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Secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga rechaça nova crise de abastecimento de água em SP (Foto: Divulgação/Sabesp)

Cidade

Nas ruas de Perdizes, na zona oeste de São Paulo, placas fixadas nas fachadas dos prédios lembram um drama recente na vida dos paulistanos: "Este condomínio utiliza água de reúso". Quatro anos após o início da crise hídrica paulista, mudanças forçadas nos hábitos de consumo de água feitas por moradores que temiam ou sofreram o racionamento viraram o principal antídoto contra uma nova estiagem severa.

"O consumo era alto porque a gente gastava muita água lavando o jardim, o pátio e a garagem. Quando a crise começou, fizemos um sistema de captação de água da chuva com 14 mil litros de capacidade e diminuímos em 30% o gasto com água", diz Reginaldo de Lima, de 60 anos, zelador de um condomínio com 40 apartamentos em Perdizes que montou sozinho uma estrutura para reaproveitar água pluvial nas áreas comuns do edifício.

Nos dois anos de crise hídrica, esse e outros métodos para reduzir o consumo - instalação de redutores de pressão em torneiras e chuveiros e de hidrômetros individuais, e abertura de poços artesianos - geraram um efeito permanente que poupou os mananciais e definiu um novo padrão de consumo de água. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que, mesmo após dois anos do fim do racionamento, no início de 2016, o consumo na Região Metropolitana ainda é 15% menor do que era antes do início da seca que assolou o Cantareira, o maior manancial paulista, em fevereiro de 2014, quando a empresa lançou o programa de desconto na conta para quem reduzisse o gasto.

Hoje, a Sabesp produz 60,9 mil litros por segundo para atender 21 milhões de pessoas na Grande SãoPaulo. Há quatro anos, a demanda era de 71,4 mil l/s. O volume "poupado" - 10,5 mil l/s - seria o suficiente para abastecer 3 milhões de pessoas por dia ou encher quase duas represas Guarapiranga por ano, com 326 bilhões de litros. No auge da crise, em 2015, a produção caiu até 53,2 mil litros por segundo, com o racionamento que chegou a durar 15 horas por dia.

Indicador

Um outro indicador da Sabesp mostra que, de fato, um novo padrão de consumo de água se estabeleceu depois da crise. Isso porque o gasto médio per capita na Grande São Paulo em 2017 foi de 129 litros por habitante/dia, o mesmo índice de 2016, o primeiro pós-racionamento. Em 2013, antes da crise, esse índice era de 169 litros por habitante/dia, 31% maior.

"Durante a crise houve um posicionamento muito importante da população, que passou a consumir menos água e a ter hábitos diferentes. No pós-crise, essa economia continuou e os números mostram que houve uma mudança de hábito da população. É um legado da crise", diz o secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga.

O prédio onde a aposentada Cleonice Lima Boiati, de 62 anos, é síndica, no Cambuci, zona sul, é um exemplo. Em 2014, ela promoveu uma ação caça-vazamento nos 36 apartamentos e nas áreas comuns e alterou o sistema de limpeza da piscina, o que fez consumo cair de 498 mil litros por mês para 286 mil, queda de 42%. E os condôminos colhem até hoje o resultado financeiro da mudança. "Isso fez toda a diferença porque mesmo com esses aumentos todos que tiveram na conta de água a gente ainda paga menos do que há quatro anos."

Para Raquel Tomasini, Gerente da Lello Condomínios, que administra 2,5 mil condomínios na Grande São Paulo, a economia financeira com as ações de redução de consumo de água, que representa até 20% do gasto total dos prédios, estimula síndicos e condôminos. "Essas mudanças de hábitos impactaram de forma positiva nas despesas dos condomínios. E nesse período de crise econômica, desemprego e aumento da inadimplência, os zeladores fazem até vigília do hidrômetro para monitorar o consumo e não deixar a conta aumentar", afirma.

Nenhuma das quatro obras estruturantes foi entregue

Quatro anos após o início da pior estiagem nos mananciais paulistas em oito décadas, nenhuma das quatro grandes obras estruturantes planejadas pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para dar mais segurança hídrica à Região Metropolitana foi concluída

Duas delas - o novo Sistema Produtor São Lourenço, no Vale do Ribeira, e a transposição de água do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira - estão previstas para serem entregues no mês que vem e devem aumentar em 11,5 mil litros por segundo a capacidade de produção de água na Grande SãoPaulo, o suficiente para abastecer quase 3,5 milhões de pessoas.

Já a captação de água no Rio Itapanhaú, que abastece o litoral paulista, e a construção de duas barragens na região de Campinas sequer saíram do papel. A primeira obra acabou de ser contratada e deve ser concluída em 2019. Já a segunda ainda está em fase de contratação pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee)

Para o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, mesmo com as obras ainda não concluídas, o atual cenário hídrico afasta qualquer possibilidade de uma nova crise de abastecimento de água em São Paulo.

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Filme recebeu quatro estatuetas na noite deste domingo, 4 (Foto: Divulgação)

Fora dos Trilhos

O filme A Forma da Água foi eleito o melhor na 90ª edição do Oscar, realizada na noite deste domingo, 4, em Los Angeles, nos EUA. A produção ainda foi premiada com as estatuetas de melhor direção (Guillermo del Toro), trilha sonora e direção de arte.

Ao contrário do tapete vermelho do Globo de Ouro, marcado pelo preto dos protestos dos movimentos #MeToo e Time's Up, o da 90ª festa do Oscar pautou-se pelo colorido. Sempre irreverente, o apresentador Jimmy Kimmel abriu o show dizendo por que o Oscar - a estatueta - é o homem mais respeitado de Hollywood. Dá para ver onde estão suas mãos - e ele não tem pênis! O humor em tempos de assédio na indústria.

Essa abertura, digamos, provocadora não teve muita continuidade. Como a Academia queria, os discursos políticos não deram o tom desse Oscar. Em comparação com o Globo de Ouro, foi bem morno, pelo menos até que Salma Hayek, integrando um grupo de mulheres, destacou a importância do que está ocorrendo na indústria. Num clipe, Geena Davis lembrou Thelma e Louise. "Todo mundo pensava que o filme ia abrir um novo espaço para as mulheres em 1991. Isso está ocorrendo hoje."

E veio a celebração da cultura latina no palco do Dolby Theatre, com as vitórias do Chile, de Guillermo del Toro e de Viva - A Vida é Uma Festa. Prosseguiu com o Oscar de roteiro original para Jordan Peele, por Corra!, o primeiro negro a concorrer em filme, direção e script. Outro Oscar, de roteiro adaptado, para Me Chame Pelo Seu Nome, e James Ivory ressaltou a importância da diversidade sexual. Lembrou até seu companheiro, o falecido produtor Ismail Merchant. Talvez tenham sido esses momentos que fizeram a diferença nesse Oscar.

Os prêmios de coadjuvantes para Sam Rockwell (Três Anúncios Para Um Crime) e Allison Janney (Eu, Tonya) eram mais que esperados. Rockwell retratou-se nos bastidores. "Não podia ter me esquecido de agradecer a Philip Seymour Hoffman (que morreu em 2014). Ele foi inspirador para mim e todos daminha idade. Sua forma de interpretar e de dirigir mostravam que era um homem que acreditava e amava o cinema."

Gary Oldman e Frances McDormand, também favoritos, venceram como melhor ator e atriz por O Destino de Uma Nação e Três Anúncios Para Um Crime.

Confira a lista completa dos vencedores:

Melhor Filme
A Forma da Água

Direção
Guillermo del Toro, A Forma da Água

Melhor ator
Gary Oldman, O Destino de Uma Nação

Melhor Atriz
Frances McDormand, Três Anúncios para Um Crime

Melhor Ator Coadjuvante
Sam Rockwell, Três Anúncios para Um Crime

Melhor Atriz Coadjuvante
Allison Janney, Eu, Tonya

Roteiro Adaptado
Me Chame pelo Seu Nome

Roteiro Original
Corra!

Filme em Língua Estrangeira
Uma Mulher Fantástica (Chile)

Documentário
Ícaro

Animação
Viva – A Vida É uma Festa

Efeitos Visuais
Blade Runner 2049

Canção Original
Remember Me, de Viva – A Vida É uma Festa

Trilha Sonora Original
A Forma da Água

Fotografia

Blade Runner 2049

Edição
Dunkirk

Maquiagem e Cabelo
O Destino de Uma Nação

Figurino
Trama Fantasma

Edição de Som
Dunkirk

Mixagem de Som
Dunkirk

Direção de arte
A Forma da Água

Curta de animação
Dear Basketball

Documentário em curta-metragem
Heaven Is a Traffic Jam on the 405

Curta-metragem
The Silent Child

 

Governo fez investimentos necessários, mas a população tem colaborado? (Foto: Lucas Dantas)

Opinião

O ano de 2015 foi difícil para os paulistanos, que tiveram de aprender a conviver com o rodízio de água por conta da forte crise hídrica que atingiu o Estado de São Paulo. Aquele foi um ano muito complicado para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), já que a água disponível para a capital paulista e sua Região Metropolitana não era suficiente. Com os reservatórios em níveis críticos, os técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) apontaram que era possível aumentar a proporção de água disponível com a captação do chamado volume morto, que era a água abaixo da tubulação dos reservatórios. Foi a salvação para os paulistas.


Obras emergenciais, junto com testes de qualidade da água, garantiram o sucesso da empreitada e o abastecimento de mais de 20 milhões de pessoas. Ainda assim, apesar da sobrevida com o volume morto, os níveis dos reservatórios ficaram baixíssimos. Houve, diga-se de passagem, uma grande contribuição da população, que reduziu o consumo pelo bem de todos. Para alegria geral, as chuvas de 2016 foram consistentes para recuperar os reservatórios. Tanto é verdade que aquelas notícias sobre o volume de água nas bacias dos Sistemas Cantareira, Guarapiranga e Alto Tietê, que apareciam diariamente nos diferentes meios de comunicação, deixaram a pauta justamente porque o problema não existia mais.


O último mês de fevereiro, apesar de ser uma época tida como chuvosa, foi o mais seco dos últimos 13 anos. Mas os investimentos da Sabesp para interligar as bacias de Jaguari e Atibainha, além da construção do Sistema São Lourenço, impedirão qualquer possibilidade de retorno da temida crise hídrica, mesmo em um ano de poucas chuvas. O governo estadual aprendeu e gastou R$ 2,7 bilhões em obras estruturantes em longo prazo. Mas e a população? Será que hoje se economiza água, da mesma forma que durante aquele dias de seca? A sensação é que as pessoas só se preocupam com os problemas quando eles batem à porta. Evitá-los, isso sim, seria um grande aprendizado.

Sabesp age para que reservatórios não sequem novamente (Foto: Lucas Dantas)

Cidade

Com a proximidade do fim de período de chuvas no Estado de São Paulo, surge um medo na população: afinal, é possível que os municípios vivam uma nova crise hídrica? A última situação deste tipo teve seu ápice em 2016, quando o Sistema Cantareira teve uma redução drástica e histórica na sua capacidade.

Mas, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), isso dificilmente ocorrerá novamente. Em março, a oferta de água para a região vai aumentar por conta do início da operação de duas obras estruturantes: o novo Sistema São Lourenço e a interligação do reservatório Jaguari, localizado na bacia do paraíba do Sul, com o reservatório Atibainha, do Sistema Cantareira, levando mais 11,5 mil litros de água por segundo para o abastecimento, volume suficiente para 3,5 milhões de pessoas. As duas obras somam um investimento de R$ 2,7 bilhões.

De acordo com o engenheiro hídrico Antônio Eduardo Giansante, professor do Mackenzie, apesar de o uso de água ter diminuído 15% na Região Metropolitana de SP pós-crise hídrica, faltam campanhas permanentes de conscientização. “A população tem que ser alertada, a todo momento, que o desperdício de água é prejudicial e, sem ela, não há futuro para a humanidade”, afirmou.

Para Fernando Braz Tangerino Hernandez, professor de hidráulica e irrigação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), segurança hídrica depende de planejamento, obras e conscientização. “O uso racional ou inteligente da água depende do homem, não da natureza”, concluiu.

Fórum Mundial da Água ocorre este mês

Pela primeira vez, o Fórum Mundial da Água, em sua oitava edição, será realizado no Hemisfério Sul. E o local escolhido foi Brasília. O evento ocorre entre 19 e 21 de março. Para o professor Giansante, a escolha foi certeira. “Esse tipo de discussão dentro do nosso País pode ajudar bastante na melhora dos nossos recursos hídricos”, comentou.

Durante o fórum, a Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) vão realizar uma premiação para soluções ecoinovadoras em gestão de águas. “Precisamos utilizar os recursos, como a água, de maneira mais eficiente e evitar ou reduzir os impactos negativos para o meio ambiente”, disse Regina Cavini, Oficial Sênior da ONU Meio Ambiente. A expectativa é que se reunirão cerca de 40 mil representantes de 170 países.

 

Estrutura acumula água da chuva que poderá ser reutilizada (Foto: Lucas Dantas)

Cidade

A Prefeitura de São Paulo pretende investir R$ 350 milhões, nos próximos dois anos, para construir seis reservatórios de água no município, os chamados piscinões. De acordo com a administração, serão quatro no Córrego Aricanduva (R$ 169 milhões), um no Taboão (R$ 144 milhões) e um no Cordeiro (R$ 38 milhões).

Um deles fica entre as ruas Benedita de Paula Coelho, João Geraldo e Homero Massena, há dois quilômetros do local onde uma criança foi arrastada, segunda-feira, 26, em córrego, na Vila Matilde. A obra deve ser concluída apenas em julho de 2019. Hoje a Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais administra 20 piscinões.

De acordo com o engenheiro hídrico Antônio Eduardo Giansante, professor do Mackenzie, essa solução é adotada há mais de 100 anos. “O piscinão é uma estrutura que acumula água de chuva, que pode ser reutilizada”, explicou. “Em alguns casos graves, como em construções em cima de córregos, não adianta fazer essa obra. Teria que realocar a população dessa região”, afirmou

Piscininhas” podem ser efetivas

Para o engenheiro civil Cláudio Barboza Ferreira Junior, professor da Univeritas, o piscinão é, hoje, uma das poucas alternativas baratas e que cumpre sua função. “Mas tem que existir uma manutenção. Por exemplo, o acúmulo de lixo é muito prejudicial para o piscinão”, disse. Uma solução apontada por Antônio Eduardo Giansante é a construção de “piscininhas”, estruturas menores, mas com a mesma função dos reservatórios municipais, em calçadas e praças

Licitação deve ser totalmente atendida até maio deste ano (Foto:Lucas Dantas)

Cidade

A  CPTM entregou 34 dos 65 trens adquiridos por 1,8 bilhão de reais na licitação internacional, que terminou em 2016. As empresas do Consórcio Iesa – Hynday Roten (30 trens a R$ 788 milhões) e a espanhola CAF (35 trens por R$ 1 bilhão) já foram multadas diversas vezes pela demora na entrega dos equipamentos. 

Durante inauguração das obras da nova estação Francisco Morato, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ressaltou que o processo de renovação de toda a frota da Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato) deve ser concluída até maio. O trajeto tem 19 novos trens em circulação e transporta 415 mil passageiros por dia útil.


“Temos nesta linha alguns trens ainda da década de 1950, com mais de 60 anos. Os novos trens têm vagões contínuos, que são mais seguros, maior motorização, câmeras de segurança e ar-condicionado. São mais confortáveis, seguros e silenciosos”, disse Alckmin.

 A Linha 11-Coral Expresso Leste (Luz-Guaianazes) também foi beneficiada com outros 15 veículos da nova frota. Pelo menos 500 mil pessoas por dia utilizam este percurso. Os demais trens ainda precisam ser entregues e passar pelos testes necessários. 

Volume ideal seria por volta de 70% nesta época do ano (Foto: Divulgação/ Sabesp)

Cidade

O volume do Sistema Cantareira, um dos maiores complexos de abastecimento de água de São Paulo, está com 51% de sua capacidade nesta sexta-feira (16). O Consórcio PCJ, que gerencia os recursos hídricos das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e participa do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, considera o número preocupante e avalia que o volume ideal seria por volta de 70% nesta época do ano.

Segundo relatório divulgado pelo consórcio no mês passado, caso as chuvas do início deste ano não ocorram de forma consistente, as chances de indisponibilidade de água são grandes, principalmente porque é esperada para 2018 a ocorrência do fenômeno La Niña, o que pode representar fortes secas na região Sudeste.

Outra questão importante a ser considerada, segundo o consórcio, é que os lençóis freáticos ainda não se recuperaram da escassez de água dos últimos anos. Apesar das chuvas intensas de 2015 e 2016, elas tiveram curta duração e o lençol freático não foi carregado suficientemente.

Em 2017, as chuvas chegaram a quedas próximas de 15% da média histórica e, neste ano, os lençóis freáticos não estariam preparados para uma possível crise. Além disso, a região Sudeste tem grande impermeabilização do solo, o que causa mais dificuldades para o carregamento do lençol.

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Presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a decisão pelo Twitter (Foto: Divulgação)

Mundo

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou há pouco a indicação do embaixador Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. Diplomata há 29 anos, Araújo é diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty. Bolsonaro anunciou a indicação por meio de sua conta no Twitter. “A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje”, escreveu o presidente eleito, classificando o diplomata como um “um brilhante intelectual.” Com o novo anúncio, sobe para oito os nomes confirmados para a equipe ministerial do governo eleito. Alguns escolhidos atuam diretamente no governo de transição. Nas declarações públicas, Bolsonaro avisou que pretende reduzir de 29 para de 15 a 17 o número de ministérios, extinguindo pastas e fundindo outras. A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

"Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares", disse o presidente eleito (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Saúde

O governo cubano informou nesta quarta-feira, 14, que está se retirando do programa social Mais Médicos do Brasil após declarações "ameaçadores e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou mudanças "inaceitáveis" no projeto do governo. O convênio com o governo cubano é feito entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "Diante desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim comunicou a diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", anunciou a entidade em um comunicado. Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 11 mil médicos cubanos que trabalham hoje no Brasil depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa "à revalidação do diploma", além de ter imposto "como via única a contratação individual". O programa Mais Médicos tem 18.240 vagas em 4.058 municípios, cobrindo 73% das cidades brasileiras. Quando são abertos chamamentos de médicos para o programa, a seleção segue uma ordem de preferência: médicos com registro no Brasil (formados em território nacional ou no exterior, com revalidação do diploma no País); médicos brasileiros formados no exterior; e médicos estrangeiros formados fora do Brasil. Após as primeiras chamadas, caso sobrem vagas, os médicos cubanos são convocados. "Não é aceitável que se questione a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, presta serviços atualmente em 67 países", declarou o governo. "As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificados em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa", informou em nota o Ministério da Saúde. De acordo com o governo cubano, em cinco anos de trabalho no programa brasileiro, cerca de 20 mil médicos atenderam a 113.539 milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios. "Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história", disse o governo. Segundo o governo de Cuba, mais de 20 mil médicos cubanos passaram pelo Brasil e chegaram a compor 80% do contingente do Mais Médicos, criado no governo Dilma Rousseff. Cuba anunciou que manteria o programa depois do impeachment da ex-presidente petista, apesar de considerar o afastamento um "golpe de Estado". Bolsonaro critica Cuba O presidente eleito Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a decisão do governo cubano.  Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018 Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável! — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 14 de novembro de 2018

e temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", questionou Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Nacional

O presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, afirmou, nesta quarta-feira, 14, que quer preservar o meio ambiente, mas "não dessa forma que está aí". Ele culpou políticas ambientais e indigenistas pelo atraso de algumas regiões do País e disse que "o índio quer ser o que nós somos". Bolsonaro citou como exemplo a situação de Roraima, que disse ter potencial para ser "o Estado mais rico do Brasil". "Se não tivesse problemas ambientais e indigenistas, tinha tudo para ser Estado mais rico do Brasil. Esse é um problema que temos que resolver. O índio quer ser o que nós somos, o índio quer o que nós queremos. Se temos na Bolívia um presidente índio, por que aqui o índio tem que ficar confinado numa reserva?", declarou Bolsonaro . Durante reunião com governadores, em Brasília, Bolsonaro contou que está na iminência de anunciar o nome do seu ministro do Meio Ambiente e afirmou que "não será o que dizem". Lembrou, ainda, que desistiu de fundir a pasta com a Agricultura por orientações do setor produtivo.

Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

Opinião

A solução dos problemas começa com um diálogo franco e aberto. Daí ser louvável a reunião agendada para hoje, em Brasília, entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e os 27 novos governadores do País. Todos eles têm um grande desafio pela frente, mas, evidentemente, se trabalharem em parceria, e não boicotando o que pode ser bom para o Brasil, haverá grande chance de que os remédios necessários sejam encontrados e o trabalho seja bem feito. Os futuros chefes do Executivo estadual têm muito a contribuir com o presidente eleito. E, politicamente, também têm muito a ganhar, quando o projeto deste novo Brasil der certo. Percebe-se que, aos poucos, as nuvens negras de uma campanha desgastante vão se dissipando, a razão começa a prevalecer e, ao invés de torcer contra, é cada vez maior o número daqueles que preferem alimentar a esperança que a descrença. Aliás, uma célebre frase do escritor latino Públio Siro, diz que “quem perdeu a confiança não tem mais o que perder.” A hora não é para isso. Na verdade, o momento pede que se dê crédito aos novos condutores da Nação e que se guardem as pedras previamente preparadas para serem jogadas na vidraça. E muitos dos novos governadores estão dispostos a ajudar Bolsonaro, inclusive na aprovação da reforma da Previdência, essencial para o ajuste das contas públicas do País. Por sua vez, a maioria das Unidades da Federação também está com suas contas no vermelho, por gastarem mais do que arrecadam, e esperam suporte da União para manter a máquina funcionando. Relatório do Tesouro Nacional, por exemplo, apontou que 16 Estados mais o DF descumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal no ano passado, ao destinar mais de 60% da receita para o pagamento de salários e aposentadorias. Assim, sobra cada vez menos para serviços básicos, como segurança e educação. Os problemas são complexos, daí a necessidade do diálogo e da busca por novas perspectivas. E a reunião de hoje em Brasília, com Bolsonaro e os governadores, oferece exatamente esta oportunidade. Desde agora, a capacidade de cada um deles estará colocada à prova, mas já começam bem, buscando o apoio e o entendimento mútuo, ao invés da divisão pura e simples. No final, quem ganha mesmo com isso é o Brasil e os brasileiros. Ainda bem!
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Sucesso do agronegócio é fundamental para a economia brasileira e a geração de empregos (Foto: Antonio Costa/Fotos Públicas)

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Doria é um dos governadores eleitos que já declararam apoio a Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter)

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Tentaram boicotar até um programa que visa a ajudar crianças com deficiência física, o Teleton, apenas por que Sílvio Santos agradeceu e enalteceu o presidente eleito (Foto: Reprodução/SBT)

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O uso de bicicletas reduz problemas na Mobilidade e na Saúde, como a diminuição da poluição (Foto: Rovena Rosa/Ag Brasil/Fotos Públicas)

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