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Apesar de ter motivos para comemorar por zerar a fila do Bolsa Família em São Paulo, o Ministério do Desenvolvimento Social e a Prefeitura de São Paulo terão de manter uma fiscalização ativa já que um em cada 11 benefícios bloqueados do programa é de uma família paulistana, conforme levantamento feito pelo MetrôNews com base em dados do próprio ministério.

Segundo o Governo Federal, em junho e julho ocorreram 543 mil suspensões sem aviso-prévio no País por conta de irregularidades ou problemas no cadastro, com destino para reavaliação e cancelamento.

No mês de maio, 452.803 famílias receberam o recurso do programa federal. Já em julho o número de famílias caiu para 405.936, uma diferença de 46.867. Vale ressaltar que a média de pessoas dentro de uma família é de quatro integrantes, o que faria o corte de verba atingir aproximadamente 190 mil pessoas.

Vale ressaltar que durante o primeiro semestre deste ano o investimento do Bolsa Família na Capital cresceu R$ 50 milhões. O pico de pagamentos foi em fevereiro, quando R$ 70.642.192 foram pagos para 472.827 famílias             com média de R$ 149,40 por beneficiado.

Em janeiro, assim como ocorreu em agosto, o ministério também afirmou que tinha zerado a fila de espera do programa que atende pessoas em situação de extrema pobreza.

“Com o pente-fino, conseguimos afastar as pessoas que tinham renda maior e repassar o benefício para quem mais precisa. As famílias que estão entrando agora vão receber o Bolsa enquanto não tiverem uma fonte de sustento maior”, disse o ministro Osmar Terra sobre o feito repetido pela segunda vez em agosto.

A reportagem chegou a questionar a Prefeitura de São Paulo sobre quais os métodos utilizados para fiscalização e quantos benefícios foram cancelados nos seis primeiros meses do ano, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Alta – Investimento do programa na Capital cresceu R$ 50 mi em 2017 (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)

Especialista critica redução ‘surpresa’

Especialista em opinião pública e professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Jacqueline Quaresemin aponta que o Bolsa Família é um programa de segurança alimentar e não pode ser cortado sem mostrar transparência no critério utilizado.

Segundo ela, é necessário mostrar de uma forma clara quais são os métodos e quem analisou os bancos de dados. “A situação da rua, da miséria, da fome e do cadastro do Bolsa Família é tão complexa. Não pode ocorrer assim. A fome aqui é real, não é ficção”, disse.

A professora acredita que, pela proporcionalidade, São Paulo tem uma miséria muito grande nas periferias e no Centro. Um corte inesperado no benefício pode tanto favorecer a violência como prejudicar aqueles que não terão condições de atualizar o cadastro exatamente pela falta de dinheiro.

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