Economia

Brasil Expande Margem Equatorial com Novos Setores de Exploração de Petróleo

Redação Por Redação
02/10/2026 - 17:06 4 min de leitura
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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que a Margem Equatorial, considerada uma nova fronteira promissora para a produção de petróleo, agora conta com 11 setores adicionais, totalizando 380 mil quilômetros quadrados (km²) de área exploratória.

Essa expansão foi fundamentada em uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconheceu a ampliação da plataforma continental do Brasil.

A diretoria da ANP aprovou essa inclusão na última sexta-feira (2), destacando que os novos setores abrangem 501 blocos de exploração, uma área equivalente ao tamanho do estado de Mato Grosso do Sul ou até mesmo da Alemanha.

Esses setores foram categorizados pela ANP como Nova Fronteira Exploratória, o que sinaliza um aumento significativo no potencial de exploração de petróleo e gás na região.

A plataforma continental é composta pelo leito e subsolo das áreas submarinas que se estendem além do mar territorial, onde o Brasil exerce soberania para a exploração de recursos naturais. Em 2025, um pedido do Brasil, coordenado pela Marinha, foi reconhecido pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, resultando na ampliação da plataforma brasileira.

Com essa nova decisão, a ANP pôde adicionar os setores exploratórios à Margem Equatorial. Essa área, conhecida como o “novo pré-sal”, tem atraído o interesse de empresas petrolíferas e do governo devido ao seu grande potencial.

Recentes descobertas na Guiana e no Suriname reforçam a expectativa em relação a essa área ao norte das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A Petrobras, por exemplo, anunciou uma nova descoberta na bacia da Foz do Amazonas, que faz parte da Margem Equatorial.

A estatal considera que a exploração no norte do país é crucial para a reposição de suas reservas de petróleo, especialmente com a previsão de que o pré-sal comece a declinar na década de 2030.

Os novos setores estão localizados nas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão, com os 501 blocos situados em águas profundas, a mais de 3 mil metros de profundidade.

A ANP também ajustou os limites de três setores já existentes, mas esclareceu que os novos blocos não serão automaticamente incluídos no sistema de Oferta Permanente, que é um leilão para participação das petroleiras.

“A inclusão de blocos para oferta dependerá de uma análise específica e seguirá o rito regulatório aplicável”, afirmou a ANP em comunicado.

A atualização da Margem Equatorial não afetará contratos já existentes, pois as novas áreas ainda não foram contratadas. A ANP garantiu que a análise socioambiental para a configuração das novas áreas considerou as unidades de conservação e não identificou sobreposições que inviabilizassem os recortes propostos.

Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a expansão das áreas na Margem Equatorial é um “passo estratégico” para a reposição das reservas brasileiras e a segurança energética do país a longo prazo. O diretor executivo do IBP, Cláudio Nunes, destacou que essa ampliação permitirá à indústria explorar novas áreas e avançar no conhecimento geológico da região.

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) também vê a nova delimitação como uma oportunidade para reposição de reservas. O coordenador de pesquisas do Ineep, Francismar Ferreira, enfatizou a importância de discutir a política energética e os marcos regulatórios para que os avanços exploratórios estejam alinhados ao desenvolvimento produtivo e tecnológico do Brasil.

Ele ressaltou que a renda gerada pela exploração deve ser utilizada pelo Estado para fins estratégicos, como adaptação às mudanças climáticas e redução das desigualdades.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/brasil-amplia-margem-equatorial-com-base-em-decisao-da-onu-entenda

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