Fátima faz ovos de chocolate há 20 anos para ajudar a pagar as contas da casa (Foto: Lucas Dantas)

Economia

Ainda que os empregos comecem a ressurgir no mercado de trabalho, o momento econômico não é de se comemorar. Com um pé fora da crise, os paulistanos seguem “se virando” para conseguir complementar a renda de casa. E nada melhor do que aproveitar a época de Páscoa para ganhar um dinheirinho a mais para a família.

Este é o caso da dona de casa Fátima Gedra, 56, que percebeu essa possibilidade há 20 anos. “Sempre gostei de cozinhar, mas para muita gente. Não sei fazer pouca comida”, brincou ela. “Para ajudar a pagar as contas, eu comecei a fazer e vender ovos de Páscoa para os conhecidos e isso se tornou tradição”, disse.

A confeiteira Margot Oliveira Zanzarini, 35, começou a fazer a delícia de chocolate com 15 anos para conseguir um dinheiro extra. Depois de algum tempo, parou. Em 2013, voltou a aproveitar a época. “Minha mãe ficou doente e eu tive filha nesse período, então fiquei afastada do mercado de trabalho e não parei mais de fazer bolos, doces e ovos de Páscoa”, contou.

Formada em gastronomia, Gabriela Ranieri tem apenas 23 anos, mas cozinha como gente grande. “É o meu segundo ano na área e os meus são mais focados em recheio, para comer de colher”, explicou. “Eu gosto de fazer doces, então essa é a época do ano em que eu mais me divirto”, comentou.

Sonho de viajar

A estudante Andressa Gonçalves, 19, sonha em fazer um cruzeiro no Nordeste brasileiro. Para isso, também enxergou uma oportunidade de juntar uma quantia na época do ano em que as pessoas mais compram chocolate. “Eu fiz uma vez em casa, meu namorado tirou foto e colocou no Facebook. As pessoas começaram a me chamar e pedir outros recheios”, disse. “As receitas que eu sigo são da internet. Teve uma moça que comentou que o ovo de Páscoa que eu fiz tinha gosto de infância e eu me derreti”, brincou.

Trabalho duro para atingir a perfeição

Todas as entrevistadas concordaram que fazer ovos de Páscoa caseiros dá um pouco de trabalho. “Mexer com chocolate é complicado”, disse Fátima. “Tem que cortar, derreter, fazer o processo de temperagem para ele não se desmanchar com facilidade. Não dá para cozinhar com muito calor, porque não dá certo”, explicou Gabriela.

 E os vizinhos adoram o cheiro que sai da cozinha delas. “Nunca ninguém reclamou”, falou, aos risos, a gastrônoma. “Fica um cheiro maravilhoso de chocolate. Meus dois filhos vivem aqui na cozinha, pegando um pedacinho, uma trufinha”, concluiu a dona de casa.

Aprenda a fazer um ovo comum

Para fazer um ovo de Páscoa, segundo o site Panelaterapia, o primeiro passo é ter uma forma do tamanho que você quer que o ovo fique. No caso desta receita, rende 250 gramas. Para isso, são necessários 340 gramas de chocolate ao leite ou meio amargo.

Deve-se picar o chocolate em pedaços pequenos e derreter cerca de três quatros deles. Pode ser no micro-ondas ou em banho-maria. Misturar o restante do chocolate picado. Essa é a famosa temperagem, para que o ovo não derreta depois.

Quando o ovo esfriar, em temperatura ambiente, coloque duas colheres de sopa do chocolate na cavidade da forma e, com as costas da colher, espalhe do centro para as bordas. Bata levemente o fundo da forma para retirar as bolhas. Vire a forma para escorrer o excesso. Limpe as bordas, deite a forma e leve ao congelador ou freezer por cinco minutos.

Em cima dessa camada, coloque mais duas colheres de chocolate e repita os passos anteriores. Deixe por mais 10 minutos no congelador e ele se soltará naturalmente da forma.

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Alckmin é o candidato que mais tem batido na polarização (Foto: José Cruz/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

A polarização da disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) nas eleições 2018, indicada pelas recentes pesquisas de intenção de voto Ibope e Datafolha, tem feito adversários subirem o tom contra os candidatos que lideram a corrida em seus programas de TV e rádio. Nos programas que foram ao ar nesta quinta-feira, 20, os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) fizeram ataques diretos a Bolsonaro e Haddad. "De um lado, a turma de vermelho, que quer o fim da Lava Jato para encobrir o maior caso de corrupção da história; do outro, a turma do preconceito, da intolerância e do ódio a tudo e todos", diz o tucano no programa. Alckmin ainda disse que o Brasil já elegeu "um poste vermelho", em referência a Dilma Rousseff (PT), sucessora indicada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que não pode entrar "de novo em uma aventura, de um candidato que se diz o novo", em referência a Fernando Collor (hoje no PTC, que foi presidente pelo PRN). Já Meirelles apostou no discurso de que o Brasil precisa de um governo que imponha confiança. Com recortes de jornais em que mostra notícias relacionadas a Bolsonaro e ao PT, disse que ninguém confia em gente "desequilibrada" ou "corrupta". "Confiança é a chave que abre todas as portas", diz Meirelles. "Quando você pede uma indicação para cuidar dos seus filhos, você pergunta se a pessoa é de confiança. A mesma coisa acontece com o País. As empresas precisam confiar no governo para fazer investimentos, criar empregos. Ou você acha que vão confiar num governo de alguém despreparado, desequilibrado ou corrupto? Claro que não." Terceiro colocado nas pesquisas, Ciro Gomes (PDT) mostrou seu currículo e da proposta de limpar o nome de pessoas negativadas no SPC e Serasa. Atual quinta colocada nos levantamentos, Marina Silva (Rede) falou sobre fazer investimentos na saúde e na educação, ao lado de seu vice Eduardo Jorge (PV).

Mesmo no hospital, presidenciável mantém declarações em tom de campanha (Foto: Reprodução/Twitter)

Opinião

Há exatos 13 dias Jair Bolsonaro foi transferido da Santa Casa de Juiz de Fora (MG) para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Mas, apesar de um susto aqui e outro ali, o presidenciável está bem ativo, como demonstram os boletins médicos e sua assídua presença nas redes sociais. Ontem, o candidato do PSL agiu rápido e buscou contornar uma declaração de Paulo Guedes, seu conselheiro econômico e nome escolhido para ocupar o Ministério da Fazenda, em caso de vitória do ex-militar. Guedes propôs a criação de um tipo de CPMF, a partir da qual o cidadão pagaria uma taxa sobre qualquer movimentação bancária, que seria destinada ao financiamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mas, via Twitter, Bolsonaro destacou que sua equipe “trabalha para a redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos”. O posicionamento do candidato vai ao encontro do que pede a sociedade brasileira, que sente o peso de viver no país com a maior carga tributária de toda a América Latina e Caribe. Em 2016, por exemplo, tudo que as três esferas de governo arrecadaram equivaleram a 32,38% do PIB, depois de subir por dois anos consecutivos. Mas, de fato, o novo presidente terá de encarar a questão fiscal do País, que todos comentam, mas que ninguém até agora conseguiu resolver. E o sucessor de Temer não estará imune a isso, pois herdará uma casa desorganizada. Portanto, a ele caberá construir acordos visando a, entre outras coisas, alcançar a estabilidade fiscal. Aumentar impostos pode ser um caminho necessário e o mais fácil. No entanto, não será possível fechar os olhos a temas espinhosos, como previdência, funcionalismo, salário mínimo e, claro, reforma tributária, que certamente, fazem parte da solução.

Ciro Gomes diz rejeitar estratégia e que o “voto útil é um insulto à experiência popular” (Foto: Leo Canabarro/Fotos Públicas)

Opinião

Em muitas eleições há o candidato ideal e o útil. E, nesta, muitos apostam que, no final, o eleitor que ainda não tem o voto consolidado ou que teme um segundo turno polarizado entre PT e Jair Bolsonaro abra mão da paixão, ideologia, apreço ou preferência por determinado candidato (que não tem chance de vencer) e faça uma escolha estratégica e tática na tentativa de evitar a vitória daquele a quem rejeita. Ciro Gomes disse abrir mão desta possibilidade. Segundo ele, “voto útil é insulto à experiência popular”, e disse querer ser eleito por aqueles que o consideram uma saída para o Brasil e não por quem “não queria votar em outro”. Mas esse não é pensamento do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta atrair o eleitorado de João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e também de Marina Silva (Rede), ao mesmo tempo que faz um chamamento ao voto anti-PT e fustiga a candidatura de Bolsonaro. “A nossa percepção é que Haddad vai para o segundo turno. Já o voto em Bolsonaro não está cristalizado”, disse João Carlos Meirelles, conselheiro próximo de Alckmin, aparentemente alheio às pesquisas, que mostram que os eleitores de Bolsonaro são os mais convictos. Cerca de 70% deles dizem que não mudará sua decisão ou que a escolha é “firme”, segundo o penúltimo Ibope (11 de setembro), número levemente superior ao de Haddad. Mas a estratégia de atacar pesadamente o ex-capitão do Exército e líder nas pesquisas não é consenso nem entre aqueles que conduzem a campanha de Alckmin. Uma ala da coligação quer que os ataques mirem apenas o PT, e não no candidato do PSL. E mesmo Marina briga por seu lugar ao sol. Depois de perder terreno, a acreana vem se colocando como aquela capaz de fazer um governo de transição, com duração de apenas quatro anos e sem direito a reeleição. Se estes discursos vão funcionar é o que se verá nos próximos dias. O certo é que ainda existe um amplo segmento insatisfeito com mais uma eleição marcada pela radicalização e polarização, que sonha com um nome de consenso e capaz de trazer normalidade ao País. Isso seria bastante útil, mas, aparentemente, está cada vez mais difícil.

Candidatos com ideias opostas crescem em pesquisa (Fotos: Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação e Paulo Lopes/AE)

Nacional

O crescimento de Fernando Haddad (PT) na semana que foi oficializado como candidato do PT à Presidência aumentou as chances de um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e o petista, afirma a diretora executiva do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari. Na pesquisa divulgada pelo instituto nesta noite de terça-feira, 18, Haddad cresceu 11 pontos em relação ao levantamento apresentado no último dia 11, indo de 8% para 19% das intenções de voto e se isolando em segundo lugar. Bolsonaro continua liderando o cenário, com 28% - ele tinha 26% há uma semana. "Com esse crescimento de Haddad, a probabilidade de haver segundo turno entre ele e Bolsonaro aumentou significativamente, embora não se possa descartar totalmente outros cenários", disse Marcia Cavallari ao Estadão/Broadcast Político. No cenário em que os dois se enfrentam na segunda etapa da eleição, há um empate: 40% a 40%. O Ibope ouviu 2.506 eleitores de 16 a 18 de setembro em 177 municípios. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09678/2018.
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