Índice de vacinação na Capital está abaixo do ideal (Foto: Camila Domingues/Arquivo Palácio Piratini)

Cidade

A Prefeitura de São Paulo está preocupada com o aumento do número de casos de sarampo pelo País. O problema, porém, ainda não atinge a cidade, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Para a coordenadora do Programa Municipal de Imunizações da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), Maria Ligia Nerger, é importante a cidade manter os olhos abertos. A meta de imunizar 95% das crianças não é atingida desde 2015: os índices giram por volta de 85%.

“A cobertura vacinal é importante porque mantém uma barreira para que o vírus não circule. Na cidade de São Paulo, há risco porque recebemos pessoas de diversos locais do mundo e, sem a meta de imunização, o vírus pode aproveitar as brechas”, disse a especialista.

A campanha de vacinação contra a poliomielite e o sarampo será realizada no município no período de 6 a 24 de agosto. “É importante levar as crianças para o posto de saúde”, afirmou.  

Surtos em Roraima e no Amazonas

Atualmente, o País enfrenta dois surtos de sarampo, em Roraima e no Amazonas. Ambos são frutos de outra epidemia, ocorrida na Venezuela, que faz divisa com os dois Estados. Há também casos confirmados no Rio Grande do Sul e em Rondônia. A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Saúde para esclarecer se houve alguma notificação de sarampo, mas não obteve retorno. 

Doença pode ter complicações graves

O sarampo é uma doença viral aguda com alto potencial de transmissão e que pode resultar em complicações graves, como pneumonia, encefalite, otite média, entre outras. O quadro clínico é caracterizado por febre alta, manchas vermelhas no corpo, tosse, coriza e conjuntivite.

A doença tem transmissão respiratória, que ocorre por meio das secreções expelidas ao tossir, espirrar ou falar.  

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Novo, Bruno Covas tem o desafio de dialogar com a Câmara (Foto: Dario Oliveira/AE)

Opinião

A cidade está sob os cuidados de um novo gestor, mas, até prova em contrário, a gestão é a mesma. O agora prefeito de São Paulo, Bruno Covas, vem de uma caminhada política meteórica e, aos 38 anos – completados um dia depois de sua posse – ganhou de presente o maior desafio da carreira.

Ao assumir a chefia do Executivo paulistano, no lugar de João Doria, se comprometeu a levar adiante questões empenhadas pelo seu antecessor, como a aprovação da polêmica reforma da previdência municipal, sob a justificativa de equilibrar as contas da Prefeitura. Outra missão é concluir a licitação do transporte público, que tem valor estimado em R$ 140 bilhões – o maior da história, e que valerá por 20 anos.


Tudo isso exigirá muita energia de Covas. Mas, jovialidade não lhe falta, afinal é apenas o segundo prefeito mais novo a assumir a cidade, aos 37 anos, 11 meses e 28 dias. Mais precoce do que ele só Paulo Maluf, e isso por nomeação, durante a ditadura militar. O perfil do novo administrador é mais político, uma vez que vem de uma trajetória como deputado (estadual e federal), além de ter ocupado, de 2011 a 2015, o cargo de secretário estadual do Meio Ambiente. “Sou um homem do diálogo e vou buscar dialogar até com a oposição”, assinalou.


E irá precisar mesmo, para poder conduzir a cidade para o rumo certo. Para isso, sabe que terá de estreitar sua relação com a Câmara. Afinal, o sucesso do seu governo passa por lá, mediante a construção de uma base sólida e do apoio do Legislativo. São apenas 33 meses de desafio até o fim deste mandato, daí ter pressa, como ele mesmo disse.

Se der certo, sairá bem maior do que é hoje. Por enquanto, ao nome do prefeito é ainda preciso associar a explicação de que é “neto do ex-governador Mário Covas”. Mas, a julgar pelo percurso que já trilhou em tão pouco tempo de caminhada, não será surpresa se demonstrar fôlego para ir mais longe do que seu antepassado. Assim, quem sabe, em um futuro incerto, as coisas mudem definitivamente de lugar e Mário Covas seja lembrado simplesmente como “O avô de Bruno Covas”.

Doria deve se candidatar ao Governo de São Paulo (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo)

Opinião

O prefeito João Doria, embora ainda mantenha silêncio sobre a questão, está de partida precocemente da prefeitura de São Paulo. O caminho que pavimentou lentamente, e de forma muito bem pensada, pode – se tudo sair como planejou – levá-lo do Palácio Anhangabaú, sede do poder Executivo paulistano, para o Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador deste Estado. Desta forma, em se confirmando, a Capital deve se preparar para mudanças, ainda que sutis, nos rumos da sua administração pública.


Doria terá até 7 de abril, conforme prescreve o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para abrir mão do seu cargo atual, para o qual foi eleito em primeiro turno com 3.085.187 votos. Passará a batuta para seu vice, Bruno Covas. Assim, o neto do ex-governador Mário Covas poderá vir a ter dois anos e oito meses à frente da Prefeitura da maior cidade do País. Já o futuro do atual mandatário dependerá do resultado das urnas. Se for bem-sucedido no pleito estadual, sentará na cadeira que hoje é ocupada pelo seu padrinho político, Geraldo Alckmin. Se não for, não poderá reaver a Prefeitura, conforme a reza a lei eleitoral, e terá de repensar sua trajetória política.


A pergunta que parte da população deve fazer é se a esperada troca de cadeiras no Executivo municipal é boa ou não para a cidade. Teoricamente, pelo fato de o partido de prefeito e vice ser o mesmo – o PSDB – não deve haver descontinuidade das políticas públicas. Afinal, boa parte dos cidadãos se sentiria traída se, a esta altura do “campeonato”, fossem colocadas em prática mudanças que fogem ao programa de governo escolhido por ela durante a eleição de 2016. Mas, inteligente que é, o jovem Covas sabe muito bem disso e já conta os dias para herdar aquilo que lhe é de direito. A julgar por sua bem-sucedida trajetória, tem potencial para tirar proveito de sua nova posição, trabalhando duramente para valorizar seu passe e projetar seu nome. Quem sabe, na hora certa e com a sensação de dever cumprido, deixará o prédio ao lado do Viaduto do Chá para voos ainda mais altos.

Parque de iluminação pública corre risco de ficar sem responsável pela manutenção (Foto: Leon Rodrigues/Secom)

Cidade

Com o fantasma que continua a assolar o contrato da parceria público-privada (PPP) pela manutenção e expansão da iluminação pública, fechado em R$ 7 bilhões com o consórcio formado por FM Rodrigues e a CLD Construtora, a Prefeitura de São Paulo decidiu manter a licitação paralela pelo serviço iniciado em janeiro deste ano.

Nesta terça-feira, 10, foi publicado no Diário Oficial da cidade a minuta para consulta pública do serviço, que fica aberta para sugestões até a próxima segunda-feira, 16. Entre as informações trazidas está o valor de R$ 215 milhões do contrato pelo prazo de 12 meses.

Segundo fontes ligadas à Prefeitura, o objetivo de manter esta licitação é evitar que, caso a PPP seja suspensa, a cidade fique sem um serviço de manutenção.

O processo para firmar a PPP da luz teve início em 2015, ainda na gestão de Fernando Haddad (PT). Além da briga entre os consórcios que disputavam o serviço, o imbróglio ganhou um novo fato este ano, quando áudios da ex-diretora do Departamento de Iluminação (Ilume) revelaram um suposto esquema de propina de 10% do valor da PPP para agentes públicos. O caso é investigado pela Corregedoria.

Ainda na terça, o prefeito Bruno Covas (PSDB) deslocou o Ilume da Secretaria de Serviços e Obras para a Secretaria das Prefeitura Regionais.

A decisão ocorreu após a troca de secretários. Marcos Penido, ex-titular de Obras, foi movido para a gestão das Prefeituras Regionais, que assumiu também os trabalhos funerários. 

Covas "herda" a prefeitura de Doria e fala sobre sua gestão (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Em seu primeiro pronunciamento como prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) afirmou nesta segunda-feira, 9, que sua gestão "não será contaminada por questões eleitorais" e destacou que terá como foco transformações sociais em educação e saúde. "Sou daqueles que acreditam que mais vale eliminar uma fila do que construir um viaduto", afirmou, indicando que trabalhará para a criação de 85 mil vagas em creches e para concluir 7 Unidades Básicas de Saúde.

O discurso foi feito três dias após João Doria (PSDB) deixar o cargo de chefe do Executivo municipal para disputar candidatura ao governo estadual. Covas também prometeu retomar as obras paradas dos CEUs, reformar 28 centros esportivos, concluir o Hospital da Brasilândia, contratar equipes do Programa de Saúde da Família e criar prontuário eletrônico.

O novo prefeito reforçou que seguirá as promessas feitas por Doria na campanha eleitoral de 2016 e o plano de metas estabelecido pela gestão. "Tivemos mudança de piloto, mas o rumo a direção a rota continuam os mesmos", afirmou.

Evento

De terno cinza e gravata laranja, Covas chegou por volta das 10h no Hall do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura. Ao lado de Covas estava o ex-prefeito João Doria (PSDB), que não discursou.

Covas disse que tem pressa e que "é tempo de arregimentar recursos". "Tenho pressa. São apenas 33 meses que temos pela frente pra pagar a minha divida de gratidão. Não é muito tempo", disse. Em seguida, citou uma frase de Martin Luther King - "O tempo é sempre certo para fazer o que está certo". Citou ainda Aristóteles e versos de Gonzaguinha.

O novo prefeito citou o avô Mário Covas, prefeito de São Paulo entre 1983 e 1986. "Como lembrou Mário Covas em seu discurso de posse como prefeito de São Paulo, não é sem razão que o vocábulo política encontra sua raiz na expressão polis, isto é, cidade", disse Bruno Covas.

Sobre o programa de desestatizações, que prevê a concessão de 55 projetos à iniciativa privada, o novo prefeito disse que os recursos obtidos servirão para desonerar a máquina pública e serão gastos nas áreas de saúde, educação e segurança pública.

Em relação aos 15 meses de Doria à frente do Executivo, o novo prefeito classificou o como "audaciosos". Covas exaltou a criação de 17 Centros Temporários de Acolhida (CTA), a inclusão de 2 mil pessoas no programa Trabalho Novo, títulos de propriedade e unidades habitacionais entregues, a PPP da Habitação em parceria com o governo estadual, o Corujão da Saúde, o aumento de câmeras de 75 para 1.505, a criação do programa de desestatização e a realização do Carnaval de rua.

Antes de Covas iniciar o discurso, um apoiador gritou "1, 2, 3, é Covas outra vez". Vereadores, deputados estaduais e federais, secretários, prefeitos regionais, lideranças religiosas e prefeitos da região metropolitana participaram da solenidade. Representando o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), estava o secretário de Justiça, Márcio Elias Rosa.

No discurso em nome dos secretários, Júlio Semeghini, líder da pasta de Governo, exaltou o governo de Mário Covas Neto, avô do novo prefeito.

O presidente da Câmara dos Vereadores, Milton Leite, disse que em um ano e quatro meses o ex-prefeito Doria "trabalhou o correspondente a quatro anos". Leite se colocou à disposição de auxiliar o novo prefeito na gestão, mas destacou que "os recursos são muito poucos". "Temos de trabalhar muito para transformar o pouco em muito", disse.

Apesar de dizer que manterá pensamento de Doria, Covas faz mudanças chaves no município (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Em seu primeiro dia útil de trabalho, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou trocas em cargos-chave do primeiro escalão da Prefeitura de São Paulo. As Secretarias das Prefeituras Regionais, de Transportes e de Obras (que agora voltará a se chamar de Infraestrutura e Obras) terão novos titulares. A maioria dos novos nomes vem da própria Prefeitura.

O novo secretário de Transportes é João Octaviano, que até sexta-feira ocupava a presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Indicado pelo presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (DEM), ele ocupará espaço deixado por Sérgio Avelleda, que agora será chefe de gabinete do prefeito. Octaviano se comprometeu a continuar a licitação para o serviço de ônibus da cidade, atrasada desde 2013, que está marcada para ser lançada no próximo dia 16.

Avelleda, réu em uma ação judicial por improbidade administrativa no caso que ficou conhecido como Cartel do Metrô, foi para a chefia de gabinete de Covas com a saída de Wilson Pedroso, que acompanhou o ex-prefeito João Doria. Na presidência da CET, Covas indicou o engenheiro Milton Persoli, servidor de carreira da empresa que vinha ocupando cargo de secretário-adjunto das Prefeituras Regionais.

Na Secretaria das Prefeituras Regionais, foi anunciada a entrada de Marcos Penido, que antes era o secretário de Obras. Ele trocou de posição na administração com a saída de Claudio Carvalho, ex-executivo da incorporadora Cyrela e amigo de Doria, que vinha ocupando o cargo a convite do ex-prefeito e anunciou que o auxiliaria na campanha ao governo do Estado.

Penido e Covas afirmaram que novas mudanças podem ocorrer nas 32 Prefeituras Regionais, mas Covas lembrou que ele mesmo havia indicado os nomes dos atuais ocupantes dos cargos.

A mudança de Penido deixaria a Secretaria de Obras vaga. O espaço será preenchido pelo antigo presidente da estatal SP Obras, empreiteira da Prefeitura, Vitor Aly. Na estatal, Covas indicou um amigo, o executivo Maurício Brun Bucker, da empresa de engenharia Construdata, que já havia ocupado cargos por indicação na SP Obras.

Câmara

Na secretaria da Casa Civil, cargo que havia sido criado para Bruno Covas pelo ex-prefeito Doria, após sua saída da Secretaria das Prefeituras Regionais, Covas convidou o vereador Eduardo Tuma (PSDB), vice-presidente da Câmara. Será o vereador quem fará a articulação entre o Executivo e o Legislativo. Tuma é tido como aliado do presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), e chegou a fazer críticas pontuais à gestão Doria em ocasiões como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a dívida ativa da cidade.

Por fim, haverá ainda nas próximas semanas uma troca na Secretaria da Justiça. Advogado eleitoral de Doria, Anderson Pomini, atual titular do cargo, deixará o governo para auxiliar o ex-prefeito em sua campanha. Em seu lugar, deve assumir o advogado Rubens Rizek Júnior, ex-corregedor geral da administração no governo do Estado e amigo de Covas, com quem trabalhou quando o prefeito ocupou cargo de secretário do Meio Ambiente do governo do Estado.

Bruno Covas disse que só não aumentará impostos se a reforma da Previdência for aprovada (Foto: Alex Silva/AE)

Cidade

Chamado de “prefeito” e “futuro prefeito” por João Doria (PSDB) e por secretários, o vice-prefeito e secretário da Casa Civil, Bruno Covas (PSDB), disse que, se a reforma da Previdência não passar, a Prefeitura deixará de investir em outras áreas e precisará aumentar impostos.

Segundo ele, 90% do IPTU arrecadado será destinado à Previdência pública em 2018, valor que deverá ser de 100% no ano que vem. “Ou a gente faz a reforma da Previdência ou vai ter que aumentar os impostos na cidade de São Paulo. A Prefeitura acha mais justo fazer a reforma da Previdência”, declarou Bruno.

Nesta segunda-feira, Doria criticou a decisão da Câmara Municipal de adiar, por 120 dias, a votação do projeto de reforma da Previdência. “Estamos com a consciência tranquila de que cumprimos com a nossa obrigação: alertar o Legislativo sobre os riscos da falência da maior cidade brasileira”, afirmou.

Segundo Doria, se a reforma não for aprovada, o Município terá um rombo orçamentário de R$ 5,8 bilhões, o que impactaria serviços municipais de áreas diversas. “Cumprimos com o nosso dever. O Executivo cumpriu o seu papel, de mostrar a gravidade desse tema”, disse. “Durmo com a consciência tranquila, resta saber se outros dormirão com a consciência tranquila também.”

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Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

Na década de 1950, a teoria da “unanimidade burra”, de Solomon Asch, comprovou a tese de que  algumas pessoas, quando em grupo, acreditam nas coisas mais absurdas e patéticas, ignorando a lógica e a verdade. A experiência colocava um inocente voluntário dentro de um grupo formado por atores, todos dispostos a um teste que consistia em examinar uma placa com uma linha vertical à direita e três linhas verticais díspares à esquerda, onde apenas uma delas era igual à da direita. O examinador perguntava qual das alternativas era a idêntica e, por mais óbvia que fosse a resposta, os atores, cúmplices e combinados, respondiam a alternativa errada. A cobaia, mesmo tendo absoluta certeza do correto, duvidada da própria razão e concordava com a maioria, escolhendo a alternativa falsa, confirmando a tendência humana da maioria seguir a opinião dos outros. O poder da mídia sobre a opinião pública é um bom exemplo disto, pois desvia a atenção para a verdade, dando foco a inverdades tendenciosas. A propaganda induz o estúpido, mas não convence a mente atenta. Quanto mais se promove opiniões medíocres e ignorantes, mais as pessoas abandonam por convicção a racionalidade e o senso crítico, transformando-se em massa de manobra a ser conduzida por um caminho pavimentado por mentiras rumo ao final de um arco-íris, onde não há pote de ouro, mas sim uma ratoeira à espera. Em tempos de eleições isto fica muito mais evidente quando o grupo dominante ignora os desejos da população e cria, em conluio com que há de mais nefasto, uma tendência a se seguir. Talvez você não se recorde, mas, na eleição passada, a tendência era “mulher votar em mulher”, afinal, sem a força da militância, a presidente, que afundou o País, jamais seria reeleita. Hoje, a única mulher candidata não recebe este apelo, talvez por não fazer parte do grupo de interesse, que aliás contém uma candidata que se diz empoderada e independente, mas se rendeu às ordens de um presidiário, macho opressor, aceitando abandonar sua própria candidatura para ser vice decorativa numa chapa confusa na qual sequer aparece em algumas propagandas oficiais da campanha. O candidato líder nas pesquisas, mesmo sem apelo algum de publicidade, vai na contramão do establishment e recebe adjetivos depreciativos até quando atacado violentamente num atentado à sua própria vida. O trinômio “machista-racista-homofóbico” foi tatuado a contragosto em suas costas, já que a população nada questiona e tudo aceita. Ironicamente, seu mais forte adversário é publicamente conhecido por ser autoritário, arrogante, violento e representar o que há de pior e mais retrógrado na política brasileira. Mas, apesar das diversas provas de seu real machismo, racismo, homofobia, coronelismo, e suas constantes declarações polêmicas, estúpidas e discrepantes, é blindado pela mídia e acariciado pela bolha asquerosa e egoísta de uma medíocre parte da classe artística e “intelectual” brasileira. Tudo é um jogo sujo e inescrupuloso de interesses que em nada compartilham com os da população. Não se deixe levar pela minoria que se finge maioria. Não acredite no que lê, no que ouve. Esteja atento, não tema a discordância e vote sabiamente. Para se viver em paz, vote calado, vote em segredo, pois esta é a única arma que você possui.

Não devemos temer uma ideologia radical no próximo governo (Foto: Reprodução/Flickr)

Opinião

Esta eleição se apresenta como uma das mais importantes de nossa historia. De um lado, trata-se da oportunidade de escolher a pessoa mais capaz de comandar o País, governantes dos Estados que o compõem e representantes na esfera parlamentar. De outro, trata-se de eleger os núcleos ideológicos que definirão políticas de Estado.   Portanto, no caso da eleição para a Presidência, o pleito leva em consideração uma visão de mundo, o modo como os protagonistas  enxergam as tarefas do Estado, o mercado e a economia (cunho mais estatal e/ou mais privado), programas sociais, infraestrutura, potenciais e riquezas naturais etc. Numa tentativa de sumarizar tais visões,  chega-se às três principais correntes políticas que governam os Estados modernos: o socialismo, a social-democracia e o capitalismo.   O primeiro tem seu eixo fincado na transformação social por meio da distribuição de riquezas e da propriedade, abarcando a luta de classes, a extinção da propriedade privada, a igualdade de todos. Na teoria marxista, o socialismo encarna a fase intermediária entre o fim do capitalismo e a implantação do comunismo. O capitalismo se ancora na propriedade privada e na acumulação do capital, tendo como motivação a busca pelo lucro. Portanto, constitui o contraponto do socialismo. Já a social-democracia abriga a intervenção do Estado na economia (distribuição de renda mais igualitária) e nos programas sociais, sob o escopo do bem-estar social e, no território político, dá guarida à democracia representativa. Emerge como sistema que combina aspectos do socialismo e do capitalismo. O fato é que a derrocada do socialismo clássico, a partir do desmantelamento da URSS e a queda do Muro de Berlim, em 1989, estendeu o território da social-democracia, sendo este o modelo de nações democráticas, principalmente no continente europeu.Seja qual for o vencedor dessa eleição, a real política brasileira imporá barreiras intransponíveis para a instalação de uma ideologia radical. Disso não devemos ter receio. *Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político e de comunicação

Num possível segundo turno contra Haddad, Bolsonaro deve ganhar apoio de outros partidos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas)

Opinião

A cada pesquisa divulgada mais se revela um cenário polarizado entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Assim, quem pode ficar de fora já começa a pensar nas alternativas após 7 de outubro. Um deles é o bloco de partidos que apostou no ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Formados por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, essa aliança garantiu ao tucano um gordo tempo na TV, mas que, pelos menos até agora, não se reverteu em intenção de votos. O deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM) é um dos que nunca escondeu sua preferência pelo ex-capitão do Exército. Foi ele, por exemplo, quem idealizou a viagem de Bolsonaro à Asia, em fevereiro deste ano, e esteve lá, ao lado do colega de Câmara. Outro que já disse que não tem como apoiar Haddad em um ainda hipotético segundo turno foi o ex-ministro da Educação de Michel Temer e atual candidato ao Senado Mendonça Filho, de Pernambuco. Ele foi um dos primeiros do DEM a sugerir o caminho em direção a Alckmin, sendo, inclusive, apontado com alternativa a vice na chapa. Ontem, foi a vez de Major Olímpio, um dos coordenadores da campanha bolsonarista em São Paulo, declarar que “muitos quadros” do Centrão devem se debandar da campanha de Alckmin e declarar apoio ao candidato do PSL. “Já estão fazendo missa de corpo presente há alguns dias”, ironizou. Dentro do governo Temer, que oficialmente apoia Henrique Meirelles, também já tem gente olhando para depois do primeiro turno. Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, segundo o blog Radar, da Veja, defende que, em havendo o confronto PSL-PT, que o MDB e o presidente declarem apoio a Bolsonaro. Duílio Malfatti, secretário de Publicidade e Promoção do Planalto foi mais específico em sua página no Facebook, ao se referir ao pesselista logo após o atentado: “Tomara [que] ganhe no 1º turno”. E assim, os organizadores da campanha de Bolsonaro vão reiterando a confiança. E o reforço natural de sua base de apoiadores revela que esta percepção extravasou o núcleo mais leal, podendo desta forma fazer o fiel da balança pender para o lado deles. Assim, aquilo que estava tão distante até alguns meses, já parece bem factível a essa altura da disputa.

Vice de presidenciável do PSL acredita que lar com presença paterna seria diferente (Foto: HENRIQUE BARRETO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Nacional

Vice na chapa de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) disse na segunda-feira, 17, em São Paulo, que famílias pobres "onde não há pai e avô, mas, sim, mãe e avó" são "fábricas de desajustados" que fornecem mão de obra ao narcotráfico. "A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas, sim, mãe e avó, por isso é fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narcoquadrilhas", disse ele, durante palestra a empresários, fazendo um paralelo entre formação da família e ação de bandidos em áreas carentes. Mourão também criticou a política externa adotada nos governos petistas de aproximação com outras economistas emergentes. Ele se referiu a esses países como "mulambada". "E aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano, do lado de cá, que não resultou em nada, só em dívidas que foram contraídas e que nós estamos tomando calote disso aí." Na semana passada, Mourão já havia feito declarações consideradas polêmicas. Ele disse que o País precisaria de uma nova Constituição, mais enxuta e focada em "princípios e valores imutáveis", mas não necessariamente por meio de uma Assembleia Constituinte. Para ele, o processo ideal envolveria uma comissão de notáveis, que depois submeteria o texto a um plebiscito, para aprovação popular - o que, hoje, não se enquadra nas hipóteses previstas em lei. Nesta segunda, ele voltou a citar o tema da Constituição. Segundo o candidato a vice, a reforma da Carta representaria a "mãe de todas as reformas", uma vez que ela está desatualizada, apesar das emendas que sofreu. Bolsonaro Adotando um tom presidencial, o candidato a vice discursou por cerca de uma hora no evento promovido pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) com outras 21 entidades, que se reuniram num grupo chamado Reformar Para Mudar. Em sua fala, Mourão citou apenas uma vez Bolsonaro, que continua internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, se recuperando do atentado que sofreu em Juiz de Fora (MG). "Bolsonaro é um estadista, não pensa apenas nesta eleição, mas nas próximas gerações", afirmou ele. Mourão reclamou também da forma como as forças policiais são criticadas quando atuam, na sua definição, "como polícia". "Temos de lembrar que direitos humanos são para humanos direitos", disse o general. "Se a polícia age como polícia, é duramente criticada: é o genocídio, o martírio da população brasileira. É trabalho enfrentar isso daí", disse ele, que foi aplaudido pela plateia. O militar foi aplaudido outras duas vezes enquanto discursava, ambas ao defender o livre mercado e a iniciativa privada. Ele defendeu, por exemplo, a privatização das áreas de refino e distribuição da Petrobras.
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Manter o voto em sigilo é garantia de paz (Foto: Antônio Cruz/ABR/Fotos Públicas)

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Não devemos temer uma ideologia radical no próximo governo (Foto: Reprodução/Flickr)

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Num possível segundo turno contra Haddad, Bolsonaro deve ganhar apoio de outros partidos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR/Fotos Públicas)

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Legislação deve ser mudada, pois a violência cresce a cada dia no Brasil (Foto: Wilson Dias/ABR/Fotos Públicas)

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