Crime ocorreu na Travessa Correntinos (Foto: Reprodução/Google Street View)

Cidade

Um homem foi morto a tiros de fuzil e duas pessoas ficaram feridas, neste sábado, 14, por volta das 14h, no bairro do Tremembé, na zona norte de São Paulo. Jurandir Alves da Silva, de 39 anos, estava com a sogra, o enteado e suas duas filhas, indo para um casamento, quando foi surpreendido por dois criminosos. Sua esposa não estava presente na hora do assassinato.

Dois homens, vestindo colete e portando fuzis, atiraram contra Silva, na Travessa Correntinos, e foram embora sem levar pertences das vítimas que testemunharam o ocorrido. A sogra e o enteado da vítima ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital Mandaqui. O caso foi registrado no 20° DP. Ainda não se sabe o que motivou a ação. 

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Apesar de redução no Estado, índice na Capital aumentou (Foto: Reprodução/SSP)

Cidade

Os casos de homicídio na capital paulista sofreram, em maio, a primeira alta mensal do ano e o maior crescimento proporcional desde dezembro de 2012. Os 64 registros, com 66 vítimas, de maio deste ano são 42,2% maior que os 45 casos, com 50 vítimas, do mesmo período de 2017.

A alta é apenas a sexta elevação na estatística entre dados dos últimos 46 meses, a terceira desde o início de 2017. O acumulado de 2018 até aqui ainda é 4,5% menor do que no ano passado. Esse tipo de crime está em queda no mês e no ano no Estado de São Paulo.

O ano de 2012 foi marcado pelo aumento da violência e por um embate entre agentes de segurança e criminosos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Foi este confronto o fator apontado como responsável pela alta na quantidade de assassinatos na capital, assim como no Estado. Em dezembro daquele ano, os casos de homicídio saltaram de 96 para 156, alta de 62%, consolidando o aumento da violência já sentida durante nove dos 12 meses.

Para a alta mais recente, a Secretaria da Segurança Pública ainda não tem explicação. "Não conseguimos detectar nenhum motivo determinante", disse nesta segunda-feira, 25, o secretário Mágino Alves Barbosa Filho. A pasta informou que 37% dos casos foram cometidos durante o período da greve dos caminhoneiros, iniciada em 21 de maio.

Problemas de abastecimento de combustível afetaram diversas áreas, inclusive a segurança pública. A Polícia Militar aumentou em dez minutos o tempo das pausas durante as rondas, passando a ficar 30 minutos, em vez de 20, parados na atividade de patrulhamento.

Ainda assim, Barbosa Filho disse não enxergar relação entre a greve e o aumento no número de mortes. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, a alta acende um "sinal amarelo". "É preciso saber em que áreas da cidade o crime aumento e desenvolver análise e atuações focadas nessas regiões. Historicamente, os homicídios na capital ficam concentrados nas franjas da zona sul e da zona leste, e não temos visto ações específicas", disse.

Os dados da secretaria mostraram que o aumentou que mais pesou na taxa total da capital aconteceu na área do 85.º Distrito Policial (Jardim Mirna), na zona sul, onde os casos saltaram de um para cinco - alta de dez para 13 no ano até o momento. Em oito distritos da cidade, nas zonas sul, leste e norte, houve crescimento de dois casos.

Indicadores

No Estado, quase todos os indicadores de criminalidade tiveram queda. Crimes de homicídio (-7,4%), latrocínio (-40,6%), roubo ( -14,3%), roubo de veículos (-12,4%), furto (-7,6%) e furto de veículo (-13,5%) tiveram redução. O padrão não se repetiu para o crime de estupro, que chegou a sua oitava alta mensal consecutiva e 14.ª nos últimos 17 meses. Em maio, foram registrados 1.036 estupros. A secretaria voltou a reforçar que as campanhas de incentivo para o registro das ocorrências tem influência no aumento das notificações. Barbosa Filho acrescentou ainda que 11% dos registros efetuados em maio não tiveram a data do crime naquele mês, mas sim foram cometidos em períodos anteriores, o que segundo ele vem se repetindo nos últimos meses.

"Toda a mídia está falando disso, como foi o caso do vídeo dos torcedores da copa. As mulheres, agora, estão tomando coragem para noticiar. Estamos debruçados (sobre os dados) para tentar analisar e combater", disse o secretário. Questionado sobre a capacidade de atendimento das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), ele disse não ter número de policiais mulheres suficiente para permitir prolongar o horário de funcionamento. Ele destacou a implementação de um protocolo único de atendimento para esses casos que facilitaria, segundo ele, o atendimento a vítimas de estupro em todas as delegacias do Estado.

Vitória pode ter sido assassinada por engano (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Cidade

A menina Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, foi assassinada no dia 8 de junho, o mesmo dia em que desapareceu após sair de casa para andar de patins, em Araçariguama, interior de São Paulo. A Polícia Civil informou nesta terça-feira, 26, com base em laudo do Instituto Médico Legal (IML), que a causa da morte foi asfixia mecânica com constrição cervical. A polícia acredita que ela pode ter sido morta com um golpe conhecido como "mata-leão", em que o pescoço da vítima é apertado entre o braço e o antebraço do agressor.

O corpo da menina foi encontrado oito dias após o desaparecimento, num matagal, à beira da Estrada de Aparecidinha, no bairro Caxambu, zona rural do município. Os patins estavam ao lado do cadáver. O laudo apontou ainda marcas compatíveis com amarras nos braços e nos tornozelos da garota, o que indica que ela pode ter sido amarrada a uma árvore antes de ser assassinada.

Conforme o delegado seccional de Seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel, o laudo reforçou a hipótese de vingança, pois não há indícios de que a menina tenha sofrido violência sexual.

Segundo ele, não está descartada a hipótese de Vitória ter sido levada por engano, uma vez que a família não tem histórico de inimizades que pudessem levar a uma represália desse tipo.

A polícia incluiu na investigação o irmão de outra garota com o mesmo nome, fisicamente parecida com Vitória, que teria dívidas de drogas com traficantes da região. Essa linha de investigação foi baseada nos depoimentos do único suspeito preso provisoriamente pelo crime, um servente de pedreiro que teria testemunhado o arrebatamento da garota por supostos traficantes.

No último sábado, a Secretaria da Segurança Pública ofereceu recompensa de até R$ 50 mil por informações sobre o crime. A polícia recebeu várias denúncias, mas a maior parte já foi descartada.

Voz de vereadora morta deve ecoar (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

O Brasil vive há muito tempo de lutas e lutos. A maioria no silêncio de estruturas dominantes, responsáveis por tentar calar vozes que se impõem em um país que não garante a vida, dignidade e a livre expressão de oprimidos.

A democracia foi sequestrada e direitos eliminados. Instituições estão dominadas e a intervenção militar no Rio de Janeiro, com a consequente execução da vereadora Marielle Franco, que também vitimou Anderson Gomes, são componentes atuais e emblemáticos.
A força é imposta em um consenso dominador. Com ela, vem a opressão aos que se opõem e aos pobres criminalizados, todos tratados como inimigos, seja com desprezo, ódio ou comoção. Cada qual, no seu tempo e dose, manipulado pela mídia neste trágico ambiente.


Envolvidos por injustiça, desigualdade e violência, oprimidos reproduzem discursos, preconceitos e ódios de opressores contra os iguais, sem consciência disto. A vida é banalizada no campo e nas periferias, onde o Estado não garante condições plenas à existência.
O silêncio não é eterno e o grito de excluídos não será calado. Ações efetivas à transformação são o desafio, mesmo em tempos sombrios no estado de exceção e terror. Intimidar, aniquilar ou capturar mentes e corpos, ocultando indignações, lutas e ideais, ampliam o domínio.


A criminalização da política e o combate seletivo à corrupção seguem a lógica. Justiçamento e prisões potencializam o ódio. De bonecos enforcados em manifestações, chegamos às tragédias, como a de Marielle, e estatísticas nefastas.
O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos apurou 124 ativistas mortos, entre janeiro de 2016 e agosto de 2017. Foram indígenas, sem-terra, favelados, defensores sociais, mulheres, homens..., que cruzaram o caminho do sistema articulado.


A ameaça não é velada e a resistência precisa ser clara e prática. O medo não pode sobrepor a esperança, a justiça, a tolerância e a igualdade. O Brasil não suporta mais este contexto, mesmo quando vozes não se calam, multiplicam-se e ecoam.

Presidente disse que banditismo não pode acabar com o futuro do País (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

O presidente Michel Temer disse que o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes, é “inaceitável” e “inadmissível”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Temer ainda classificou o crime como um “atentado ao Estado de Direito e à democracia”.

Depois de lamentar o crime, o presidente voltou a se manifestar sobre o caso e reafirmou que o governo vai acompanhar as investigações e quer solucionar “no menor prazo possível”.

“O assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, é inaceitável, inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorreram no Rio de Janeiro. É um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e um atentado à democracia. No particular, no caso especial, que estamos aqui discutindo, trata-se de um assassinato de uma representante popular, que ao que sei, fazia manifestações, trabalhos, com vistas a preservar a paz e a tranquilidade na cidade do Rio de Janeiro”, declarou Temer.

Temer disse que a intervenção federal decretada pelo governo na segurança do Rio de Janeiro visa “acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou na cidade por força das organizações criminosas”.

“Eu quero não só me solidarizar com a família da Marielle e do Anderson Gomes, o seu motorista, me solidarizar com todos aqueles que foram vítimas de violência no Rio de Janeiro, mas, salientar que essas quadrilhas organizadas, essas organizações criminosas não matarão o nosso futuro”, enfatizou.

"Nós estamos ali no Rio de Janeiro para restabelecer a paz, para restabelecer a tranquilidade”, acrescentou.

Pela manhã, Temer se reuniu com ministros no Palácio do Planalto para discutir o caso. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, encontraram-se à tarde ao Rio de Janeiro para acompanhar pessoalmente as investigações do assassinato.

Cravinhos teria oferecido aos polícias a quantia de R$ 3 mil a militares por liberação (Foto: Reprodução/ Facebook)

Cidade

Um dos irmãos condenados pela morte do casal von Richthofen, Cristian Cravinhos foi preso na madrugada desta quarta-feira, 18, suspeito de agressão a uma mulher e porte de arma de fogo, e ainda por tentar subornar policiais, em Sorocaba, cidade do interior de São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe foi acionada para atender uma denúncia de briga de casal e, quando abordou o homem, ele se apresentou como "um dos irmãos Cravinhos". Numa busca, os policiais teriam encontrado uma arma.

Conforme o relato apresentado à Polícia Civil, Cristian teria oferecido R$ 1 mil para ser liberado. Afirmou ainda que seu irmão, Daniel Cravinhos, viria de São Paulo com mais R$ 2 mil para entregar aos policiais. Ainda segundo os policiais, ele teria dito que não queria voltar à prisão.

O homem foi preso em flagrante por corrupção ativa e posse ilegal de arma de fogo e levado a uma cela do 4º Distrito Policial. A mulher que estava com ele foi liberada.

O detido será encaminhado para audiência de custódia ainda pela manhã no Fórum de Sorocaba. Os irmãos Cravinhos foram condenados, junto com Suzane von Richthofen, pelo assassinato dos pais dela, Manfred e Marísia Richthofen, em 2002, em São Paulo. Na época, Daniel era namorado de Suzane.

Cristian foi sentenciado a 38 anos e seis meses em regime fechado, mas deixou a prisão em agosto de 2017, após ser autorizado pela Justiça a cumprir o restante da pena em liberdade.

Estudo foi feito em 121 cidades paulistas durante um ano (Foto: Reprodução/Facebook)

Cidade

Dois terços dos casos de feminicídio foram cometidos na casa da vítima, segundo pesquisa do Ministério Público Estadual (MPE). Em 58% dos casos foram usadas armas brancas, como facas, para feri-las ou matá-las. Dos registros, em 75% a vítima tinha laço afetivo com o agressor. 

A pesquisa analisou estatísticas de 121 cidades paulistas de março de 2016 a março do ano passado. O Núcleo de Gênero do MPE analisou 356 denúncias apresentadas à Justiça e divulgou o estudo nesta quinta-feira, dia 1º.

A Lei do Feminicídio - que prevê penas mais altas para condenados por assassinatos decorrentes de violência doméstica ou por discriminação e menosprezo à mulher - completará três anos de promulgação na próxima sexta-feira. A lei classifica esses homicídios como hediondos, dificultando, por exemplo, a progressão da pena do condenado, além de elevar em até um terço a pena final do réu. Mas muitos dos crimes passíveis de enquadramento como feminicídio ainda não são registrados assim, dizem especialistas.

De acordo com a promotora Valéria Scarance, coordenadora do núcleo, um dos méritos do estudo é tentar desmistificar informações, como as que indicam que a maioria dos casos é praticada aos fins de semana. O estudo mostra que 68% dos crimes aconteceram durante a semana e 39%, durante o dia.

Para cometer os crimes, a maioria (58%) usou armas brancas, como facas, ou ferramentas (11%), como martelo. O uso de arma de fogo foi constatado em 17% dos crimes. 

"Claro que a arma é um fator de risco nesses casos, mas os dados mostram que o perigo não é afastado quando o homem não tem uma arma. O uso de ferramentas caseiras é constante. Há casos em que até são usados materiais de construção, como blocos de concreto", diz Valéria. Ataques com uso das mãos para asfixiar ou espancar a vítima representam 10% do total. 

Em 75% dos casos, a vítima tinha laço afetivo com o agressor, com quem era casada ou namorava. E em quase metade dos registros (45%) o que motivou o ataque foi a separação ou o pedido de separação do casal. "Vivemos uma doença social, um 'generocídio' motivado por machismo e sentimento de posse", afirma Valéria. 

A pesquisa também chamou a atenção para o dano desse tipo de crime na família da vítima. Para cada quatro feminicídios, um deles atinge outra pessoa além da mulher - as vítimas secundárias, que presenciam o crime ou até mesmo são agredidos ao lado da mãe, por exemplo, no momento do ataque. Também há os que saem feridos na tentativa de defender a vítima principal. 

Em outubro, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que um terço das mães vítimas de feminicídio deixa ao menos três filhos, segundo estudo da Universidade Federal do Ceará com 10 mil famílias vítimas de violência no Nordeste.

Ciclo de violência

A promotora ressaltou a necessidade de as mulheres tentarem quebrar o ciclo de violência e fazer denúncias. "Se opor a essa conduta pode significar evitar a morte. Toda mulher que sofre deve caminhar para a libertação dessa violência. Um passo por dia no sentido contrário", disse, destacando a importância do registro de boletim de ocorrência e até mesmo de pedidos diretos à Justiça para medidas protetivas. Ela reconheceu, porém, que há dificuldades para atendimento adequado nas delegacias, mas disse que os servidores passam por treinamento para melhoria. 

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança mostraram que em 2016, dos 4.606 assassinatos de mulheres no País, 621 foram registrados na polícia como feminicídio. Dez Estados não forneceram dados específicos sobre esse tipo de crime. 

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Bolsonaro atraiu filiações ao PSL (Foto:Fernando Frazão/ABR/Fotos Públicas)

Nacional

Apenas partidos pequenos aumentaram o número de candidatos nas eleições deste ano em relação a 2014. Enquanto siglas tradicionais como PT, PSDB, MDB, PDT e PSB reduziram a quantidade total de registrados, houve um aumento expressivo entre as siglas de menor porte. O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, é o que mais apresentou candidatos - 1.451, um aumento de 74,4% em relação a 2014. Das 35 siglas existentes, 12 vão ter mais postulantes neste ano do que nas últimas eleições gerais - PSL, PROS, Avante, Podemos, PRB, Solidariedade, PMN, PCO, PSOL, Patriota, PRTB e PPL. Há ainda três partidos que vão estrear nas urnas em âmbito nacional: Rede, Novo e PMB, que, juntos, somam 1.606 candidaturas. Os números têm como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É possível que haja pequenas alterações até o dia 20, quando as informações estarão 100% atualizadas. A legenda que registrou a maior variação porcentual no número de candidaturas foi o PCO (142,8%). A sigla, no entanto, é um ponto fora da curva - tinha apresentado somente 49 candidatos em 2014 e, agora, lançou 119. Em seguida, vem o PROS, com 1.018 candidatos, ante 485 em 2014 (aumento de 109,9%, mais que o dobro de um pleito para o outro). Entre os que mais reduziram candidatos, estão PCB (diminuição de 45,2%), PTB (-33,4%) e PSTU (-31,9%). Entre as siglas maiores, PSB (-31,4%), PSDB (-18,3%) e PDT (-16,4%) tiveram os maiores índices de diminuição de candidatos. O PT registrou queda de 6,8% e o DEM, de 5,5%. Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, uma das explicações para este cenário pode ser a cláusula de barreira, que, a partir de 2018, impõe aos partidos desempenho mínimo para que sejam autorizados a ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV no horário eleitoral. "Os pequenos estão em busca de capilaridade", disse Teixeira. A nova regra exige, para este ano, que as legendas tenham 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação e com 1% em cada uma dessas unidades. A cláusula aumenta gradativamente até 2030 e busca afunilar o sistema partidário brasileiro, altamente fragmentado. Para a cientista política Luciana Veiga, professora da UNI-Rio, a estratégia faz sentido e pode servir à sobrevivência. "Mesmo que não elejam muitos nomes, os partidos com várias candidaturas têm chance de alcançar a cláusula com uma votação mais pulverizada." Um caso mais específico é o do nanico PSL, que, com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, atraiu deputados na janela partidária e, agora, busca se consolidar com a ampliação da bancada no próximo pleito. "O PSL não tinha nada, arranjou meia dúzia de deputados e agora precisa crescer (para se manter vivo)", afirmou Teixeira. Conforme o Estado mostrou na quarta-feira, a nova casa de Bolsonaro registrou mais de 13,6 mil filiações em 2018, impulsionadas pela figura do presidenciável. Trata-se de número quatro vezes maior que o dos partidos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. Concentração Quanto aos partidos tradicionais, o motivo da diminuição de candidaturas passa por um uso mais direcionado dos recursos do fundo eleitoral. Com as regras inéditas de financiamento de campanha, as siglas apostam mais em candidaturas viáveis, com pouca abertura à renovação. É o caso do PSB, a legenda tradicional que mais reduziu o número de postulantes. A estratégia, segundo o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, é concentrar os recursos em campanhas com grandes chances de vitória. "O novo fundo não facilita a renovação", afirmou ele. O PSB não tem candidatura própria à Presidência da República e não compõe nenhuma coligação, mas conta com nomes fortes em eleições regionais. "O fundo eleitoral concentra muitos recursos nos grandes. O problema dos maiores não é dinheiro, não é sobrevivência. É otimizar os cargos que já têm", afirmou Luciana Veiga. 

Candidatos ao governo fizeram questão de mencionar presidenciáveis (Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Cidade

Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no primeiro debate televisionado, na Band, aproveitaram o último bloco do programa para nacionalizar a discussão. Houve menções ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), bem como contra a polarização política no País. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) disse ser, com orgulho, amigo de Lula e candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes. No fim do bloco anterior, Marinho havia feito a primeira menção dele a Lula no debate. Em embate com Rodrigo Tavares (PRTB), ele disse que os governos petistas combateram a corrupção e afirmou que o PT "é a grande esperança" do povo brasileiro. Tavares citou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), cujo vice, general Hamilton Mourão, é do PRTB. Marinho citou ainda acusações de corrupção contra o PSDB. O tucano João Doria o rebateu nas considerações finais e falou que o petista não pode comparar Alckmin a Lula. "Alckmin tem mais de 40 anos de vida pública ilibada. Lula está preso em Curitiba", afirmou. Ele cobrou ainda "respeito" do petista, que no final do bloco anterior havia mencionado o nome da esposa do ex-prefeito paulistano, Bia Doria. "Ela não é ré como o senhor", disse. Na despedida do público, Rodrigo Tavares também atacou Alckmin. "Ele fez bom trabalho sim no Estado de São Paulo, mas como anestesista. Ele anestesiou o Estado de São Paulo", afirmou. Nos apontamentos finais, Márcio França (PSB) levou novamente a discussão para o nível nacional. Ele disse que a população de São Paulo vê os exemplos do PT, do PSDB e do MDB e que só ele representa a mudança. O governador paulista lembrou também a mediação dele na greve dos caminhoneiros. Paulo Skaf (MDB) encerrou o debate exaltando as escola do Sesi, que ele usou para criticar ensino estadual de São Paulo. Antes disso, coube ao empresário a primeira das duas únicas menções a Deus no debate. A segunda foi de Lisete Arelalo (PSOL), que disse que o povo "deu graças a Deus" pela renúncia de alguns candidatos. Ela afirmou ainda que vai seguir com o legado da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 14 de março. Marcelo Cândido (PDT) ressaltou a experiência como prefeito de Suzano (SP).

Para a maioria dos eleitores, Bolsonaro e Alckmin são os favoritos para avançarem na disputa (Foto: Daniel Teixeira e Adriana Spaca/AE)

Nacional

Uma nova pesquisa sobre as intenções de voto à Presidência da República, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Paraná, mostra que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) devem se enfrentar no 2º turno, caso o ex-presidente Lula (PT) tenha sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. Questionados sobre percepção de quais candidatos vão para a segunda fase das eleições, 43,3% apostam em Bolsonaro e 26,7% no tucano. Neste quesito, Ciro Gomes (PDT) vem em terceiro, com a expectativa de 21% dos eleitores. Em seguida aparece Marina Silva, com 20,7%, e Fernando Haddad (PT), provável substituto de Lula, tem 10,1% das apostas.  Mas nas intenções de voto, Lula, mesmo preso, ainda lidera com 30,8%, um crescimento de quase 2% na comparação com a pesquisa anterior feita pelo mesmo instituto. No cenário com Lula, Bolsonaro é o segundo colocado, com 22%, e Alckmin, que na pesquisa anterior tinha uma desvantagem de 3% para Marina Silva (Rede), viu a diferença para ela cair pela metade. Marina tem 8,1% das intenções de voto e ele 6,6%. No cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 23,9% das intenções de voto. Com a saída do ex-presidente da disputa, Marina Silva e Ciro Gomes (PDT) parecem receber parte de seu eleitorado, e ficam à frente do tucano. Marina chega a 13,2%, Ciro fica com 10,2% e Alckmin  8,5%. Esta é a primeira pesquisa divulgada após o debate realizado pela Rede Bandeirantes, na semana passada, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o no BR-02891/2018. O levantamento foi feito com 2.002 eleitores, em 168 municípios brasileiros, entre os dias 9 e 13 de agosto de 2018. A margem de erro, para mais ou para menos, é de 2%.  

Alckmin e França possuem semelhanças em suas carreiras políticas (Foto: Arquivo/MN)

Opinião

Depois que alguns presidenciáveis apresentaram suas propostas para o País, no debate da semana passada, hoje é a vez de sete candidatos ao Governo do Estado de São Paulo fazerem o mesmo na Band, a partir da 22h. É uma grande chance para alguns deles saírem da obscuridade e mostrarem seus programas de gestão e, principalmente, seus rostos, para um eleitorado que não tem dado tanta atenção a eles. É uma brecha aberta inclusive para o governador Márcio França, que, embora no cargo desde abril –, quando Alckmin deixou o posto para concorrer à Presidência –, ainda luta para se fazer mais conhecido entre os eleitores, que podem dar a ele a chance de continuar ocupando o Palácio dos Bandeirantes, como chefe do Executivo. E o que não falta na história política paulista é a figura de vice que conseguiu alçar voo solo e ganhou o papel de protagonista. O próprio Alckmin é um destes, que, com o agravamento da doença de Mario Covas, em janeiro de 2001, assumiu interinamente o governo e, depois, ratificou nas urnas sua permanência. Há semelhanças entre os dois, como o fato de eles terem iniciado na política longe da Capital, sendo vereador e prefeito de suas respectivas cidades natais, depois deputado federal, até serem convidados para comporem a chapa que venceria o governo paulista. Mas, certamente, o desafio de França é bem maior do que aquele encarado por Alckmin, 16 anos atrás. A começar pelo enfrentamento com dois fortes concorrentes, que até outro dia era também seus aliados: Paulo Skaf e João Doria. O emedebista e o tucano lideram com folga a corrida ao Bandeirantes e, se nada mudar até 7 de outubro, estarão no segundo turno. E o problema do atual governador é justamente se interpor entre seus concorrentes. Terá a primeira chance hoje. Para isso precisa mostrar à audiência que é diferente de ambos, e dos demais, e que tem mais a oferecer. Só que do outro lado estarão dois experientes debatedores, já testados em eleições anteriores. Já França faz sua estreia em um programa deste nível. É mais um obstáculo para o político de São Vicente superar, se quiser seguir adiante na disputa.
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