensão, que deverá liberar a visão para a Raia Olímpica da Universidade de São Paulo (USP), na Marginal do Pinheiros, está em fase final de construção e deve ser entregue até o fim de março. Nos próximos dias, a atual mureta de concreto deverá ser demolida.


Onde hoje fica a mureta de concreto começará a ser instalada uma calçada verde, com gramado entre as pistas da Marginal, sentido Interlagos, em um trabalho de paisagismo. Haverá um recuo entre a nova mureta transparente e as faixas de rolamento. O vidro é temperado, com dez milímetros de espessura e película de proteção.


O projeto foi apresentado em junho do ano passado. Em maio, inicialmente, a gestão João Doria (PSDB) havia proposto uma grade, mas foi levantado o problema de aumento de barulho e poluição do ar para os atletas que usam a raia. A solução foi a mureta de vidro, orçada em R$ 15 milhões, com custo pago por 12 empresas privadas – entre operadores de saúde e instaladores desse tipo de mureta

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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