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Sex, Nov

Politica

Manifestantes se reuniram na tarde deste sábado, 20, para protestar contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro. Assim como ocorreu durante os atos no primeiro turno, os participantes carregavam faixas e entoavam o coro "Ele, não", campanha que ganhou força nas redes sociais e motivou protestos em diversas cidades do Brasil e até em outros países. As principais concentrações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Neste domingo, 21, estão programadas manifestações em todo país contra o comunismo e o retorno do PT à presidência.

Em São Paulo, a manifestação lotou o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. A multidão chegou a extrapolar a área da praça e ocupou totalmente os dois sentidos da via, na região central da capital. Ao som de tambores, centenas de pessoas gritavam "Ele não!", "Ele Nunca!" e "Ele Jamais", em referência ao candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, informou a Agência Brasil.

Faixas de diversas cores e tamanhos se posicionavam contra as declarações do presidenciável consideradas ofensivas às mulheres, aos homossexuais e negros. Também podiam ser vistas bandeiras de centrais sindicais e partidos políticos em meio à multidão.

Rio de Janeiro

Manifestantes se reuniram na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro. O protesto foi organizado pelo grupo Mulheres Contra Bolsonaro e ocupou a praça em frente à Câmara Municipal.

O movimento exibia placas e cartazes de pessoas que representam a luta pelos direitos humanos. Houve homenagens à vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março, e ao ativista cultural negro e fundador do afoxé Romualdo Rosário da Costa, 63, o Moa do Katendê, morto em um bar de Salvador após defender seu voto em Fernando Haddad (PT) no primeiro turno.

Brasília

Na capital federal, o protesto teve faixas e gritos contra o fascismo, a ditadura e as fake news de WhatsApp. Além disso, diversos militantes usaram cartazes em favor da candidatura de Fernando Haddad (PT) e sua vice, Manuela D'Ávila (PCdoB).

O protesto começou por volta das 16h na Rodoviária do Plano Piloto, região central da capital federal. De lá, os manifestarem marcharam, pelo Eixo Monumental, até a Fundação Nacional das Artes (Funarte). A caminhada interditou três faixas de rolamento, sob escolta da Polícia Militar do Distrito Federal. Segundo os organizadores, o movimentou reuniu aproximadamente 10 mil pessoas, enquanto que a PM-DF fez uma estimativa de 6 mil pessoas presentes.

Durante o ato, os manifestantes entoaram o já conhecido grito de "Ele, não" contra Bolsonaro, mas também pediram "ditadura nunca mais" e "livros, sim, armas, não", em referências às propostas de flexibilização do Estatuto do Desarmamento, do presidenciável do PSL.

Os militantes também usaram faixas e cantos para questionar a ausência de Bolsonaro nos debates televisivos. Dirigentes de campanha do presidenciável declararam nesta semana que o candidato não irá a nenhum dos embates previstos pela emissora.

Em razão disso, em diversos dos momentos da manifestação, o grupo cantou: "O Bolsonaro, vem debater, na UTI, no hospital ou na TV". Com camisetas e faixas vermelhas, os participantes também se manifestaram a favor de Haddad. "Eu 'tô' com ele, eu 'tô' com ela, segundo turno é Haddad e Manuela", repetiram em coro.

A manifestação ainda teve a participação de Arlete Sampaio, deputada distrital eleita pelo PT-DF. Ela subiu ao carro de som para chamar de "aberração" a proposta de Bolsonaro de oferecer ensino fundamental à distância no País. "Estamos virando o jogo. Nós não podemos deixar o Palácio do Planalto ser ocupado pelo fascismo", afirmou.

Porto Alegre

Em Porto Alegre, o ato ocorreu no Parque da Redenção, região central da cidade, e teve a presença da candidata a vice na chapa de Fernando Haddad (PT), Manuela D'Ávila (PCdoB).

A manifestação seguiu os moldes do ato "ele não" que ocorreu no dia 29 de setembro. A partir das 15h, pessoas ligadas a movimentos sociais e a partidos políticos falaram em cima de um carro de som. "Ele não" e "no domingo Bolsonaro vai cair" foram as palavras mais entoadas pelos presentes.

Manuela chegou às 17h e foi recebida com aplausos e aos gritos de "Manu no (Palácio do) Jaburu". Em seu discurso, a deputada estadual gaúcha falou sobre as acusações de que empresas pagavam para disparar mensagens no WhatsApp contra o PT. "Nós vimos que a construção do ódio e da intolerância na sociedade brasileira, a partir das notícias falsas, tem origem no dinheiro sujo daqueles que querem que Bolsonaro seja eleito presidente", disse.

A candidata pediu para que os militantes "levem ao povo o escândalo" das mensagens e criticou Bolsonaro. "Serei resistência, levando as denuncias gravíssimas sobre esse deputado incompetente que mamou 26 anos no Congresso Nacional e nunca aprovou um único projeto", afirmou Manuela.

Depois dos discursos, a organização promoveu uma caminhada por ruas da região central da capital gaúcha.

Belo Horizonte

Com a maior parte formada por eleitores do PT e presença de blocos de carnaval, milhares de pessoas participaram na capital mineira da manifestação "Todos pelo Brasil", organizada por sindicatos e representantes de partidos de esquerda e de movimentos sociais. A Polícia Militar de Minas Gerais não divulgou projeção de participantes na manifestação, que teve concentração na Praça Sete e seguiu em passeata para a Praça da Estação, ambas na Região Central de Belo Horizonte.

A maior parte das bandeiras e faixas no ato era do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, e de movimentos sociais ligados à comunidade negra e gay.

Com o aumento do apoio de evangélicos à candidatura do rival de Haddad no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL), cartazes com frases que remetiam a Jesus Cristo foram colocados no local de concentração da manifestação. Alguns diziam " Jesus não apoia racismo" e Jesus não apoia tortura".

O ato em Belo Horizonte ocorre sem incidentes de gravidade. Em apenas um momento no trajeto entre a Praça Sete e a Praça da Estação, no cruzamento da Avenida Amazonas com a Rua Espírito Santo, motoristas que esperavam a manifestação passar para prosseguir começaram a gritar o nome de Bolsonaro. Neste momento dois guardas da Polícia Militar se colocaram entre os motoristas e não chegou a ocorrer confronto.

Segundo Tiago Colares Porfírio, de 36 anos, que trabalha em um clube de Belo Horizonte, sua presença na manifestação tinha como objetivo "mostrar que estava do lado de um projeto democrático". "É pra deixar claro que nós nos importamos com a preservação dos direitos das mulheres, das cotas raciais e a demarcação das terras indígenas. Bolsonaro ameaça tudo isso", disse.

Ao longo da passeata, os manifestantes gritavam o nome de Haddad e cobravam a presença de Bolsonaro nos debates da televisão. Outra participante do ato, a professora de ensino fundamental das redes municipal de Belo Horizonte e do Estado de Minas Gerais, Cynthia Conceição Rodrigues Alves, de 40 anos, disse que, apesar da vantagem de Bolsonaro nas pesquisas, milhares de pessoas não concordam com isso. "Bolsonaro foge dos debates. Bolsonaro é o candidato do fake news", afirmou.

Salvador

Em Salvador, o ato organizado por movimentos de esquerda contou com a presença do senador eleito pela Bahia e coordenador político da campanha de Haddad, Jaques Wagner. Segundo ele, o capitão reformado do Exército "é um criminoso" e um "clássico valentão, que é retado quando está em turma, mas quando está sozinho se esconde debaixo da cama".

Para Wagner, a campanha de Bolsonaro, denunciada por ter recebido apoio de empresários no envio de notícias falsas em massa contra o PT, "está contaminada por um crime eleitoral grave, que é o financiamento empresarial de campanha e a omissão desse gasto".

Wagner, que andou no meio dos manifestantes pelo centro da capital baiana, ao lado do ex-presidente da Petrobras e coordenador-geral da campanha de Haddad José Sérgio Gabrieli, disse ainda que a Justiça Eleitoral e a sociedade brasileira "não se prepararam para lidar com os fakes", em referência à proliferação de notícias falsas.

Além de Wagner e Gabrielli, secretários do governo Rui Costa (PT), reeleito no primeiro turno, e lideranças partidários de PT, PCdoB, PSOL, PSTU e PSB estiveram na manifestação na capital baiana. A concentração, que aconteceu na praça do Campo Grande, reuniu 3 mil pessoas, de acordo com a PM, e 15 mil, segundo os organizadores.

O ex-ministro defendeu que "o Brasil não pode ser manipulado a partir dos Estados Unidos, da Macedônia, seja lá para onde for, através de milhões e milhões de mensagens que espalham mentiras para tentar ganhar uma eleição".

"Se for isso, a democracia brasileira está fortemente ameaçada", alertou o ex-governador, que chamou Bolsonaro de "pastel de vento sem conteúdo". "Tem uma quadrilha de empresários com ele, com os condutores da campanha dele, que estão trabalhando em cima da ingenuidade do povo, às vezes na confusão. Mas a gente está conseguindo cada vez mais desmentir ele, mostrar que ele é um mentiroso", afirmou o líder petista baiano.

"A única forma que ele tem é a da mentira. Ele é uma mentira, ele não diz nada sobre nada. Se você perguntar o que ele pensa sobre economia, educação, ninguém nunca ouviu nada. Até sobre segurança, o programa dele é uma bobagem", afirmou.

Para o ex-governador, a avaliação da reta final da campanha petista é "positiva". Ele citou pesquisa Vox Populi que mostra o ex-prefeito de São Paulo aproximando-se de Bolsonaro e disse que está sentindo "um processo de despertar".

De acordo com Wagner, "as variações (identificadas em pesquisas) apontam nesse sentido, com Haddad subindo e o outro (Bolsonaro) descendo".

"Cada evidência de que ele é uma farsa, de que ele é uma mentira, de que ele é um Pinóquio, eu acho que mais gente vem para o lado de cá", avaliou o articulador político do candidato do PT ao Planalto.

O ato foi encerrado no Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador, após seguir pelo Corredor da Vitória, área mais nobre da cidade, e pela orla marítima.
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Apresentador nega que irá se candidatar, mas as pesquisas são favoráveis (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

“Não sou candidato a porcaria nenhuma. Sou ligado a um partido, mas dou a minha palavra que não vou concorrer a nada”. A frase é do apresentador José Luiz Datena, nome conhecido da TV brasileira, atualmente filiado ao Partido Republicano Progressista (PRP). Ele chegou a ser sondado e desistiu de disputar a Prefeitura paulistana em 2016, e, desde então, é visto como um potencial concorrente a qualquer cargo eletivo.

Por enquanto, tudo não passa de rumores, mas as pesquisas de intenção de voto podem fazer o jornalista, nascido em Ribeirão Preto, mudar de opinião. Segundo a última sondagem do Instituto Paraná Pesquisas (IPP), Datena lidera a corrida ao Senado, com 42,4% das intenções de voto, contra 33,3% do vereador Eduardo Suplicy.

Em algum momento, o apresentador haverá de sair da proteção das sombras e se posicionar de vez sobre a questão. O canto da sereia de pesquisas como a do IPP parece bom demais para ser ignorado pela figura tão polêmica quanto infiel (partidariamente) de Datena. Sim, o ribeirão-pretano, chegou a se filiar ao PT em 1992, pedindo a desfiliação apenas em 24 de agosto de 2015. Em setembro daquele mesmo ano, se vinculou ao PP, de Paulo Maluf, com vistas a disputar a prefeitura de São Paulo. Abriu mão da causa no meio caminho para, exatos dois anos depois, ser abraçado pelos líderes do PRP.
Prestes a completar 61 anos, há muito que o jornalista alimenta o sonho de um projeto político, que pode se concretizar efetivamente este ano.

Certamente, a opção pelo Legislativo – e não pelo Executivo, como ventilado até então – é correta e, a julgar pelos números de agora, tem tudo para ser bem-sucedida. Concorre a seu favor o fato de ser uma figura midiática e conhecida. E isso conta muito, conforme tendência recente em que famosos e celebridades têm tirado os postos de políticos profissionais. Se Datena tem um programa político? Não está claro! Mas ele tem o Brasil Urgente, da Band. Esse detalhe talvez baste para que ele confirme sua vaga no Senado.

O Brasil não se resume apenas a um Estado, tanto da federação quanto de “espírito”. Porém, ultimamente, o mundo da política parece se pautar por temas relacionados unicamente às movimentações palacionas de Brasília (DF), que nada mais são do que disputas pelo poder. É importante acompanhar os bastidores daquele universo paralelo e desconexo da realidade. No entanto, muitas outras situações relevantes para o País ocorrem fora dos limites da capital federal, que vive sob uma simbólica redoma de vidro.

Dali se assiste a toda a articulação de Michel Temer e seus “aliados”, para garantirem a imunidade e a sobrevivência no poder. Para isso, não importa quanto suas ações custarão ao País ou quão danoso este jogo é para a população, que não tem controle sobre aqueles que deveriam representá-la. Um exemplo da pobreza de espírito do Brasil foi a decisão de Aécio Neves em mudar a presidência do PSDB. O tucano – que estava afastado da liderança do partido, depois de ser gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS – reassumiu o cargo na última quinta-feira e, em seguida, destituiu o presidente interino Tasso Jereissati (CE). Para o lugar, foi indicado o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman.

Mas qual a relevância disso para a população? Pode-se afirmar que nenhuma, pois se Aécio tivesse indicado para o lugar de Jereissati uma melancia, não faria nenhuma diferença à Nação. No seu jogo, o que o senador mineiro fez foi garantir quatro ministérios para o seu partido – que podem ser perdidos, caso Jereissati vença as eleições internas do partido, em 9 de dezembro. Dois cenários se apresentam ao PSDB: perder ainda mais sua desgastada força política ou, caso o indicado de Aécio, o governador de Goiás Marconi Perillo, vença, ser coadjuvante do governo Temer. A questão pode definir o futuro do PSDB, mas os dois grupos de tucanos, bicudos que são, não se bicam. Perdem tempo dividindo mais uma vez suas forças e talvez a chance de se apresentarem como opção em 2018.

Jimy Kimmel fez piadas sem graças e ninguém riu (Foto: Reprodução/Facebook)

Fora dos Trilhos

Vivemos atualmente a era da “lacração”. A cultura, o conhecimento, e até mesmo o amor, hoje em dia não representam quase nada frente à nova onda da “lacração”. Domingo foi o dia da cerimônia do Oscar, evento que completou 90 anos, mas que há cerca de dez (chutando baixo), já não representa quase nada além de acordos comerciais, egos inflados, vestidos caros, piadas sem graça e filmes que você vai esquecer logo após o fim da premiação.


Evidente que, como em toda competição (que a propósito, na arte não deveria existir), o Oscar sempre causou injustiças. Basta dizer que Kubrick, Hitchcock e até Chaplin nunca receberam um prêmio competitivo sequer, apenas o de “consolação” pelas falhas da Academia.


No passado, quando eu apresentava e escrevia o Cinelândia, um dos pioneiros na TV sobre o tema, cheguei a escrever sobre o Oscar para grandes mídias e até ser convidado a visitar o teatro em Los Angeles e comentar a festa nos telejornais.


Era um tempo em que para se discutir sobre Oscar, você deveria, no mínimo, ter assistido a todos os indicados. Hoje é era dos “palpiteiros” e “lacradores”, todo mundo escreve sobre, fala sobre e até discute sobre, mas sempre nos moldes da “professora” Glória Pires: ninguém viu nada, ninguém entende nada, mas discursa com a arrogância de quem sabe tudo. E o Oscar não vai para Sócrates!


Eu perdi o interesse no Oscar já há alguns anos, mas jamais no cinema. Assisti a todos os indicados este ano, em todas as categorias, mas por paixão. Não vi a cerimônia e nem me arrependo. Pelo que li na mídia, foi tudo óbvio, como previa a cartilha. Um apresentador sem graça (sim, Jimmy Kimmel é apático), que seguiu as regras “politicamente corretas” e hipócritas, contando piadas que ninguém riu, pois hoje até o riso ofende.


A lista de vencedores, ao menos desta vez, teve injustiças menores. A Forma da Água, inspirado em O Monstro da Lagoa Negra (de 1954) com toques de Amélie Poulain, faturou o merecido prêmio da noite. É uma fábula bem contada. Os prêmios de elenco principal e coadjuvante, mesmo eu achando uma injustiça a prodígio Brooklynn Prince ter sido ignorada, foram merecidos. Na categoria animação, Loving Vincent merecia faturar, pois apesar de assumir que sou apaixonado por Viva-A Vida é Uma Festa, o filme tributo ao Van Gogh é superior e inovador, mas não tem o selo Disney, o que pesa muito na Academia.


As principais injustiças da noite foram nas categorias de roteiros. Dois filmes ruins, mas que, pelas regras da “lacração”, somos proibidos de não gostar. Vale lembrar que o vencedor de filme estrangeiro, o belíssimo Uma Mulher Fantástica, tem temática LGBT, mas sem querer “lacrar”. É um filme de amor e respeito. Diferentemente do vencedor do roteiro, sobre envolvimento sexual, nada mais, entre um adolescente e um judeu. Filme sem predicados para premiação, mas que juntou dois temas que a Academia idolatra, sendo assim contemplado.


Eu continuo amando o cinema, mas desprezando suas festas e seus astros egocêntricos fingindo humildade enquanto lamentam-se em rede mundial sobre suas “difíceis” vidas fúteis. O Oscar já teve um peso maior. Hoje é apenas um boneco de pebolim pintado com tinta dourada e entregue pra gente e filmes que você não se lembrará daqui poucos meses. 

Casão cita Panteras Negras, Muhammad Ali e Democracia Corinthiana para justificar sua opinião (Foto: Reprodução/Facebook)

Fora dos Trilhos

O ex-jogador e atual comentarista Walter Casagrande Jr. rebateu o seu companheiro de Globo, Tiago Leifert. Em texto publicado na revista GQ nesta terça, 27, Casão defendeu que atletas se posicionem politicamente durantes eventos esportivos. Uma visão completamente contrária à exposta por Leifert, na mesma publicação, na última segunda-feira, 26. 

Apesar de claramente contrariar o apresentador, o ex-atleta não o citou em nenhum momento em sua coluna. Casão mencionou que participou ativamente do movimento conhecido como “Democracia Corinthiana”, do qual era um dos líderes ao lado de Sócrates, no início da década de 80.

“Hoje, eu não poderia ter feito o que fiz? A manifestação do Corinthians em prol da democracia, assim como os Panteras Negras na Olimpíada de 1968, contribuíram para um mundo melhor”, escreveu Casagrande.

O comentarista, indiretamente, referiu-se ao deputado federal Jair Bolsonaro, que, provavelmente, concorrerá à Presidência nas eleições de outubro. Casão o criticou, sem citar seu nome, por ele apoiar a ditadura militar.

“Lamentar é a solução mais óbvia. Prefiro enfrentar com diálogo. Afinal, esta é a grande conquista da democracia. Foi por isso, para ter liberdade de pensar, falar, vestir-se como quiser, de ter o partido político que preferir e defender as bandeiras em que acreditar que lutamos durante 21 anos. Todas essas manifestações, desde que feitas dentro da lei, com respeito e valores, fazem parte de uma democracia madura”, pontuou Casagrande.

Então, o ex-jogador voltou a falar sobre esporte e política, defendendo que os dois assuntos se misturem. ‘Daí a importância do esporte como palco, sim, de discussões políticas. Por que os atletas deveriam se abster? A democracia dá o direito a donas de casa, cabeleireiros, taxistas, apresentadores de televisão e também a atletas profissionais de se manifestarem politicamente. Faz parte do jogo”, afirmou.

Para justificar sua opinião, Casão recordou o gesto dos americanos Tommie Smith e John Carlos, medalhistas na Olimpíada de 1968, na Cidade do México. Ao subirem no pódio, os velocistas ergueram os braços com os punhos cerrados, gesto característico de membros do Partido dos Panteras Negras, fundado em 1966, nos EUA.

“Mostraram o quão urgente era a discussão sobre o racismo”, avaliou o comentarista, que, também, citou o boxeador Muhammad Ali, morto em 2016. “[...] negou-se a combater no Vietnã justamente por saber o valor que a decisão de um ídolo do esporte teria em torno do debate da guerra[...]”.

Ao contrário de Leifert, Casão mostrou apoio aos atletas que se ajoelhavam durante a execução do hino americano em eventos esportivos, como jogos da NFL e da NBA. O ato era um prostesto contra a morte de negros em ações policiais. O comentarista ainda disse que quem é contra a manifestações de esportistas, possui “ideias reacionárias”.

“Quem proíbe o jogador de participar disso está, indiretamente, apoiando ideias reacionárias.E o caminho é inverso. Em um momento tão polarizado, extravasar isso é essencial. Só com o diálogo chegaremos a algum lugar. Espero que o esporte em geral continue exercendo sua função de servir de palco para ampliar as grandes discussões de um país, do mundo, para além da diversão. Viva a democracia”, finalizou.

 

 

Apresentador causou polêmica com artigo na Revista GQ (Foto: Reprodução/Facebook)

Fora dos Trilhos

O apresentador global Tiago Leifert causou polêmica com um artigo escrito para a revista GQ. Intitulado “Evento esportivo não é lugar de manifestação política”, o texto teve grande repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira, 26.

Leifert começou o texto com o seguinte parágrafo: “Eu não gosto da obrigação de tocar o Hino Nacional antes de eventos esportivos. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior, no mês passado, os caras tocavam o hino inteiro antes do jogo. Tipo cinco minutos de música. Não vejo necessidade, não acho que patriotismo funciona enfiando um hino goela abaixo de torcedores [...]”.

Depois, o apresentador ainda afirmou: “Quando política e esporte se misturam dá ruim. Vou poupá-los dos detalhes, mas basta olhar nossos últimos grandes eventos para entender que essas duas substâncias não devem ser consumidas ao mesmo tempo”.

Em determinado momento, o global relembrou o caso do ex-quarterback (principal posição em um time de futebol americano) do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick. O atleta começou a se ajoelhar durante a execução do hino dos EUA antes das partidas da NFL (National Football League). O ato era um protesto contra as mortes de negros em ações policiais no país.

Alguns atletas, inclusive de outros esportes, começaram a imitar o gesto de Kaepernick. Atualmente, no entanto, o jogador está sem time – mesmo tendo chegado ao Super Bowl em 2013. Na decisão, sua equipe foi derrotada pelo Baltimore Ravens.


“Nos Estados Unidos, Colin Kaepernick, jogador da NFL, a liga de futebol americano, resolveu se ajoelhar durante o hino americano para protestar contra a forma como a polícia trata os negros. Trump ficou pistola, os torcedores conservadores também, considerando um desrespeito ao hino. Independentemente do que você, leitor, ache, Kaepernick está desempregado. Nenhum time quis esse “troublemaker” no elenco. Como eu estava dizendo, quando esporte e política se misturam…”, escreveu Leifert sobre o caso.


O apresentador continuou sua explanação afirmando que esportistas representam clubes e não partidos. “Ele está para entreter e representar até mesmo os torcedores que votam e pensam diferente”, destacou o global, que acrescentou: “É para isso que existe a rede social: ali, o jogador faz o que quiser”.

Críticas

Não demorou muito para internautas criticarem o texto. Alguns apoiaram o apresentador, mas houve mais pessoas que reprovaram o artigo.

Vale lembrar que ele começou a se destacar na TV Globo apresentando o "Globo Esporte" de São Paulo, hoje comandado por Ivan Moré. Depois, Leifert ganhou projeção nacional com o "Central da Copa", durante o Mundial do Brasil, em 2014. Inclusive, o programa voltará a ser exibido neste ano, por causa da Copa da Rússia, com o próprio apresentador.  

 Além de comandar atrações esportivas, Leifert participou do "É de Casa". Atualmente, ele está no "Big Brother Brasil", "The Voice Braasil" e "Zero1".  Abaixo, veja alguns tweets de usuários que não gostaram da posição do global. Leifert não se posicionou em relação às críticas.

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55% dos eleitores querem Dória como candidato do PSDB (Foto:Renato S. Cerqueira/ Futura Press/ AE)

Cidade

Pesquisa divulgada terça-feira, 27, pelo Instituto Paraná aponta que o prefeito João Doria (PSDB), em todos os cenários colocados, como o favorito para suceder Geraldo Alckmin (PSDB). No cenário mais difícil, Doria tem 30,1% das intenções de voto contra 29,1% de Russomanno, o que aponta um empate técnico.

Sem Russomanno na disputa, Doria salta para 39,8% e alcança uma margem de 20,7% de vantagem contra o 2º colocado, o emedebista Paulo Skaf, presidente da Fiesp.


Pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-prefeito Fernando Haddad é o político com mais chances, com 13,4% das projeções de apoio, contra 7,3% de Luiz Marinho, presidente estadual da legenda.

Já o vice-governador Márcio França (PSB), que sonha em se manter no cargo que assumirá em abril, quando Alckmin deve renunciar para disputar a Presidência, atingiu apenas 5,4% das intenções de voto. França chegou a convidar Russomanno para ser vice em sua chapa, com intuito de alavancar a sua imagem.

A pesquisa do Instituto Paraná foi realizada com 2 mil eleitores do Estado de São Paulo, em 84 municípios, entre os dias 20 e 25 de fevereiro, sob registro SP-04361/2018. A margem de erro é de aproximadamente 2%.

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