Operação foi adiada por 60 dias (Foto: Reprodução/Google Street View)

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O processo de reintegração de posse de um prédio localizado na Rua Sete de Abril, no Centro, ocupado por aproximadamente 95 pessoas, foi suspenso por 60 dias. A decisão foi tomada durante reunião realizada junto ao Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse (Gaorp), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), realizada na segunda-feira, 6.

De acordo com informações divulgadas pela Promotoria, após manifestações do proprietário do imóvel e dos moradores da área ocupada, ficou definida a suspensão do processo por 60 dias para que a Prefeitura atue no sentido de buscar alternativas de aquisição do imóvel pelos ocupantes e a inclusão destas famílias em programas habitacionais de interesse social. Quando o prazo terminar, uma nova reunião será realizada.

Ainda ficou acordado entre as partes que, em 30 dias, o valor do imóvel será atualizado e apresentado à lista de moradores interessados na aquisição, a ser enviada à Secretaria Municipal de Habitação para os devidos estudos.  

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Edifício na Rua do Carmo não possui acabamento e tem instalações irregulares de água e energia (Foto: Ivo Lindbergh)

Cidade

Mais de 30 famílias que ocupavam um prédio em condições precárias, conhecido como Caveirão, começaram, na quarta-feira, 11, a deixar o imóvel, na Rua do Carmo, próximo à Praça da Sé. Segundo informado pela Defesa Civil, o intuito é evitar uma nova tragédia como a que ocorreu no Largo do Paissandu e vitimou sete pessoas, uma vez que há risco de desabamento no edifício.

A maioria das famílias que mora ali é formada por camelôs que trabalham na praça e que ganham de R$ 30 a R$ 80 por dia com a atividade. Todos eles terão auxílio-moradia pago pela Prefeitura, por pelo menos um ano, no valor de R$ 400, mas afirmaram que este dinheiro não será suficiente para alugar uma casa na região. “A gente não tem pra onde ir e se sairmos daqui ficaremos longe de onde conseguimos trabalhar. Um quarto, aqui na região, custa pelo menos R$ 700”, disse Valéria da Silva Nascimento, 41. Ela morava na ocupação com o esposo, uma filha de 14 anos, a cunhada, a sobrinha de três anos e a sogra. Esperava, no próximo mês, receber um filho cadeirante que não vê há muito tempo.

Efetivamente, o prédio faz jus ao apelido que recebe, de Caveirão, pois a estrutura não possui acabamento e instalações irregulares de água e de luz são feitas para dar condições de moradia para as famílias. Com o curto-circuito que levou ao incêndio e desabamento no prédio do Largo do Paissandu, a Prefeitura começou a vistoriar os prédios ocupados da cidade, cerca de 70. Embora não tenha confirmado quantos edifícios foram visitados, sabe-se que o Caveirão, que possui escadas de madeiras, foi visto com grande potencial para uma nova tragédia.

Desabrigados procuram nova ocupação

Uma senhora de 64 anos, que viveu cinco deles na ocupação, afirmou que não tinha para onde ir e que o dinheiro do auxílio-moradia tinha sido gasto com comida, para ela e para a filha de sete anos. “A gente não quer ficar na rua, vamos ter de procurar outra ocupação, outro lugar para ir”, afirmou. Ela não é única com este pensamento. Muitos dos invasores retiraram materiais como tapumes, espumas, aço e madeira para levá-los para outro lugar. Outra mulher, de 37 anos, que não quis se identificar para que a mãe não a reconhecesse no jornal, afirmou que procurou, mas não achou pensão que aceitasse a filha de quatro anos. 

Manifestantes já deixaram o imóvel (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

Manifestantes da Frente Povo Sem Medo, da qual faz parte o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam na manhã desta segunda-feira, 16, o triplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, que motivou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo estendeu faixas dizendo "Se é do Lula, é nosso", "Se não é, por que prendeu?" e "Povo sem Medo".

A ocupação do triplex pelos manifestantes foi anunciada nas redes sociais do líder do MTST e pré-candidato do PSOL à presidência da República, Guilherme Boulos. "MTST e a Povo Sem Medo acabam de ocupar o tríplex do Guarujá, atribuído a Lula por Moro. Se é do Lula, o povo poderá ficar. Se não é, por que então ele está preso?", disse Boulos, repetido os dizeres das faixas dos manifestantes.

Segundo a TV Globo, todos os manifestantes já deixaram o imóvel e causaram danos no local. 

Universitários ocupam PUC desde terça-feira, 22 (Foto: Reprodução/Instagram)

Cidade

Estudantes ocupam desde terça-feira, 22, parte do campus Monte Alegre da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, na zona oeste da cidade de São Paulo. Nesta quarta-feira, 23, um segundo prédio da unidade foi tomado pelos alunos, ligados ao curso de Serviço Social, que reivindicam a inclusão da disciplina "Gênero, Raça e Etnia" na grade obrigatória e a contratação definitiva da professora substituta Marcia Campos Eurico, que é negra.

Pela manhã, a universidade anunciou a suspensão de todas as atividades acadêmicas e administrativas do campus. O Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC São Paulo afirma que a contratação definitiva de Marcia é uma forma de garantir diversidade racial dentro do curso e reverter o "racismo institucional". Segundo o texto, divulgado nas redes sociais, a docente é a primeira mulher negra a lecionar na graduação em Serviço Social.

"Pontuamos, a importância da discussão acerca das temáticas de gênero e raça/etnia como elementos transversais da formação profissional e não somente como eixos opcionais e complementares da questão de classe, como o corpo docente vem pontuando. A discussão de gênero, raça e etnia é essencial para nossa formação profissional, uma vez que essas questões perpassam a nossa categoria, publico usuário e a sociedade como um todo", divulgou o Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC São Paulo (CASS PUC-SP).

Nas redes sociais, estudantes reivindicam a permanência da professora com a hashtag "MarciaFica". Com o mesmo nome, o abaixo assinado virtual "#MARCIAFICA" foi criado há cinco dias e teve 1.656 assinaturas até as 10h desta quarta-feira. O texto está em nome dos "Pesquisadoras(es) Profissionais Docentes em Serviço Social".

Marcia Campos Eurico discursa durante seminário (Foto: Divulgação)

"Relevância"

Por meio de nota, a reitoria da PUC-SP afirmou reconhecer a "relevância das demandas dos alunos do curso de Serviço Social, que incorporam questões acerca da temática racial na Universidade". Segundo o texto, a universidade está elaborando uma "política de cotas étnico-raciais" para a contratação de docentes, que deve ser discutida dentro da comunidade acadêmica em 2018.

"A reitoria reafirma sua disposição em manter o diálogo com os estudantes acerca de suas demandas e reitera a necessidade de que a Universidade retome seu funcionamento normal, uma vez que questões estruturais relativas ao tema continuarão sendo tratadas e implementadas em âmbito institucional", acrescentou.

Doutorado

Na próxima sexta-feira, 25, Marcia Campos Eurico defenderá sua tese de doutorado em Serviço Social, cursado na PUC-SP. O estudo é intitulado "Preta, preta, pretinha: o racismo institucional no cotidiano de crianças e adolescentes negras(os) acolhidos(as)".

Além do cargo temporário na PUC-SP, Marcia é professora na Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS) e tem como principais áreas de estudo "raça/etnia", "adoção inter-racial", "gênero", "saúde da população negra" e "racismo institucional".

Desabrigados ocupam o Largo do Paissandu há mais de 20 dias (Foto: Ivo Lindenbergh)

Cidade

A Prefeitura de São Paulo afirma que a maioria das pessoas que estão no espaço separado por grades, dentro do Largo do Paissandu, não foram vítimas do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, ocorrido em 1º de maio. Elas estariam sendo atraídas pelas doações feitas aos prejudicados. Pelo menos 100 pessoas estão no local.

A Prefeitura afirma que não pode incentivar a continuidade destas pessoas no lugar insalubre e, por isso, não oferece infraestrutura.

De acordo com o Governo, 149 famílias que moravam no edifício foram cadastradas para receber o auxílio-moradia do Governo do Estado, pelo período de 12 meses. O benefício será arcado pelo governo municipal após o fim deste prazo, até que eles sejam atendidos com moradias dignas. 

Um dos líderes da ocupação que está na praça, que se apresentou como Rafael Ribeiro, de 32 anos, conversou com a reportagem do Metrô News, segunda-feira, 21, e chamou de “fraude” o cadastro das famílias feito pela Prefeitura. Na mesma manhã, as Defensorias Públicas de São Paulo e da União entraram com uma ação civil para obrigar o governo municipal a ceder estrutura para os moradores e chegou a indicar três imóveis vazios da região.

Ribeiro já tinha conhecimento da ação civil e afirmou que não recebe auxílio-moradia ou qualquer outro tipo de ajuda da administração pública. “Temos sobrevivido com a ajuda de voluntários”, afirmou. Ele não permitiu ser fotografado, tampouco autorizou que a reportagem conversasse com as mães que estão no local sobre as condições das crianças que dormem naquele espaço. “O que eu disse que acontece com as crianças é o que acontece”, afirmou.  

Ocupantes mostram resistência

Mesmo a madrugada mais fria do ano, registrada na segunda, com temperatura média de 8° C, não amedrontou quem está acampado no Largo do Paissandu. Após mais de 20 dias na área separada por grades, Ribeiro afirmou que os desabrigados vão ficar no local até receberem moradia digna.

Com as doações angariadas, os acampantes construíram uma cozinha improvisada, que foi movida um pouco mais adiante dentro da área de isolamento para evitar a chuva. Era possível ver um estoque de água e até um fogão desgastado, mas que parecia funcionar. Segundo a Prefeitura, cerca de 15 crianças estão no local. Era possível reparar em algumas delas escolhendo roupas cedidas por voluntários.

Os menores são um dos motivos pelos quais os ocupantes afirmam não querer ir para abrigos. “No albergue todo mundo fica separado. Muitas mães têm medo de acontecer alguma coisa com seus filhos e não estar perto para ajudar”, afirmou um dos ocupantes.

A Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania enviou ofício à Promotoria da Infância e Juventude informando as condições de vulnerabilidade dos menores. A Prefeitura espera que o Ministério Público, em conjunto com o Conselho Tutelar e a Justiça, possa facilitar a desocupação do ambiente.

Mortes 

Dois moradores de rua morreram na Capital, na madrugada de segunda. A suspeita é de que os óbitos aconteceram por causa das baixas temperaturas. Um corpo foi achado na Rua General Jardim, no Centro, e o outro na Avenida do Rio Pequeno, Zona Oeste.

Segundo o Estado, 163 famílias foram afetadas pela ação (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cidade

A Justiça de São Paulo cumpriu nesta segunda-feira, 16, mandado de reintegração de posse de nove imóveis na região da Cracolândia, na região central da capital paulista. De acordo com o governo do Estado, 163 famílias são afetadas pela ação.

A quadra 36, como ficou conhecido o local, foi desapropriado pelo Estado para abrigar a nova sede do Hospital Pérola Byington. Na sexta-feira, 13, a Justiça determinou a reintegração de nove imóveis. A ordem de despejo foi marcada para a manhã desta segunda-feira, 16.

A quadra fica entre as alamedas Glete e Barão de Piracicaba, Avenida Rio Branco e Rua Helvétia. Segundo o governo, neste domingo, 15, foram cadastradas 52 famílias. Outras saíram ao longo da semana e restam dez famílias no local. Entre os endereços, estão um casarão tombado na esquina da Avenida Rio Branco, um prédio de três andares, um ferro velho e casas.

A Secretaria da Habitação informou que todas as famílias dos imóveis ocupados vão receber auxílio aluguel de R$ 1,2 mil no primeiro mês e R$400 nos demais, até que as unidades habitacionais sejam entregues. As pessoas removidas assinaram um termo antes de sair, segundo a pasta.

O comerciante Porfírio Rabaça Valente, de 90 anos, morava havia mais de três décadas em um dos apartamentos reintegrados pela Justiça na Alameda Glete. "Me avisaram só ontem (domingo). Foi uma correria para tirar tudo", diz ele. "Além disso, não acho justo o valor que me deram de indenização. Vale mais do que me deram".

Segundo ele e o genro, o técnico de informática Emiliano Santos, que acompanhou o cumprimento do mandado com o parente, o Estado indenizou em R$ 134,9 mil, mas o imóvel vale mais que o dobro.

No prédio onde Porfírio morava, outras cinco famílias residiam de aluguel e também foram retiradas. No casarão da esquina da Alameda Glete com a Avenida Rio Branco, nove famílias que ainda não foram cadastradas pela Prefeitura de São Paulo permanecem no local, de acordo com o advogado Thiago Nascimento.

Em 2013, o governo entrou com uma ação pedindo a reintegração de posse da quadra. Apesar de a juíza Alexandra Fuchs, da Central de Mandados, ter determinado a suspensão de todas as remoções da quadra 36 com base em pedido do Ministério Público, o governo do Estado recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu manter a ordem de despejo das famílias marcada para a manhã desta segunda.

Neste domingo, caminhões de mudança e vans da Construcap, empreiteira que irá construir o novo prédio do hospital, estavam no local para transportar as dezenas de famílias que viviam nos imóveis. Elas foram desalojadas mediante o pagamento de três meses de auxílio-moradia (R$ 1,2 mil). Elas continuarão recebendo mensalmente R$ 400 até a entrega de um imóvel definitivo.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, 163 famílias que viviam no local foram cadastradas no sistema de habitação da cidade. No início da tarde, ao menos duas famílias ainda não haviam saído dos imóveis. Nos locais deixados pelas famílias, operários ergueram paredes de alvenaria para impedir o retorno da ocupação.

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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