Famílias deixam de quitar as suas dívidas; além disso, muitas abandonaram a prática de parcelar (Foto: Divulgação)

Economia

Quase 20% das famílias paulistanas estão inadimplentes, ou seja, não conseguiram quitar suas dívidas até a data de vencimento. Segundo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), no mês passado, quase 750 mil lares estavam nessa situação, o que representa 19,2% das quase 3,7 milhões de famílias moradoras de São Paulo.

De acordo com Guilherme Dietze, assessor econômico da entidade, o preocupante é que o índice se mantém estável, enquanto o número de famílias endividadas com cartão de crédito caiu em 70 mil. Ou seja, os paulistanos estão evitando fazer compras de bens duráveis e parcelamentos. “Isso indica que o índice de confiança do consumidor segue baixo.”

Certo é que o endividamento e a inadimplência trazem uma lição para quem passa por dificuldades. Foi o que aconteceu com o editor de vídeos Luiz Henrique Barbosa Almeida, 29, que se enrolou com contas e cartão de crédito há quatro anos. “Cheguei a dever R$ 3 mil, ficou difícil de pagar”, explicou.

Em janeiro de 2015, ele resolveu limpar o nome, negociando as suas dívidas. “Um ano depois, consegui sair da inadimplência e aprendi a pensar antes de sair comprando”, disse. De acordo com a pesquisa, o cartão de crédito é o grande vilão das dívidas, pois representa cerca de 70% delas.

Dicas para fugir dos atrasos

Segundo a orientadora financeira e especialista em Contabilidade, Dora Ramos, alguns passos são essenciais para que as famílias não coloquem o pé na lama e fuja do endividamento. Comprar à vista é o primeiro deles. “Além de criar uma dívida à prazo, utilizando o crédito, corre-se o risco de se enrolar e cair nos juros e taxas que estão cada vez mais abusivos”, disse.

A organização também é eficaz. Colocar todas as despesas na ponta do lápis, neste caso, é muito importante. “As despesas devem ser relacionadas a cada semana, para que, no final do mês, haja um relatório completo”, afirmou. Não abusar das compras, pensar no futuro e poupar são passos enormes para fugir da inadimplência.  

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Desabastecimento prejudicou a economia brasileira (Foto: Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Economia

Após quatro meses de estabilidade, o número de empresas com pagamentos em atraso voltou a acelerar em maio, influenciado pela greve dos caminhoneiros que paralisou o País por mais de dez dias.

No mês passado, 5,5 milhões de companhias estavam na lista de inadimplentes, aponta a Serasa Experian, empresa especializada em informações financeiras. Esse é o maior número de empresas com pagamentos atrasados desde março de 2016, quando o levantamento começou a ser feito.

De janeiro a abril, 5,4 milhões de empresas mensalmente tinham dívidas em atraso. Em maio, mais 100 mil companhias engrossaram essa lista. Em comparação com o mesmo mês de 2017 houve um acréscimo de 400 mil empresas, um aumento de 7,8%. As dívidas com pagamento atrasado também cresceram 4,3% na comparação anual e atingiram R$ 124,3 bilhões.

"A greve dos caminhoneiros impactou as cadeias de produção e as empresas pararam de produzir e vender", afirma o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. Sem girar os estoques, elas ficaram sem capital de giro para honrar os pagamentos das contas básicas e as dívidas com sistema financeiro e fornecedores.

Rabi explica que por esse levantamento não é possível saber qual é o período médio de atraso porque o critério de inadimplência é fixado pelo credor. Isto é, a Serasa Experian reúne numa mesma lista o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) das empresas que deixaram de pagar as contas no prazo, seja com um dia de atraso ou mais de 30 dias, por exemplo.

O levantamento mostra que o aumento da inadimplência foi puxado pelas empresas prestadoras de serviços. No mês passado, essas companhias responderam por quase a metade (48%) das empresas com pagamentos atrasados. Em maio do ano passado, as prestadoras de serviços representavam 46,7% do total de companhias inadimplentes.

Rabi argumenta que o prejuízo provocado pela greve se concentrou no setor de serviços porque ele reúne um número maior de pequenas e microempresas. Normalmente as pequenas e microempresas já enfrentam maior dificuldade de capital de giro e, com a greve, tiveram piora nesse quadro.

Para os próximos meses, a tendência para o calote das empresas não é de estabilização, segundo o economista. Ele argumenta que a situação financeira das companhias está muito ligada ao ritmo e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que pode continuar desacelerando.

Presidente afirmou ter apenas duas escolhas perante imigração de mexicanos (Foto: State Department photo/Divulgação)

Mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu na noite desta terça-feira, 19, aos congressistas republicanos que eles aprovem uma ampla legislação sobre a imigração. Apesar de tratar do tema, o magnata não fez comentários sobre a medida de separação de pais e filhos imigrantes na fronteira com o México. A medida de Trump é tão polêmica que até sua esposa, a primeira-dama Melanie Trump, contestou publicamente.

Sobre a mais recente controvérsia na opinião pública que envolveu o Congresso, Trump falou, segundo um legislador, que o governo "tem de cuidar deste tema". "É muito desagradável, é muito desagradável", teria dito o presidente.

Muitos republicanos compareceram à reunião preparados para pressionar Trump a reverter a política de "tolerância zero", que causou a separação de mais de duas mil crianças de seus pais nos últimos dois meses.

"Certamente queremos apoiar nosso presidente, mas a maioria de nós precisa apoiar nosso distrito primeiro", disse o deputado republicano Mark Meadows, da Carolina do Norte.

A reunião no Capitólio foi originalmente concebida como uma chance de o presidente tratar com os republicanos da legislação sobre imigração - e para que os congressistas expusessem suas preocupações sobre as separações das famílias.

Mais cedo, no entanto, em palestra a empresários, Trump defendeu sua política. "Nós só temos duas possibilidades: fronteiras totalmente abertas ou processo criminal por desrespeito à lei. Preferimos a segunda", afirmou.

O presidente americano disse ainda que deseja que o Congresso "nos dê uma terceira opção".

Também na terça-feira, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell (Kentucky), disse que os republicanos rapidamente elaborariam uma legislação que vise abordar as separações familiares.

O senador republicano John Cornyn, do Texas, disse que pretende apresentar um projeto de lei nesta semana que coloque as famílias detidas em uma instalação "humana" e "segura", enquanto esperam que seus casos sejam processados.

A nova política do governo de deter adultos que tentam atravessar a fronteira sul dos Estados Unidos, que resultou na separação de crianças de pais ou outros adultos, provocou um debate explosivo nos últimos dias na opinião pública americana.

Ao mesmo tempo que democratas e alguns republicanos pediram o fim da política, Trump e funcionários do governo entraram na disputa e procuraram culpar o Congresso por não ter aprovado uma revisão mais ampla da lei de imigração.

A Câmara também está pronta para avaliar duas medidas mais amplas de imigração do Partido Republicano nesta semana.

Os textos abordam questões como segurança nas fronteiras, financiamento para o muro na divisa com o México e uma maneira de proteger os "dreamers", imigrantes indocumentados que foram levados ilegalmente aos EUA ainda crianças. As abrangências das propostas, no entanto, sofre resistências entre os parlamentares. 

Famílias que seriam detidas e separadas, agora continuarão juntas (Foto GUE/NGL/Fotos Públicas)

Mundo

Sob pressão doméstica e internacional, o presidente Donald Trump voltou atrás nesta quarta-feira, 20, em sua política de separar famílias que cruzam a fronteira dos EUA com o México de maneira ilegal. Desde maio, pelo menos 2.300 crianças foram enviadas a abrigos sem a companhia dos pais, algumas das quais ainda bebês ou com poucos anos de idade.

Decreto assinado por Trump determina que todos os integrantes da família permaneçam detidos juntos, enquanto durar o processo criminal contra os adultos, sob acusação de violarem leis migratórias dos EUA. Os procedimentos podem se arrastar durante meses, o que certamente levará entidades de defesa dos direitos da criança a questionar a detenção.

Imagens de menores mantidos em jaulas e a gravação de vozes de crianças que choravam e gritavam por seus pais em abrigos ajudaram a impulsionar a crítica à medida, que se tornou uma das mais impopulares adotadas por Trump desde o início de seu mandato. Integrantes de seu Partido Republicano se declararam contrários à prática e a ex-primeira-dama Laura Bush a comparou aos campos de internamento de japoneses nos EUA durante a 2.ª Guerra - que classificou como um dos mais vergonhosos episódios da história americana.

"Nós vamos ter fronteiras muito, muito fortes, mas nós vamos manter as famílias juntas", declarou Trump, que pressiona o Congresso a aprovar recursos para a construção de um muro na fronteira com o México. "Não gostei da visão ou do sentimento de famílias sendo separadas."

Mas não está claro se o decreto colocará fim à controvérsia. Trump disse que manterá a política de "tolerância zero" de processar todos os imigrantes que entram no país de maneira ilegal. A diferença é que eles ficarão com os filhos enquanto durar o processo. A determinação esbarra em uma decisão judicial que fixa um limite máximo de 20 dias para o encarceramento de imigrantes menores de idade.

Trump orientou o Departamento de Justiça a solicitar a modificação do entendimento ao Judiciário, mas não está claro se o pedido será atendido. O limite decorre de um acordo de 1997, adotado em uma ação iniciada por uma salvadorenha de 15 anos que defendia seu direito de ser libertada. O documento estabeleceu uma série de condições em que isso poderia ocorrer. Em 2014, ele foi emendado com o prazo de 20 dias.

"O governo precisa da autorização do Judiciário para manter as crianças detidas além desse período. Se isso não for obtido, voltaremos ao mesmo lugar", disse Andrew Selee, do Migration Policy Institute. Nesse cenário, Trump teria de decidir entre voltar a separar as famílias ou permitir que todos seus integrantes respondam ao processo em liberdade. A libertação de todos sob fiança era a prática mais comum adotada em governos anteriores.

A outra opção é a aprovação de legislação que proíba a separação familiar. "Nós vamos ao Congresso. Estamos trabalhando em uma projeto amplo", afirmou Trump, em referência a propostas de reforma do sistema migratório que abrangeria o Daca, o programa que suspende a deportação de menores levados aos EUA quando ainda eram crianças.

Na avaliação de Selee, o presidente recuou de sua posição em razão das fortes críticas que recebeu. "Parece que ele concluiu que separar famílias é politicamente impopular", declarou.

O decreto de Trump determina que o Departamento de Defesa use instalações militares para abrigar famílias de imigrantes. Também determina a construção de novas instalações, caso isso seja necessário. Ainda não está definido o procedimento pelo qual as crianças e pais detidos serão reunificados.

O governo Trump criou ao menos três abrigos onde são mantidos bebês e crianças imigrantes menores de 5 anos que foram retirados de seus pais na fronteira dos EUA com o México, segundo reportagem da Associated Press.

Médicos e advogados que visitaram os abrigos no Vale do Rio Grande, no Texas, disseram que as instalações estavam aparentemente limpas e seguras, mas as crianças, que não tinham a menor ideia de onde estavam seus pais, estavam chorando e agitadas. Muitas tinham menos de 5 anos e outras eram tão novas que nem sabiam falar.

O governo, segundo a AP, também planejava abrir um quarto abrigo para receber centenas de crianças em Houston, mas agora não está claro se a abertura de novos abrigos será interrompida. O governo foi criticado por criar novos lugares para manter crianças pequenas, alguns bebês, décadas após orfanatos terem sido eliminados em razão da preocupações sobre o trauma que podem causar a uma criança. "Pensar que vão colocar crianças tão pequenas em um ambiente institucional? É difícil até mesmo conceber essa ideia", disse Kay Bellor, vice-presidente de programas do Lutheran Immigration and Refugee Service.

Edifício na Rua do Carmo não possui acabamento e tem instalações irregulares de água e energia (Foto: Ivo Lindbergh)

Cidade

Mais de 30 famílias que ocupavam um prédio em condições precárias, conhecido como Caveirão, começaram, na quarta-feira, 11, a deixar o imóvel, na Rua do Carmo, próximo à Praça da Sé. Segundo informado pela Defesa Civil, o intuito é evitar uma nova tragédia como a que ocorreu no Largo do Paissandu e vitimou sete pessoas, uma vez que há risco de desabamento no edifício.

A maioria das famílias que mora ali é formada por camelôs que trabalham na praça e que ganham de R$ 30 a R$ 80 por dia com a atividade. Todos eles terão auxílio-moradia pago pela Prefeitura, por pelo menos um ano, no valor de R$ 400, mas afirmaram que este dinheiro não será suficiente para alugar uma casa na região. “A gente não tem pra onde ir e se sairmos daqui ficaremos longe de onde conseguimos trabalhar. Um quarto, aqui na região, custa pelo menos R$ 700”, disse Valéria da Silva Nascimento, 41. Ela morava na ocupação com o esposo, uma filha de 14 anos, a cunhada, a sobrinha de três anos e a sogra. Esperava, no próximo mês, receber um filho cadeirante que não vê há muito tempo.

Efetivamente, o prédio faz jus ao apelido que recebe, de Caveirão, pois a estrutura não possui acabamento e instalações irregulares de água e de luz são feitas para dar condições de moradia para as famílias. Com o curto-circuito que levou ao incêndio e desabamento no prédio do Largo do Paissandu, a Prefeitura começou a vistoriar os prédios ocupados da cidade, cerca de 70. Embora não tenha confirmado quantos edifícios foram visitados, sabe-se que o Caveirão, que possui escadas de madeiras, foi visto com grande potencial para uma nova tragédia.

Desabrigados procuram nova ocupação

Uma senhora de 64 anos, que viveu cinco deles na ocupação, afirmou que não tinha para onde ir e que o dinheiro do auxílio-moradia tinha sido gasto com comida, para ela e para a filha de sete anos. “A gente não quer ficar na rua, vamos ter de procurar outra ocupação, outro lugar para ir”, afirmou. Ela não é única com este pensamento. Muitos dos invasores retiraram materiais como tapumes, espumas, aço e madeira para levá-los para outro lugar. Outra mulher, de 37 anos, que não quis se identificar para que a mãe não a reconhecesse no jornal, afirmou que procurou, mas não achou pensão que aceitasse a filha de quatro anos. 

Combustível é o vilão da inflação (Foto: Fernanda Carvalho / Fotos Públicas)

Economia

A gasolina se juntou aos planos de saúde em janeiro de 2018 no papel de vilões da inflação das famílias de renda mais alta, informou nesta quarta-feira, 21, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao divulgar o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda do mês passado. Mais uma vez, a inflação das famílias de baixa renda ficou abaixo da variação de preços dos mais ricos, desta vez, influenciada pela deflação de 4,7% das tarifas de energia elétrica, que compensou a alta sazonal dos alimentos.

"A alta de 2,4% no preço da gasolina e o reajuste de 1,1% dos planos de saúde fizeram com que as contribuições à inflação dos grupos transportes e saúde e cuidados pessoais fossem mais intensas nas parcelas de maior renda, que são o segmento da população que possui veículos próprios e paga assistência médica", informou o Ipea na sua Carta de Conjuntura.

A inflação das famílias com renda alta registrou variação positiva de 0,36% em janeiro de 2018, acumulando nos últimos 12 meses alta de 3,67%. As famílias de renda muito baixa, no entanto, registraram inflação de 0,23% no mês passado, acumulando em 12 meses alta de 2,09%. Os números são calculados com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, em janeiro.

"Esse resultado de janeiro corrobora um cenário presente em todo o ano de 2017, pontuado por uma desaceleração que, embora tenha ocorrido de modo generalizado entre todas as classes de renda, foi bem mais intensa nas camadas mais pobres", afirma na Carta a técnica de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea, Maria Andréia Parente Lameiras.

A alta dos alimentos teve impacto de 0,30 ponto porcentual (p.p ) nas famílias de renda muito baixa, enquanto o mesmo item pesou apenas 0,14 p.p. para as famílias de renda alta. Os gastos com habitação, onde está inserido o custo da energia elétrica, impactaram as famílias de baixa renda em -0,20 p.p., e as famílias de alta renda em -0,07 p.p.. Já o item transporte, que inclui gasolina, subiu 0,15 p.p. para as famílias de renda muito baixa e 0,23 p.p. nas de renda alta.

Perspectivas

De acordo com Maria Andréia, as expectativas de inflação indicam que, ao longo de 2018, as quedas de preço devem perder fôlego. "A perspectiva é de aceleração moderada das taxas de inflação, decorrente, sobretudo, do comportamento menos favorável dos alimentos. Em contrapartida, a elevada ociosidade da capacidade produtiva, a lenta recuperação do mercado de trabalho e a melhora da ancoragem das expectativas devem propiciar uma comportada trajetória de crescimento de preços", afirmou a técnica do Ipea.

Ela, no entanto, aponta que incertezas do campo político interno e do cenário internacional devem influenciar na consolidação de um ambiente confortável para a inflação em 2018.

"A dificuldade de implementação de uma agenda de reformas e a consolidação de um ambiente de incerteza política, influenciada pelo debate eleitoral, podem gerar impactos desfavoráveis sobre o nível de risco país e, consequentemente, a taxa de câmbio. Pelo lado externo, os canais possíveis de pressão inflacionária são: uma eventual mudança no cenário internacional, atualmente favorável, que também poderia gerar uma depreciação cambial; e uma apreciação maior do que a prevista para as commodities metálicas (aço) e energéticas (petróleo)", avaliou.

Moradores se negam a ir para os centros de acolhimento (Foto: Ivo Lindbergh)

Cidade

A mãe divide a cama com três filhas pequenas em um dos dois cômodos do barraco improvisado de madeira. O pai dorme em cima de um tapete, sobre o chão de terra, e compartilha o espaço com ratoeiras para evitar que os roedores nocivos se aproximem dos moradores.

Esta é a vida da família de José Maria Fleuri Silva dos Santos, 27, o Zé Maria, que deixou o Maranhão ainda aos 17 anos para tentar a sorte em São Paulo. Agora ele faz parte das mais de 250 famílias que compõem a Favela do Cimento, no Viaduto Bresser, próximo à Radial Leste, que em 2012, começou a ganhar seus primeiros barracos.

Ainda dentro do local apertado, o pai deixa no chão um balde, que utiliza como mictório, já que a casa não tem saneamento básico e nem banheiro. Há apenas um “gato” de energia elétrica para ligar a TV de 21 polegadas, de um modelo conhecido como “tubão”.

“Isso não é situação para se viver, mas não tem o que fazer. Quando cheguei a São Paulo acabei virando pai, não consegui emprego e, sem dinheiro, tive que me virar”, explicou Santos.

O maranhanse é catador de sucata, mas boa parte dos moradores desta favela prestam serviço para empresas que montam eventos, entre eles o Lollapalooza, que pagam, geralmente, R$ 50 por 12 horas de trabalho.

Segundo o padre Júlio Lancellotti, da Paróquia São Miguel Arcanjo, estes moradores ainda convivem com a rejeição de quem vive na região e resistem à especulação imobiliária. “Eu já fui ameaçado de morte muitas vezes porque ajudo estas pessoas. Existe um preconceito, como se todos eles fossem bandidos”, desabafou.

As ações para retirar os ocupantes da Favela do Cimento se tornaram mais intensas na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). Os processos, porém, estavam parados, mas foram retomados após um incidente que ocorreu no último dia 19 de junho. Segundo os moradores, a polícia fez uma ação truculenta e, após o ocorrido, os moradores decidiram protestar e tentaram fechar a Radial Leste.

Algumas pessoas que filmaram o ocorrido alegaram se tratar de um arrastão, boato que foi desmentido pela Polícia Militar, mas que chegou à juíza Maria Gabriela Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Ela deu prazo de 20 dias para a Prefeitura de São Paulo fornecer informações a respeito sobre a ocupação em um processo que estava suspenso, a pedido da Prefeitura, para instalação de um Centro de Acolhida Especial.

Um caso sem solução

Questionada sobre a decisão da juíza, a Prefeitura disse que “estuda várias alternativas de abrigo às famílias, optando-se ao final pela instalação de um Centro de Acolhida Especial no bairro do Canindé”. Ressaltou ainda que os moradores da ocupação já rejeitaram outras propostas de moradia. Já a Secretaria de Segurança Pública afirmou que eventuais denúncias ou reclamações sobre a atuação policial podem ser registradas na Corregedoria ou na sede do 45º BPM/M.

 

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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Vale a reflexão sobre o desarmamento no Brasil (Foto: Arquivo/ABR)

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Juntos, os hospitais filantrópicos, como é o caso das santas casas, acumulam uma dívida de R$ 21 bilhões (Foto: Edson Lopes Jr/ (Arquivo) – A2 Comunicações/Fotos Públicas)

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Excessos nas redes sociais podem ser prejudiciais (Foto: USP Imagens/Fotos Públicas)

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Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

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