16
Sex, Nov

Pichadores depredam patrimônio público (Foto: Itaci Batista/AE)

Cidade

Polêmica na época em que foi lançada, durante o início da gestão de João Doria (PSDB) à frente da Prefeitura, as multas aos pichadores, aplicadas no período de janeiro a julho deste ano, não renderam sequer um centavo aos cofres públicos. No período citado, foram aplicadas 20 multas que deveriam render R$ 135.252 ao tesouro municipal.

Em 2017, durante o mesmo período, o número de multas chegou a 64 e o valor das infrações somava R$ 465 mil. Apenas R$ 5 mil foram quitados, o que significa que apenas um pichador pagou, já que a multa aplicada pela Prefeitura é de R$ 5 mil para o primeiro delito, valor que dobra em caso de reincidência. Na comparação entre os dois períodos houve queda de 68% dos flagrantes, sendo que a região de maior incidência foi a Sé: 16 ocorrências em 2018 (80%) e 47 no ano passado (73%).

Segundo a Prefeitura, as multas não pagas dentro do prazo são inscritas no Cadin, posteriormente na Dívida Ativa e cobradas judicialmente. “Vale ressaltar que os infratores possuem o direito de recorrer administrativa e judicialmente”, afirma o Governo.

O infrator recebe a multa em sua casa com prazo de 30 dias para pagar ou apresentar defesa. Há também a possibilidade de o infrator assinar um Termo de Reparação da Paisagem Urbana e renúncia ao direito de defesa, o que afasta a incidência de multa.
Sobre as detenções, a Prefeitura informou que nos sete primeiros meses de 2017 foram registradas 73 ocorrências, com 110 detenções em flagrante. No mesmo período de 2018, foram contabilizadas 46 ocorrências, sendo que 49 pessoas foram conduzidas em flagrante às delegacias.

Fiscalização não é suficiente, diz especialista

Para o professor de direito administrativo do Mackenzie, Antônio Cecílio Moreira Pires, a Prefeitura não conta com um número de fiscais suficientes – competência atual da Guarda Civil Metropolitana – para conseguir tomar contar de toda a cidade, o que reflete uma maior aplicação de punições na região da Sé. “Não me parece que a população aprendeu a lição, mas sim que não há fiscalização suficiente”, afirmou.

Sobre o pagamento das multas, o professor disse que depende muito do estilo de vida do infrator. “Se a pessoa não tiver maiores relações de emprego ou de caráter profissional, tudo isso acaba não significando nada. Para a pessoa desempregada ou um rapaz de 15 a 16 anos, a situação é ainda mais agravante”, explicou. Pires explicou que é preciso oferecer melhor educação para a população para combater este fenômeno. De acordo com sociólogo Marco Vallada, professor da UNG, a pichação é um fenômeno antigo e que, normalmente, ocorre como forma de desabafo político. “É uma controvérsia ao que está vigente na sociedade”, explicou.

Pichação e grafite são bem diferentes

O especialista Giovanni Campari, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, explicou que a diferença entre pichação e grafite é que o último é compromissado com a imagem que passa. “Normalmente é um desenho, tem estética e é relevante para o contexto da cidade”, afirmou.
No caso do pichamento, não há um compromisso com a arte. “Os praticantes querem se manifestar, mas acabam deslegitimando seu protesto invadindo patrimônio privado ou vandalizando o público”, analisou. Para o professor, a quantidade de pichação nas grandes cidades mostra que a educação é falha no sentido de ensinar o respeito ao próximo. “O pichador está olhando só o lado dele”.

Arte para se manifestar

O grafiteiro Rodrigo Rodrigues, 39, conhecido como “Digãocomprimido”, contou que entre 1996 e 2000 fez várias pichações na cidade de São Paulo. “Sofri preconceito e ameaças de pessoas que cuidam de comércios em grandes avenidas”, contou. “Minha família também já não aguentava mais, eu fui morar na rua. Só arrumei confusão.

Aí caí em mim e comecei a fazer grafite”, explicou. Para ele, tanto a pichação quanto o grafite são formas de manifestação. “Eu preciso me expressar de alguma forma. Hoje, me sustento apenas com pintura artística e grafite”, afirmou. O artista Edson Bizarro concordou. “São maneiras de arte e estão ganhando cada vez mais este rótulo. Para mim, também são jeitos de colocar um protesto nas galerias”, comentou.

Educação é ferramenta contra vandalismo

O especialista Antônio Cecílio Moreira Pires explicou que é preciso oferecer melhor educação para a população para combater este fenômeno. “Em outros países, principalmente na Europa, o que a gente vê é uma cultura de preservação da propriedade pública e privada”, comentou. “Nós precisamos de incentivos, não só com relação à pichação, mas com muitas coisas para mudar a cultura do nosso País”.

Um caso que exemplifica a fala do professor ocorreu na Escola Estadual Silva Jardim, localizada no Tucuruvi, Zona Norte da Capital, onde os alunos decidiram modificar o ambiente cinzento do colégio com uma intervenção artística. Eles obtiveram autorização da diretoria para que grafiteiros fizessem sua arte em uma das paredes da instituição de ensino. No local, as palavras “Paz”, “Amor”, “Tolerância” e “Respeito” ganharam destaque e servirão como incentivo para as próximas gerações de estudantes que passarem por ali.

BLOG COMMENTS POWERED BY DISQUS

Doria deve se candidatar ao Governo de São Paulo (Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo)

Opinião

O prefeito João Doria, embora ainda mantenha silêncio sobre a questão, está de partida precocemente da prefeitura de São Paulo. O caminho que pavimentou lentamente, e de forma muito bem pensada, pode – se tudo sair como planejou – levá-lo do Palácio Anhangabaú, sede do poder Executivo paulistano, para o Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador deste Estado. Desta forma, em se confirmando, a Capital deve se preparar para mudanças, ainda que sutis, nos rumos da sua administração pública.


Doria terá até 7 de abril, conforme prescreve o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para abrir mão do seu cargo atual, para o qual foi eleito em primeiro turno com 3.085.187 votos. Passará a batuta para seu vice, Bruno Covas. Assim, o neto do ex-governador Mário Covas poderá vir a ter dois anos e oito meses à frente da Prefeitura da maior cidade do País. Já o futuro do atual mandatário dependerá do resultado das urnas. Se for bem-sucedido no pleito estadual, sentará na cadeira que hoje é ocupada pelo seu padrinho político, Geraldo Alckmin. Se não for, não poderá reaver a Prefeitura, conforme a reza a lei eleitoral, e terá de repensar sua trajetória política.


A pergunta que parte da população deve fazer é se a esperada troca de cadeiras no Executivo municipal é boa ou não para a cidade. Teoricamente, pelo fato de o partido de prefeito e vice ser o mesmo – o PSDB – não deve haver descontinuidade das políticas públicas. Afinal, boa parte dos cidadãos se sentiria traída se, a esta altura do “campeonato”, fossem colocadas em prática mudanças que fogem ao programa de governo escolhido por ela durante a eleição de 2016. Mas, inteligente que é, o jovem Covas sabe muito bem disso e já conta os dias para herdar aquilo que lhe é de direito. A julgar por sua bem-sucedida trajetória, tem potencial para tirar proveito de sua nova posição, trabalhando duramente para valorizar seu passe e projetar seu nome. Quem sabe, na hora certa e com a sensação de dever cumprido, deixará o prédio ao lado do Viaduto do Chá para voos ainda mais altos.

Covas "herda" a prefeitura de Doria e fala sobre sua gestão (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Em seu primeiro pronunciamento como prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) afirmou nesta segunda-feira, 9, que sua gestão "não será contaminada por questões eleitorais" e destacou que terá como foco transformações sociais em educação e saúde. "Sou daqueles que acreditam que mais vale eliminar uma fila do que construir um viaduto", afirmou, indicando que trabalhará para a criação de 85 mil vagas em creches e para concluir 7 Unidades Básicas de Saúde.

O discurso foi feito três dias após João Doria (PSDB) deixar o cargo de chefe do Executivo municipal para disputar candidatura ao governo estadual. Covas também prometeu retomar as obras paradas dos CEUs, reformar 28 centros esportivos, concluir o Hospital da Brasilândia, contratar equipes do Programa de Saúde da Família e criar prontuário eletrônico.

O novo prefeito reforçou que seguirá as promessas feitas por Doria na campanha eleitoral de 2016 e o plano de metas estabelecido pela gestão. "Tivemos mudança de piloto, mas o rumo a direção a rota continuam os mesmos", afirmou.

Evento

De terno cinza e gravata laranja, Covas chegou por volta das 10h no Hall do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura. Ao lado de Covas estava o ex-prefeito João Doria (PSDB), que não discursou.

Covas disse que tem pressa e que "é tempo de arregimentar recursos". "Tenho pressa. São apenas 33 meses que temos pela frente pra pagar a minha divida de gratidão. Não é muito tempo", disse. Em seguida, citou uma frase de Martin Luther King - "O tempo é sempre certo para fazer o que está certo". Citou ainda Aristóteles e versos de Gonzaguinha.

O novo prefeito citou o avô Mário Covas, prefeito de São Paulo entre 1983 e 1986. "Como lembrou Mário Covas em seu discurso de posse como prefeito de São Paulo, não é sem razão que o vocábulo política encontra sua raiz na expressão polis, isto é, cidade", disse Bruno Covas.

Sobre o programa de desestatizações, que prevê a concessão de 55 projetos à iniciativa privada, o novo prefeito disse que os recursos obtidos servirão para desonerar a máquina pública e serão gastos nas áreas de saúde, educação e segurança pública.

Em relação aos 15 meses de Doria à frente do Executivo, o novo prefeito classificou o como "audaciosos". Covas exaltou a criação de 17 Centros Temporários de Acolhida (CTA), a inclusão de 2 mil pessoas no programa Trabalho Novo, títulos de propriedade e unidades habitacionais entregues, a PPP da Habitação em parceria com o governo estadual, o Corujão da Saúde, o aumento de câmeras de 75 para 1.505, a criação do programa de desestatização e a realização do Carnaval de rua.

Antes de Covas iniciar o discurso, um apoiador gritou "1, 2, 3, é Covas outra vez". Vereadores, deputados estaduais e federais, secretários, prefeitos regionais, lideranças religiosas e prefeitos da região metropolitana participaram da solenidade. Representando o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), estava o secretário de Justiça, Márcio Elias Rosa.

No discurso em nome dos secretários, Júlio Semeghini, líder da pasta de Governo, exaltou o governo de Mário Covas Neto, avô do novo prefeito.

O presidente da Câmara dos Vereadores, Milton Leite, disse que em um ano e quatro meses o ex-prefeito Doria "trabalhou o correspondente a quatro anos". Leite se colocou à disposição de auxiliar o novo prefeito na gestão, mas destacou que "os recursos são muito poucos". "Temos de trabalhar muito para transformar o pouco em muito", disse.

Avenida Jabaquara foi reformada recentemente e já apresenta falhas (Foto: Lucas Dantas)

Cidade

Pavimento novíssimo e uma via totalmente uniforme. Essas foram as propostas da Prefeitura ao levar o programa Asfalto Novo à Avenida Jabaquara, no distrito Saúde, na Zona Sul de São Paulo. Só que, depois de o serviço ser finalizado por ali, há menos de um mês, pequenos buracos começaram a surgir na via.

De acordo com o comerciante Adriano Gonçalves, 24, a situação é frustrante. “A gente esperava que, com o novo pavimento, não teríamos mais esse tipo de problemas”, disse. A via é bastante movimentada. “É difícil conseguir um serviço de novo asfalto e, quando conseguimos, os buracos surgem em um mês”, criticou a vendedora Joana Mariano, 37.

Antes de realizar o serviço, a Prefeitura não procurou os comerciantes da região para esclarecer o que seria feito. “Eu não sei porque deixaram essas deformações”, comentou o ambulante Roberto Leite.

De acordo com o portal da Prefeitura, a gestão investiu R$ 200 milhões nesta etapa do Asfalto Novo, que se iniciou em 1º de março e acabará em 30 de junho. Procurada para esclarecer o caso, a municipalidade não respondeu aos questionamentos até o fechamento dessa matéria.

Parque Cidade de Toronto é um dos que serão reabertos (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Com 49,9% da população vacinada, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu que vai reabrir, no dia 30, 27 parques das Zonas Norte e Sul que foram fechados por conta do risco de febre amarela aos visitantes e da morte de macacos pela doença. É recomendável que quem for visitar os locais já tenha tomado a vacina.

“É preciso que os frequentadores se conscientizem de que o vírus da febre amarela pode continuar circulando por estas áreas e, por isso, é importante se vacinar e esperar no mínimo 10 dias, o tempo necessário para estar imunizado, para frequentar os parques sem risco de infecção”, disse o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo de Castro.

Segundo dados da Secretaria de Saúde, 5.837.122 pessoas foram imunizadas contra a doença de setembro de 2017 até o dia 15 de março.  Atualmente, a vacina está disponibilizada em todos os 96 distritos da capital, em 466 salas, até o dia 30 de maio.  

Veja os parques que serão reabertos no dia 30:

Parque Anhanguera - Av. Fortunata Tadiello Natucci - 1000, Perus

Parque Cidade de Toronto - Avenida Cardeal Motta, 84 - Pirituba

Parque Jacintho Alberto - Rua Talófitos, 16 - Pirituba

Parque Jardim Felicidade - Rua Laudelino Vieira de Campos, 265

Parque Linear Canivete - Av. Dep. Cantídio Sampaio e Av. Hugo Ítalo Merigo – Jardim Damasceno

Parque Linear Córrego do Bispo (em implantação) - Av. Gal. Penha Brasil, esquina com rua Gervásio Leite Rebelo, ao longo do Córrego do Bispo - Jardim Peri

Parque Lions Clube Tucuruvi - Rua Alcindo Bueno de Assis, altura do nº 500

Parque Pinheirinho D’Água - Estrada de Taipas, s/nº - Jaraguá

Parque Rodrigo de Gásperi - Avenida Miguel de Castro, 321 – Vila Zati

Parque São Domingos - Rua Pedro Sernagiotti, 125

Parque Sena - Rua Sena, 349 – Palmas do Tremembé

Parque Senhor do Vale - Rua Blas Parera, 487

Parque Tenente Brigadeiro Faria Lima - Rua Heróis da Feb, 322 – Parque Novo Mundo

Parque Santo Dias - Rua Jasmin da Beirada, 71 (Portão I) - Capão Redondo

Rua Arroio das Caneleiras, s/n (Portão II)

Parque Jd. Herculano - Estrada da Riviera, 2282 – Jd. Herculano

Parque M’Boi Mirim - Estrada do M’Boi Mirim, 7.100 – Jardim Ângela

Parque Guarapiranga - Estrada Guarapiranga, 575 – Parque Alves de Lima

Parque Cemucam - Rua Mesopotâmia, s/n (km 25 da Rodovia Raposo Tavares sentido Capital) - Jd. Passárgada – Cotia

Parque Raposo Tavares - Rua Telmo Coelho Filho, 200 - Jardim Olympia

Parque Juliana de Carvalho Torres (COHAB Raposo Tavares) - Travessa Córrego da independência – Cohab Raposo Tavares

Parque Linear Feitiço da Vila - Rua Feitiço da Vila, Rua Cortegaça e Rua Moenda

Parque Linear Parelheiros - Estrada da Colônia; Rua Teresinha do Prado Oliveira; José Pedro de Borba

Parque Linear Sapé - Rodovia Raposo Tavares até Avenida Engenheiro Politécnico

Parque do Chuvisco: Rua Ipiranga, 792 - Jardim Aeroporto

Parque do Cordeiro Martin Luther King: Rua Breves, 968 – Chácara Monte Alegre

Parque Severo Gomes: Rua Pires de Oliveira, 356 – Granja Julieta

Parque Linear Invernada: Rua Sapoti / Rua Confiteor / Trav. da Canção Excêntrica – Campo Belo

 

Caso saia da Prefeitura, Doria deixará a cadeira para Bruno Covas (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), foi inscrito por um grupo de parlamentares do partido para as prévias tucanas que definirão o candidato ao governo estadual. Foram reunidas 1. 704 assinaturas de apoio à pré-candidatura, o que representa 47% dos delegados do partido no Estado, dizem os apoiadores de Doria

O prefeito é esperado para ato organizado por apoiadores na sede do Diretório Estadual da legenda, nesta segunda-feira. Na ocasião, ele deve "aceitar" a inscrição e declarar que está na disputa.

Ministério Público cobra respostas da Prefeitura de São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a morte do estudante Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, por descarga elétrica após ter encostado em um poste no dia 4 de fevereiro, durante o desfile de um bloco de carnaval em São Paulo.

O jovem morreu eletrocutado pelo poste, com câmeras para monitoramento de público, que estava na esquina da Rua da Consolação com a Rua Matias Aires, no centro da cidade.

A Polícia Civil anexou o laudo ao inquérito policial nesta segunda-feira, 19. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a delegacia aguarda a conclusão dos laudos complementares

A tragédia ocorreu durante a passagem do bloco de rua Acadêmicos do Baixo Augusta. Logo após o contato com o equipamento, o jovem sofreu uma descarga elétrica e desmaiou. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Responsável pela infraestrutura do carnaval de rua de São Paulo, a empresa Dream Factory lamentou o ocorrido com o estudante e reforçou que somente a perícia dos órgãos competentes poderá informar se a causa da morte está ou não associada à instalação das câmeras da GWA System.

Após o caso, o Tribunal de Contas do Município (TCM) cobrou explicações à Prefeitura de São Paulo e à empresa Dream Factory sobre a instalação das câmeras para o monitoramento do carnaval de rua na capital. O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) também solicitou respostas da gestão municipal.

VEJA NOSSA EDIÇÃO VIRTUAL

"Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais, entre aspas, sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis, no mínimo?", questionou Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil)

Nacional

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), encerrou intempestivamente uma entrevista coletiva no 1º Distrito Naval, no Rio. O militar da reserva estava sendo perguntado sobre a continuidade dos atendimentos de saúde no Programa Mais Médicos, já que cerca de 8,3 mil profissionais podem deixar o País com decisão de Cuba de interromper a parceria. Bolsonaro respondeu apenas uma pergunta após ser questionado sobre o Mais Médicos - não comentou, por exemplo, a indicação do economista Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central (BC). O presidente eleito voltou a criticar os termos do acordo com Cuba no Mais Médicos, que prevê o repasse direto ao governo caribenho de 70% dos salários dos profissionais de saúde. Repetiu que a situação dos profissionais de saúde cubanos é "praticamente de escravidão" e questionou a qualidade dos serviços prestados. "Nunca vi uma autoridade no Brasil dizer que foi atendido por um médico cubano. Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais, entre aspas, sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis, no mínimo? Isso é injusto, é desumano", disse Bolsonaro. O presidente eleito defendeu o exame presencial de validação do diploma dos médicos incluídos no programa. "O que temos ouvido, em muitos relatos, são verdadeiras barbaridades. Não queremos isso para ninguém no Brasil, muito menos para os mais pobres. Queremos o salário integral (dos médicos cubanos) e o direito (deles) de trazer a família para cá. Isso é pedir muito? Isso está em nossas leis, que estão sendo desrespeitadas", resumiu Bolsonaro antes de encerrar a entrevista, que durou menos de cinco minutos. O futuro presidente do Brasil também prometeu asilo político para todos os médicos cubanos que pedirem. "Há quatro anos e pouco, quando foi discutida a Medida Provisória (que criou o Mais Médicos), o governo da senhora Dilma (Rousseff) disse, em alto e bom som, que qualquer cubano que, por ventura, pedisse asilo, seria deportado. Se eu for presidente, o cubano que pedir asilo aqui, (que) se justifica pela ditadura da ilha, terá o asilo concedido da minha parte", afirmou.

Presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a decisão pelo Twitter (Foto: Divulgação)

Mundo

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou há pouco a indicação do embaixador Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. Diplomata há 29 anos, Araújo é diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Bolsonaro anunciou a indicação por meio de sua conta no Twitter. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje”, escreveu o presidente eleito, classificando o diplomata como um “um brilhante intelectual.” Com o novo anúncio, sobe para oito os nomes confirmados para a equipe ministerial do governo eleito. Alguns escolhidos atuam diretamente no governo de transição. Nas declarações públicas, Bolsonaro avisou que pretende reduzir de 29 para de 15 a 17 o número de ministérios, extinguindo pastas e fundindo outras. A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

"Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares", disse o presidente eleito (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Saúde

O governo cubano informou nesta quarta-feira, 14, que está se retirando do programa social Mais Médicos do Brasil após declarações "ameaçadores e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou mudanças "inaceitáveis" no projeto do governo. O convênio com o governo cubano é feito entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "Diante desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim comunicou a diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", anunciou a entidade em um comunicado. Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 11 mil médicos cubanos que trabalham hoje no Brasil depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa "à revalidação do diploma", além de ter imposto "como via única a contratação individual". O programa Mais Médicos tem 18.240 vagas em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras. Quando são abertos chamamentos de médicos para o programa, a seleção segue uma ordem de preferência: médicos com registro no Brasil (formados em território nacional ou no exterior, com revalidação do diploma no País); médicos brasileiros formados no exterior; e médicos estrangeiros formados fora do Brasil. Após as primeiras chamadas, caso sobrem vagas, os médicos cubanos são convocados. "Não é aceitável que se questione a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, presta serviços atualmente em 67 países", declarou o governo. "As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificados em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa", informou em nota o Ministério da Saúde. De acordo com o governo cubano, em cinco anos de trabalho no programa brasileiro, cerca de 20 mil médicos atenderam a 113.539 milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios. "Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história", disse o governo. Segundo o governo de Cuba, mais de 20 mil médicos cubanos passaram pelo Brasil e chegaram a compor 80% do contingente do Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff. Cuba anunciou que manteria o programa depois do impeachment da ex-presidente petista, apesar de considerar o afastamento um "golpe de Estado". Bolsonaro critica Cuba O presidente eleito Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a decisão do governo cubano.  Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável! — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

e temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", questionou Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Nacional

O presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta quarta-feira, 14, que quer preservar o meio ambiente, mas "não dessa forma que está aí". Ele culpou políticas ambientais e indigenistas pelo atraso de algumas regiões do País e disse que "o índio quer ser o que nós somos". Bolsonaro citou como exemplo a situação de Roraima, que disse ter potencial para ser "o Estado mais rico do Brasil". "Se não tivesse problemas ambientais e indigenistas, tinha tudo para ser Estado mais rico do Brasil. Esse é um problema que temos que resolver. O índio quer ser o que nós somos, o índio quer o que nós queremos. Se temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", declarou Bolsonaro . Durante reunião com governadores, em Brasília, Bolsonaro contou que está na iminência de anunciar o nome do seu ministro do Meio Ambiente e afirmou que "não será o que dizem". Lembrou, ainda, que desistiu de fundir a pasta com a Agricultura por orientações do setor produtivo.
or
or

Articulistas

Colunistas

Sucesso do agronegócio é fundamental para a economia brasileira e a geração de empregos (Foto: Antonio Costa/Fotos Públicas)

Opinião

Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

Opinião

Tentaram boicotar até um programa que visa a ajudar crianças com deficiência física, o Teleton, apenas por que Sílvio Santos agradeceu e enalteceu o presidente eleito (Foto: Reprodução/SBT)

Opinião

O uso de bicicletas reduz problemas na Mobilidade e na Saúde, como a diminuição da poluição (Foto: Rovena Rosa/Ag Brasil/Fotos Públicas)

Opinião